Na cafeteria do Softbank, quem atende os clientes são os robôs

Originalmente publicado aqui.

Você entra numa cafeteria. O atendente pergunta qual é o seu pedido. Mas ele não é um humano: é um robô. Esse cenário já é realidade em Tóquio, na Pepper Parlor, cafeteria do SoftBank, inaugurada na semana passada.

Os robôs anotam os pedidos, conversam com os clientes e limpam o ambiente, além de sugerir pratos com base na expressão facial do consumidor. “Deixe-me ver seu rosto. Hmm, você parece um pouco cansado. Recomendo um waffle”, diz a Pepper para o consumidor.   

Você entra numa cafeteria. O atendente pergunta qual é o seu pedido. Mas ele não é um humano: é um robô. Esse cenário já é realidade em Tóquio, na Pepper Parlor, cafeteria do SoftBank, inaugurada na semana passada.

Os robôs anotam os pedidos, conversam com os clientes e limpam o ambiente, além de sugerir pratos com base na expressão facial do consumidor. “Deixe-me ver seu rosto. Hmm, você parece um pouco cansado. Recomendo um waffle”, diz a Pepper para o consumidor.   

O robô Pepper foi lançado em 2014 pelo SoftBank Robotics e se estima que mais de 3 mil empresas o adquiriram até hoje. Segundo a publicação Asian Review, o Softbank abriu o próprio estabelecimento para treinar a Pepper em situações do dia a dia. A unidade de robótica do SoftBank Group utilizará o conhecimento adquirido no café para aprimorar a tecnologia.

“Há muitas tarefas em que os robôs podem ajudar, seja levando comida à mesa ou retirando lixo. Queremos compartilhar as descobertas daqui com os nossos clientes”, disse Kazutaka Hasumi, vice-presidente de produtos do Softbank Robotics, ao Asian Review

Crianças com menos de 2 anos não devem ter contato com telas, recomenda OMS

Brincar mais, dormir melhor e passar menos tempo em contato com telas, como televisão, tablet e celulares, são as recomendações de um guia inédito lançado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta quarta-feira (24/4), com orientações para crianças com menos de 5 anos.

Segundo o documento, menores de 2 anos não devem ter contato com telas e aqueles com 2 anos ou mais podem assistir televisão por até uma hora por dia. A publicação recomenda ainda troca de telas por atividades como leitura e apresenta o tempo de sono recomendado por faixa etária.

As novas diretrizes foram elaboradas por um grupo de especialistas da organização, que avaliaram o impacto do sedentarismo e do sono inadequado e verificaram os benefícios do sono de qualidade e da prática de atividade física.

Segundo a OMS, inserir hábitos saudáveis nos primeiros anos de vida gera impacto não só no desenvolvimento motor e cognitivo da criança, mas em sua saúde ao longo da vida. Diminuir o tempo que os pequenos ficam sentados, seja vendo TV ou em carrinhos de bebê, também ajuda a evitar a obesidade infantil.

A organização também oferece orientações de atividades que podem ser realizadas pelos pais para evitar momentos de sedentarismo, como jogos mais ativos. Para os períodos em que a criança vai ficar sentada, a recomendação é substituir celulares, tablets e TV por leitura, contação de história, quebra-cabeça e canto.

Embora aborde a necessidade de práticas de atividades físicas, o guia também destaca a necessidade de um sono reparador para as crianças, incluindo os cochilos. Para bebês até 3 meses, a indicação é de 14 a 17 horas de sono por dia. Entre 1 e 2 anos, o tempo de sono deve ser de 11 a 14 horas. Crianças de 3 a 4 anos devem dormir entre 10 e 13 horas.

O tema já é discutido por sociedades de pediatria de diferentes países. Em 2016, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) elaborou um manual com orientações para pais e educadores com foco na saúde de crianças e adolescentes na era digital.

De acordo com o documento, crianças com menos de 2 anos não devem ser expostas a telas digitais, principalmente durante as refeições e uma a duas horas antes de dormir. “Aproveitar oportunidades aos finais de semana e durante as férias para conviver com a família, com amigos e dividir momentos de prazer sem o uso da tecnologia, mas com afeto e alegria”, diz o manual.

Veja as novas recomendações da OMS por faixa etária.

Bebês com menos de 1 ano
– Devem realizar diferentes atividades várias vezes ao dia, especialmente brincadeiras no chão. Caso ainda não se movimente, os pais devem deixar a criança de bruços durante 30 minutos, espalhados ao longo do dia, apenas quando o bebê estiver acordado

– A criança não deve ficar mais de uma hora seguida em carrinho de bebê, cadeiras ou canguru

– Não deve ter contato com telas digitais
– Até os 3 meses, a recomendação é dormir entre 14 e 17 horas por dia. Dos 4 aos 11 meses, são 12 a 16 horas, incluindo cochilos

Crianças de 1 a 2 anos
– As atividades físicas, de qualquer intensidade, ao longo do dia devem durar ao menos três horas

– Não devem ficar mais de uma hora seguida em carrinhos de bebê, cadeiras ou canguru. O tempo sentado também não pode ser longo

– As telas não são indicadas para crianças de 1 ano. A partir de 2 anos, não deve superar uma hora por dia

– O tempo de sono, incluindo cochilos, deve ser de 11 a 14 horas

Crianças de 3 a 4 anos
– As atividades físicas, de qualquer intensidade, ao longo do dia devem durar ao menos três horas. Mas é indicado que, ao menos 1 hora, seja dedicada a atividades de intensidade moderada a vigorosa

– Não devem ficar mais de uma hora seguida em carrinhos de bebê, cadeiras ou canguru. O tempo sentado também não pode ser longo

– O tempo diante de telas não deve superar um hora por dia

– O tempo de sono deve ser de 10 a 13 horas

Brincadeira de criança: Brinquedos e brincadeiras para crianças pequenas

Vamos brincar? Conheça diversas brincadeiras educativas e divertidas para fazer com crianças pequenas!

