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Crianças criam canais no YouTube, ganham milhões de visualizações e atraem a atenção de marcas

Foto: Leo Martins.

O Jornal O Globo publicou uma matéria importante para os estudos sobre as infâncias contemporâneas que alerta sobre os perigos da exposição de crianças como “vloggers” no YouTube.

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Avaliação da obra: “As Lembranças de Maria” da Editora Ciranda Cultural

Fonte: Divulgação.

A obra escolhida para análise tem como título “As lembranças de Maria” escrito por Anna Obiols e ilustrado por Subi, da editora Ciranda Cultural, tendo o seu público-alvo crianças de 4 a 10 anos. A obra foi escolhida para análise não por apresentar uma forte narrativa, mas pelos recursos de editoração gráfica que a obra oferece, e em razão desta ser obra fazer parte daquele grupo de livros com forte apelo comercial, impressos e distribuídos a baixo custo e revendidos em supermercados e feirões promocionais, e, portanto, muito populares. Obras que costumam ser bastante criticadas pelos analistas por uma série de lacunas, questões estas que irei discutir mais adiante. Entretanto, esta obra tem como tema central a memória, mais especificamente as memórias de uma menina com a sua avó que morreu.

Maria, a personagem principal, começa a relembrar momentos que viveu com a sua avó a partir de fenômenos da natureza, como por exemplo, a chegada da neve, sobre o bolo que Maria fez de presente para o aniversário da sua avó, do modo como ela fez bolo e das sensações que o bolo provocava nela, do trajeto da sua casa até a da sua avó em um trenó em companhia do seu gato, do chá da tarde, de olhar fotos antigas no álbum de fotografias, das brincadeiras com seu gatinho na neve, dentre outras lembranças.

Para analisar a obra utilizarei os critérios narrativas infanto-juvenis desenvolvidos por Gemma Lluch (2003), além de outros textos utilizados na disciplina. Também me utilizo dos critérios para avaliação e seleção de livros didáticos estabelecidos pelo PNBE – Programa Nacional de Biblioteca na Escola financiado pelo FNDE/MEC.

Utilizando-me do critério “o contexto comunicativo” (Lluch, 2003, p.28) é preciso antes de tudo conhecer as condições pelas quais este livro foi desenvolvido. Uma das primeiras fases para análise de uma obra para esta autora é a contextualização, que envolve o levantamento de dados que nos auxiliam na compreensão do seu processo de produção, o círculo literário o qual este pertence a partir da análise do catálogo, da publicidade e pelo modo como este chega aos leitores.  

Sobre o contexto comunicativo, na obra escolhida não consta a bibliografia dos autores e nem a contextualização da obra no universo literário. O livro foi impresso na China (como boa parte dos livros comerciais à venda no mercado) e revendido a baixo custo pela Ciranda Cultural (que produz títulos como “Bob Esponja, Patati Patatá, Jolie, Dora a Aventureira, Ever After High, Royals and Rebels, Polly Pocket and Bubble Grumppies”). Boa parte dos títulos dessa editora são impressos em grandes lotes em países asiáticos e revendidos no Brasil em feiras com valor reduzido se comparado aos títulos de outras editoras com impressão nacional, o que contribuí com a sua popularização.

Classifico as obras mencionadas anteriormente como “comerciais” por tratar-se de reproduções impressas utilizando-se de “narrativas do audiovisual”, ou seja, aquelas obras que utilizam personagens ou histórias extraídas de desenhos animados, filmes, programas de TV, bandas ou ícones musicais, etc., por meio do licenciamento de marcas de personagens infanto-juvenis.

De acordo com Feijó e Lage (s/a, p.4), o licenciamento (ou licensing) de um produto constitui-se como uma ferramenta de marketing que consiste no direito contratual de utilização de determinada marca, imagem, ou propriedade intelectual e artística registrada, que pertença, ou seja, controlada por terceiros, em um produto, serviço ou peça de comunicação promocional ou publicitária, durante um determinado período, em uma área geográfica específica, em troca de uma remuneração (royalty) normalmente definida como um percentual aplicado sobre o valor gerado com as vendas ou prestação de serviços que utilizam esse licenciamento.

Deste modo, uma editora que faz o uso de uma marca licenciada precisa arcar com os royalties do proprietário e os demais custos: impressão, material e distribuição. A produção em grandes lotes e a importação destes produtos de países com mão-de-obra barata são fatores que permitem que uma obra derivada de uma marca licenciada chegue ao público consumidor com preços reduzidos e na maioria das vezes preços abaixo do mercado.

