Guia de ferramentas para os pais sobre a privacidade dos estudantes: O que são dados dos estudantes? (Parte II)

Para uma compreensão total dos tipos e a quantidade de informações pessoais que os estudantes geram hoje no mundo digital, como estas são usadas e compartilhadas, vamos examinar a vida de um personagem fictício chamado Tommy e a jornada dele através dos dados – e tecnologias – usadas durante o seu período de escolarização.

1. Antes dele começar o jardim da infância, os parentes de Tommy devem fornecer a escola dele informações pessoais incluindo nome, gênero, data de nascimento, número de identidade/certidão de nascimento e informações de saúde (imunizações, medicamentos prescritos, deficiências, alergias, etc.), e informações financeiras da família para ver se ele está qualificado para gratuito ou preços reduzidos.

As informações de Tommy são então armazenadas em uma base de dados – que é normalmente mantida por uma empresa externa como por exemplo, a InfiniteCampus que armazena todos os dados em uma nuvem – e os oferecem para escolas, administradores, professores, e parentes em formato de um painel de dados digitais.

A escola mandará muitas das informações eletronicamente para o departamento de Educação do Estado para rastrear o progresso de Tommy durante a escola no (Statewide longitudinal data system – SLDS). Pesquisadores e formuladores de políticas frequentemente usam estas informações para prestação de contas e propósitos de avaliação.

2. Antes de Tommy chegar na sala de aula para seu primeiro dia, a informação dele é compartilhada com várias companhias que fornecem serviços para a escola e distrito. O distrito cria uma conta para o passe de ônibus escolar e um cartão de identificação, e o acessa usando do pacote do Google para Educação.

3. Durante o período dele na escola, a localização de Tommy e a atividade dele na internet são rastreadas pela tecnologia instalada no ônibus escolar dele por meio de um chip de identificação de rádio frequência (RFID) no cartão de Tommy que permite a escola rastrear todos os locais que ele passa.

Se Tommy permite que o seu smartphone ou tablet conecte o Wi-fi enquanto ele está sentado no ônibus, seu login as suas e informações de acesso podem ser rastreadas pelo provedor de internet e distrito escolar.

4. Se durante a aula Tommy fala sem levantar as mãos, o professor dele registra este evento em sua conta no “ClassDojo” – uma ferramenta de comportamento on-line. O sistema emite um “sinal” audível para que a classe inteira ouça e adicione uma informação ao seu perfil online. As atualizações diárias e semanais são enviadas aos pais de Tommy através de um aplicativo de telefone, texto ou e-mail.

5. Na cafeteria, Tommy fornece sua impressão digital, nome ou número de estudante para o escritório do refeitório, que então grava suas seleções de comida em sua conta online, que pode se tornar parte de seu registro digital permanente.

6. Durante a aula de ginástica, Tommy usa um monitor de freqüência cardíaca para registrar sua intensidade de treino como parte de sua nota. O aplicativo analisa os resultados e envia um relatório por e-mail para a conta no dropbox do seu professor. Não está claro o que acontece com a informação digital sobre a saúde de Tommy no final do ano letivo.

7. Em casa e na escola, Tommy recebe “aprendizagem personalizada” por meio de aulas online. Se ele resolve problemas de matemática através de um jogo de vídeo ou testes depois de ler uma história, com fins lucrativos empresas de tecnologia – não seus professores – isto pode determinar o tipo de conteúdo e nível de dificuldade da atividade a partir da coleta de dados e uso de algoritmos proprietários para análises suas habilidades, perfil seus interesses, e prever resultados. Este processo é conhecido como “mineração de dados”.

8. Bem antes da educação infantil, Tommy deve fazer avaliações ou testes de preparação para atender requisitos do seu município e do seu estado. A partir do 3 até o 8 anos, ele precisa realizar exames anuais padronizados de matemática, artes e língua inglesa como exigido pela lei federal. Ele também pode ser submetido a várias avaliações padronizadas locais e periódicas nestas e em outras disciplinas. As empresas que administram estes testes muitas vezes coletam uma variedade de informações pessoais de estudantes, bem como metadados sobre a quantidade de tempo que os alunos levam para responder a uma pergunta específica. Estes procedimentos muitas vezes são marcados por máquinas em vez de pessoas.

9. Ainda no ensino fundamental, Tommy pode ser solicitado a responder pesquisas sobre por exemplo, o “ambiente escolar”, e outras que medem suas crenças pessoais, suas visões políticas, ou habilidades sociais e emocionais, muitas vezes usando uma conta online com seu nome ou com outras informações pessoais anexadas a ele.

10. Enquanto Tommy progride através dos seus anos como aluno no ensino fundamental e médio, seu registros educacionais se ampliam incluindo suas notas, horários, pontuações em testes padronizados, informações disciplinares, registros de aconselhamento, se há algum tipo de deficiência, planos de estudo individualizados e qualquer condição de saúde que ele possa ter que requer medicação ou um tratamento especial na escola. O arquivo também pode incluir informações sobre seu histórico familiar, sua origem racial e étnica, seu país de nascimento, seja ele um imigrante ou sem-teto, e quais tipos de assistência governamental que ele recebe.

11. Quando Tommy chega ao 6° ano ou até mesmo antes, o seu distrito escolar pode implementar um programa 1:1, fornecendo dispositivos que são utilizados pelos estudantes (tablets, e-readers…), tais quais em suas configurações de privacidade permitem que companhias como Google rastrear e minerar dados dos estudantes, incluindo sites da internet, páginas visitadas e termos buscados, livros e artigos lidos online, vídeos assistidos no YouTube e senhas. Tommy usará estes dispositivos até quando ele se forma, gerando milhões de dados que podem ser minerados para analisar as questões de aprendizado dele, acompanhar seu desenvolvimento e progressão em certos cursos ou carreiras, ou gerar um perfil consumidor que pode ser vendido no mercado de big data.

12. Sem o conhecimento ou consentimento dos parentes dele, o distrito escolar de Tommy pode compartilhar o nome dele, suas notas, registros de atendimento, registros de casos de indisciplina, resultados de testes padronizados, e demais informações sobre deficiências com pesquisadores privados e até com o Departamento de Educação dos Estados Unidos. Os resultados destes estudos nunca serão conhecidos por Tommy ou por sua família.