A brincadeira de alta qualidade faz a diferença na experiência presente e futura, contribuindo de forma única para a formação integral das crianças. As crianças brincam de forma espontânea em qualquer lugar e com qualquer coisa, mas é preciso associar tal espontaneidade com a qualidade do brincar.

A alta qualidade é resultado da atenção do adulto, que procura oferecer autonomia às crianças para a exploração dos brinquedos e a recriação da cultura lúdica. É essa atenção que resulta na intervenção que se faz no ambiente, na organização do espaço físico, na disposição de mobiliário, na seleção e organização dos brinquedos e materiais e nas interações com as crianças.

É o conjunto desses fatores – as concepções, o planejamento do espaço, do tempo e dos materiais, a liberdade de ação da criança e a intermediação do adulto – que faz a diferença no desenvolvimento, resultando em uma educação de qualidade para a primeira infância. Não se separa, portanto, a qualidade da brincadeira da qualidade da educação infantil. Assim, neste material, a brincadeira é sempre considerada com o sentido de um brincar de qualidade. Para educar crianças pequenas, que ainda são vulneráveis, é
necessário integrar a educação ao cuidado, mas também a educação e o cuidado à brincadeira.

Este eBook distribuído gratuitamente é uma adaptação contextualizada do material “Brinquedos e Brincadeiras de Creche – Manual de Orientação Pedagógica” elaborado pelo Ministério da Educação, por meio da Secretaria de Educação Básica, com a parceria do UNICEF em 2012.

Nem morena, nem mulata

Segundo o IBGE, no Brasil, 7,6% da população se considera de cor preta e 43,1% se considera de cor parda. Entre eufemismos como “moreno”, “mulato” e “cor de jambo”, como delimitar quem é, de fato, negro, mesmo que tenha a pele mais clara?

Original publicado aqui.

A cultura brasileira tem uma forma complexa de lidar com questões raciais. Por causa da miscigenação, as pessoas aceitam como regra o discurso do ser “moreno”, recorrendo a outros eufemismos para adjetivar uma cor de pele que não é branca: cor de bombom, chocolate, cor de jambo, mulato, entre outras variações e apelidos. É difícil se declarar negro – primeiramente, pelo estigma social causado pelo racismo; depois, porque há a percepção de que somente uma pessoa de pele muito escura é realmente negra.

Apesar disso, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), hoje mais de metade da população brasileira se autodeclara como “negra”. Na prática, quer dizer que 7,6% se considera de cor preta e 43,1% se considera de cor parda; lamentavelmente, “pardo” não diz muita coisa sobre consciência política a respeito do racismo ou sobre negritude. Há pessoas loiras e de olhos azuis que se declaram pardas, assim como muitas pessoas de pele escura e cabelo crespo. Como então delimitar quem, de fato, é negro? E como despertar nas pessoas brasileiras o interesse de ir mais a fundo nos debates sobre racismo?

“Descobri que sou negra”

Vanessa Rodrigues (Foto: Arquivo pessoal)
Vanessa Rodrigues (Foto: Arquivo pessoal)

A jornalista Vanessa Rodrigues, a professora Bianca Santana e a militante Ariane Cor são integrantes da ONG feminista Casa de Lua, que promove o Círculo de Mulheres Negras. O que elas três relatam e possuem em comum é também o retrato de muitas outras mulheres negras que passaram por longos processos de autorreflexão e conflito até que se descobrissem e se reconhecessem como negras – e não como “morenas” ou “mulatas”.

Rodrigues inicia seu relato levantando a questão da miscigenação: “Minha mãe tem uma aparência mais indígena, de pele morena e cabelos lisos. Já o meu pai, filho de pai branco e mãe negra, nasceu com a pele mais escura entre os irmãos e, certamente, foi o que mais sofreu racismo”, introduz. “Nasci com pele e cabelos claros. Com isso, fui lida como branca durante a minha infância. Mas acredito que o fato de ter traços negros – nariz, boca, cabelos cacheados – provocava um estranhamento e uma confusão nas pessoas, nos meus pais e parentes, por exemplo”.

Segundo Vanessa, embora a cor da sua pele a embranquecesse, seus traços a enegreciam. “Então, comecei a ser estimulada a frequentar salão de beleza desde muito novinha, pra alisar os cabelos, por exemplo. As pessoas faziam referência ao meu nariz, inventavam apelidos, apertavam com os dedos pra ‘afilá-lo’, sugeriam usar pregador de roupa pra isso”, relata.

No entanto, ao morar fora do Brasil, Rodrigues começou a se enxergar mais como não branca, lembrando-se também de situações racistas – embora não identificasse como tais na ocasião. “Fui seguida em lojas, já tive que abrir bolsa em saída de loja, já fui abordada por seguranças querendo conferir se eu tinha nota sobre o produto comprado, fui mal atendida muitas vezes em lojas caras de shopping center e coisas assim”. Tudo isso só viria como uma questão racial mais tarde, depois de muita leitura e reflexões. “Também quando as pessoas começaram a se referir a mim como morena, quando as pessoas começaram a fazer referência à cor da minha pele pra me descrever e me definir. Isso também acabou ajudando a me ver, a me reconhecer”, acrescenta.