Apesar dos fatores que viabilizam o acesso a esta obra, especialmente pelas classes populares, quando estas chegam à escola sabe-se muito pouco ou quase nada sobre os seus autores, o que inviabiliza uma contextualização adequada da obra. Tais obras são denominadas como de autor global (LLUCH, 2003) ou seja, obras em que sua autoria é atribuída a diferentes profissionais e são produzidas e distribuídas com intuito de vender em grandes quantidades ou por um valor promocional.

Portanto, neste quesito a obra deixa a desejar, o que já era um tanto esperado pelo fato da própria editora se configurar mais como uma distribuidora e revendedora de obras importadas e marcas licenciadas que trabalhar na criação de novos títulos. Contudo, quando realizei a escolha desse livro estava ciente da questão, com o intuito de argumentar que é possível encontrar obras com alguma qualidade (narrativa e gráfico-editorial) nos feirões e promoções de livros.

1. Análise da narrativa

Com relação a narrativa proposta pelo livro, esta é capaz de propiciar interação lúdica na linguagem poética, através de efeitos gráficos-editoriais produzidos por diferentes tamanhos de fontes e desenhos gráficos, o que tratarei mais adiante. Outro aspecto a mencionar sobre a estrutura narrativa diz respeito aquele que se trata da interação que o livro proporciona, especialmente quando as possibilidades de comunicação são restritas.

Além disto, ao final do livro é proposto algumas atividades e jogos para estimular a memória, tais jogos são para serem feitos em grupo ou individual (jogos para recordar de peças de roupas dos amigos, jogos de cartas, falar o maior número de coisas com relação a um determinado tópico). 

Convém a destacar que a obra se apresenta como sendo livre de qualquer tipo de moralismo, preconceitos, estereótipos ou discriminação étnica, racial, social, etc., sendo assim, considero a faixa etária estipulada como adequada, por apresentar um tema relativo ao universo infantil, como memórias de um parente que morreu e os momentos bons que os personagens passaram juntos.

Entretanto, faço uma ressalva, pois considero a obra de interesse para as crianças de 4 a 6 anos, não mais que isso. Crianças de 8 a 10 anos, especialmente dos centros urbanos já estão interessadas por outros temas, envolvendo relacionamentos, fortes elementos de ficção e fantasia e temas de maior complexidade. A questão da faixa etária estipulada é sempre muito relativa, pois depende de fatores culturais, escolares e sociais de cada criança. 

Quanto a qualidade do texto, considero que este contribuí razoavelmente para a ampliar o repertório das crianças. Entretanto, destaco alguns trechos em que considero ricos do ponto de vista linguístico em razão da presença de figuras de linguagem como aliteração e onomatopeias (conteúdos explorados nos anos iniciais do ensino fundamental):

Lá fora, era lindo de se ver. Eu me lembro de que tudo estava coberto com um casaco branco. Eu estava perdida em meus pensamentos quando, de repente… Crash, bang, ploft!

Com relação aos aspectos estruturais da narrativa, esta é composta por períodos simples, em que são marcados aspectos que a personagem principal se recorda de um acontecimento. Para Lukens (1994) personagem é um termo geralmente usado para significar a agregação de qualidades mentais, emocionais e sociais que distinguem uma pessoa. Um personagem pode ter várias características e pode se classificar como completo, raso, dinâmico ou estático (LUKENS, 1994).

A personagem Maria (personagem principal e narradora de sua própria história) pode ser classificada como um personagem completo, com sentimentos, aspectos da personalidade bem delimitados pelos autores e características próprias. Como nos trechos abaixo:

Eu não gosto muito do inverno, mas adoro a neve!” (p.2)

Eu estava tomando café da manhã com os meus pais enquanto eles falavam sobre o que dariam de presente para ela. – Um bolo! Nós podemos fazer um bolo com recheio para ela. Gritei animada […]. Eu me lembro de que, sem nem mesmo esperar meus pais concordarem, corri para colocar o meu avental e o chapéu de cozinheiro. (p.4)

Eu me lembro de que tudo estava coberto com um casaco branco. Eu estava perdida em meus pensamentos quanto, de repente…. Nós capotamos”. (p.15)

Eu me lembro de que perdi a noção do tempo, a noite tomou conta de tudo e as luzes iluminavam e protegiam os céus. (p.26)

Nesses trechos a autora mostra algumas características marcantes da personagem Maria que aparecem em sua própria narração. E assim, sabemos que Maria não gosta do inverno, mas adora a neve, que Maria é uma garota muito animada e feliz, que vive no mundo da sua imaginação, e é também impulsiva e ansiosa. Com relação aos personagens secundários, a sua avó (que não sabemos o nome) também ganha um destaque significativo. Esta personagem secundária se apresenta como uma senhora simpática, divertida, carinhosa, emotiva, exibindo um lindo sorriso, atenciosa, etc. Outro personagem é o gatinho de Maria. Este pode ser considerado um personagem raso, ou seja, um personagem desenvolvido, mas com poucas características.