13. No período em que Tommy está frequentando o ensino primário, ele será requisitado para usar um programa online como o Naviance para responder a questionários visando melhor orientá-lo para sua pessoal, acadêmica e ajudá-lo a fazer planos para a universidade. Uma vez no Ensino Médio, ele será requisitado a utilizar a maioria destas informações armazenadas no Naviance para o processo seletivo da universidade.

14. No ensino médio, Tommy se registra para um curso online ou um aplicativo instrucional como complemento as suas aulas tradicionais. Alguns dos cursos online, como aqueles oferecidos por uma companhia chamada Knewton, que coleta milhões de dados de cada estudante diariamente. As informações coletadas de Tommy por empresas como estas podem ser usadas para anunciar produtos ou programas para ele ou para os seus familiares, baseados nos dados pessoais dele.

15. No ensino médio, Tommy realiza o College Board Advanced Placement (AP), cursos e exames como o PSAT, o SAT ou ACT, os quais ele terá que responder uma série de perguntas pessoais. O College Board ou o ACT pode vender seu perfil de estudante ou para colégios para ajudá-los a decidir recrutar e admitir ele ou não, mesmo se tal ação ocorra sem o consentimento de Tommy.

16. Durante o segundo ano de Tommy no ensino médio, suas informações privadas pode ser compartilhada com recrutadores militares a menos que seus pais revoguem sua permissão por escrito. De qualquer forma, sua própria escola é autorizada para administrar o Armed Services Vocational Aptitude Battery (Teste vocacional de aptidão para forças armadas) e liberar os resultados para recrutadores.

17. Quando Tommy se forma, seu histórico educacional terá mais de 13 anos de estudos. Em cada ano que Tommy passou escola, seu distrito enviou suas informações em seu registro para o sistema de dados de estudos longitudinais do Estado (SLDS) onde tais dados podem estar vinculado a outra agência estatal bases de dados, incluindo os departamentos de saúde e serviços humanos, educação superior e avaliações, para somente depois passar para pesquisadores. Em qualquer ponto da carreira educacional de Tommy, seus dados pessoais, sejam eles realizados por sua escola, agências estaduais ou federais, pesquisadores ou vendedores on-line, podem ter sido mal utilizados, violados ou pirateados, prejudicando suas perspectivas futuras de maneiras além do que nossa imaginação consegue supor.

QUAIS SÃO OS FATOS SOBRE PRODUTOS DE “APRENDIZAGEM PERSONALIZADA”?

De acordo com um artigo de 2016 do Data & Society Research Institute, “A maioria dos sites de produtos descrevem a participação de professores ou a aprendizagem de cientistas no desenvolvimento dos produtos como mínimas, mesmo após a sua execução (Guernsey & Levine, 2015). Os produtos não são testados antes da adoção nas escolas e oferta limitada, pois não há pesquisas sobre a eficácia de sistemas de aprendizagem personalizados além de depoimentos “.

COMO OS PARENTES SE SENTEM SOBRE A PRIVACIDADE DOS ESTUDANTES?

Um estudo de 2015 publicado pelo Fórum do Futuro do Privado afirmou que 87% dos pais pesquisados ​​”se preocupam sobre dados de alunos sendo pirateados ou roubados”. O estudo também descobriu que 68% dos pais entrevistados estão preocupados sobre o fato “que um registro eletrônico possa ser usado no futuro contra seu filho por uma faculdade ou um empregador.”

O QUE ACONTECE COM DADOS CAPTURADOS ONLINE?

Quando os alunos pesquisam a internet – seja na casa ou escola – suas informações são coletadas por empresas on-line, agrupadas como perfis de consumidores e então, são vendidos no mercado de dados sombrio. Por isso os dados têm o potencial de prever com precisão os sentimentos, motivações e comportamentos dos sujeitos, o que pode ser comprado por faculdades, empregadores, credores hipotecários e empresas seguradoras para avaliar a adequação de um indivíduo para esses serviços e produtos.

OS DADOS DOS ESTUDANTES FOI DIVULGADO POR ESCOLAS?

Em fevereiro de 2016, Washington D.C., algumas escolas públicas divulgaram publicamente dados privados de aproximadamente 12.000 alunos, incluindo “cada número de identificação do aluno, raça, idade, escola, deficiência e quaisquer serviços que o aluno ou aluna recebeu.”

EMPRESAS ONLINE PRODUTOS DE “APRENDIZAGEM” ESTÃO ENVOLVIDOS?

Dentro final de 2015, a VTech, uma “premiada empresa de brinquedos eletrônicos”, teve 4,9 milhões de contas de pais e 6.4 perfis infantis violados por um hacker. A informação dos pais incluíam “nome, endereço de correspondência, endereço de e-mail, endereço IP, o download do histórico e das credenciais da conta ” Os perfis incluíam nome, gênero e data de nascimento.

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Guia de ferramentas para os pais sobre a privacidade dos estudantes: um guia prático para proteger seus filhos da exposição de dados e informações escolares privadas (Introdução – Parte 1)

 

Para bisbilhoteiros, hackers, marketeiros, educadores e público em geral.
Publicado em Maio de 2017.

INTRODUÇÃO

Por que as famílias devem se preocupar com esse tema?
É difícil para as famílias ter noção sobre a quantidade de informação está sendo coletada sobre os estudantes nas escolas hoje, ou como esta informação é usada, armazenada, e compartilhada com outras pessoas.

Tanto durante um dia normal escola quanto ao longo da vida criança desde do jardim da infância, passando pelo ensino médio e graduação – uma imensa quantidade de dados, incluindo informações extremamente sigilosas, são compartilhadas sem o conhecimento dos pais ou consentimento dos fornecedores que oferecem serviços operacionais na área de tecnologia ou empresas que oferecem programas educacionais. Ao invés de protegido em um armário de arquivo ou mantido nos servidores de computadores da escola, a informação pessoal do aluno é frequentemente transmitida e armazenada em nuvens (clouds) para facilitar o acesso e o uso por terceiros. As leis federais destinadas a proteger as informações dos alunos com problemas de comportamento ou nos próprios sistemas das escolas são consideradas inadequadas e ultrapassadas para enfrentar os desafios da cultura digital dos dias atuais.

