Category Archives: Feminismo

Good Night Stories For Rebel Girls

Estava visitando o tumblr da Fa Conti e achei uma postagem que falava sobre educação pelo exemplo. E como boa pedagoga que sou (ou penso eu que sou) fui dar uma espiada.

O vídeo que a Fa divulgou em seu blog se trata de um projeto organizado por Francesca Cavallo e Elena Favilli de título “Good Night Stories for Rebel Girls” uma coleção que reúne 100 histórias para a hora do sono das crianças sobre a vida de 100 extraordinárias mulheres do passado e do presente, ilustrado por 60 artistas mulheres de vários lugares do mundo.

Na sessão de depoimentos de leitores há comentários bem interessantes. Uma mãe comentou:

“Nossa filha de 4 anos tem pedido trechos do livro durante a hora do sono TODAS AS NOITES desde que ela ganhou o livro no natal. Assim como ela ama ouvir estas histórias, nós amamos contá-las para ela. As brincadeiras imaginativas dela atualmente incluí piratas, pilotos, e políticos… o que é mais legal do princesas”.

De acordo com as organizadoras a obra tem como intuito celebrar a vida e a trajetória de mulheres extraordinárias, pois mulheres reais do passado e do presente tem alcançado incríveis resultados, apesar de tudo. São aquelas garotas rebeldes cuja as ações tem mudado o curso da história. Pintoras, cientistas, dançarinas, chefes, astronautas, cantoras de jazz, faraós, lutadoras de boxe, escritoras, líderes na política vindas de cada parte do planeta.

A coleção de histórias para a hora do sono tem por objetivo inspirar jovens garotas e suas mães, suas tias, suas primas, etc., para serem mais confiantes, sonhar grande e cultivarem sua força.

Neste vídeo de divulgação do trabalho, uma mulher e uma garota estão em uma livraria procurando livros que não falem sobre princesas ou tenham como personagens principais mulheres ou garotas. Conforme elas avançam a pesquisa nas prateleiras das estantes de livros elas se dão conta que há pouquíssimos títulos que fujam dessas convenções. O vídeo constata o que muitas de nós já sabemos, mas vale a pena conhecer e divulgar o projeto exatamente por este apontar um problema que insiste e persiste.

 

Leave a Comment

Filed under Educação, Feminismo

Rails Girls Novo Hamburgo: relato

Na semana passada (10 e 11 de março) rolou um evento muito bacana no Campus 2 da Feevale em Novo Hamburgo. O evento foi organizado pelas Rails Girls de NH, um grupo de gurias super-ultra-mega power-geeks que compartilham a paixão pelo ruby – uma linguagem de programação interpretada multiparadigma desenvolvida em 1993 no Japão por Yukiro “Matz” Matsumoto, para ser usada como script. Sobre a motivação para criar esta nova linguagem, Matsumoto disse que “Eu queria uma linguagem de script que fosse mais poderosa do que Perl, e mais orientada a objetos do que Python. É por isso que eu decidi desenvolver minha própria linguagem.” (Fonte Wikipédia)

Sabe quando tu se cansa de tudo e sente que o tem disponível não atende as tuas necessidades? Foi por essa razão que esta linguagem nasceu e ela ficou tão popular que segundo o Índice Tiobe, Ruby é a 10ª linguagem de programação mais popular do mundo, sendo muito utilizada para criação de aplicativos e desenvolvimento de websites. O público-alvo do evento eram garotas, mas vi muitos guris por lá, ora prestigiando o evento ou ajudando na programação.

Eu consegui participar da oficina inicial e foi muito bacana, pois aprendi a criar um diretório e organizar as pastas do projeto que  eu estava desenvolvendo. O evento contou ainda com a participação de representantes de empresas chiquérrimas na área da tecnologia como a SAP e a 4All que contaram estão abrindo novas oportunidades e acreditando no talento das mulheres, especialmente naquelas áreas/setores dominadas por homens, como a programação e T.I.