Quando o trenó, o bolo e eu estávamos descendo a colina, ouvi: -miau, miau, miauuuu!” Era o meu gato correndo para nos alcançar. Lembro-me de ter freado bruscamente para ele poder subir no trenó”. (p.13)

Uma grande pedra que estava coberta pela neve nos fez voar no ar. O bolo caiu de um lado, o gato de outro e eu no meio, prendendo a respiração. Por sorte ninguém se machucou.” (p.15)

Meu gato também brincou na neve. Ele subiu e desceu das árvores e telhados e, várias vezes, veio até perto de mim e deu voltas ao redor do boneco de neve que eu estava fazendo.” (p.23)

Sobre os personagens, Lluch (2003) destaca que uma possibilidade de trabalho com as crianças para um aprofundamento da obra consiste na identificação dos personagens por elas, pois apesar de nós habitualmente subestimarmos essa capacidade, a autora acredita que tanto na vida quando nos livros, as crianças podem perceber diferenças nos seres humanos e elas são capazes de reconhecer e responder aos personagens bem desenvolvidos e que até mesmo nas mais simples histórias é possível achar personagens que parecem ser partes da natureza humana, com esse argumento acredito no potencial que a obra, embora fazendo parte do grupo de livros “comerciais de autores globais” e com alguns critérios a desejar apresente para os leitores.

2. Sobre a memória

A memória constitui-se como tema central do livro. Toda a estrutura do enredo consiste nas lembranças que Maria possuí dos momentos com a sua avó. Narrativas que envolvem memórias são comuns em obras voltadas para o público infanto-juvenil.

Analisando dissertações e alguns trabalhos publicados sobre o tema, a memória pode ser considerada como “essencialmente um ato de evocação, isto é, o ato de recuperar mentalmente a imagem”, portanto, é um ato de representação do real que se dá através de imagens mentais, pois o passado enquanto tal não volta (OTERO, 2002, p.23).

Na obra esse ato de evocação de imagens mentais é apoiado pelas ilustrações que ajudam ao leitor se situar das lembranças da personagem, um exercício importante, pois de acordo com Otero (2002) com este processo a história estrutura-se, a fim de reconstituir os traços da subjetividade e da emoção humana. Dentre os aspectos destacados pela autora, estão memórias de ações, pessoas, momentos, expectativas e planos, e ainda a memória dos sentidos, dando relevância a elementos como sons, cheiros, texturas e sabores, como posso destacar nestas passagens:

Quando passei meu dedo na massa para provar, eu estava coberta de farinha, desde a cabeça até os pés. Quando minha mãe me viu assim, ela começou a dar gargalhadas. Hoje, eu ainda consigo me lembrar de como o bolo era docinho, apesar de não ser fácil lembrar-se de um sabor ou de um cheiro.”

Estava tão bom… Huuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuum!

Então, meu pai o colocou no forno e quando o tiramos, escrevemos com cobertura, em letras maiúsculas: FELIZ ANIVERSÁRIO!” (p.8)

O ato de narrar as memórias da infância em suportes de leitura pode ajudar as crianças a reconstituírem as suas próprias lembranças utilizando-se de diferentes linguagens como textos, desenhos, movimentos corporais, musicalidade, expressão, dentre outros.

Outro aspecto que pode ser explorado/desenvolvido a partir desta obra é com relação a morte a partir do levantamento de questões como: O que podemos fazer para guardar aquele ente querido em nossa mente? Como encarar a morte de outra maneira, pelo menos mais positiva? A obra apresenta caminhos para tratar destas questões, pois em toda narrativa a lembrança dos momentos felizes e positivos de Maria se concentram mais no que na dor da perda do ente querido que só é revelado no final do livro.

3 Análise gráfico-editorial

Com relação a este tópico a obra motiva a leitura pelos recursos gráficos presentes no texto e não pelas ilustrações que ficam em segundo plano, o que contribuí para propiciar uma experiência significativa de leitura e ampliação das referências estéticas, culturais e éticas do leitor. Outro aspecto a destacar com relação ao projeto gráfico-editorial é o fato da obra romper com o padrão estabelecendo mudanças no tamanho da fonte para marcar ou enfatizar o momento em que Maria se recorda de algo:

O ponto forte da obra são as várias intervenções gráficas que conduzem o leitor para dentro e para fora do texto principal. As intervenções produzem e expressam as sensações, sentimentos e percepções de Maria mediante o que é narrado. Quanto as condições de legibilidade do ponto de vista tipográfico, esta se apresenta como adequada para crianças cuja a faixa etária se destina.