Os pais podem nunca saber a extensão completa de como as informações de suas crianças podem estar sendo compartilhada, usada, remixadas, vendidas, violadas ou hackeadas ao longo da carreira escolar. Se as crianças tiverem suas entradas negadas no ingresso da universidade de escolha deles, os pais podem escolher se querem que as informações dos estudantes estejam vendidas para universidades pelo corpo de seleção da universidade e usados para rejeitar o requerimento deles. Se as crianças deles são recusadas para o emprego dos seus sonhos, pode o empregador ajudá-los a obter isso usando um perfil online a partir de uma busca na internet recolhidos pelo dispositivo emitido pela escola e comprados pelos vendedores de dados? Se a identidade das crianças são roubadas, foi isto resultado do armazenamento de dados anos atrás durante a fase de escolarização? Se as crianças são negadas de trabalhar em empregos estatais quando adultos, pode isto acontecer por causa das informações disciplinares ou outras informações incriminadoras oriunda de seus arquivos realizada pelo departamento estadual de educação e outras agências?

Este guia foi desenvolvido para ajudar os pais e demais interessados sobre como abordar estas questões, e ter informações sobre os seus direitos e quais passos você pode tomar para maximizar a privacidade e segurança de suas crianças. Como os pais devem entender, é obrigação da família proteger suas crianças e tentar assegurar o sucesso deles na escola e na vida. Nós esperamos que este guia possa ajudar você.

Agradecimentos

Este esforço foi um projeto da Coalisão de Pais para a privacidade dos estudantes e a Campaign for a Commercial-Free Childhood, e só foi possível por um apoio generoso da Rose Foundation for Communities e a Environment’s Consumer Privacy Rights Fund.

O guia para os pais sobre a privacidade dos estudantes foi autorizado por Rachael Stickland, Melissa Campbell, Josh Golin, Leonie Haimson, e David Monahan, e designed by Ross Turner Design.

Agradecimentos especiais para os membros conselheiros Kris Alman, Oregon Education Advocate; Faith Boninger, National Education Policy Center, University of Colorado Boulder; Laura Bowman, Parents Across America; Phyllis Bush, Co-fundadora da Northeast Indiana Friends of Public Education, and Board member, Network for Public Education; Tim Farley, New York State Alliance for Public Education; Jennifer Jacobson, Connecticut Alliance for Privacy in Education*; Cheri Kiesecker, Parent Coalition for Student Privacy; Chad Marlow, American Civil Liberties Union*; Francesca Miceli, Esq.; Mark B. Miller, School Director, Centennial, Pennsylvania School District, and Board member, Network for Public Education; and Sarah Petrie, Esq.

* Afiliação apenas para fins de identificação.
Questões? Visite www.studentprivacymatters.org/toolkit para mais informações, incluindo webinars gratuitos sobre como usar utilizar recursos neste conjunto de ferramentas.

Em breve capítulo 1.

Texto na íntegra aqui.

Tradução livre por Rafaela da Silva Melo. Outubro 2017. Todos os direitos reservados. 

 

 

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Férias curtas

Depois de tanto tempo sem sair de casa, apenas estudando e dando pequenos rolezinhos resolvi visitar meu primo e sua mulher em Sepetiba no Rio de Janeiro.

Em agosto de 2016, meu primo sofreu um grave acidente de carro e na época eu estava com muitos problemas pessoais e não consegui visitá-lo. Então, eu me organizei melhor e fui lá visitar o pessoal e conhecer a parentada.

Confesso que senti vontade de mudar pra lá por causa da tranquilidade e sentimento de paz e segurança… Também senti muita nostalgia em verdade como os grandes avanços tecnológicos chegam aos poucos e como é bom ter cuidado para não transformar os lugares e as pessoas naquilo que elas não são. Aprendi muito sobre a cultura local, especialmente sobre a influência das igrejas (seja em qualquer denominação) na vida dos jovens, crianças e idosos no sentido de lazer e espaço para socialização e também educação.

Amei conhecer a Igreja Presbiteriana de Sepetiba e o Pastor Gilberto e sua esposa Amanda, a Igreja Assembléia de Deus e sentir a FORÇA das manifestações de matrizes africanas e o poder dos seus devotos. Isso tudo me ensinou muito sobre a necessidade de mais respeito, trocas e cumplicidade. Me mostrou que visões tão diferentes podem ter pontos em comum, que é o desejo pela paz, harmonia, prosperidade, alegria, amizade e amor.

Estava tudo indo muito bem e proveitoso mas lembrei que tenho dissertação pra terminar, apresentações para divulgar a plataforma e também colocar no lattes, artigos para publicar e ideias pra desenvolver.  Meu corpito não parou um segundo durante esses dias que fiquei lá e me divertir muito com a Andreza e com seus filhos 🙂 

Dei uma passadinha nos pontos turísticos do Rio de Janeiro… É tudo muito aquilo que já sabemos e por isso foquei em descobrir outros lugares que não conhecia nem de ouvir falar.

Fiz alguns registros no Instagram e outros que vou postar em breve por aqui. 

Ansiosa pelas próximas férias!

 

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CultivEduca: Adequação da formação dos professores de ciências e biologia na região macromissioneira no Rio Grande do Sul