Além disso, as gurias destacaram iniciativas e políticas internas que possibilitam crescimento na carreira, igualdade salarial e o principal: o combate fortíssimo contra a discriminação e assédio sexual e moral contra mulheres e grupos LGBT.

Outro ponto forte do evento em minha opinião foi a distribuição de brindes (eu sou brindeira assumida e amei os bloquinhos de papéis, cadernos e canetas – são sempre úteis e eu odeio comprar cadernos para a faculdade).

Durante o evento rolou um coffeebreak bacanudo repleto de guloseimas vegana.

Nota: As gurias falaram da necessidade de uma coerência quanto a opção por alimentos de origem animal, que eu realmente aprecio, mas atualmente não sou vegana e nem vegetariana, então vou ser honesta ao dizer que eu ficaria mais feliz se tivesse umas coxinhas de galinha desfiada ou pastéis de carne moída. 🙂

Conheci umas pessoinhas legais e o pessoal simpático da organização. No mais, este foi o meu relato. E espero participar de mais eventos organizados pelas Rails Girls.

Foi bom voltar a Novo Hamburgo: a cidade dos sapatos.

Confiram as fotos do primeiro dia do evento aqui.

Leave a Comment

Filed under Eventos, Feminismo, Fotografia

Pacto Internacional de Mulheres EUA – Plataforma

A Parada Internacional de Mulheres de 8 de março de 2017 é um dia internacional de ação que tem sido planejado e organizado por mulheres de 30 países diferentes.

Baseado no princípio de solidariedade e internacionalismo, nos EUA em 8 de março será um dia de ação organizado por e para as mulheres que vem sendo marginalizadas e silenciadas por décadas de neoliberalismo principalmente dirigido contra mulheres trabalhadoras, mulheres de cor, mulheres indígenas, mulheres com deficiência, mulheres migrantes, muçulmanas e população LGBT.

O dia 8 de março será o começo de um novo movimento feminista internacional que organiza a resistência não apenas contra o governo Trump (não confundir com movimentos que buscam desestabilizar e deslegitimizar o sistema “democrático” do país, aqui foca-se a crítica numa série de ações e decisões tomadas pelo presidente, em especial na criação de políticas misógenas e racistas), mas também contra décadas de desigualdade econômica, violência racial e sexual, e a guerra imperialista no exterior.

Celebramos a diversidade dos vários grupos sociais que estão reunidos e vinculados a Parada Internacional de Mulheres. Viemos de distintas tradições políticas, mas estamos unidas ao redor dos seguintes princípios:

Por um fim a violência de gênero 

Todas as mulheres merecem uma vida livre de violência, tanto doméstica como institucional. Mulheres trabalhadoras, transgêneros, e mulheres de cor sofrem os piores aspectos da violência institucional direta, bem sobre a forma de brutalidade policial, as invasões pelos agentes de imigração, a violência que dia a dia sofrem como resultado de políticas públicas estatais que reproduzem e consolidam a pobreza em nossas comunidades.

Contra todas estas violências estatais e pessoais demandamos que nossas vidas e nosso trabalho sejam tratados com dignidade, já que eles formam a base desta sociedade.

Justiça reprodutiva para todas 

Defendemos a justiça reprodutiva para todas as mulheres, cisgêneros e transgêneros. Queremos completa autonomia sobre nossos corpos e total liberdade reprodutiva. Demandamos o livre direito ao aborto sem condições e assistência médica acessível para todas, sem restrições baseadas na entrada, na identidade racial, ou o status de cidadania. A história da esterilização das mulheres de cor neste país vão de contra aos ataques aos direitos sobre o aborto. Para nossa justiça reprodutiva significa a liberdade de escolher se tem filhos ou não, ou quando tê-los.

Direitos trabalhistas 

Os direitos trabalhistas são direitos das mulheres, por que tanto o trabalho remunerado em seu lugar de trabalho, quanto o trabalho não pago em casa é a base da riqueza em nossa sociedade.