Além disso, os laços familiares de Vanessa foram um ponto forte em sua autoidentificação racial. “O fato de ter uma avó e madrinha negras foi me deixando mais sensível e mais atenta à questão. Sem falar das histórias vividas pelo meu pai, que sempre me machucaram muito ao ouvir, porque sabia o quanto tinham doído nele”, conta.

Em meio ao seu processo de autoidentificação e reconhecimento, Rodrigues teve dois filhos – “dos quais o mais velho tem cor de pele mais escura e é lido como negro” – explica – “E já nos aconteceu de viver uma situação muito agressiva de racismo com ele”. Em seu texto “Eu negra”, publicado no Brasil Post, Vanessa conta que entrou em uma loja de doces com sua família, quando seu filho – vestido como qualquer criança comum de classe média – foi retirado do estabelecimento por um segurança. E naquele momento, por seu filho, o processo de autoidentificação deixou de ser somente sobre ela. “A partir dali, não dava mais pra fingir que não seríamos vítimas de injúria ou atos racistas. Porque se o ‘meu ser-não-ser negra’ tinha me colocado em situações por vezes difusas de preconceito, mas me poupado de ser expulsa dos lugares, não pouparia o meu filho. E todo o meu processo de autoidentificação também passou a ser sobre nós, não apenas sobre mim.”

A professora da Faculdade Cásper Libero (FCL) Bianca Santana também publicou um texto no qual conta seu caminho até a autoidentificação como negra. Sua postagem, intitulada “Quando me descobri negra”, foi escrita quando Santana ainda estava no terceiro ano da faculdade.  “Um professor propôs uma investigação profunda das [minhas] próprias origens. E isso estimulou uma conexão de várias experiências e percepções: da acolhida como professora do cursinho popular Educafro à minha avó falando pra não prender o cabelo de determinada forma porque parecia ‘essas neguinhas’”. Santana relata que se considera negra há alguns anos – antes disso, era morena. “Era morena para as professoras do colégio católico, coleguinhas — que talvez não tomassem tanto sol — e para toda a família que nunca gostou do assunto”, afirma.

Segundo Bianca, tudo começou quando resolveu conhecer a proposta do cursinho comunitário Educafro. “O coordenador pedagógico me explicou a metodologia de ensino com a cumplicidade de quem olha um parente próximo. Quando me ofereci para dar aulas, seus olhos brilharam. Ouvi que, como a maioria dos professores era branca, eu seria uma boa referência para os estudantes negros. Eles veriam em mim, estudante da Universidade de São Paulo e da Faculdade Cásper Líbero, que há espaço para o negro em boas faculdades. Saí sem entender muito bem o que tinha ouvido.”

A partir daí, passou a reparar mais na cor das outras pessoas nos lugares em que frequentava. Como não identificou nada de africano nos costumes de sua família, concluiu que a ascensão social teria clareado sua identidade. “Óbvio que somos negros. Se nossa pele não é tão escura, nossos traços e cabelos revelam nossa etnia. Minha mãe, economista, funcionária de uma grande empresa, foi branqueada como os mulatos, que no século XIX passavam pó-de-arroz no rosto porque os clubes não aceitavam negros”, argumenta, em seu texto.

Já a ativista Ariane Cor conta que seus pais são brancos, de pele e identificação, “mas vindos da Bahia (mãe, que é a famosa sarará: filha de negros com pele clara e cabelo crespo, claro) e norte de Minas Gerais (pai, caboclo, mameluco)”. Ariane cresceu entre bisavós, avós, tios e primos com uma enorme diversidade de pigmentação, estando ela entre os membros mais claros da família. “O que sempre me diferenciou dos outros brancos da família foram os cabelos crespíssimos”, declara.

Cor explica que em sua família, o racismo sempre foi muito naturalizado e todas as manifestações de ancestralidade indígena ou africana foram embranquecidas em São Paulo. “Mas eu cresci na Vila Mariana e depois vivi a adolescência na Mooca, bairros de classe média. Se por um lado não me sentia pertencente àquela negritude da família, também não pertencia à branquitude do cabelo liso e sobrenome ‘diferente’ de pessoas nascidas no centro.”

Bianca Santana (Foto: Arquivo pessoal)
Bianca Santana (Foto: Arquivo pessoal)

Sobre situações de racismo, Ariane relata que tem uma “irmã de criação” – que é sua prima, mas criada por seus pais – que sempre foi sua grande parceira e melhor amiga. “Na primeira série, lembro que esqueci o lanche em casa e ela, que é sete anos mais velha, foi levar pra mim na escola pública onde eu estudava”. Sua irmã, que tem a pele escura, foi anunciada como sua empregada na sala de aula. “Isso me constrangeu de uma maneira absurda, porque minha mãe é empregada doméstica e eu não entendia como poderiam supor que minha irmã, com uns 15 anos, seria minha empregada”, relembra.

Em 2002, sua irmã teve um filho, do qual Ariane se tornou madrinha – o que a levou a um engajamento político mais sério. “Desde que esse menino nasceu eu estive muito dedicada a compreender o que é ser negro no Brasil e vivo isso com ele por onde passamos”, diz.

