Livro: The World’s Most Beautiful Libraries por Massimo Listri

Dos imponentes salões da antiga Alexandria aos tetos em caixotões da Biblioteca Morgan, em Nova York, os seres humanos tiveram um longo e arrebatador relacionamento com as bibliotecas. Como nenhum outro conceito e nenhum outro espaço, a coleção de conhecimento, aprendizado e imaginação oferece uma sensação de infinita possibilidade. É o reino incomparável da descoberta, onde cada manuscrito desbotado ou um poderoso livro pode revelar uma nova idéia provocativa, uma fantasia distante, uma crença antiga, uma convicção religiosa ou um novo modo de ser no mundo.

Massimo Listri. The World’s Most Beautiful Libraries
Georg RuppeltElisabeth Sladek
Hardcover, 29 x 39.5 cm, 560 pages

Nesta nova jornada fotográfica, Massimo Listri viaja para algumas das melhores e mais antigas para revelar toda maravilha arquitetônica, histórica e imaginativa. Através de grandes portas de madeira, escadas em espiral, e ao longo de corredores requintados, ele nos guia através de excelentes bibliotecas privadas, públicas, educacionais e monásticas, datadas de 766. Entre elas, estas barrocas medievais, clássicas, barrocas, as instituições rococó e do século XIX contêm alguns dos registros mais preciosos do pensamento e das ações humanas, inscritos e impressos em manuscritos, volumes, rolos de papiro e incunábulos. Em cada uma delas, as imagens equilibradas de Listri capturam a atmosfera única da biblioteca, tanto quanto suas propriedades mais valiosas e detalhes de design.

Massimo Listri. The World’s Most Beautiful Libraries
Georg RuppeltElisabeth Sladek
Hardcover, 29 x 39.5 cm, 560 pages

As bibliotecas selecionadas incluem as coleções papais da Biblioteca Apostólica Vaticana, a Biblioteca Trinity College, que abriga o Livro de Kells e o Livro de Durrow, e as coleções da Biblioteca Laurentina em Florença, a biblioteca particular da poderosa Casa de Medici, projetada por Michelangelo. Com descrições meticulosas que acompanham cada biblioteca em destaque, aprendemos não apenas sobre os surpreendentes acervos das bibliotecas – a partir dos quais os destaques são ilustrados – mas também sobre seus passados frequentemente animados, turbulentos ou controversos. Como a Abadia de Altenburg na Áustria, um posto avançado do catolicismo imperial repetidamente destruído durante as guerras religiosas européias, ou o mosteiro franciscano em Lima, Peru, com sua horda de documentos da Inquisição arquivística.

Massimo Listri. The World’s Most Beautiful Libraries
Georg RuppeltElisabeth Sladek
Hardcover, 29 x 39.5 cm, 560 pages

Em um volume, Massimo Listri realiza um concurso de beleza bibliófilo, uma ode ao conhecimento e uma evocação da magia particular da impressão. As mais belas bibliotecas do mundo são, acima de tudo, uma peregrinação histórico-cultural ao coração de nossos salões de aprendizado, às histórias que contam, tanto quanto às que recolhem nos impressos nas prateleiras polidas.

Os autores:
Depois de estudar história, língua alemã e literatura, educação e filosofia, Georg Ruppelt obteve seu PhD com uma tese de doutorado sobre Friedrich Schiller. Ele posteriormente trabalhou como bibliotecário, tornando-se vice-diretor da Herzog August Bibliothek em Wolfenbüttel em 1987, e diretor do Gottfried Wilhelm Leibniz Bibliothek em Hanover de 2002 a 2016. Ruppelt publicou mais de 400 ensaios e 40 monografias sobre o assunto de livros, biblioteconomia e história cultural.

Elisabeth Sladek estudou História da Arte em Viena, Arqueologia Clássica e Estudos Judaicos e escreveu sua dissertação no Instituto Max Planck em Roma. Seu campo especial é a história da arte e da arquitetura barrocas, e ela é uma pesquisadora e professora ativa, entre outras em Viena, Roma e Zurique. Ela também publica regularmente sobre os respectivos temas.

Para adquirir o livro clicar neste link.