Cláudia Ebling Santos, Luís Fernando Gastaldo

Resumo: Considerando um levantamento realizado na plataforma Cultiveduca, que se utiliza dos microdados do Censo da Educação Básica 2015 do INEP, este estudo verifica a adequação entre a formação e a atuação de professores nas disciplinas de ciências do ensino fundamental e biologia do ensino médio, nas escolas da região macromissioneira, que compreende seis Coordenadorias Regionais de Educação (CRE) a saber: 9º CRE de Cruz Alta, 14º CRE de Santo Ângelo, 17 º CRE de Santa Rosa, 32º CRE de São Luís Gonzaga e 36º CRE de Ijuí. Justifica-se a importância desse acompanhamento para evidenciar as necessidades de ações que as Instituições de Ensino Superior (IES) precisam apresentar para permitir o cumprimento do Plano Nacional da Educação (PNE) 2014-2024. O PNE estabelece na meta 15 que todos os profissionais da Educação Básica devem possuir formação específica de nível superior, obtida em curso de licenciatura na área de conhecimento em que atuam e na meta 16, estabelece a necessidade de garantir formação continuada na área de atuação dos profissionais da educação. Pelo levantamento foi constatado o número total de 676 professores atuando no ensino de ciências e biologia. A formação dos professores é categorizada em 5 grupos: Grupo 1: Formação específica para a disciplina lecionada, com licenciatura ou complementação pedagógica, Grupo 2: Formação específica para a disciplina, bacharelado, sem complementação, Grupo 3: Formação para outra disciplina, licenciatura ou formação pedagógica, Grupo 4: Qualquer outra formação superior, Grupo 5: Sem formação superior. Somente os professores enquadrados no grupo 1 estão plenamente adequados ao PNE. Em números absolutos, no ensino de ciências na região macromissioneira, integram o primeiro grupo, 133 professores na 9ª CRE, 92 na 14ª CRE, 180 na 17ª CRE, 178 na 21ª CRE, 63 na 32ª CRE e 162 na 36ª CRE. No ensino de biologia 49 professores na 9º CRE, 62 na 17º CRE, 56 na 21º CRE, 31 na 32º CRE e 51 na 36º CRE. Na mesma região macromissioneira a distribuição percentual de professores no grupo 1 do ensino de ciências é 23,7%, no grupo 2, é 6.36%, no grupo 3 é 54,07%, no grupo 4 é 0,8% e no grupo 5 é 15,07%.  No ensino de biologia a distribuição percentual de professores no grupo 1 do ensino de biologia é 81,74%, grupo 2 é 5,62%, no grupo 3 é 9,84%, no grupo 4 é 1,40% e no grupo 5 é 1,40%. Conclui-se que o número de professores que estão atuando em sua formação especifica é bem maior que os demais grupos de formação, porém ainda estamos longe de atingir a totalidade dos professores, como prevê a meta 15 do PNE. Desta forma cabe as IES, dentre elas a UFFS, continuar a promover ações formativas.

Artigo completo aqui.

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Zaz à Montmartre: Les passants

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As práticas educativas emancipatórias nos países latino-americanos: considerações sobre o documentário “La Educación Prohibida”

Por Rafaela da Silva Melo –UFRGS 

rafaela.melo@ufrgs.br

Resumo:

O presente trabalho se propõe realizar uma reflexão a partir de trechos extraídos do documentário “La Educación Prohibida” sobre o nosso atual sistema educacional produto da modernidade, analisar suas principais características e contradições. E a partir dos conceitos de Educação Libertadora de Paulo Freire e Epistemologia do Sul de Boaventura de Souza Santos, o trabalho busca visibilizar algumas tentativas de superação de um modelo educacional excludente a partir do surgimento de movimentos contra hegemônicos visando à superação de um modelo educacional opressor e de consolidação de uma concepção de educação libertadora pautada pelos princípios éticos, pela alteridade e pelo desejo de transformação social.

Palavras-chave: Emancipação; Movimentos Contra hegemônicos; Educação Libertadora.

  1. Introdução

Este trabalho se propõe realizar uma reflexão sobre o atual modelo educacional, a partir de um documentário divulgado na internet em agosto de 2012, que tem por título: “La Educación Prohibida”. O documentário/filme que tem a duração de 2h 25h, foi dirigido por um jovem de 24 anos chamado Germán Doin Campos e produzido colaborativamente por diversos educadores de países latino-americanos e da Espanha que questionam a forma como os sistemas de ensino tradicionais estão organizados, seus pressupostos e as suas contradições.

A pesquisa realizada para a produção do documentário mobilizou mais de 90 educadores de propostas alternativas de oito países. Os educadores nos apresentam experiências que ousaram transgredir o modelo educacional hegemônico, mostrando-nos algumas possibilidades e caminhos para a superação de um paradigma excludente. O documentário/filme foi financiado coletivamente graças ao centro de coprodutores e tem licença livre, o que permite a sua cópia e reprodução gratuitamente.

2. A escola como produto da modernidade

O que faz com que o estudante fracasse na escola? Compreendo que não é o estudante quem fracassa é o sistema que foi mal projetado. As reformas educativas que estão em vigor em muitos países, são criadas para o fracasso. São arranjos maquiados do que nós pensamos que devemos melhorar na escola, mas o problema está no modo como concebemos paradigmaticamente a escola, é um problema de concepção básica”. (Depoimento de Carlos Muñoz, La Educaccion Prohibida, 2012).

O documentário “La Educación Prohibida” faz um breve resgate histórico para explicar o surgimento do conceito de educação pública, gratuita e obrigatória no final do século XVIII na Prússia. Além disso, é explicitada a conveniência do modelo educativo atual para as sociedades industriais, que fizeram da escola um espaço de reprodução simbólica serializada: uma grande linha de produção e padronização.

Embora a educação fosse concebida no discurso das classes hegemônicas como “caminho para o progresso” e que esta deveria ser ofertada para todos, sendo direito fundamental de natureza social para o exercício da cidadania (Cury, 1997) a escolarização foi historicamente negada para as classes populares, complementando um quadro de exclusão e negação de cidadania que atinge a grandes contingentes desses setores da população. Diversas são as contradições e os questionamentos da modernidade, que, se, por um lado, defendia a igualdade e a liberdade, por outro, perpetua uma ação incisiva de modelo de sistema opressor, controlador e disciplinador de condutas.

Em relação à escola, nascem os grandes sistemas públicos de educação. Modelo de escola que não apenas instrui e forma, mas também impõe comportamentos e valores, que se articulam em torno da didática, da racionalidade técnica, da disciplina, das práticas repressivas. Com as mudanças no modo de produção capitalista em meados do século XX, surge a necessidade da criação de escola para as massas, para atender as novas demandas econômicas de mão de obra.

Um sistema educacional para as classes populares deveria atender os setores produtivos. Portanto, a educação para as classes populares deveria tornar todos “iguais”, deveria ser padronizada, hierarquizada, seletiva, competitiva visando à formação de futuros trabalhadores com saberes pré-determinados, prontos e moldados, considerados os únicos necessários para o desempenho futuro. Segundo Pérez Gomes (2001):

É fácil reconhecer como a escola, filha privilegiada do Iluminismo moderno, exerceu e continua exercendo um poderoso influxo etnocêntrico. A escola está reforçando de maneira persistente a tendência etnocêntrica dos processos de socialização, tanto na delimitação dos conteúdos e valores do currículo que refletem a história da ciência e da cultura da própria comunidade como na maneira de interpretá-los como resultados acabados, assim como na forma unilateral e teórica de transmiti-los e no modo repetitivo e mecânico de exigir aprendizagem. (PÉREZ GÓMES 2001, p. 35).