Até então, Cor não se identificava como negra, apesar de não se achar branca. “Submetia meus cabelos a procedimentos domadores e coloria de vermelho. Aí, meu marido – branco, de família italiana, mas umbandista – começou a questionar minha identidade racial, propositalmente, porque ele, branco, não me via como branca. Foi aí que eu tive a ‘epifania da negritude’ e percebi o quanto havia sido embranquecida e negava minhas origens africanas. O quanto eu considerava a minha negritude feia e me achava incapaz de subverter esse olhar”. A partir de então, abandonou os tratamentos capilares e passou a pesquisar sobre cabelos crespos e estética negra. “Me aprofundei nas questões de periferia, porque esses caminhos se cruzam bem no começo.”

O racismo cotidiano

Os exemplos acima, repletos de referências a características físicas, revelam uma verdade incômoda: mesmo com a pele clara e encarando tentativas de deslegitimação da identidade negra, o racismo se mantém presente. Muitas pessoas simplesmente não aceitam a autoidentificação negra e agem de forma debochosa e discriminatória com relação às características físicas percebidas como negras – como por exemplo, cabelos crespos ou narizes mais largos.

De fato, muita gente pode dizer que mulheres como Rodrigues, Santana e Cor não são negras, mas sim “morenas” ou “pardas”; porém, no dia a dia, dentro das lojas, no banco ou mesmo na rua, o racismo se revela por meio do reconhecimento de que aquela pessoa não é branca ou “se assemelha” a uma pessoa negra – condição esta que, por sua vez, é associada à pobreza, ou relacionada com atos criminosos.

Rodrigues relembra: “Vivi situações ao longo da vida que somente hoje consigo identificar como racistas. Situações mais agressivas, como vasculhar bolsa ou ser seguida, tenho a impressão de já não viver há algum tempo. Mas consigo identificar e interpretar como racistas aquelas mais sutis, relacionadas ao cabelo (cada vez mais assumidamente natural) ou a um não saber como me classificar socialmente, por exemplo. E acontece, invariavelmente, de técnicos de serviços ou entregadores terem dúvidas se sou a ‘dona da casa’ ou a ‘empregada’”.

Vanessa também conta que já foi abordada por duas vezes por um “comediante” que faz performances em uma praça. “Ele se ‘fantasia’ de mulher negra e gorda e por duas vezes me abordou se referindo a mim como sua ‘irmã gêmea’. Isso me parece altamente agressivo e preconceituoso, racista e gordofóbico (além de transfóbico). Na segunda abordagem, reagi de um jeito mais ostensivo, acabamos numa discussão quando ele, finalmente, me chamou de feia!”.

As experiências de Bianca Santana com o racismo não são muito diferentes. Em sua publicação “Nem todo lugar é lugar de preto”, no Brasil Post, ela cita alguns exemplos de situações em que foi alvo de racismo: “Na porta de um café, esperando uma amiga sair do banheiro. Três pessoas me fizeram pedidos de forma rude, em menos de cinco minutos. Com a resposta ‘eu não trabalho aqui’ e um sorriso desconcertante ninguém sabe onde enfiar a cara! Porque a pessoa entende o que aconteceu; Abrindo o arquivo com uma apresentação, no auditório de uma universidade pública, alguém me pergunta onde estava uma outra pessoa, imagino que funcionária da universidade. Eu respondo que não sei, que não trabalho lá. E a pessoa se assusta, perguntando, em tom de bronca, por que estou mexendo no computador. Eu respondo que vou fazer uma apresentação em alguns minutos. A pessoa desmonta, olha o folder do evento e solta um: ‘Ah! Você é a Bianca Santana!’; No parque, com meu bebê de olho claro no sling: ‘Sua patroa deixa você carregar ele assim?’.”

Ariane Cor cita situações que envolvem muito a questão do cabelo crespo, assunto profundamente familiar e comum às mulheres negras: “Há cinco anos abandonei os procedimentos químicos capilares e uso meus cabelos como eles são. Elementos de cultura negra como turbantes, estampas e acessórios também estão presentes na minha imagem sempre e eu chamo muita atenção por onde passo, quando não é um ambiente ‘descoladinho’. Isso não é ruim, necessariamente. Eu só acho desagradável quando elogiam minha coragem ou me acham exótica”.

Além disso, Cor relata que, quando abre o portão de sua casa térrea, a confundem com empregada doméstica e pedem para chamar a patroa – e que em lojas mais caras, demoram para atendê-la. “Uma vez, no ponto de ônibus, uma senhora enfurecida com a demora reclamou que a culpa era desses ’baianos que vinham pra cá fazer filho’ e apontou pra mim. Falei várias bobagens para a senhora, parei um táxi e fui embora”. Ariane também diz já ter sido questionada por uma garçonete se realmente gostava do seu cabelo armado, e se achava bonito.

Reconhecimento

Ariane Cor (Foto: Arquivo pessoal)
Ariane Cor (Foto: Arquivo pessoal)

Depoimentos pessoais são extremamente importantes e falam diretamente com quem os lê ou escuta. Em muitas dessas falas, algo remexe e traz à memória situações semelhantes, casos que geraram sofrimento e que muitas vezes não foram bem compreendidos no momento em que aconteceram, mas que com a ajuda de outra pessoa em posição similar chegam à tona sem máscaras, revelados como verdadeiramente são. Assim, muitas pessoas acabam constatando que sofreram racismo e que por muitos anos se negaram a viver e abraçar uma parte importante de sua subjetividade e identidade: a ancestralidade negra e sua amplitude no presente, incluindo o potencial transformador de uma autoimagem positiva e a chance de romper paradigmas nocivos.