Tecnologia: reMarkable

A reMarkable é uma startup norueguesa que desenvolve um tablet E Ink para leitura de documentos e livros didáticos, esboços e anotações com o objetivo de uma experiência de escrita semelhante a um papel. O dispositivo é voltado para estudantes, acadêmicos e profissionais. 

Se não abrir clicar aqui.

O último adeus da Sexton Blake em Pelotas

Trago notícias: minha história em Pelotas terminou, foi ótimo ter passado os últimos meses morando naquele simples apartamento (só meu) na Duque de Caxias. Morar totalmente sozinha tem suas vantagens e desvantagens, sobre a última é a de não ter com quem contar ou segurar as pontas quando as coisas ficaram difíceis.

O lado positivo: Pelotas é uma cidade acolhedora e tudo me fazia lembrar sobre os meus livros do Gilberto Freyre e tudo que eu tinha aprendido sobre nossa identidade de colonizados na escola, com ênfase nos aspectos mais positivos e menos dramáticos. Ter ido ao festival internacional de música e para a FENADOCE foram coisas do tipo “made my day” e muito divertidas também.

Por fim, seguem minhas últimas fotos em Pelotas. De uma referência ao famoso Pagode Chinês “The Liuhe Pagoda” (Six Harmonies Pagoda) de Hangzhou, situado na província de Zhejiang na China, construído em 1165 AD durante a Song Dynasty presente no prédio arquitetônico da rodoviária de Pelotas.

De Pelotas fui para Porto Alegre onde eu e minha tia Ivone ficamos por cinco dias e lá aproveitamos bastante para conferir as últimas exposições nos principais museus da cidade, fazer uma pausa para o lanche no Chalé XV, e o mais bacana: assistir ao 3° Festival BB de Blues e Jazz e ufa! após longas caminhadas pelo centro histórico e Bom Fim e compras de livros arrumamos as malas e voltamos para Recife.

É bom voltar para casa. Nada melhor que rever a família e amigos e se preparar para o natal. 

WIKI::SCORE – Um ambiente colaborativo para transcrição e publicação de músicas

Autores: José Nuno Almeida, Nuno Ramos Carvalho e José Nuno Oliveira. Páginas: 82 – 93. DOI: 10.3233 / 978-1-61499-065-9-82. Categoria: Soluções futuras & amp; Inovações  Ebook: Social Shaping of Digital Publishing: Explorando a interação entre cultura e tecnologia.

Resumo:

As fontes de música são mais comumente compartilhadas em partituras escaneadas ou impressas em folhas de papel. Esses artefatos são ricos em informações, mas, como são imagens é difícil reutilizá-las e compartilhar seu conteúdo no mundo digital de hoje. Existem linguagens modernas que podem ser usadas para transcrever partituras, esta ainda é uma tarefa demorada, devido à complexidade envolvida no processo e ao tamanho enorme dos documentos originais.

O WIKI::SCORE é um ambiente colaborativo onde várias pessoas trabalham juntas para transcrever partituras para um meio compartilhado, usando a notação. Isso facilita o processo de transcrição de documentos enormes e armazena o documento em uma notação bem conhecida, que pode ser usada posteriormente para publicar todo o conteúdo em vários formatos, como um documento PDF, imagens ou arquivos de áudio, por exemplo.

Além de acesso livre a partituras é possível contribuir também. Vale a pena conhecer!

Semana do livro em Pelotas

Em comemoração ao dia do livro, estive na Bibliotheca pública de Pelotense para acompanhar ou pelo menos tentar acompanhar algumas das atividades que aconteceram ao longo da semana. A maioria delas consistiu em apresentações teatrais para crianças pela companhia de Teatro Você Sabe quem, que realizou a leitura do livro “Capitão Mariano, o rei do oceano” de Maurício Veneza no dia 18/04.

E no dia 19/04 aconteceu o recital “A Barda: Folk and Game Music”. No repertório, temas icônicos da música folk e trilhas sonoras de séries e filmes como Game of Thrones e Senhor dos Anéis, além de games consagrados como Skyrim e Chrono Cross.

Outras leituras em grupo das obras “Olavo Holofote” de Leigh Hodgkinson com tradução de Érico Assis e do “Livro sem Figuras” de B.J. Novak interpretado pela VOCÊ SABE QUEM Cia de Teatro.