Ao redor do mundo inteiro milhões de mulheres são forçadas a trabalhar por salários escravizadores, em perigosos galpões de exploração do trabalho e “fábricas infernais” que matam milhares a cada ano. Nos Estados Unidos as mulheres correspondem a 46% dos membros total dos sindicatos, e a grande maioria delas são mulheres de cor e de diferentes etnias. Todas as mulheres, sem considerar seu status de cidadania ou identidade racial, devem receber um salário igualitário pelo mesmo trabalho que realizam (nota da tradutora: o texto original fala sobre 15 dólares, equivalente à R$ 46. Eu acho que refere-se ao valor pago por hora de trabalho, o que acho muito pouco), incluindo, especialmente para aquelas que cuidam de outras pessoas, o cuidado infantil universal gratuito (e expansão das creches), pagamento de licença maternidade, licença por enfermidade, licença familiar remunerada e a liberdade para organizar um sindicato que lute pelos seus direitos em seu local de trabalho. Como mulheres trabalhadoras que sustentamos a metade do céu, nos recusamos a ser divididas pelo tipo de trabalho que realizamos, seja ela bem qualificado ou não qualificado, formal ou informal, trabalho sexual ou doméstico.

Nota da tradutora: Por ser uma tradução livre e não oficial, me coloco no direito de argumentar que não considero o trabalho sexual como forma de trabalho, e sim, como uma exploração dos corpos das mulheres, meninas, lésbicas e transgêneros. 

Aprovisionamento social completo

Em três décadas de políticas públicas neoliberais, temos visto o violento desmantelamento do aprovisionamento social que afeta a todas as mulheres. Enquanto nossas vidas laborais estão cada vez mais precárias, os serviços sociais que deveriam prover certa segurança contra as severas condições de exploração em que trabalho tem sido completamente removidas ou estão sobre constante ataque. Contra estes ataques exigimos uma reestruturação expansiva do sistema de bem-estar estadounidense capaz de satisfazer as necessidades da maioria, o que implica um acesso universal ao sistema de saúde, garantias sociais contra o desemprego e fortes benefícios em seguridade social para todos. Demandamos que o sistema de bem-estar funcione para apoiar nossas vidas e não para nos envergonhar quando temos acesso aos nossos direitos.

Por um feminismo antirracista e anti-imperialista 

Nos pronunciamos contra a aberta supremacia branca do atual governo e contra os movimentos da ultra-direita e os movimentos anti-semitas que tem dado sua confiança. Defendo um feminismo antirracista e anti-colonial que não está disposto a comprometer estes princípios. Isto significa que movimentos como Black Lives Matter (As vidas negras importam), a luta contra a brutalidade policial e o encarceramento massivo, a demanda por fronteiras abertas e direitos que protejam os emigrantes, e descolonização da Palestina, constituem para nós o coração palpitante deste novo movimento feminista. Queremos destruir todos os muros desde os muros das prisões até os muros das fronteiras desde o México até a Palestina.

Justiça ambiental para todas

Cremos que tanto a desigualdade social como a degradação ambiental são o resultado de um sistema econômico que coloca o lucro acima das pessoas. No lugar desse sistema demandamos que os recursos naturais da terra sejam preservados e sustentados para enriquecer nossas vidas e aquelas de nossas filhas e filhos. Nos inspira a luta dos Protetores da Água contra o Oleoducto que querem construir em Dakota (Dakota Access Pipe Line). A emancipação das mulheres e a emancipação do planeta dever andar de mãos dadas.

Este link mostra como organizações mulheres podem se inspirar e criar eventos semelhantes em seus países.

A organização deste evento também disponibilizou um e-mail para auxílio e apoio de pessoas interessadas: internationalwomenstrikeus@gmail.com

Alguns jornais internacionais publicaram sobre o evento:

https://www.theguardian.com/commentisfree/2017/feb/06/women-strike-trump-resistance-power

Nota: o evento não é apenas um protesto contra o governo Trump, mas o texto mostra um excelente panorama de outros movimentos feministas internacionais, inclusive o Ni una a menos (organizado por coletivos feministas na Argentina, Uruguai e Peru).

 

 

Leave a Comment

Filed under Artigos, Eventos, Feminismo, Movimentos