O autor destaca o caráter tradicionalmente etnocêntrico na organização curricular das instituições educativas, pois o racionalismo científico sob bases cartesianas e positivistas fundamentaram uma concepção de educação escolar reprodutora do sistema de dominação colonizadora, demarcando territórios para dominantes e dominados, através de um olhar inferior dos europeus para os povos do Sul, sobretudo através das ciências, das artes e outras.

Portanto, a natureza etnocêntrica do currículo escolar denunciada por Pérez Gómez (2001), faz parte da representação do pensamento hegemônico que norteou um projeto de sociedade comprometido com um ocidentalismo capitalista, o qual buscou eliminar a “diferença”, pautando-se em paradigmas capazes de estabelecer hierarquizações, a fim de uma valorizar determinada cultura, determinados saberes, determinados modos de ser, viver e estar no mundo.

3. A Educação Libertadora e a Epistemologia do Sul: Um diálogo entre Paulo Freire e Boaventura de Souza Santos

Nesse tópico apresento de modo sucinto, as contribuições de Paulo Freire e Boaventura Santos para o debate sobre a construção de alternativas contra hegemônicas para educação dos países latino-americanos visando a emancipação. Primeiramente, destaco as principais contribuições do educador e militante Paulo Freire (1921-1997) que trouxe importantes reflexões sobre os sujeitos postos à margem da sociedade do capital.

Por entender as classes populares como detentoras de um saber não valorizado e excluídas do conhecimento historicamente acumulado pela sociedade, nos mostra a relevância de se construir uma educação a partir do conhecimento do povo e com o povo provocando uma leitura da realidade na ótica do oprimido, que ultrapasse as fronteiras das letras e se constitui nas relações históricas e sociais. Nesse sentido, o oprimido deve sair da condição de opressão a partir da fomentação da consciência de classe oprimida. Paulo Freire acreditava no poder transformador e construtor da história dos seres humanos e atribuía à educação um papel importante para redimir os oprimidos da situação de opressão, defendendo a educação como instrumento de libertação. A Pedagogia do oprimido é aquela que busca a libertação dos seres humanos oprimidos, e para tanto eles têm que ser parte ativa desse processo.

Na visão freireana, a educação é um processo humanizador e histórico que deve proporcionar uma práxis transformadora para libertar os homens e mulheres da situação de submissão que a sociedade capitalista lhes impõe. (Batista, 2005, p.6).

O pensamento de Paulo Freire influenciou e ainda influencia diretamente o campo teórico-metodológico-epistemológico da Educação ao fomentar a questão política da educação. Sua concepção de Educação Popular foi muito bem recebida por diversos educadores, organizações e movimentos sociais da América Latina nas últimas décadas, pois ao contrário de concepções educacionais nascidas nos gabinetes dos burocratas ou de pedagogistas bem intencionados, a educação popular nasceu, na América Latina, no calor das lutas populares.

Segundo Gadotti (2007), a educação popular tem-se constituído num paradigma teórico que trata de codificar e decodificar os temas geradores das lutas populares, buscando colaborar com os movimentos sociais que expressam essas luta. Representa o desejo em diminuir o impacto da crise social na pobreza, em dar voz à indignação e ao desespero do pobre, do oprimido, do indígena, do camponês, da mulher, do negro, do analfabeto e do trabalhador industrial.

O Sociólogo Português Boaventura de Sousa Santos, vem desde o início dos anos noventa produzindo trabalhos significativos de análise sobre a estrutura e construção do conhecimento moderno. Para ele o nosso Mundo é um complexo mosaico multicultural. Entretanto, ao longo da modernidade, a produção do conhecimento científico foi configurada por um único modelo epistemológico, como se o mundo fosse monocultural, que descontextualizou o conhecimento e impediu a emergência de outras formas de saber não redutíveis a esse paradigma (Santos, 2009).

Constata-se, assim, a uma espécie de “epistemicídio”, ou seja, à destruição de algumas formas de saber locais, à inferiorização de outros, desperdiçando-se, em nome dos desígnios do colonialismo, a riqueza de perspectivas presente na diversidade cultural e nas multifacetadas visões do mundo por elas protagonizadas (Santos, 2009). Boaventura Santos propõe, a partir da diversidade do mundo, um pluralismo epistemológico que reconheça a existência de múltiplas visões que contribuam para o alargamento dos horizontes da mundaneidade, de experiências e práticas sociais e propostas educativas alternativas.

É importante esclarecer que a crítica de Boaventura Santos não questiona a importância e o valor da intervenção científica ao longo dos dois últimos séculos, sobretudo através da produtividade tecnológica, mesmo tendo em consideração os problemas criados para os quais a ciência moderna não tem solução.

A questão trazida por ele salienta que este monopólio da ciência não pode ocultar e impedir-nos de reconhecer que há outras formas de conhecimento e outros modos de intervenção no real para os quais a ciência em nada contribuiu. É o caso, por exemplo, da “preservação da biodiversidade, só possível por formas de conhecimento camponesas e indígenas e que, paradoxalmente, se encontram ameaçadas pela intervenção crescente da ciência moderna” (Santos, 2009, p. 49).

O conceito de Epistemologias do Sul representa uma metáfora de todo sofrimento, de toda exclusão e do silenciamento de povos e culturas que, ao longo da História, foram dominados pelo capitalismo e colonialismo. Processo que segundo Santos (2009) imprimiu uma dinâmica histórica de dominação política e cultural submetendo à sua visão etnocêntrica o conhecimento do mundo, o sentido da vida e das práticas sociais. Afirmação, afinal, de uma única ontologia, de uma epistemologia, de uma ética, de um modelo antropológico, de um pensamento único e sua imposição universal (Santos, 2009, p. 51). A partir desta constatação, a reflexão de Boaventura de Sousa Santos nos mobiliza a lutarmos pela recuperação dos saberes e práticas dos grupos sociais que, devido ao capitalismo e aos processos coloniais, foram histórica e sociologicamente colocados na posição de serem apenas objetos ou matéria-prima dos saberes dominantes, considerados durante séculos e séculos como os únicos válidos.

A contribuição do pensamento de Boaventura de Sousa Santos (2009) é essencial para compreendermos a necessidade de criarmos propostas educativas contra hegemônicas, o que envolve uma ruptura do currículo etnocêntrico, das práticas pedagógicas homogenizantes, classificatórias e excludentes, do epistemicídio cultural e da superação de uma concepção de educação que visa a formar os indivíduos para a manutenção deste sistema desigual e excludente.