Ontem a bibliotheca estava meio vazia, mas segue as fotos:

Dia do Livro Infantil: 18 de abril

Para comemorar o dia do livro infantil reli trechos de um livro indicado durante a disciplina de Literatura Infantil com a professora Rosa Maria Hessel Silveira extraído de um texto de Rebecca Lukens: A Teia de Charlotte (no original Charlotte’s web), que muito me marcou, pois o “destino” da gentil, amável, leal e doce aranha não ficou muito claro para os leitores da obra tanto no original quanto na produção cinematográfica.

Na literatura infantil é comum “suavizarmos” temas mais delicados e profundos, o que é uma questão polêmica entre os especialistas em educação infantil, já que as crianças precisam ter diferentes experiências com os livros, dentre estas, poder sentir a dor da perda de um personagem tão querido (quando isto acontece). Pra ser bem sincera, o que mais gostei no livro, além da amizade desenvolvida entre duas espécies tão diferentes como uma aranha e um lindo porquinho, foi da representação de uma espécie que comumente aparece nos livros como um ser “asqueroso”, “venenoso” e “horripilante”, como sendo boa. Por outro lado a tamanha devoção da aranha pelo lindo porquinho demonstrado em forma de apoio incondicional deixa algumas marcas que me faz pensar sobre o sentido da generosidade. Eu me percebo como alguém que muitas vezes foi tão gentil e aberta com tantas diferentes pessoas e que nem sempre fui correspondida a altura. Na maioria vezes recebi milhões de espinhos e muito desprezo e com isso aprendi muito sobre mim mesma e fui até ficando mais individualista, fria e insensível para muitas coisas que aconteciam em minha volta.

Apesar disso, esse trecho abaixo é muito emocionante para mim, pois mostra uma capacidade importante dos seres humanos: a de dar por apenas querer dar e em troca receber apenas a amizade ou qualquer mínima relação de afeto, mesmo que isso gere desconfiança. 

Alguém já se sentiu nesta situação? Eu sim, muito recentemente. 

Eu confesso ter medo de aranhas assim como de baratas e escorpiões, mas uma aranha tão simpática e que de tão amorosa foi chamada de “joy” (que quer dizer alegre e feliz) eu definitivamente não esperava ver algo assim, ponto para o livro que fez uma enorme diferença em minha vida. Embora a história se apresente no Brasil como a relação entre a menina e o porquinho, levando a uma interpretação de que a menina não é um dos personagens centrais da história, como argumentado por  Rebecca Lukens, mas sim a própria aranha (em minha opinião).

A menina se destaca de modo expressivo quando no médico registra-se o seguinte fato: “ela acredita que animais falam” e isto mostra um pouco da fantasia que envolve a literatura infantil em que seres inanimados podem ganhar vida na imaginação das crianças e fazer parte de suas construções, algo que os adultos se esquecem quando crescem é que já passaram por isso. Eu me considero uma mulher de 31 anos que se encanta ao ver animações e livros de literatura infantil com diferentes seres com habilidades e sentimentos humanos. Sobre a imaginação infantil este trecho é brilhante:

E quando se trata de animais podemos reconhecer que estes possuem sentimentos como dor, amor por alguém e pressentimento quando algo de ruim pode acontecer com eles. Este artigo, por exemplo, diz que os animais sentem ainda mais dor do que os seres humanos. Outro momento marcante da obra é quando o porquinho precisa lidar com a frustração de não ter sido o vencedor (algo que significou mais para a aranha e o porquinho do que para a menina). Eu senti uma espécie de “ranço” quando eu vi a reação da menina, afinal todo crédito era do porquinho e pra ela aquilo não significava tanto. Para o porquinho sim, ele teve que lidar com a decepção, mas logo depois superou tudo.

E por fim, a despedida da aranha e o encontro do porquinho com suas três filhas. Como todos sabem as aranhas não vivem muito tempo e dizem que em algumas espécies é comum que seus filhos se alimentem do seu próprio corpo. O modo como a aranha saí de cena me recorda muito o que acontece com os animais quando estão para morrer, eles se afastam dos seres humanos e ficam lá quietinhos em seus últimos momentos. Eu já perdi vários animais deste modo e a dor é horrível, quase insuportável e mais ainda é o sentimento de impotência diante de algo que não podemos mudar, apenas esperar e seguir adiante. A demonstração de afeto de Wilbur para Charlotte é emocionante e definitivamente um lindo testemunhal contado para suas filhas: Joy, Aranea e Nellie.