Debater o racismo e a identificação racial no Brasil ainda é difícil e tem o peso do silenciamento. É preciso muita coragem para olhar para o passado e buscar respostas – e ainda mais para se permitir enxergar-se negro, não como lamentação introjetada por todas as mensagens depreciativas disseminadas na sociedade, mas como força pessoal e política que gera mudanças significativas.

É possível que alguns pontos dos relatos presentes nesse texto sejam, não por acaso, pontos importantes nos relatos de muitas pessoas que os leem. Que identidades possam, então, ser reconhecidas e reconstruídas em plenitude.

Ética na fabricação de brinquedos para crianças: uma análise da legislação

Rafaela da Silva Melo

Resumo: Este artigo analisa o Código de Ética e Conduta da Indústria de Brinquedos da ABRINQ (Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos), a fim de ressaltar os artigos que apresentam contribuições para os estudos sobre as infâncias e crianças a partir visando à relação destas com os brinquedos e suas brincadeiras e também na discussão sobre o consumo infantil de brinquedos. Como referencial teórico utilizo-me dos teóricos da sociologia da infância, William Corsaro e Manuel Sarmento e dos estudos sobre cultura e consumo infantil de Kincheloe e Steinberg e dos estudos de Tizuko Kishimoto que apresentam os jogos, brinquedos e brincadeiras como formas privilegiadas de desenvolvimento, apropriação e conhecimento pela criança do mundo à sua volta e de si mesma.

Palavras-chave: Brinquedos; Legislação; Infância.

Estou trabalhando neste artigo e pretendo até o final do primeiro semestre do ano que vem ter concluído e publicado em algum periódico. Diante mão apresento o resumo e as palavras-chave para apreciação geral e ansiosa para compartilhar a versão final.

Da série: artigos que eu gostaria de ter escrito.

Sabe aquele tema encantador e que muito te interessa em nível profissional e pessoal? Assim são os doces para mim. Filha de um antigo dono de bomboniere desde criança fui apaixonada pelo açúcar dos doces industriais, das festinhas e dos doces que a minha mãe fazia em casa. O artigo de título “Com açúcar, com afeto”: impressões do Brasil em Nordeste de Gilberto Freyre de Regina Horta Duarte, mostra utilizando o título de uma música de Chico Buarque de modo a tornar seu texto mais atraente oferece uma belíssima contribuição da cultura em torno do açúcar para a nossa identidade e sobre o período da história em que o açúcar era o produto primário e de alto valor comercial.

Trecho do artigo:

“Entre um passado de possibilidades e um presente sem lirismo, a cana-de-açúcar aparece como o fio condutor no desenrolar do drama da monocultura. É ela o elemento que surge a dinamizar uma civilização especial, rica, cosmopolita, pródiga e criadora de valores políticos, estéticos e intelectuais, como nenhuma outra em todo o Brasil. Simultaneamente, a cana parece ganhar independência, escravizando esta mesma sociedade, engolindo vorazmente suas matas, suas águas e seus homens, homogeneizando a paisagem em sucessão de canaviais, intermediados apenas por cidades cinzentas e uniformizadas em padrões europeus, destruindo as potencialidades historicamente vislumbradas. Através desta planta, a análise se delineia, considerando as relações entre a ação humana e a natureza. Mas ganham igual destaque as relações construídas entre os homens, ao forjarem a cana em elemento colonizador das extensões territoriais nordestinas, em seqüências que investigam a cana e a terra, a cana e a água, a cana e os animais, a cana e as plantas, a cana e o homem.”  (DUARTE, 2009, p. 128).

Resumo do artigo:

Publicado em 1937, Nordeste, de Gilberto Freyre, propôs constituir uma análise impressionista da ecologia social daquela região. O sociólogo posicionou-se frente aos debates de seu tempo sobre a construção da nacionalidade e o estabelecimento de um patrimônio nacional. Em páginas voltadas antes ao futuro do que meramente ao passado, Freyre realiza um trabalho intelectual dirigido à criação de novos rumos para a sociedade brasileira, a partir de possibilidades vislumbradas em seu passado.

Palavras-chave: Nordeste; Gilberto Freyre; Patrimônio Nacional.

O artigo completo está disponível para leitura e download aqui.

Tábua bibliográfica de Fernando Pessoa (1928)

Dias atrás estive no Santander Cultural em Porto Alegre na exposição “Fernando Pessoa: a minha arte é ser eu” e dentre todos os objetos, textos e documentos expostos me chamou a atenção um deles que tem por título “Tábua Bibliográfica de Fernando Pessoa” publicado na Revista Presença, nº 17. Coimbra: Dez. 1928 (ed. facsimil. Lisboa: Contexto, 1993). – 250, o qual reproduzo a seguir:

“Nasceu em Lisboa, em 13 de Junho de 1888. Foi educado no Liceu (HIGH SCHOOL) de Durban, Natal, África do Sul, e na Universidade (inglesa) do Cabo de Boa Esperança. Nesta ganhou o prémio Rainha Victória de estilo inglês; foi em 1903 — o primeiro ano em que esse prémio se concedeu.

O que Fernando Pessoa escreve pertence a duas categorias de obras, a que poderemos chamar ortónimas e heterónimas. Não se poderá dizer que são anónimas e pseudónimas, porque deveras o não são. A obra pseudónima é do autor em sua pessoa, salvo no nome que assina; a heterónima é do autor fora de sua pessoa, é de uma individualidade completa fabricada por ele, como seriam os dizeres de qualquer personagem de qualquer drama seu.