A obra apresenta poucas linhas de textos por página e tamanho de fonte em tamanho acessível, inclusive para pessoas de baixa visão, contudo em algumas páginas é preciso virar o livro para ler o texto que é colocado em outras posições, mas o movimento provocado por esse efeito gráfico contribui para melhorar a interação do leitor.

Considerações Finais

A partir da análise da obra “As lembranças de Maria” que tem como tema central a memória, considero que esta pode contribuir para a reflexão sobre a realidade sobre si e sobre o outro, na medida em que Maria nos conta suas lembranças e todos os aspectos relacionados a esta, principalmente suas lembranças sensoriais.

As lembranças de Maria nos revelam aquilo que para esta é mais importante: a afetividade, as brincadeiras, as sensações produzidas na sua interação com o meio, e por fim, o seu lidar com a dor da perda de um ente tão querido, que nos aproxima e nos toca. Como ponto forte, a obra apresenta inúmeras intervenções gráfico-editorais que contribuem para transportar o leitor para dentro e fora do livro, além de produzir novos sentidos e significados nos leitores.

Na minha avaliação final, considero a obra adequada para a faixa etária estipulada com algumas ressalvas que destaquei ao longo do texto, apresenta narrativa simples com foco em uma sequência de ações de memórias selecionadas por Maria, personagens principais bem desenvolvidos e consistentes, intervenções gráficas e ilustrações que propiciam melhor interação e possibilidade de exploração de outros temas como a morte, e ainda, considero a obra acessível a todas as camadas sociais devido ao seu baixo custo.

Referências

BRASIL, Ministério da Educação. Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Edital de Convocação para inscrição de obras de literatura no processo de Avaliação e seleção para o Programa Nacional Biblioteca na Escola – PNBE temático 2013. Disponível em <http://www.fnde.gov.br/programas/biblioteca-da-escola/biblioteca-da-escola-consultas/item/3981-edital-pnbe-tem%C3%A1tico-2013> Acesso em 13 mar. de 2017.

FEIJO, A.M.; LAGE, A.P.M. Licenciamento de personagens: A associação de nomes de sucesso do universo infantil a produtos como estratégia de marketing. Anais de Congresso Instituto Federal Fluminense. Disponível em: <http://bd.centro.iff.edu.br/bitstream/123456789/93/1/%20ARTIGO%20-%20Licenciamento%20de%20personagens-%20A%20associa%C3%A7%C3%A3o%20de%20prod.pdf> Acesso em 13 mar. De 2017.

LlUCH, G. Cómo analisamos relatos infantiles y juveniles. Argentina: Grupo Editorial Norma, 2005. P. 25-45.

LUKENS, R. Character. In: LUKENS, R. A critical handbook of children’s literature. 5a. ed. New York, Harper Collins, 1994. P. 39-59.

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Relatório “Media and Young Minds” do Conselho de Comunicação e Mídia da Associação Americana de Pediatria (AAP)

Documento oficial da Academia Americana de Pediatria publicado em inglês originalmente aqui.

Resumo: As crianças de 0 a 5 anos estão crescendo em meio a um desenvolvimento desenfreado de uma variedade de tradicionais e novas tecnologias, que se expandem a cada dia. Embora haja bastante esperança com relação ao potencial da media interativa para crianças pequenas, acompanhada pelo medo seu uso excessivo durante este período crucial de desenvolvimento rápido do cérebro, a investigação nesta área continua a ser limitada. Esta declaração revisa o material existente na literatura, na televisão, vídeos e tecnologias móveis/tecnologias interativas sobre o potencial destes para promover benefícios na educação e algumas preocupações sobre a saúde para crianças (0 a 5 anos). A declaração também destaca áreas em que os prestadores de cuidados pediátricos podem oferecer orientação específica às famílias em monitorar o uso da mídia pelas crianças, não apenas no termo de conteúdos ou limite de tempo, mas também enfatizando a importância de pais/crianças compartilhar uso da mídia e também permitir que as crianças tenha tempo para participar de outras atividades saudáveis para o seu desenvolvimento.

Abreviações:
app – aplicativo
PBS – Serviço de Radiodifusão Pública

Introdução
As inovação tecnológica tem transformado a mídia e o papel dela na vida de crianças e bebês. A maioria das crianças, mesmo em famílias economicamente desfavorecidas, estão utilizando as novas tecnologias, bem como as mídias móveis e interativas diariamente [1] e continuam ser alvo de intenso marketing [2]. Esta declaração destaca a influência da mídia na saúde e no desenvolvimento de crianças de 0 a 5 anos de idade, uma fase crucial para o desenvolvimento intelectual, construção de relacionamentos seguros e estabelecimento de comportamento saudáveis.