Lindo, não acham?

Este ciclo de vida dos animais que raramente é percebido pelos seres humanos pode ser analisado nesta obra a partir de várias lentes. Para mim, esta personagem tão especial merece viver eternamente, mesmo que isso contrarie a sua natureza que é morrer para que seus filhos tenham vida. 

E por fim, a sinopse do livro e uma síntese de um texto crítico da obra a partir da viés do personagem. E feliz dia do livro! 

Sinopse: Depois de evitar que um porco seja abatido por ser nanico (anão), uma menina chamada Fern adota-o e o chama de Wilbur. No entanto, ela é obrigada a separar-se do porco e levá-lo para a fazendo do seu tio, Homer Zucherman. Fern continua tendo uma ligação mútua com Wilbur, mas ele é esnobado pelos outros animais do celeiro. No entanto, ele descobre uma voz invisível que promete fazer amizade com ele, prometendo se revelar ao amanhecer. Wilbur descobre que a voz é de uma aranha chamada Charlotte, e faz amizade com Charlotte. No entanto, descobre que corre risco de ser abatido e por isso, Charlotte faz um plano para tentar salvar a sua vida. No dia seguinte, de manhã, os Zuckermans descobrem uma teia com as palavras porco incrível, atraindo uma grande notoriedade e publicidade. Entretanto, as chances de sobrevivência de Wilbur podem ser reforçadas se outros milagres semelhantes ocorressem. Por isso, Charlotte pede ajuda ao rato Templeton para procurar palavras de inspiração para as mensagens na teia. Ao longo que o tempo passa, mais palavras começam a aparecer nas teias de aranha elogiando Wilbur e dizendo que ele é especial. Logo, Wilbur vai para a feira agropecuária, junto com Charlotte e o guloso Templeton, que só foi convencido a ir à feira por causa dos alimentos descartados ao longo da feira. Logo depois, Charlotte tece um saco contendo seus ovos – que ela se refere como a sua “obra prima” – que é fortemente vigiado por Wilbur. No entanto, o porco fica triste ao Charlotte informar a sua morte iminente. Desolado, Wilbur guarda o saco de ovos deixado por Charlotte antes de sua morte. Porém, Wilbur se entristece ainda mais quando as aranhas vão embora logo após o seu nascimento, deixando apenas três filhotes jovens demais para deixar ainda. Satisfeito por ter feito novos amigos após a morte de Charlotte, Wilbur dá às três aranhas os nomes de Joy, Nellie, e Aranea. O livro conclui-se mencionando que mais e mais gerações de aranhas fizeram amizade e companhia com Wilbur, que agora está salvo da morte.

Minha síntese:

Referência: LUKENS, Rebecca. Character. In: LUKENS, Rebecca J. A critical handbook of children’s literature. 5a ed. New York, Harper Collins, 1994. P. 39-59.

Na introdução do texto a autora destaca falas comuns ditas pelas crianças como: “Eu gosto de histórias onde as pessoas começam o livro de um jeito e o terminam de outro”. A partir dessa frase, a autora argumenta que nós professores ainda temos uma noção superior de que as crianças são imaturas demais para reconhecer o que faz um ser humano inteiro (completo) ou para ver como as pessoas podem ser uma coisa em uma hora e depois se tornar outra pessoa com a passagem do tempo e eventos.

E também que admitimos erroneamente que as crianças não tem nenhuma experiência ou não são treinadas pessoa ficcionais e suas diferenças. Como resultados das hipóteses formuladas argumenta-se que devemos parar de subestimar a capacidade das crianças oferecendo outros títulos além de tradicionais, com personagens mais complexos. Outros aspectos destacados pela autora sobre o potencial que as crianças possuem para compreender as várias facetas do ser humano são:

  • As crianças normalmente sabem e esperam consistência nas pessoas;
  • Os personagens contribuem para que as crianças possam detectar as diferenças nas personalidades nos seres humanos/estórias que eles leem.

