Lançamento do livro: Antonietta Raphäel – Life and paintings (2020)

Depois de alguns anos estudando sua obra e vida, lanço uma seleção de pinturas da expressionista italiana Antonietta Raphäel (1895 – 1975), uma pintura e escultora judia, fundadora da Escola Romana (Escuela Romana), junto com o seu marido Mario Mafai.

A obra de Antonietta Raphäel é mundialmente conhecida por uma convicção profunda anti-acadêmica, expressa também por suas esculturas, sobre todos os acontecimentos da Segunda Guerra Mundial em vários países. Como pontos marcantes destacam-se uma ternura e carnalidade vibrante presentes em obras como Miriam dormiente (Sleeping Miriam) e Nemesis.

Este livro é composto por 26 obras, divididas em pinturas e esculturas, dentre os quais são Adolescente (1928), Still life with a guitar (1928), Re David piange la morte di Absalon (1947) e Desnudo femenino ante el espejo, os meus favoritos.

Antoinetta Raphäel: life and paintings, de Condessa de Melo (2020).  

Lançamento de livro: Lúcia de Siracusa

A história da Santa Lúcia de Siracusa (283 – † 13 de dezembro de 304) é mais do que uma história bonita e de muita fé, mas com um final trágico e triste, aspecto recorrente entre os principais mártires da igreja primitiva, alguns dos quais conheci e aprendi sobre eles quando eu era adolescente e tinha muitas perguntas sobre a fé e os escritos que atualmente compõe a bíblia sagrada em suas mais diferentes versões produzidas ao longo da história do mundo.

Este livro de pinturas da Lúcia de Siracusa demonstra a sua importância e a fidelidade dos seus seguidores e devotos, assim como eu. Aprender sobre esta santa e seu legado para a humanidade e para o cristianismo me fez enxergar melhor o poder de algumas mulheres da antiguidade e de todo o seu legado para as novas gerações de cristãos espalhados pelo mundo.

O número expressivos de igrejas e comemorações no Brasil em sua homenagem, exprime os sentidos da visão espiritual como um dos mais fundamentais para a perseverança e um sólido alicerce para a fé em Deus, confiança nos líderes religiosos, nos livros sagrados, nos sacramentos e na igreja. 

De acordo com historiadores católicos, somente em 1894 o martírio da jovem Luzia, também chamada Lúcia, foi devidamente confirmado, quando se descobriu uma inscrição escrita em grego antigo sobre o seu sepulcro, em Siracusa, Nápoles. A inscrição trazia o nome da mártir e confirmava a tradição oral cristã sobre sua morte no início do século IV.

Mas a devoção à santa, cujo próprio nome está ligado à visão (“Luzia” deriva de “luz”), já era exaltada desde o século V. Além disso, o papa Gregório Magno, passado mais um século, a incluiu com todo respeito para ser citada no cânone da missa. Os milagres atribuídos à sua intercessão a transformaram numa das santas auxiliadoras da população, que a invocam, principalmente, nas orações para obter cura nas doenças dos olhos ou da cegueira.

Diz a antiga tradição oral que essa proteção, pedida a santa Luzia, se deve ao fato de que ela teria arrancado os próprios olhos, entregando-os ao carrasco, preferindo isso a renegar a fé em Cristo. A arte perpetuou seu ato extremo de fidelidade cristã através da pintura e da literatura.

Foi enaltecida pelo magnífico escritor Dante Alighieri, na obra “A Divina Comédia”, que atribuiu a santa Luzia a função da graça iluminadora. Assim, essa tradição se espalhou através dos séculos, ganhando o mundo inteiro, permanecendo até hoje.

Luzia pertencia a uma rica família napolitana de Siracusa. Sua mãe, Eutíquia, ao ficar viúva, prometeu dar a filha como esposa a um jovem da Corte local. Mas a moça havia feito voto de virgindade eterna e pediu que o matrimônio fosse adiado. Isso aconteceu porque uma terrível doença acometeu sua mãe. Luzia, então, conseguiu convencer Eutíquia a segui-la em peregrinação até o túmulo de santa Águeda ou Ágata. A mulher voltou curada da viagem e permitiu que a filha mantivesse sua castidade. Além disso, também consentiu que dividisse seu dote milionário com os pobres, como era seu desejo.