Crianças (0 a 5 anos)

Crianças menores de 2 anos necessitam de exploração tátil do mundo e interação social com seus cuidadores para o desenvolvimento da cognição, linguagem, motor e habilidades sociais-emocionais. Em razão da sua imaturidade simbólica, memória, e habilidades de atenção, crianças e bebês não podem aprender da mídia tradicional da mesma maneira que o fazem com seus cuidadores [3], pois eles tem dificuldade em transferir conhecimento para a experiência tridimensional [4]. O principal fator que facilita o aprendizado dos bebês com a mídia comercial (começando por volta dos 15 meses de idade) é a observação dos pais com eles e a reaprendizagem do conteúdo. [5] [6]

A interatividade das telas interativas permite aos aplicativos identificar quando uma criança responde precisamente e em seguida adapta suas respostas, deste modo apoiando as crianças em seu nível de competência. Evidências recentes mostram que aos 24 meses de idade, crianças podem aprender palavras em uma conversação em vídeo (ao vivo) com um adulto responsável [7] ou de uma tela sensível ao toque com interface interativa que permita a criança escolher conteúdos relevantes [8].

A partir dos 15 meses de idade, bebês podem aprender novas palavras utilizando telas sensíveis ao toque baseado em estudos desenvolvidos em laboratórios, mas estes possuem problemas em transportar este conhecimento para o mundo tridimensional. [9] Contudo, deve ser notado que estes experimentos são usados especialmente para desenvolver aplicativos que não estão comercialmente disponíveis.

Muitos familiares usam aplicativos/softwares de conversação em vídeo (exemplo: Skype ou FaceTime) como uma mídia interativa que facilita a conexão social com parentes distantes. Novas evidências mostram que crianças e bebês regularmente participam em conversação em vídeo [10], mas os mesmos princípios sobre a necessidade de apoio parental seria aplicável para que os bebês e crianças compreendam o que estão vendo.

Em resumo, para as crianças menores de 2 anos, a evidência sobre os benefícios da mídia é ainda limitada, por isso a interação do adulto com a crianças durante o uso da mídia é crucial, pois continua haver evidências de danos causados pelo uso excessivo de mídia digital, conforme descrito posteriormente nesta declaração.

Aprendizagem e mídia na vida das crianças de 0 a 5 anos

Programas televisivos bem desenvolvidos, tal como Vila Sésamo (Sesame Street) podem contribuir na melhoria de habilidades cognitiva, alfabetização e sociais de crianças de 3 a 5 anos de idade [11] [12], e a criar conteúdos com a finalidade de envolver as crianças em temas de saúde e questões do desenvolvimento infantil (ex: obesidade, prevenção e resiliência). A avaliação dos aplicativos do “Sesame Workshop” e o “Public Broadcasting Service” (PSB) também tem mostrado alguma eficácia sobre melhorar habilidades de alfabetização em crianças da educação infantil.[2]

Infelizmente, a maioria dos aplicativos encontrados nas categorias educacionais das lojas de aplicativo não tem mostrado evidência de eficácia, orientação para as habilidades acadêmicas e não são desenvolvidos com base nos referenciais curriculares. Tais aplicativos também não contam com especialistas do campo da educação ou educadores em seu desenvolvimento. [2] [13] A maioria dos aplicativos geralmente não são criados para dois diferentes públicos (parentes e crianças). [2] [14]

É importante enfatizar para os pais, que as habilidades de pensamento mais desenvolvido e as funções executivas essenciais para o sucesso escolar, tais como persistência, controle dos impulsos, regulação das emoções, pensamento criativo e flexível, são melhor ensinadas através de um jogo não estruturado e social (não digital) [15], assim como interações responsivas entre pais e filhos. [16]
Livros digitais (também chamados “eBooks”, ou seja, livros que podem ser lidos em telas sensíveis) são recursos interativos que, segundo pesquisas, podem diminuir a compreensão da criança de conteúdos, além disso os efeitos visuais podem ser uma distração [17] quando são realizadas leituras pelos pais. Estes devem, ser instruídos a interagir com as crianças durante a leitura de um eBook do mesmo modo como na leitura de livros impressos.