Definição de Personagem:

O termo é geralmente usado para significar a agregação de qualidades mentais, emocionais e sociais que distinguem uma pessoa. Na literatura, o termo personagem é usado para representar uma pessoa, ou no caso da literatura infantil, ou as vezes um animal personificado ou objeto. A autora adiciona a palavra “desenvolvimento” que também tem um significado especial.

Outros aspectos à destacar:

  • Na vida o desenvolvimento de um caráter de uma pessoa ou personalidade compreende crescimento e mudança;
  • Na literatura o desenvolvimento de um personagem significa mostrar o personagem – que pode ser uma pessoa, ou animal ou objeto – com a complexidade de um ser humano.
  • Cada um de nós na vida real é tridimensional, isto é, nós somos uma mistura de qualidade.
    No desenvolvimento completo de um personagem no senso literário, o escritor o mostra completo, composto de uma variedade de falhas (facetas) que são aquelas dos seres humanos reais.

O escritor

Tem ambos privilégios e responsabilidade em matéria de desenvolvimento de personagem.
NOTA: Desde que nós acompanhamos um personagem central em uma história é a obrigação do escrito fazer que os pensamentos e as ações destas pessoas acreditáveis. Se o personagem é menos importante, o escritor tem o privilégio de fazer o personagem bidimensional ou até mesmo a representação de um grupo (por exemplo, o irmão mais velho mandão…).
A importância de um personagem em uma história em níveis: primário, secundário, menor ou de fundo, determina o quão completo o personagem é desenvolvido ou compreendido.

2. Revelação do personagem

A autora faz uma comparação:

Para decidirmos se gostamos ou não de um vizinho nós observamos a maneira que eles trabalham, falam, agem, respeitam as regras de convivência… Na literatura o processo é o mesmo, entretanto o escritor tem uma alternativa adicional: ele pode escolher contar/dizer o que os personagens estão pensando. O escritor ou ator pode descrever com detalhes sobre as ansiedades internas, sonhos, padrões de comportamento na infância e vida caseira. Nos tópicos a seguir a autora descrever os modos como é possível caracterizar um personagem utilizando como exemplo a obra “Charlotte’s Web” (em Português, a menina e o porquinho).

2.1 Pelas ações

Ela cita o personagem Templeton como um exemplo de personagem que ações ajudam a definir a natureza dele. Esse personagem em questão tem várias características que suas ações revelam para o leitor, aqui as características são descobertas mediante o comportamento das ações do personagens (grosseira, centrado em si mesmo, etc…)

2.2 Pelo discurso

No livro o personagem se auto caracteriza por ele diz, mostra-se sendo cínico e egoísta, ressentido sobre qualquer tipo de intrusão aos seus propósitos.

2.3 Pela aparência

O personagem Gluttony (o rato) tem muitas características e a aparência dele mostra isso. Há uma série de situações na história em que há modificações corporais nele… Ele tem um grande apetite, cresce mais gordo e maior do que qualquer outro rato conhecido. Neste tópico a autora nos ajuda a identificar nos personagens a partir da aparência traços da personalidade nas análises de livros.

2.4 Pelos comentários de outras pessoas

Templeton é caracterizado pelo que ele faz, o que ele veste e pela maneira ele parece. Contudo, aprendemos mais sobre ele pelos comentários dos outros ao seu respeito. A autora destaca que esse tipo de abordagem é utilizada por muitos escritores, pois sabe-se que nós conseguimos confiar mais nas pessoas por aquilo que ouvimos sobre elas, e portanto os comentários dos outros nos ajudam a mostram o caráter.

2.5 Pelo comentário do autor

O autor faz comentários como: “ele não tem moral, não tem consciência dos seus atos e ações, não tem qualquer escrúpulos…” E assim, conhecemos o personagem com mais profundidade pelo modo como ele é descrito pelo autor. 

NOTA: A riqueza de descrições sobre o desenvolvimento dos personagens pode ter levado aos autores a escolher essa obra.

União entre o personagem e suas ações

O escritor cria um completo repertório de personagens para a estória (alguns importantes, alguns menores, alguns complexos, alguns relativamente simples) através do uso dessas técnicas e a partir da maneira como reconhecemos essas características nos personagens, nós respondemos para elas. A autora dá um exemplo sobre como escritores conseguem unir as características de um personagem e suas ações em uma narrativa. Ela diz que um exemplo muito usado é quando o personagem começa uma história de um jeito (malvado, cruel, egoísta, mimado, etc) e muda as suas atitudes no final da história, e isto no meu ponto de vista contribuí para que o leitor também possa mudar o seu ponto de vista sobre o personagem (antes odiado e depois amado).