Entretanto quem não se conformou foi o ex-noivo. Cancelado o casamento, foi denunciar Luzia como cristã ao governador romano. Era o período da perseguição religiosa imposta pelo cruel imperador Diocleciano; assim, a jovem foi levada a julgamento. Como dava extrema importância à virgindade, o governante mandou que a carregassem à força a um prostíbulo, para servir à prostituição. Conta a tradição que, embora Luzia não movesse um dedo, nem dez homens juntos conseguiram levantá-la do chão. Foi, então, condenada a morrer ali mesmo. Os carrascos jogaram sobre seu corpo resina e azeite ferventes, mas ela continuava viva. Somente um golpe de espada em sua garganta conseguiu tirar-lhe a vida. Era o ano 304.

Para proteger as relíquias de santa Luzia dos invasores árabes muçulmanos, em 1039, um general bizantino as enviou para Constantinopla, atual território da Turquia. Elas voltaram ao Ocidente por obra de um rico veneziano, seu devoto, que pagou aos soldados da cruzada de 1204 para trazerem sua urna funerária. Santa Luzia é celebrada no dia 13 de dezembro e seu corpo está guardado na Catedral de Veneza, embora algumas pequenas relíquias tenham seguido para a igreja de Siracusa, que a venera no mês de maio também.

Este livro é composto por 12 pinturas de diferentes artistas que retratam os momentos mais marcantes da vida desta Santa, produzidos ao longo da história e expostos nas mais importantes galerias de artes do mundo, atualmente abertas para a visitação do público. O livro em formato digital será impresso e lançado em breve. 

Fonte: Editora Paulus. 

Lúcia de Siracusa por Condessa de Melo (2020).

Lançamento de livro: Albert Ràfols-Casamada

Depois de meses de estudos decidi lançar alguns dos livros de artes dos quais venho trabalhando nos últimos anos.

Neste livro, selecionei algumas das obras e estudos do pintor catalão, poeta e professor de arte, Albert Ràfols-Casamada muito envolvido nos movimentos de vanguarda de seu tempo.

Sua obra começou na esfera figurativa pós-expressionista, mas logo se desenvolveu em seu próprio estilo abstrato, fundamentado em uma representação poética da realidade cotidiana. Por meio da licença Fair Use, foi possível sistematizar e organizar o conjunto de obras que fizeram parte dos meus estudos do pintor.

Albert Ràfols-Casamada (paintings) por Condessa de Melo (2020).

Em “Hearts of Our People”,, mulheres indígenas americanas recuperam seu espaço através da arte

Original publicado aqui.

A arte se mostrou uma saída para um grupo de mulheres indígenas continuarem seus ofícios e manterem suas histórias tradicionais por séculos. Elas continuaram a criar e a desenvolver seus trabalhos até mesmo enquanto lutavam contra opressão, como nas residências e internatos em que muitas foram forçadas a viver ao longo do século 19 nos Estados Unidos, nos quais os colonizadores tentaram destruir sua cultura e assimilá-las ao modelo de vida branco e cristão. 

Hoje, suas obras são fortemente referenciadas na moda e no design, e muitas vezes sem reconhecimento; as artistas indígenas são frequentemente vítimas de apropriação cultural. Parece, sem dúvida, que relacionado a essa questão ainda não houve uma grande retorno para elas, como por exemplo, a criação de um grande museu dedicado a explorar essas mulheres – até o momento.

Em razão destas críticas o Instituto de Arte de Minneapolis (MIA) apresenta “Corações do Nosso Povo: Artistas Nativas Femininas”, a primeira grande vitrine para dar visibilidade às mulheres indígenas, tanto do Canadá como dos Estados Unidos, que foram repetidamente ignoradas no mundo da arte mainstream. Com curadoria de Teri Greeves e Jill Ahlberg Yohe, apresenta 117 objetos diferentes, todos feitos por mulheres nativas, que abrangem mais de 1.000 anos, incluindo pinturas, esculturas, roupas e muito mais. Uma das principais características é que as próprias artistas também variam em tribo e localização. 