As obras heterónimas de Fernando Pessoa são feitas por, até agora, três nomes de gente — Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos. Estas individualidades devem ser consideradas como distintas da do autor delas. Forma cada uma uma espécie de drama; e todas elas juntas formam outro drama. Alberto Caeiro, que se tem por nascido em 1889 e morto em 1915, escreveu poemas com uma, e determinada, orientação. Teve por discípulos — oriundos, como tais, de diversos aspectos dessa orientação — aos outros dois: Ricardo Reis, que se considera nascido em 1887, e que isolou naquela obra, estilizando, o lado intelectual e pagão; Álvaro de Campos, nascido em 1890, que nela isolou o lado por assim dizer emotivo, a que chamou «sensacionista», e que—ligando-o a influências diversas, em que predomina, ainda que abaixo da de Caeiro, a de Walt Whitman — produziu diversas complicações, em geral de índole escandalosa e irritante, sobretudo para Fernando Pessoa, que em todo o caso não tem remédio senão fazê-las e publicá-las, por mais que delas discorde. As obras destes três poetas formam, como se disse, um conjunto dramático; e está devidamente estudada a entreacção intelectual das personalidades, assim como as suas próprias relações pessoais. Tudo isto constará de biografias a fazer, acompanhadas, quando se publiquem, de horóscopos e, talvez, de fotografias. É um drama em gente, em vez de em actos. (Se estas três individualidades são mais ou menos reais que o próprio Fernando Pessoa — é problema metafísico, que este, ausente do segredo dos Deuses, e ignorando portanto o que seja realidade, nunca poderá resolver.)

Fernando Pessoa publicou, ortonimamente, quatro folhetos em verso inglês: Antinous e 35 Sonnets , juntos, em 1918, e English Poems I-II e English Poems III , também juntos em 1922. O primeiro poema do terceiro destes folhetos é a refundição do «Antinous» de 1918. Publicou, além disto, em 1923, um manifesto, Sobre Um Manifesto de Estudantes , em apoio de Raúl Leal, e, em 1928, um folheto Interregno — Defesa e Justificação da Ditadura Militar em Portugal , que o governo consentiu que se editasse.

Nenhum destes textos é definitivo. Do ponto de vista estético, o autor prefere, pois, considerar estas obras como apenas aproximadamente existentes. Nenhum escrito heterónimo se publicou em folheto ou livro.

Tem Fernando Pessoa colaborado bastante, sempre pelo acaso de pedidos amigos, em revistas e outras publicações de diversa índole.

O que dele por elas anda espalhado é, na generalidade, de ainda menor interesse público que os folhetos acima citados. Abrem-se, porém, mas com reservas, as seguintes excepções: Quanto a obras ortónimas: o drama estático O Marinheiro in Orpheu I (1915 ); O Banqueiro Anarquista in Contemporânea I (1922); os poemas Mar Português in Contemporânea 4 (1922); uma pequena colecção de poemas in Athena 3 (1925); e, em o número I do diário de Lisboa Sol (1925), a narração exacta e comovida do que é o Conto do Vigário.

Quanto a obras heterónimas, as duas odes Ode Triunfal e Ode Marítima — de Álvaro de Campos in Orpheu 1 e 2 (1915) o Ultimatum do mesmo indivíduo, em o número único de Portugal Futurista (1917); o livro Odes , de Ricardo Reis, em Athena 1 (1924); e os excertos dos poemas de Alberto Caeiro in Athena 4 e 5 (1925).

O resto, ortónimo ou heterónimo, ou não tem interesse, ou o não teve mais que passageiro, ou está por aperfeiçoar ou redefinir, ou são pequenas composições, em prosa ou em verso, que seria difícil lembrar e tediento enumerar, depois de lembradas.

Do ponto de vista, por assim dizer, publicitário, vale, contudo, a pena registrar uns artigos em A Águia , no ano 1912, sobretudo pela irritação que causou o anúncio neles feito do «próximo aparecimento do super-Camões». Com a mesma intenção se pode citar o conjunto do que veio em Orpheu, dado o escândalo desmedido que resultou desta publicação.

São os dois únicos casos em que qualquer escrito de Fernando Pessoa chegasse até à atenção do público.

Fernando Pessoa não tenciona publicar — pelo menos por um largo enquanto — livro nem folheto algum. Não tendo público que os leia, julga-se dispensado de gastar inutilmente, em essa publicação, dinheiro seu que não tem; e, para o fazer gastar inutilmente a qualquer editor, fora preciso um tirocínio para o processo a que deu o seu apelido o saudoso Manuel Peres Vigário, já em cima indirectamente citado.”

Fonte e índice completo das obras de Fernando Pessoa podem ser acessadas a partir deste link. 

Capítulo de livro: A pesquisa em produção cultural em tecnologia móveis para crianças

Gostaria de compartilhar com vocês o capítulo do livro de título: Educação em debate: cercanias da pesquisa, organizado por Cláudia Fuchs, Ivan Luís Schwengber, Jenerton Arlan Schütz pela Editora Oikos.

O capítulo que escrevi está na sessão VI – A Educação Infantil em debate,  e tem por título:  A pesquisa em produção cultural em tecnologias móveis para crianças, que tem como objetivo central a de analisar a produção cultural para crianças desenvolvidas nos tablets infantis com o propósito de compreender como tais produtos interagem, modificam e colaboram na constituição das infâncias e crianças contemporâneas, em especial aquelas que vivem nos centros urbanos, na formação de novos hábitos reconhecendo como consumidoras e usuárias de tecnologias digitais e, por fim, analisando se tais tecnologias possuem algum tipo de potencial pedagógico para uso em escolas e outros espaços educacionais. 