4. PRÁTICAS EDUCATIVAS CONTRA-HEGEMÔNICAS NOS PAÍSES LATINO-AMERICANOS

As propostas apresentadas a seguir representam algumas das diversas experiências de educadores dos países latino-americanos exibidas no documentário “La Educación Prohibida”. As quatro propostas escolhidas para esse tópico, se diferenciam pelos contextos e culturas pelas quais estão inseridas, mas que se unem pelo desejo de construção de uma educação inovadora, pluralista, emancipadora e libertadora dos povos latino-americanos.

a) Instituto Popular de Cultura (Cidade de Cali, Colômbia)3:

Fundado em 1947, o instituto tem como missão a formação sujeito totalmente autônomo e crítico com os princípios éticos e estéticos em campos específicos das artes. Sujeito que seja capaz de construir conhecimento e saberes artísticos através de processos de pesquisa e projeção social, envolvendo a reflexão crítica e ativa, visando o desenvolvimento artístico e cultural a partir da realidade local. O Instituto Popular de Cultura pretende estabelecer-se como uma instituição de excelência em educação para as artes, para a educação não formal e também projetos de pesquisa, buscando promover o desenvolvimento cultural e o fortalecimento e valorização da produção artística e expressões populares em nível local e regional.

b) Escuela Experimental La Bahia (Ushuaia – Argentina):

La Bahia é uma escola pública iniciada por pais de comunidades rurais, que faz parte de uma rede experimental com trinta unidades espalhadas pelo país. A proposta educativa, com mais de meio século de vida e já com um conjunto de trinta escolas em toda a Argentina (criadas sempre a partir da iniciativa de um grupo de pais), contudo as propostas pedagógicas destas não são semelhantes e precisam se ajustar aos planos de estudos vigentes em cada estado, além da incorporação das características sociais e culturais de cada localidade. Entretanto, a proposta se desenvolve a partir de alguns pressupostos: O primeiro diz respeito à importância de “estar presente” e a segunda premissa diz respeito ao compartilhar o espaço e o tempo de trabalho, os equipamentos escolares, a música, o momento da refeição ou do canto, os jogos, a limpeza do lugar onde estão.

d) Escola Livre Experimental de Piracanga (Bahia – Brasil)

A Escola Livre Experimental situa-se na pequena área de Piracanga (BA), localizada a 60 km de Ilhéus, em uma casa de madeira, com telhado de bambu, envolta pela natureza e banhada pelo Rio Piracanga. Na Escola Livre Experimental de Piracanga não tem sala de aula. No lugar, há vários espaços criativos e de estudo. As crianças são separadas em grupos de, no máximo, 15 alunos, agrupados de acordo com faixa etária. Todos os dias são oferecidas atividades como ensino de idioma (inglês, francês, espanhol), natação, aulas de massagem, meditação, dança, jogos de integração do grupo, passeios, teatro e cinema. Cada aluno deve optar por uma dessas programações, que depois de cumprida, deve ser substituída por outra. Considerando as distintas etapas de desenvolvimento, as crianças recebem dos adultos ajuda em áreas como matemática, geografia, história, língua portuguesa, sociologia, física, biologia e química. Ou seja, independentemente das escolhas dos educandos, as diferentes áreas do conhecimento são articuladas aos saberes desenvolvidos nas diferentes vivências.

d) Unidad Educativa Experimental Activa Intercultural Trilingüe Inka Samana.5 (Saguro – Equador)

A UEAITIS (Unidad Inka Samana) está situada sobre uma pequena elevação da Cordilheira dos Andes em uma comunidade indígena ao sul do Equador. Este projeto tem como objetivo o resgate da etnia indígena e a dignidade da Cultura do Povo Saguro.

Em Inka Samana não existe formalidade de horários, nem uniformes, nem tampouco a concepção de aula no sentido tradicional. As aulas podem surgir em qualquer espaço e em qualquer hora. Inclusive, a expressão “professor” é ressignificada para “facilitador” que tem a função de facilitar e problematizar e atender individualmente as necessidades dos estudantes. A Inka Samana se organiza em três níveis: médio, primário e pré-escolar e dispõem de salas de trabalhos. Dentro da instituição se encontra as áreas de biblioteca, cozinha, quadra esportiva, salão de artes e artesanato.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O documentário “La Educcación Prohibida” se propõe fomentar e proporcionar um debate reflexivo a cerca dos pressupostos que sustentam a escola, que desde sua origem, tem sido caracterizada pela manutenção das estruturas e práticas excludentes, segregadoras, disciplinadoras e opressoras. E que ainda se mantém como uma instituição que mais contribuí com manutenção das desigualdades sociais e com o epistemicídio cultural do que com a emancipação dos sujeitos. Sua principal falência se encontra em um projeto que não considera a natureza da aprendizagem, a liberdade de compreender a importância do amor e dos vínculos humanos para o desenvolvimento individual e coletivo, pois existe uma uniformidade de práticas (apesar da multiplicidade de escolas existentes) que se orienta, quase que exclusivamente, para a formação de trabalhadores, relegando a formação do ser humano em segundo plano.

A partir destas reflexões, é preciso visibilizar propostas educativas que busquem superar práticas opressoras. “La Educación Prohibida” é um documentário que propõe recuperar muitas delas, explorar suas ideias e visibilizar experiências que buscam romper com as estruturas do modelo educacional da escola tradicional. E que nos mostra ser possível construir uma educação que promova um pluralismo epistemológico que viabilize uma educação integral, emancipadora e humanizadora, pautada pelos princípios éticos, pela alteridade, pela cidadania e pelo desejo de transformação social.

REFERÊNCIAS

ARRIADA. Eduardo. A sala de aula século XIX: disciplina, controle, organização. Revista Conjectura. v. 17, n. 2, p. 37-54, maio./ago. 2012.

BATISTA, Maria do Socorro Xavier. Educação popular em movimentos sociais: construção coletiva de concepções e práticas educativas emancipatórias. 28a Reunião Anual da ANPED, Caxambu, 2005.

BEECH. Jason. A internacionalização das políticas educativas na América Latina. Revista Currículo Sem Fronteiras. V.9, n° 2. Jul./dez. 2009. P. 32-50.

BRASIL. Senado Federal. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: nº 9394/96. Brasília: 1996.

CURY, Carlos R. Jamil. O Conselho Nacional de Educação e a Gestão Democrática. In: OLIVEIRA, Dalila Andrade (Org.). Gestão democrática da educação: desafios contemporâneos. Petrópolis: Vozes, 1997, p. 199-206

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1985.