Em outro exemplo extraído da obra “The Ugly Duckling” de Hans Christian Andersen, a construção desse personagem é baseada em suas características e também através de suas ações na medida que as provas e perseguições que ele passa em sua vida para o seu amadurecimento determinam uma mudança pessoal dele e do seu caráter, ou seja, a história identifica a realidade de maturidade.

Outros exemplos citados pela autora são: “Strider” de Beverly Cleary que o personagem principal muda os seus hábitos ao achar um cachorro, Strider e a compartilha-lo com o seu melhor amigo Berry e eles passam a correr com frequência, e neste processo ele deixa de ser tão sedentário, faz novos amigos e fica mais feliz com si mesmo. Outro exemplo citado é “Like Jack and me” de Mavis Jukes em que um personagem que tem medo de tudo mas a relação com Alex faz com que ele amadureça em alguns sentidos. E continua dando outros exemplos…

Tipos de personagens

Neste tópico a autora destaca que há muitos termos que descrevem os níveis de desenvolvimento de personagens. Os principais tipos são:

1. “Personagem completo”: É aquele que nós o conhecemos bem, que tem uma variedade de características que faz ele ou ela credível. Como uma pessoa real, este tipo de personagem pode nos surpreender ou responder de modo impetuoso (ou precipitado).
2. “Personagem raso”: É menos desenvolvido e tem menos características (detalhes).
3.“Personagem dinâmico”: É um personagem completo que muda suas características ao longo da história.
4.“Personagem estático”: Apesar deste tipo apresentar credibilidade, ele não muda no curso da história. Estes personagens são essenciais para a história, mas eles não são bem desenvolvidos e não parecem existir como um individual ser humano. Quando um personagem tem poucas características que não o distinguem de um grupo de pessoa, ele pode ser chamado de estereótipo. Outro termo utilizado pela autora é “personagem frustrado”, um personagem que tem poucas características em contraste ao personagem principal, o que favorece ao principal. Estes personagens dão poucas contribuições para se conhecer os seres humanos.

Avaliando personagens na literatura Infantil

Neste tópico a autora destaca alguns aspectos que podem ser avaliados na literatura infantil sobre personagens:

  • Literatura Tradicional: Há muitos tipos de personagem na literatura tradicional que apresentam uma variedade de características e ações.
  • Realismo Animal: São aquelas obras em que os animais ganham características humanas. Algumas críticas são feitas a este tipo de abordagem argumentando a existência de uma concepção antropocêntrica do homem sobre os animais. Ela cita Burnford que desenvolveu os seus personagens primeiramente a partir da observação, e depois descreveu aquilo que ela acredita-se que eles são.
  • Ficção Científica: Atualmente há uma grande preocupação com o desenvolvimento dos personagens, de uma realidade subjetiva, e para a sutileza na linguagem.
  • Clássicos: São livros que continuam a ser lidos independente das gerações, são livros com personagens sólidos e memoráveis (Peter Pan, Os três porquinhos, etc.) e que fazem uma contribuição significante na exploração de características dos seres humanos.

A autora concluí o seu texto destacando que tanto na vida quando nos livros, as crianças podem perceber diferenças nos seres humanos e elas são capazes de reconhecer e responder aos personagens bem desenvolvidos e que até mesmo nas mais simples histórias é possível achar personagens que parecem ser partes da natureza humana, e se isso ajuda as crianças, é preciso investir mais nisso.

O livro Charlotte’s Web está disponível em .pdf aqui.

Doze dicas para terminar TCC, dissertação de mestrado e tese de doutorado

 Postagem do blog da Biblioteca Central da UFRGS e estou compartilhando aqui.

Pela primeira vez aqui no blog, resolvi pedir a colaboração de colegas professores. Perguntei quais conselhos eles dariam para ajudar os estudantes a terminar seus trabalhos de conclusão de curso de graduação, dissertações de mestrado e teses de doutorado. O resultado foram doze carinhosas lições e dicas – as seis primeiras seguem abaixo.