Destaco no texto o estado da arte sobre a produção cultural para crianças no Brasil, com ênfase nas principais referências da última década sobre o tema e a minha análise dos tablets infantis escolhidos para compor o corpus da minha pesquisa. 

Espero que apreciem meu texto! 

 

Sobre o livro:

“A obra, organizada em oito sessões e trinta e seis capítulos, aborda inúmeras questões contemporâneas, a exemplo de condições de gênero; migração; violência; pesquisa na educação; literatura e outras formas de arte; culturas; políticas educacionais; processos de aprendizagem; pedagogias e metodologias, entre outras. Distintas perspectivas são apresentadas a partir de diferentes janelas teóricas e metodológicas. O livro retrata, assim, a heterogeneidade, a pluralidade e a diversidade de enfoques nas pesquisas em educação. Os artigos abordam diferentes olhares sobre conteúdos e metodologias, num movimento entre a amplitude e a especificidade, isto é, em análises que assumem conjunturas mundiais e internacionais e, também, nacionais e regionais.”

Comprar o livro impresso ou fazer download grátis do E-book neste link.

ISBN 978-85-7843-800-5

A metáfora do aeroporto: textos soltos

Na última viagem que fiz passei mais tempo do que eu deveria no aeroporto: praticamente toda a madrugada e fiquei lá observando o movimento das pessoas e pensando sobre as coisas, dentre elas é o que significa ser como um aeroporto? Acredito que ser como um aeroporto é ter que ficar estático e constante quando diferentes coisas passam por nós. 

É um lugar que requer muito equilíbrio e um certo auto-conhecimento para não ser levado com aquilo que nos passa e esquecermos das nossas obrigações ou compromissos. Ser como um aeroporto é receber todos dias muitas informações vinda de diferentes lugar. Essas informações poderiam ser os vôos (nacionais e internacionais com diferentes tripulantes e passageiros), que cada vez que passam por nós trazem novos dados. 

Ser como um aeroporto é estar aberto a muitas coisas, pois cada um que passa pode levar um pouco de nós e de nos deixar muitos problemas também. Ser como um aeroporto é chato, entediante e uma luta pelo foco e concentração, mas ser um aeroporto pode nos proporcionar muitas experiências até descobrirmos o nosso lugar e nosso posto seguro. 

Pra ser bem honesta ser como um aeroporto é o lugar mais seguro de se estar, embora seja o menos interessante, já que tudo passa e ficamos lá. Em determinadas épocas ser um aeroporto é cansativo, porque há muito movimento nele, muitos aviões pousando, fluxo intenso de passageiros, confusões por causa de bagagens extraviadas, vôos perdidos e problemas técnicos nas aeronaves. Há muita coisa bonita que acontece dentro dos aeroportos… Idas e vindas, chegadas e despedidas, desencontros e reencontros, abraços, lágrimas, plaquinhas, festas e pessoas felizes. 

Há coisas mais interessantes que podem ser encontradas nos aeroportos: diversidade, lojas maravilhosas, cafés, restaurantes, inúmeros serviços, segurança, fiscalização e todos trabalhando em seus postos, 24 horas por dia. Se olharmos com atenção ser como um aeroporto pode não ser tão ruim, é apenas frustrante ver que todos embarcam para lugares maravilhosos e os aeroportos ficam apenas no mesmo lugar. 

Outra questão importante sobre os aeroportos é refletir se é realmente esse o nosso posto, se não seria outro, se por uma obra do acaso, se não houve trocas. Como por exemplo, aeroportos sendo “aquelas maravilhosas coisas que passam” e as coisas maravilhosas coisas que passam, sendo como aeroportos, e por isso, se sentindo entediadas, já que aeroportos costumam ser como são: estáticos, estão sempre lá para qualquer coisa que aconteça, conhecem apenas aquilo que passa por lá e nisto pode residir muitas críticas, estão acostumados com um tipo de iluminação, um tipo de temperatura, alguns padrões que não se alteram, gostam de estar seguros e dar para o seu público alguma segurança e organização.

E pode haver ainda algo mais interessante: aeroportos que gostariam de alçar vôos como uma aeronave. 

Para o que passa e quem passa as percepções, características e os interesses são distintos. A pressa em trocar de vôos, a preocupação com a bagagem e as perspectivas para chegar no seu destino. Os homens de negócio vestindo terno, os adolescentes animados para curtir as férias, famílias numerosas com aquelas crianças que não param de chorar, casais em lua de mel, pessoas partindo para viagens solitárias, selfies, pessoas dormindo nos bancos, os inúmeros profissionais que trabalham em horários diferentes, as câmeras, os procedimentos de segurança, os painéis com as informações sobre os horários, a sinalização (algo muito importante nos aeroportos) para localizar os portões corretos, as lojas, praças de alimentação, serviços bancários, dentre outros setores. Tudo isso faz parte de um aeroporto, entretanto o significado mais apropriado em minha opinião seria daquele lugar estático, embora com muitas atividades onde as coisas e pessoas passam. 

Ser como um aeroporto ainda que espero eu, por pouco tempo até a ordem natural das coisas volte retorne e reorganize todas as coisas e postos, incluindo o meu que definitivamente não é esta que deve ser do tamanho de um grão de linhaça. Olho de todos os pontos que me encontro as coisas passarem, as pessoas passarem e as informações, seja lá qual for transitarem, serem compartilhadas, distorcidas, mas enviadas aos seus destinatários. 