Saúde e preocupações sobre o desenvolvimento das crianças

  1. Obesidade: O uso intenso de mídias durante os anos da pré-escola (0 a 5 anos) está associado com um pequeno, mas significante aumento no IMC (Índice de Massa Corporal) [18], o que pode explicar disparidades no risco de obesidade na maioria das crianças [19] e estabelecer o estágio para ganho de peso mais tarde na infância. [20] Embora muitos estudos usaram um período de 2 horas para examinar o risco de obesidade, estudo recente envolvendo crianças de dois anos de idade, descobriu que as o IMC aumentou para cada hora da semana de mídia consumida. [21] Acredita-se que à exposição a publicidade de alimentos [22] e o hábito de assistir televisão enquanto se come, [23] que reduz a atenção das crianças para as sugestões de saciedade, produzem essas associações.
  2. Sono: O aumento na duração da exposição de crianças à mídia e a presença de uma televisão, computador ou dispositivos móveis no quarto de crianças são associados com um menor tempo de sono por noite. [24] Os bebês expostos a tela durante as horas noturnas mostram uma duração de sono noturna significativamente mais curta do que aqueles sem exposição à noite na tela.[25] Mecanismos subjacentes a esta associação incluí conteúdos [26] muito estimulantes e a supressão de melatonina endógena pela luz azul emitida pelas telas. [27]
  3. Desenvolvimento infantil: Estudos populacionais continuam a mostrar associações entre a exposição excessiva a televisão com atraso no desenvolvimento cognitivo [28] [30], da linguagem [31] [32] e em aspectos sociais/emocionais das crianças [33] [36], assim como uma notável diminuição da interação entre pais/filhos quando a televisão está ligada [37], e um funcionamento familiar disfuncional em domicílios com alto uso de mídia. [37]  O uso cada vez mais precoce da mídias pelas crianças, a grande acumulação de horas na exposição de mídia e a ausência de conteúdos adequados para as crianças na TV privada, são elementos para a compreensão dos problemas causados pelo uso excessivo da mídia por crianças de 0 a 5 anos. [38] Conteúdo é fundamental: evidências experimentais mostram que uma mudança de conteúdo violento para tópicos educacionais/sociais resultam em uma melhoria significativa de sintomas comportamentais, particularmente para garotos de baixa renda. [12] Notavelmente, a qualidade na relação entre pais/filhos pode modificar associações entre o uso da mídia e desenvolvimento infantil: um programa de TV ou aplicativo considerado de conteúdo inapropriado e relação entre pais/filhos inconsistente tem efeitos acumulativos negativos em crianças de 0 a 5 anos de baixa renda, em que uma boa relação entre pais/filhos e os conteúdos educacionais articulados produzem inúmeros benefícios [39] para os grupos desta classe social. As características da personalidade infantil também podem influenciar sobre a quantidade do tempo que as crianças fazem da mídia: a exposição à televisão em excesso é mais comum em crianças com dificuldades de temperamento [40] [41] ou problemas de auto-controle [42], e no caso de bebês com atrasos sócio/emocionais, é mais comum ser dado um dispositivo móvel para que elas se acalmem. [43]

Uso da mídia pelos familiares 

Muitos pais utilizam a televisão para distração ao invés das interações [44] entre pais/filhos ou brincadeiras com jogos infantis [45]. O uso intenso de dispositivos móveis está associado com poucas interações entre familiares/crianças [46], tanto verbais quanto não verbais e pode estar relacionado com a maioria dos conflitos entre estes [47]. O uso de mídias pelos pais é considerado um forte influenciador dos hábitos [48] de uso pelas crianças, se há uma redução de uso pelos pais, aliado a uma melhoria nas interações entre pais/crianças pode ser um importante passo para uma mudança de comportamento das crianças que utilizam de modo excessivo.

Conclusões: Implicações clínicas 

Em resumo, preocupações sobre múltiplos aspectos do desenvolvimento infantil e da saúde continuam a existir para crianças que utilizam todas as formas de mídia digital de modo excessivo.

As evidências apresentadas são suficientes para recomendar limitações no tempo de uso de mídias digitais por crianças de 2 a 5 anos para não seja permitido mais do que 1 hora por dia, para permitir que as crianças tenham tempo para outras atividades importantes para sua saúde e desenvolvimento, em razão de que estabelecer limites com relação a exposição as mídias contribuí para uma redução no risco de obesidade em crianças ao longo das suas vidas.[49]

Desse modo, incentivar os pais para uma discussão sobre a necessidade de mais conteúdos educacionais e sociais na mídia e o envolvimento com crianças na elaboração dos conteúdos poderá permitir que as crianças obtenham mais benefícios naquilo que elas acessam.