Minha gratidão e abraço apertado a Aparecida Fonseca Moraes e Adriana Facina, que colaboram neste post. As fontes estão ao lado de cada citação, mas a responsabilidade pela edição, curadoria e eventuais erros de interpretação é minha.

1. Não esquecer do sonho por trás do trabalho:

A professora Aparecida Fonseca Moraes fez um relato sobre seus tempos de mestrado que me emocionou:

Lembro-me que trabalhava tão arduamente na escrita da dissertação que não tinha interesse nem nas necessidades físicas mais básicas, como dormir ou comer. Uma coisa, porém, me relaxava e oferecia ânimo novo: os poemas e outros escritos de Pablo Neruda. Foi por isso que, até o final do mestrado, me acompanhou uma frase do livro autobiográfico do autor, ‘Confesso que vivi’:

“A intermitência do sonho é que nos permite suportar os dias de trabalho”.

Parafraseando Neruda: confesso que assim sobrevivi. (Aparecida F. Moraes)

Amei a frase! Fui até procurar “intermitência” no dicionário, para ter certeza de que tinha entendido. 😉 Mas depois desencanei, porque o sentido do verso foi o conforto que a Aparecida encontrou para escrever, não esquecendo dos sonhos que a moveram para escrever um trabalho acadêmico.

Achei aqui uma versão inteira do poema de Neruda; e achei aqui vários outros textos e vídeos do poeta para inspirar.

2. Concentrar-se no processo: desligar das redes sociais

Adriana Facina escreveu três conselhos simples e profundos, que me tocaram muito! Desdobrei em quatro para dar destaque a cada passo descrito por ela. O primeiro:

Escrever, especialmente trabalhos de grande monta como dissertações e teses, exige foco, disciplina e um certo desligamento do mundo. Meu conselho número 1 a todas e todos que estão nesse processo é: saia das redes sociais.

Aqui você encontrará problemas políticos que vão te preocupar e te trazer incertezas sobre o futuro, debates estéreis (tretas) nos quais você vai querer opinar e que vão sugar suas energias, um monte de gente aproveitando as férias e lugares maneiros aonde você queria estar, eventos que você gostaria de frequentar etc.

Tudo isso rouba seu tempo e sua capacidade de trabalho. Acredite: nós escrevemos mesmo quando não estamos escrevendo. Ainda que nos momentos em que estamos distantes da tela do computador, nossa cabeça está funcionando no modo escrita, elaborando ideias e formatos que se tornarão textos. É muito importante a gente se concentrar nisso. Se divertir, se distrair é importante, mas procure aquelas atividades que te refazem e reenergizam, não as que desgastam e dispersam. (Adriana Facina)

Nossa, esse conselho vale para a vida, a qualquer momento, não apenas para quem está escrevendo tese, concordam? Eu teria naufragado se tivesse que fazer pós-graduação num mundo com redes sociais.

3. Curtir a escrita

Mais um conselho perfeito da professora Adriana Facina:

[Meu] conselho número 2 é: aproveite a escrita. É difícil. Por vezes, solitário. No entanto, é um processo desafiador, instigante, cujos resultados podem ser muito prazerosos (ainda que dificilmente o processo em si o seja).

Faça bons cafés, beba um drink de cara pro computador se isso te ajudar, ouça música ou prefira o silêncio. É a sua arte. Se dedique a ela. Encontre sentido. É sua escolha. É você se inscrevendo no mundo. É o seu pensar autônomo. Não deixe que nada te roube essa experiência tão forte e especial. (Adriana Facina)

Fiquei tão feliz de ler isso! A Adriana tocou num ponto fundamental para mim. É uma delícia quando a gente consegue engrenar no fluxo da escrita, aquele que desliga os sentidos para o mundo lá fora. Vivo para isso. Taí, inclusive, a razão desse blog existir.