GADOTTI, Moacir. Paulo Freire e a Educação Popular. Revista Trimestral de Debate da Fase. São Paulo. n. 113, Ano, 31, jul./set., 2007, p. 21-27.

GANDIN, L. A.; APPLE, M. W. Challenging neo-liberalism, building democracy: creating the Citizen School in Porto Alegre, Brazil. J. Education Policy, v. 17, n. 2, p. 259–279, 2002.

GIDDENS, Anthony. A constituição da sociedade. 2a ed. São Paulo: Editora Martins Fontes, 2003.

LA EDUCACIÓN PROHIBIDA. Realização integral: German Doin. [s.l.], 145 min., legendado. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=-1Y9OqSJKCc. Acesso em: 25 de junho de 2013.

PEREZ GÓMEZ, A.I. A Cultura Escolar na Sociedade Neoliberal. Porto Alegre: Artmed, 2001.

PERONI, V. M. V. Avaliação institucional em tempos de redefinições no papel do Estado. Revista Brasileira de Administração da Educação. 2009.

SANTOS. Boaventura de Sousa; MENESES. Maria Paula (Orgs.) Epistemologias do Sul. Coimbra: Almedina, 2009. 532 pp.

Mais informações em: http://www.institutopopulardecultura.edu.co/

Mais informações disponível em<http://pueblos.originarios.free.fr/pueblos-indigenas/educacion-multicultural-saraguro.html> Acesso em 21 de agosto de 2013.

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CultivEduca na mídia: Brasil tem 2.516 professores acima dos 70 anos que ainda atuam em sala de aula

Original publicado aqui.

Conheça as histórias dos mestres Getúlio, Dilma e Syldea

RIO – Em um dia qualquer de 2006, a professora Dilma Martins entrava em seu carro, em Marechal Hermes, quando foi abordada por assaltantes. Um dos homens ordenou que ela entrasse no veículo e estava prestes a dar partida quando seu comparsa reconheceu a vítima e interveio afobado: “Essa não”. Ao olhar para ele, Dilma finalmente identificou o rosto de um ex-aluno.

— Ele gritou para o outro: “Essa não, é minha professora.” Então me disse: “Desculpa, professora”. Isso realmente me marcou muito. Ele tinha tudo para se esconder de mim. De lá para cá eu tive a certeza que nós podemos mudar o comportamento dos nossos alunos. O professor ainda não descobriu a força que tem — conta Dilma, que, no mesmo episódio, recebeu um abraço do ex-estudante.

O relato é apenas uma das histórias que a professora acumula ao longo de seus 51 anos de magistério. Aos 71 anos de idade, Dilma, que dá aula na Escola Municipal Rosa da Fonseca, na Vila Militar, poderia estar aposentada há tempos. No Brasil, assim como ela, outros 2.516 docentes acima de 70 anos continuam à frente de turmas escolares, segundo dados do Censo Escolar compilados pela plataforma “CultivEduca”, do Centro de Formação Continuada de Professores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O número corresponde a 0,11% dos 2,1 milhões de docentes em atividade no Brasil. O Rio é a segunda capital do país com maior quantidade de mestres acima dessa idade: são 174 docentes na ativa. Em São Paulo, são 241.

Atualmente, os professores da rede pública que dão aula na educação básica podem se aposentar ao atingir 25 anos de contribuição e idade mínima de 50 anos, no caso das mulheres; e 30 anos de contribuição e 55 anos de idade, no dos homens. A partir dos 75 anos a aposentadoria é compulsória. Caso a reforma da previdência seja aprovada, a idade mínima subirá para 60 anos para todos.

Apesar de atender a todos os requisitos para aposentadoria, Dilma decidiu ficar e, há dez anos, só trabalha com turmas de correção de fluxo escolar. Ou seja, ela dá aula para alunos que repetiram de ano várias vezes e estão com a idade defasada em relação à série que cursariam no ensino regular.

— Tenho alunos que já estavam desistindo de estudar e voltaram, é uma coisa que mexe com o brio deles, com a autoestima — diz.

O estudante Christian Andrade, de 14 anos, é um dos que manifestam sua gratidão:

— Esses dias eu queria parar de estudar. Ela me disse: “não faça isso, estamos no meio do ano, vamos continuar estudando. Falta pouco, não desiste”. O que ela fez por mim ninguém faria.

A tentativa de transformar o futuro de seus alunos é o que leva o professor de inglês da Escola Municipal Edgard Werneck, Getúlio Benevides, 71 anos, a percorrer colégios particulares de Jacarepaguá com uma pasta sob o braço. Todo ano, ele leva nessas instituições uma lista com 20 nomes de estudantes de escolas públicas que, segundo ele, caso tenham uma oportunidade, serão os primeiros colocados nos vestibulares das melhores universidades do país. Em seus 48 anos de carreira, Getúlio já perdeu as contas de quantas bolsas de estudo conseguiu, mas se lembra com carinho de quando, em 2009, sugeriu à então secretária de Educação que adotasse um livro de inglês nas turmas do 1° ao 9° ano.

— Eu disse a ela que estávamos há 20 anos sem um livro de inglês, entreguei um projeto de ensino. Um dia passei na banca de jornal e estava escrito: “Inglês do 1º ao 9º ano no município do Rio”— conta orgulhoso, lembrando que nunca recebeu sequer um agradecimento da prefeitura pela sugestão. — A profissão de professor não tem o prestígio que merece. A sociedade de modo geral, e principalmente os políticos, não dão bola para os professores. Se o menino quer ser professor, a mãe e o pai dizem: “negativo”.

Com Syldea Pinto aconteceu exatamente o contrário. Por incentivo dos pais ela se tornou professora há quase 50 anos. Professora de português da Escola Municipal Alzira Araújo, ela admite sem cerimônia que, quando decidiu ficar, levou em consideração o abono permanência. Em aula, sua relação com os alunos deixa claro o que, de fato, pesou em sua decisão. Brincalhona, Syldea reduz a distância de quase 60 anos que a separa dos alunos.

— Eu sempre tive um bom relacionamento com todos os meus alunos. Até hoje eles vão na minha casa, porque sabem onde eu moro. Parei de varrer a calçada de casa, porque eu começava e já aparecia um aluno — relata rindo.