Quanto mais as tecnologias se tornam ubíquas mais as recomendações dos pediatras devem guiar os pais não somente na duração e no conteúdo da mídia utilizada pelas crianças, mas também em (1) criação de espaços desconectados e tempos para outras atividades sem utilização dos equipamentos ou Wi-Fi, em razão de que os dispositivos podem estar em qualquer lugar; (2) a possibilidade de que as novas tecnologias podem ser utilizadas para meios mais criativos e para engajamentos sociais; e (3) a importância de não menosprezar hábitos sadios de sono, exercícios, jogos, leitura em voz alta, e interações sociais.

De maneira realística, as recomendações pediátricas serão necessárias para fornecer aos pais informações sobre como e onde estes podem achar conteúdo adequado, ferramentas para monitoramento ou para redução no tempo de uso, ideias para jogos ou atividades nas quais o envolvimento das crianças seja maior do que em jogos digitais, e como os pais podem limitar o seu próprio uso da mídia (ver exemplos em: HealthyChildren.org). Cada uma dessas sugestões podem ser localizadas no texto “Planejamento familiar de uso da mídia” (ver o guia produzido pela Academia Americana de Pediatria em: www.healthychildren.org/MediaUsePlan).

Recomendações

Pediatras

  1. Inicie a conversa o mais cedo possível com as crianças. Pergunte para os pais das crianças e as próprias crianças sobre o uso da família, os hábitos de uso das crianças e os locais que estes utilizam as mídias.
  2. Ajude as famílias a desenvolver um “Planejamento de uso familiar da mídia” (www.healthychildren.org/MediaUsePlan) com recomendações específicas para cada tipo de criança e seus pais.
  3. Educar os pais sobre o desenvolvimento do cérebro nos anos iniciais das crianças e na importância de brincadeiras manuais, não-estruturadas e sociais para a construção de habilidades linguísticas, cognitivas, e sociais-emocionais.
  4.  Para crianças menores de 18 meses, desencorajar o uso de outros tipos de mídia (exceto conversação em vídeo).
  5. Para os pais de crianças de 18 a 24 meses de idade que querem acessar as mídias digitais, deve-se aconselhar que eles escolham aplicativos/softwares de alta qualidade e que estes sejam utilizados junto com as crianças, porque é a maneira como as crianças aprendem melhor. O uso de mídia e instalação de aplicativos/programas pelas próprias crianças deve ser evitado.
  6. Pesquisar por guias para que os pais encontrem produtos de boa qualidade (Ex: Common Sense Media, PBS Kids, Sesame Workshop).
  7. Em crianças menores de 2 anos, limitar o uso de mídia para 1 hora ou menos por dia, considerando que estes tenham um conteúdo de alta qualidade. Recomenda-se compartilhar o uso entre pais e crianças para promover ampliação do aprendizado, maior interação e estabelecimento de limites.
  8. Recomendar o não acesso a tecnologias móveis ou do tipo com telas sensíveis durante as refeições ou 1 hora antes do horário de dormir. A adoção destas atitudes pelos pais produzem transformações, tais como o respeito aos limites, localizar atividades alternativas e meios para acalmar as crianças.

Familiares

  1.  Evitar o uso de mídias digitais (exceto conversação em vídeo) em crianças menores do que 18 a 24 meses.
  2. Para crianças de 18 a 24 meses de idade, se você quer apresentar a elas mídias digitais escolha equipamentos/programas/aplicativos de alta qualidade e utilize-os junto com as crianças. Evite que as crianças dessa faixa etária façam o uso da mídia sozinhas.
  3. Não se sintam pressionados a apresentar tecnologias precocemente; as interfaces são tão intuitivas que as crianças irão descobrir rapidamente o funcionamento dos equipamentos/aplicativos/softwares quando elas começarem a utilizá-los em casa ou na escola na idade adequada.
  4. Para crianças de 2 a 5 anos, limitar o uso de tecnologias (de alta qualidade) em 1 hora por dia, acompanhar as crianças, ajudá-las entender o que elas estão acessando, e ajudá-las aplicar o que elas estão aprendendo para melhorar o mundo entorno delas.
  5. Evitar equipamentos/aplicativos/programas com “ritmo acelerado” (as crianças não os entendem muito bem) e aplicativos com conteúdos de distração e qualquer tipo de conteúdo violento.
  6. Desligar televisão e outros equipamentos quando não estiver em uso.
  7. Evitar utilizar mídias como o único meio de acalmar as crianças. Embora haja períodos de muita agitação delas (ex: procedimentos médicos ou em voos) quando a mídia é útil como meio para acalmar as crianças, mas há uma preocupação sobre este aspecto, pois isso pode contribuir para problemas com estabelecimento de limites ou incapacidade das crianças desenvolverem suas próprias regulações emocionais. Peça ao seu pediatra uma ajuda se for necessário.
  8. Monitorar o conteúdo de mídia acessado pelas crianças e quais aplicativos são utilizados e baixados. Teste os aplicativos antes que as crianças os utilizem, jogue com elas, e pergunte o que a crianças pensam sobre o aplicativo.
  9. Mantenha quartos, espaços de refeições, e momentos de brincadeiras entre pais/crianças livres de “tecnologias”. Os pais podem colocar os equipamentos no modo silencioso durante estes períodos.
  10. Não permitir acesso as tecnologias 1 hora antes das crianças dormirem e remover os equipamentos da cama.
  11. Consulte as recomendações do “Family Media Use Plan” da Academia Americana de Pediatria disponível em: www.healthychildren.org/MediaUsePlan.