Ser um aeroporto, embora temporariamente (na verdade há quase três anos) tem sido interessante, embora chato e exaustivo física e mentalmente. Tal função não pode ser confundida com outra coisa, vocês sabem, aqueles “duplos sentidos” e associações que costumamos fazer utilizando outros elementos do cotidiano – e do imaginário popular. Ser como um aeroporto é tenta buscar aquele equilíbrio necessário mesmo em momentos e situações mais complicadas. 

Ser como um aeroporto é ser leal a algo que não sabemos exatamente o que é, pois apenas as coisas nos passam e conhecemos apenas aquele determinado espaço, mas se tem algo que temos que fazer é seguir e cumprir nosso papel, ainda que haja muitos problemas, dilemas e provas. Ser como um aeroporto é ser um porto seguro e forte, saber como melhor atender as mais exigentes demandas e deixar que as coisas passem sem que deixemos nossos postos e nos perdemos. Quando se é um aeroporto é preciso ser e continuar, mesmo que daqui há uma hora, sejamos forçados a ser outra coisa, ou voltar para nossa original função sem maiores explicações ou meios para fazê-lo.

E, por fim, ser como um aeroporto, nos desafia a lidar com muita tristeza e mentiras em nossa volta, mas isso é outra conversa. 

Guia de ferramentas para os pais sobre a privacidade dos estudantes: um guia prático para proteger seus filhos da exposição de dados e informações escolares privadas (Introdução – Parte 1)

 

Para bisbilhoteiros, hackers, marketeiros, educadores e público em geral.
Publicado em Maio de 2017.

INTRODUÇÃO

Por que as famílias devem se preocupar com esse tema?
É difícil para as famílias ter noção sobre a quantidade de informação está sendo coletada sobre os estudantes nas escolas hoje, ou como esta informação é usada, armazenada, e compartilhada com outras pessoas.

Tanto durante um dia normal escola quanto ao longo da vida criança desde do jardim da infância, passando pelo ensino médio e graduação – uma imensa quantidade de dados, incluindo informações extremamente sigilosas, são compartilhadas sem o conhecimento dos pais ou consentimento dos fornecedores que oferecem serviços operacionais na área de tecnologia ou empresas que oferecem programas educacionais. Ao invés de protegido em um armário de arquivo ou mantido nos servidores de computadores da escola, a informação pessoal do aluno é frequentemente transmitida e armazenada em nuvens (clouds) para facilitar o acesso e o uso por terceiros. As leis federais destinadas a proteger as informações dos alunos com problemas de comportamento ou nos próprios sistemas das escolas são consideradas inadequadas e ultrapassadas para enfrentar os desafios da cultura digital dos dias atuais.

Os pais podem nunca saber a extensão completa de como as informações de suas crianças podem estar sendo compartilhada, usada, remixadas, vendidas, violadas ou hackeadas ao longo da carreira escolar. Se as crianças tiverem suas entradas negadas no ingresso da universidade de escolha deles, os pais podem escolher se querem que as informações dos estudantes estejam vendidas para universidades pelo corpo de seleção da universidade e usados para rejeitar o requerimento deles. Se as crianças deles são recusadas para o emprego dos seus sonhos, pode o empregador ajudá-los a obter isso usando um perfil online a partir de uma busca na internet recolhidos pelo dispositivo emitido pela escola e comprados pelos vendedores de dados? Se a identidade das crianças são roubadas, foi isto resultado do armazenamento de dados anos atrás durante a fase de escolarização? Se as crianças são negadas de trabalhar em empregos estatais quando adultos, pode isto acontecer por causa das informações disciplinares ou outras informações incriminadoras oriunda de seus arquivos realizada pelo departamento estadual de educação e outras agências?

Este guia foi desenvolvido para ajudar os pais e demais interessados sobre como abordar estas questões, e ter informações sobre os seus direitos e quais passos você pode tomar para maximizar a privacidade e segurança de suas crianças. Como os pais devem entender, é obrigação da família proteger suas crianças e tentar assegurar o sucesso deles na escola e na vida. Nós esperamos que este guia possa ajudar você.

Agradecimentos

Este esforço foi um projeto da Coalizão de Pais para a privacidade dos estudantes e a Campaign for a Commercial-Free Childhood, e só foi possível por um apoio generoso da Rose Foundation for Communities e a Environment’s Consumer Privacy Rights Fund.

O guia para os pais sobre a privacidade dos estudantes foi autorizado por Rachael Stickland, Melissa Campbell, Josh Golin, Leonie Haimson, e David Monahan, e designed by Ross Turner Design.

Agradecimentos especiais para os membros conselheiros Kris Alman, Oregon Education Advocate; Faith Boninger, National Education Policy Center, University of Colorado Boulder; Laura Bowman, Parents Across America; Phyllis Bush, Co-fundadora da Northeast Indiana Friends of Public Education, and Board member, Network for Public Education; Tim Farley, New York State Alliance for Public Education; Jennifer Jacobson, Connecticut Alliance for Privacy in Education*; Cheri Kiesecker, Parent Coalition for Student Privacy; Chad Marlow, American Civil Liberties Union*; Francesca Miceli, Esq.; Mark B. Miller, School Director, Centennial, Pennsylvania School District, and Board member, Network for Public Education; and Sarah Petrie, Esq.

* Afiliação apenas para fins de identificação.
Questões? Visite www.studentprivacymatters.org/toolkit para mais informações, incluindo webinars gratuitos sobre como usar utilizar recursos neste conjunto de ferramentas.

Em breve capítulo 1.

Texto na íntegra aqui.

Tradução por Rafaela da Silva Melo. Outubro 2017.