Ainda que inspiradores, exemplos como Dilma, Getúlio e Syldea tendem a ficar mais raros. De acordo com a especialista em educação Maria Amabile Mansutti, coordenadora técnica do Cenpec, a desvalorização da carreira faz com que esses profissionais sejam uma raridade.

— Esses que não se aposentam são aqueles cuja docência tem um sentido forte na vida. A carreira não tem atratividade, e os que permanecem, muitas vezes, deixam a sala de aula e assumem funções administrativas. Não temos um plano de carreira que segure os professores na docência.

Em 2015, pelo menos 16 estados descumpriam o piso salarial dos professores que, atualmente, é de R$ 2.298,80 para a educação básica. Somado a isso, a rotina estressante e o desgaste enfrentado em sala de aula conduzem cada vez mais docentes para fora das escolas.

— Não critico nenhuma pessoa que se aposenta. No caso do professor, deve ser perguntado sempre a ele: você quer continuar? É bom para você e para os alunos? Se ele disser que sim, deixe-o continuar. Fernanda Montenegro está lá. Sabemos da idade dela, e ela é a dama do cinema. Quando vou parar? Nunca. Enquanto houver uma escola que me inspire a fazer esse trabalho eu não paro — diz Getúlio. Mas essas frases também poderiam ser de Dilma ou de Syldea.

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Uso de tablets e smartphones por crianças deve ser monitorado pelos pais, dizem pediatras

Original publicado aqui.

NOVA YORK – A facilidade com que crianças de até 3 anos lidam com tablets e smartphones vem preocupando pediatras e outros especialistas. Hoje em dia é muito comum que pais deixem seus filhos navegando nos gadgets em restaurantes ou no carro, de modo a mantê-los quietinhos numa viagem ou enquanto esperam a refeição. Mesmo sem ler, as crianças conseguem escolher sozinhas filmes para assistir, jogos ou ver fotos de família e amigos no tablet ou smartphone. E os pais se sentem menos culpados por achar que, usando os aparelhos mesmo em idade tão tenra, as crianças aprendem alguma coisa com os aplicativos.

Não por acaso, os dispositivos figuraram entre os mais procurados para presentes de Natal este ano. Fabricantes como a Samsung colocaram no mercado tablets especialmente projetados para os pequeninos e boa parte dos tablets para adultos já vem com controles que os pais devem configurar para filtrar o conteúdo.

Mas os especialistas observam que não há qualquer prova de que passar muito tempo navegando num tablet ofereça qualquer benefício educacional ou relativo ao desenvolvimento das crianças. Na verdade, essa navegação tira as crianças de seu elemento natural: brincar, interagir com amigos e adultos ao vivo e usar brinquedos comuns, que não sejam digitais. Para os médicos, ficar muito tempo entretido com a tela de um celular ou tablet cada vez mais se mostra ligado a problemas comportamentais e atraso no desenvolvimento social.

— Os tablets só estão no mercado há pouco mais de três anos, ou seja, a pesquisa sobre seu impacto numa criança ainda se encontra num estágio bem inicial — afirma o pediatra Dimitri Christakis, do Seattle Children’s Hospital.

Segundo ele, jogos e apps educativos têm algum valor real pela interação da criança com o dispositivo, mas apenas ver vídeos no gadget é como assistir à TV, em que o espectador é mais passivo.

De acordo com Christakis, os pais devem verificar se o uso do tablet não está afetando outras atividades cotidianas da criança, como ler, interagir com adultos e dormir.

O aprendizado da linguagem também pode ser atrasado pelo atenção excessiva aos gadgets eletrônicos, diz a psicóloga infantil Rahil Briggs, do Monefiore Medical Center em Nova York.

— A natureza solitária do uso dos eletrônicos significa que as crianças não estão aproveitando seu tempo para aprender a fazer amigos ou como se comportar socialmente — diz Briggs.

Outros especialistas, porém, acham que os tablets e smartphones são benéficos do ponto de vista educacional. De acordo com Jill Buban, diretora da Escola Educacional da Post University, em Connecticut, diz que, quanto mais as crianças puderem absorver e compreender a tecnologia antes de entrar na escola, mais confortáveis se sentirão ao entrar numa sala de aula pela primeira vez.

— Mas mesmo assim os melhores apps educativos têm de ser monitorados pelos pais, e seu uso, limitado. O ideal é que não sejam usados mais que 30 minutos por vez — diz Jill.

Adam Cohen diz que seu filho Marc, de 5 anos, usa apps em tablets desde 1 ano e meio de idade.

— No começo ele ficava um pouco sozinho, mas agora consegue ler tão bem a ponto de quase chegar ao nível da segunda série, e eu credito isso aos apps do iPad — diz o pai. — Agora ele tem seu próprio tablet e sua irmã, Harper, que sequer completou um ano, parece frustrada por não ter o seu também.

Definitivamente, é uma nova era para a criançada. Até o tradicional programa “Vila Sésamo” tem atualmente em seu departamento digital 45 aplicativos e 160 e-books.

— No fim, trata-se de uma questão de equilíbrio, e o que procuramos fazer é proporcionar uma experiência enriquecedora de mídia onde quer que pais e filhos estejam, da TV ao tablet — diz Scott Chambers, vice-presidente de conteúdo digital da Sesame Workshop.

Leia mais: https://oglobo.globo.com/sociedade/tecnologia/uso-de-tablets-smartphones-por-criancas-deve-ser-monitorado-pelos-pais-dizem-pediatras-11152227#ixzz4th1S0ar7
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Infográfico: As gerações e suas formas de aprender

Original publicado aqui.

As gerações e suas formas de aprender

As gerações e suas formas de aprender

Na postagem original é possível baixar um E-book completo gratuitamente mediante um cadastro.

 
 

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3° Festival BB Seguridade jazz e blues em Porto Alegre

Está chegando mais um festival BB Seguridade Jazz e Blues em Porto Alegre no dia 30/09.

Local: Parque Farroupilha (Redenção)

Horário: 11h às 19h

Atrações:

Cumbuca Jazz

Nicola Spolidoro Quarteto

Tributo Deuses da Guitarra com O Bando

Leroy Jones

Nuno Mindelis

Hermeto Pascoal

Zeca Baleiro em um show de blues

Atividades para crianças:

Oficina de Musicalização

Oficina de Malabares

Pintura facial, escultura de balão e oficina de desenho durante todo o dia!

E, ainda, Pet Friendly!

Confira aqui meus registros do ano passado.

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