Industrias

  1. Trabalhar junto com psicólogos do desenvolvimento e educadores para criar interfaces que são apropriadas para o desenvolvimento das habilidades das crianças, que não sejam distrativas, e que promovam uma integração entre o uso da mídia por pais/crianças e aplicações de habilidades para o mundo real. Restringir o desenvolvimento de aplicativos para crianças menores do que 18 meses até alguma evidência dos benefícios destes serem apresentados.
  2. Avaliar os produtos formalmente e cientificamente antes de fazer anúncios educacionais.
  3. Fazer produtos de alta qualidade, que sejam acessíveis para famílias de baixa renda e que estejam disponíveis em múltiplas linguagens para abranger a um público diversificado.
  4. Eliminar publicidade e mensagens não saudáveis dos aplicativos. Crianças nesta idade não conseguem diferenciar o que é um conteúdo publicitário de informações factuais, além disso, publicidade para crianças não é ético.
  5. Ajudar aos pais sobre como parar com a reprodução automática de vídeos alterando a configuração padrão do aparelho. Há sistemas desenvolvidos disponível nos equipamentos que podem ajudar os pais a monitorar e limitar o uso de mídia.

Autores principais:

  •  Jenny Radesky, MD, FAAP
  • Dimitri Christakis, MD, MPH, FAAP

Conselho de Comunicações e Comitê de Mídia Executiva (2016-2017):

  • David Hill, MD, FAAP, Chairperson
  • Nusheen Ameenuddin, MD, MPH, FAAP
  • Yolanda (Linda) Reid Chassiakos, MD, FAAP
  • Corinn Cross, MD, FAAP
  • Jenny Radesky, MD, FAAP
  • Jeffrey Hutchinson, MD, FAAP
  • Rhea Boyd, MD, FAAP
  • Robert Mendelson, MD, FAAP
  • Megan Moreno, MD, MSEd, MPH, FAAP
  • Justin Smith, MD, FAAP
  • Wendy Sue Swanson, MD, MBE, FAAP

Ligações

  • Kris Kaliebe, MD – American Academy of Child and Adolescent Psychiatry
  • Jennifer Pomeranz, JD, MPH – American Public Health Association
  • Brian Wilcox, PhD – American Psychological Association

Pessoal

  • Thomas McPheron

Notas de rodapé

Este documento está registrado sendo de propriedade da Academia Americana de Pediatria e seu corpo de diretores. Todos os autores estão imunes de conflitos de declarações de interesse com a Academia Americana de Pediatria.

Qualquer conflito que eles tiveram foi resolvido ao longo do processo aprovado pelo corpo de diretores. A Academia Americana de Pediatria nunca solicitou ou aceitou qualquer tipo de envolvimento comercial no desenvolvimento desta publicação.

A política de declarações da Academia Americana de Pediatria se beneficia da especialidade dos colaboradores internos da (AAP) e de revisores externos. Desse modo, a política de declarações da Academia Americana de Pediatria não reflete no ponto de vista dos colaboradores ou as organizações e agências governamentais que eles representam. O guia apresentado nesta declaração também não se configura como um método de tratamento exclusivo ou deve servir como um padrão para cuidados médicos.

As variações, levando em conta determinadas circunstâncias individuais, podem ser apropriadas. Todas as declarações da Academia Americana de Pediatria expiram automaticamente 5 anos após a publicação, ao menos que estas sejam reafirmadas, revisadas ou retiradas de circulação antes deste período.
Interesses financeiros: Os autores do documento indicaram que eles não possuem interesses financeiros na divulgação deste artigo.
Financiamento de agências: Sem financiamento.
Potencial conflito de interesse: Os autores indicaram que eles não tem potenciais conflitos de interesse na divulgação do artigo.

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Copyright © 2016 by the American Academy of Pediatrics

Tradução Livre: Rafaela Melo.

 

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