4. Cercar-se de pessoas que te ajudem

A quarta lição, e o conselho número três da Adriana:

Procure ajuda se precisar. Se a relação com orientador não estiver fluindo bem (ou mesmo que esteja, mas que não seja o suficiente pra você), procure amigos, pessoas de confiança afetiva e/ou intelectual, parentes. Peça que leiam. Discuta seu trabalho com elas. Mergulhe nisso. Fique obsessiva. Quanto mais a gente mergulha e vive nosso tema, mais insights de escrita surgem. (Adriana Facina)

Esse trecho me lembrou de uma história. No auge do meu sofrimento no doutorado, com o orientador pressionando para que eu defendesse no prazo mínimo, uma das coisas que mais me ajudou foi dar um telefonema. Liguei para a Myriam Lins de Barros, uma das professoras que iria participar da minha banca, e expliquei como estava me sentindo: cheia de dores, ansiosa e fraca, fisica e emocionalmente. Ainda hoje me lembro da voz dela, calma e serena, me tranquilizando de que não havia qualquer problema em adiar a defesa por quatro meses e que ela se dispunha a ligar para o meu orientador para me dar apoio. Nossa, que bálsamo ouvir aquilo! Foi a partir desse dia que consegui retomar a escrita e seguir em frente. Obter apoio de pessoas significativas, que nos afetam, seja no plano pessoal ou acadêmico, tem um valor imenso na conquista da estabilidade necessária para produzir!

5. Ler autores e livros que te inspirem

A quinta lição, e última parte dos conselhos da Adriana Facina:

Por fim, nas horas de descanso, recomendo que leia textos que inspiram a escrever. A hora da estrela, da Clarice Lispector, tem uma linda introdução falando sobre escrita. Mas existe muita coisa disponível, inclusive um blog bem bacana: https://comoeuescrevo.com/. Isso ajuda no compartilhamento dessa experiência incrível que é escrever. Bom trabalho! (Adriana Facina)

Não sei vocês, mas eu vou procurar o meu exemplar de A hora da estrela. Não lembrava que havia uma introdução sobre escrita nesse livro! Sobre o blog “Como eu escrevo”, estou devendo uma entrevista lá! É um site cheio de escritores e professores contando seus rituais e métodos de escrita.

Também nunca é demais recomendar a leitura dos Anexos de A sociedade de esquina (William Foote Whyte), do apêndice “Algumas reminiscências e reflexões sobre o trabalho de campo” do livro Bruxaria, oráculos e magia entre os Azande (E. Evans-Pritchard), a obra Truques da escrita (Howard S. Becker), além da lista incrível sobre escrita acadêmica compilada pela Eva Scheliga em seu blog …E ETC. *

Claro que, como sugeriu a Adriana Facina, literatura inspira e muito! Meus autores favoritos nessas horas são Mário de Andrade, Eça de Queirós, Virginia Woolf, Oscar Wilde, Anne Lamott, Umberto Eco, Agatha Christie… Na verdade, qualquer texto que me traga bom humor e inspiração já é um grande estímulo!

6. Visualizar a tese pronta

escrevendo tese prontap

Para encerrar as dicas de hoje, retomo a palavra da professora Aparecida Fonseca de Moraes sobre suas memórias de escrita:

Lembrei de outra que adoro contar.  No período de árduo trabalho de escrita da dissertação, meu filho, com mais ou menos dez anos, desenhava esplendidamente e montava algumas estórias em quadrinhos (não foi à toa que acabou trabalhando com cinema).

Bem, um dia chego em casa e encontro um desenho incrível sobre a minha mesa de trabalho. A cena: Um computador grande, como aquele que eu usava para trabalhar, com um personagem ao lado que apertava apenas uma tecla. Do aparelho saíam folhas de um documento onde se lia: “tese pronta”!  Claro que ri muito, mas fiquei imaginando a ansiedade dele para que esse “rival” saísse logo de nossas vidas… rs (Aparecida F. Moraes)

Que delícia de história, que vontade de apertar esse menino nos braços! Queria ter uma super memória para me lembrar de todas as situações desse tipo que já me contaram. Se vocês souberem de alguma, escrevam nos comentários por favor! No meu caso, só tive filhos depois de terminar o doutorado… Por isso, a marca do excesso de trabalho não ficou tão forte nas crianças. Para todos que estão escrevendo: lembrem da delícia que será cumprir as promessas sobre a vida pós-tese que vocês estão fazendo para os amores e família!

[Continua na Parte 2 aqui.]

 Kuschnir, Karina. 2018. “Doze dicas para terminar TCC, dissertação de mestrado e tese de doutorado (Parte 1)”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3Cz. Acesso em [14/04/2018].