Foto: Dan Dennehy / Cortesia do Minneapolis Institute of Art
Jamie Okuma and Keri Ataumbi, Adornment: Iconic Perceptions, 2014.
Foto: Charles Walbridge / Cortesia of The Minneapolis Institute of Arts
Jamie Okuma, Adaptation II, 2012
Foto: Cortesia do Denver Art Museum
Crow artist, Dress, 1930.
Foto: Gina Fuentes-Walker / Cortesia do The Smithsonian Institution
Sisseton Dakota artist, Table cloth, 1900
Foto: Tom Fields / Cortesia do Minneapolis Institute of Arts
Osage artist, Ribbon blanket, 1950.

O projeto tem tomado muito tempo para os curadores Yohe e Greeves. A dupla trabalha neste projeto há mais de quatro anos e, durante o processo de aquisição, eles trabalharam com um conselho consultivo de 21 artistas e acadêmicos nativos de diferentes regiões para garantir que a seleção final representasse a combinação certa e equilibrada de todas as regiões e etnias, “nenhum de nós poderíamos falar com autoridade sobre todas essas outras nações e etnias”, disse Greeves, enquanto Yohe acrescentou: “Para contar uma história tão rica quanto essa, não podemos contar essa história sem buscar outras fontes. A diretoria nos ajudou a garantir que fôssemos abrangentes no escopo.” Para atingir sua meta, os curadores dividiram a exposição em três temas: legado, relacionamento e poder.

No interior, as obras conseguem fazer justiça a essas grandes ideias. Power, por exemplo, chama a atenção em alta velocidade: um modelo do tipo El Camino totalmente personalizado, feito pela artista de mídia Rose B. Simpson, um Santa Clara Pueblo, abre o show. Com seu trabalho, Maria, se apresenta como uma cara de gasolina – algo visto como um passatempo muito masculino – então ela dá-lhe um toque de mulher indígena, equipando-o com decalques inspirados nas linhas encontradas nas cerâmicas Pueblo, que muitas vezes são feitas e dominadas por mulheres.

Em outra sala, uma pintura em grande escala, intitulada A Sabedoria do Universo, da artista Métis Christi Belcourt – pintada em um estilo pontilhado, para dar a sua tela a aparência de ser frisada – explora a relação entre os povos indígenas e a natureza. Nesta pintura os animais, plantas e água ocupam um lugar sagrado na vida indígena, e Belcourt refere-se especificamente às mudanças climáticas do século 21, pintando apenas as espécies que estão na lista de animais ameaçados do Canadá. É uma peça extremamente bonita com uma mensagem importante em seu núcleo.

Rose B. Simpson, Maria, 2014
Foto: Kate Russell

Enquanto isso, Legacy é um tema que percorre praticamente todas as peças do programa. Uma amostra de destaque é a joalheria colaborativa, intitulada “Adorno: Percepções Icônicas, da joalheira Kiowa Keri Ataumbi e do artista Shoshone-Bannock e Luiseño Jamie Okuma“, ambos com perfil para a Vogue aqui. Em um anel e colar de coquetel cintilante, Okuma pintou retratos de Pocahontas, com base em ilustrações históricas dela nos séculos XVII e XVIII; Ataumbi, em seguida, definem beading Okuma com metais preciosos, pérolas e pedras. São peças de moda fabulosas que re-imaginam uma figura histórica que há muito foi mal interpretada e estereotipada.

Em geral, as peças de moda mostram o quanto a arte indígena evoluiu e cortam qualquer mito de sua homogeneidade. Um vestido de jingle Anishinaabe e uma faixa de cabeça de contas dos anos 1900 evocam as silhuetas no estilo melindroso que dominaram o período de tempo, mostrando que uma peça tradicional pode até refletir as tendências atuais do dia. Outra peça de Okuma, um par de sapatos do tipo plataformas de Christian Louboutin, combina artesanato tradicional com um floreio ultramoderno.

