Ética na fabricação de brinquedos para crianças: uma análise da legislação

Rafaela da Silva Melo

Resumo: Este artigo analisa o Código de Ética e Conduta da Indústria de Brinquedos da ABRINQ (Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos), a fim de ressaltar os artigos que apresentam contribuições para os estudos sobre as infâncias e crianças a partir visando à relação destas com os brinquedos e suas brincadeiras e também na discussão sobre o consumo infantil de brinquedos. Como referencial teórico utilizo-me dos teóricos da sociologia da infância, William Corsaro e Manuel Sarmento e dos estudos sobre cultura e consumo infantil de Kincheloe e Steinberg e dos estudos de Tizuko Kishimoto que apresentam os jogos, brinquedos e brincadeiras como formas privilegiadas de desenvolvimento, apropriação e conhecimento pela criança do mundo à sua volta e de si mesma.

Palavras-chave: Brinquedos; Legislação; Infância.

Estou trabalhando neste artigo e pretendo até o final do primeiro semestre do ano que vem ter concluído e publicado em algum periódico. Diante mão apresento o resumo e as palavras-chave para apreciação geral e ansiosa para compartilhar a versão final.

Curso de Pós-Graduação A vez e a voz das crianças: A arte de escutar e conhecer narrativas, linguagens e culturas infantis

Síntese da proposta: Este curso propõe aprofundar em uma temática atual e prioritária – narrativas, linguagens e culturas infantis -, a partir de uma proposta integrada de saberes. Voltado para aqueles que têm profunda preocupação e compromisso com a vida das crianças contemporâneas, aponta possibilidades éticas e poéticas de escutar e conhecer crianças nos mais diversos contextos, a partir das suas próprias vozes, expressões artísticas, lúdico-criativas, poéticas, corporais e musicais. A antropóloga e educadora Adriana Friedmann tem uma longa trajetória no desenvolvimento de cursos e pesquisas na área da infância e vem propor, com esta pós-graduação, a formação de especialistas, caminhos de escuta, pesquisas e aprendizagens a partir das vozes e expressões infantis.

INSCRIÇÕES: de 8/5 a 22/6/2018.

​​ENTREVISTAS COM AS/OS INSCRITAS/OS: de 25 a 30/6/2018 (em horário e dia previamente acordado com a/o candidata/o).

MATRÍCULAS ON LINE:  de 2 a 5/7/2018.

INÍCIO DAS AULAS: 25 de agosto de 2018 (sábado).

Mais informações aqui.

Jornalismo infantil: a melhor maneira de falar com as crianças é ouvindo-as

As histórias para crianças devem ser escritas com palavras muito simples, porque as crianças, sendo pequenas, sabem poucas palavras e não gostam de usá-las complicadas. Quem me dera saber escrever essas histórias, mas nunca fui capaz de aprender e tenho pena. Além de ser preciso escolher as palavras, faz falta um certo jeito de contar…”.  José Saramago em “A flor do mundo”

Assim é a abertura da dissertação mestrado da jornalista Juliana Doretto, que resolveu seguir um caminho diferente do tradicional na área do jornalismo. Ela dedicou sua carreira para estudar como são feitas as produções de notícias para crianças nos veículos de comunicação e como os pequenos são representados.

Em seus estudos, Juliana evidenciou um cenário importante para nós, pais e cuidadores, enquanto mediadores das crianças no processo de formação para a leitura. Este hábito determinará uma percepção de mundo da criança, tornando-a um adulto mais crítico e capaz de compreender o funcionamento da sociedade e seu papel como cidadão.

No livro “Pequeno Leitor de Papel”, está o resultado das análises  dos suplementos do jornal Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo, Folhinha e Estadinho, voltados para crianças. A investigação constatou que as redações não conseguem entrevistar, de modo igualitário, crianças de todas as faixas etárias que desejam atingir.

Além disso, ela constatou a concentração de temas (com quase ausência da tradução do noticiário adulto para as crianças), “o uso abusivo de textos imperativos e a repetição de referências à cidade de São Paulo, ainda que a circulação dos dois cadernos seja ao menos estadual”.  “Naquele ano [de pesquisa] falava-se muito para o público leitor, ou seja, o leitor de São Paulo, mas seria importante que se apresentasse outras realidades, outras infâncias, de outros estados”, evidencia Juliana.

Os temas que as crianças procuram são bastante diversificados e elas não reclamam se encontram ‘notícias de adultos’. Reclamam mesmo é do modo como a jornalista fala das ‘noticias tristes’, mas isso não significa que elas  queiram deixar de saber, é só ser dito de maneira não sensacionalista. – Julianna Doretto

O “Estadinho” quer falar para as crianças, mas não as ouviu sempre: “56% das matérias de capa analisadas não entrevistaram meninos e meninas”. Em outra conclusão, há o predomínio de crianças brancas nas fotografias de entrevistados.

Experiências 

Infelizmente, atualmente não existem veículos na televisão aberta que produzam notícias para as crianças.

Recentemente a Revista Recreio lançou um suplemento direcionado especialmente para as meninas. Em uma das edições, a capa que trazia uma chamada para o teste “você é louca por compras?”. A escolha da temática foi bastante comentada nas redes sociais e acusada de reforçar estereótipos de gênero.  Juliana Doretto comentou sobre o caso em seu blog. Veja aqui.

Outras boas práticas no mundo merecem ser citadas. Na França, existem quatro publicações que traduzem e tratam as notícias para crianças e adolescentes . O tablóide semanal Le Journal des Enfants tem tiragem de 70 mil exemplares para crianças de nove a 14 anos e serve de suporte pedagógico para 13 mil escolas. Em 1995, foi lançado o Mon Quotidien, primeiro diário infantil na Europa – destinado às crianças de nove a 14 anos. O sucesso foi tanto que, três anos depois, surgiu mais um diário para crianças: o Le Petit Quotidien, para leitores de seis a nove anos. A pauta nesses jornais é quase a mesma dos jornais adultos: atualidades nacionais e internacionais, centrados em cultura, esportes e ciências. A diferença está no estilo do texto: simples e direto, de fácil compreensão.

Assista a uma videorreportagem do Uol, em que o Le Petit Quotidien tira dúvidas das crianças sobre o horror dos atentados terroristas em Paris.

Texto publicado na Catraquinha disponível aqui.