Kay WalkingStick, Venere Alpina, 1997.
Foto: Kay WalkingStick / Minneapolis Institute of Art

Não podemos deixar de notar a relevância de um programa como “Hearts of Our People”, pois os direitos das mulheres estão cada vez mais sob ataque na América; leis controversas e draconianas, por exemplo, ameaçam por trazer debates como Roe v. Wade ao relembrar os traumas e todas as situações ruins vividas pelas mulheres indígenas, com intuito de conectar suas lutas por meio da solidariedade – o que é algo que Greeves acredita que esse programa pode oferecer.

“Esta exposição deveria ter iniciado em 2016, quando Hillary [Clinton] deveria ser a presidente. Então a eleição aconteceu ”, disse Greeves. “Eu percebi que tudo acontece por um motivo. Esse tipo de demonstração do efeito das mulheres nativas na arte americana, fazendo essa declaração agora e tomando uma posição sobre o poder das mulheres, está realmente revolucionando a medicina neste momento. Isso está acontecendo quando deveria estar acontecendo.

Anishinaabe artist, Jingle Dress and Headband, 1900
Foto: Courtesy of the Minneapolis Institute of Art

Compulsory Education por Briton Rivière (1887)

Descrição: A pintura retrata uma menina lendo um livro com o seu animal de estimação.

Em meu pinterest tenho publicado inúmeras pinturas de crianças para projetos futuros. São realmente encantadoras! 

Neste link é possível conhecer outras obras de Briton Rivière.

Lançamento: Raffaello Sorbi (Livro do artista)

Este livro em formato de e-book apresenta uma seleção de trabalhos do pintor Raffaello Sorbi e integra uma coleção de pequenos livros sobre artes visuais e história da arte.

Raffaello Sorbi: paintings por Rafaela da Silva Melo (2018).

Qual é a história da caridade romana (Roman Charity)? Ela fala sobre a abnegação do amor?

Postagem original em inglês neste link.

ArtistaPeter Paul Rubens
Criação: 1612
PeríodoBarroco
Gênero: Pintura histórica

O conto da caridade romana é uma daquelas histórias que faz o estômago da maioria das pessoas se agitar e gera muita incompreensão. A autoria deste conto é atribuída ao  antigo escritor romano Valério Máximo. A história é a seguinte …

Um pai idoso, Cimon é encarcerado para a vida e negou o benefício da comida para apressar a sua morte. Pero, sua filha, não queria que o pai morresse de fome na prisão e, em razão disto, todas as vezes que obtinha  acesso à cela do seu pai, lhe oferecia o leite materno para o seu sustento.

Como pode ser visto, Cimon está tão definhado e chupar a mama de Pero. De acordo com o conto, Cimon é libertado porque os soldados tanto admiravam a caridade sincera de Pero e passaram a ser conhecidos como Roman Charity.

Mais tarde, esse tema estava ligado à virtude cristã da caridade e retratada em várias obras de arte renascentistas e barrocas, que modificavam o sexo dos pais de mãe para pai. Por exemplo, o baixo-relevo de Jean Goujon em meados do século XVI, pendurado no Louvre, é um exemplo notável dessa mudança de sexo entre pais e a nota incestuosa introduzida.

No entanto, esta história não evoca a noção de abnegação do amor. Na minha opinião, Pero estava sendo egoísta quando tentou salvar seu pai. Ela não sabia que seu ato inspiraria os romanos a liberar Cimon. Naquela nota, ela estava apenas prolongando o sofrimento de Cimon na cadeia. Isso definitivamente não é um ato abnegado de amor.

O conto da caridade romana foi reinterpretado por diferentes pintores de diferentes épocas e gêneros. Alguns exemplos são:

Fresco from Pompeii Artist unknown. Mid 1st century CE.
Hans Sebald Beham (1544).

Jan Janssens (1620-25)
Dirck Van Baburen (c. 1623)
Gaspar de Crayer (c. 1625)
Charles Mellin (c. 1628)
Pieter van Mol (c. 1640)
Christoph Maucher (amber, 1690)
Jean-Baptiste Greuze (c. 1767)
Johan Zoffany (c. 1769)
Barbara Krafft (1797)
Rembrandt Peale (1811)
Max Sauco (2011)