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Guia de ferramentas para os pais sobre a privacidade dos estudantes: um guia prático para proteger seus filhos da exposição de dados e informações escolares privadas (Introdução – Parte 1)

 

Para bisbilhoteiros, hackers, marketeiros, educadores e público em geral.
Publicado em Maio de 2017.

INTRODUÇÃO

Por que as famílias devem se preocupar com esse tema?
É difícil para as famílias ter noção sobre a quantidade de informação está sendo coletada sobre os estudantes nas escolas hoje, ou como esta informação é usada, armazenada, e compartilhada com outras pessoas.

Tanto durante um dia normal escola quanto ao longo da vida criança desde do jardim da infância, passando pelo ensino médio e graduação – uma imensa quantidade de dados, incluindo informações extremamente sigilosas, são compartilhadas sem o conhecimento dos pais ou consentimento dos fornecedores que oferecem serviços operacionais na área de tecnologia ou empresas que oferecem programas educacionais. Ao invés de protegido em um armário de arquivo ou mantido nos servidores de computadores da escola, a informação pessoal do aluno é frequentemente transmitida e armazenada em nuvens (clouds) para facilitar o acesso e o uso por terceiros. As leis federais destinadas a proteger as informações dos alunos com problemas de comportamento ou nos próprios sistemas das escolas são consideradas inadequadas e ultrapassadas para enfrentar os desafios da cultura digital dos dias atuais.

Os pais podem nunca saber a extensão completa de como as informações de suas crianças podem estar sendo compartilhada, usada, remixadas, vendidas, violadas ou hackeadas ao longo da carreira escolar. Se as crianças tiverem suas entradas negadas no ingresso da universidade de escolha deles, os pais podem escolher se querem que as informações dos estudantes estejam vendidas para universidades pelo corpo de seleção da universidade e usados para rejeitar o requerimento deles. Se as crianças deles são recusadas para o emprego dos seus sonhos, pode o empregador ajudá-los a obter isso usando um perfil online a partir de uma busca na internet recolhidos pelo dispositivo emitido pela escola e comprados pelos vendedores de dados? Se a identidade das crianças são roubadas, foi isto resultado do armazenamento de dados anos atrás durante a fase de escolarização? Se as crianças são negadas de trabalhar em empregos estatais quando adultos, pode isto acontecer por causa das informações disciplinares ou outras informações incriminadoras oriunda de seus arquivos realizada pelo departamento estadual de educação e outras agências?

Este guia foi desenvolvido para ajudar os pais e demais interessados sobre como abordar estas questões, e ter informações sobre os seus direitos e quais passos você pode tomar para maximizar a privacidade e segurança de suas crianças. Como os pais devem entender, é obrigação da família proteger suas crianças e tentar assegurar o sucesso deles na escola e na vida. Nós esperamos que este guia possa ajudar você.

Agradecimentos

Este esforço foi um projeto da Coalisão de Pais para a privacidade dos estudantes e a Campaign for a Commercial-Free Childhood, e só foi possível por um apoio generoso da Rose Foundation for Communities e a Environment’s Consumer Privacy Rights Fund.

O guia para os pais sobre a privacidade dos estudantes foi autorizado por Rachael Stickland, Melissa Campbell, Josh Golin, Leonie Haimson, e David Monahan, e designed by Ross Turner Design.

Agradecimentos especiais para os membros conselheiros Kris Alman, Oregon Education Advocate; Faith Boninger, National Education Policy Center, University of Colorado Boulder; Laura Bowman, Parents Across America; Phyllis Bush, Co-fundadora da Northeast Indiana Friends of Public Education, and Board member, Network for Public Education; Tim Farley, New York State Alliance for Public Education; Jennifer Jacobson, Connecticut Alliance for Privacy in Education*; Cheri Kiesecker, Parent Coalition for Student Privacy; Chad Marlow, American Civil Liberties Union*; Francesca Miceli, Esq.; Mark B. Miller, School Director, Centennial, Pennsylvania School District, and Board member, Network for Public Education; and Sarah Petrie, Esq.

* Afiliação apenas para fins de identificação.
Questões? Visite www.studentprivacymatters.org/toolkit para mais informações, incluindo webinars gratuitos sobre como usar utilizar recursos neste conjunto de ferramentas.

Em breve capítulo 1.

Texto na íntegra aqui.

Tradução livre por Rafaela da Silva Melo. Outubro 2017. Todos os direitos reservados. 

 

 

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Avaliação da obra: “As Lembranças de Maria” da Editora Ciranda Cultural

Fonte: Divulgação.

A obra escolhida para análise tem como título “As lembranças de Maria” escrito por Anna Obiols e ilustrado por Subi, da editora Ciranda Cultural, tendo o seu público-alvo crianças de 4 a 10 anos. A obra foi escolhida para análise não por apresentar uma forte narrativa, mas pelos recursos de editoração gráfica que a obra oferece, e em razão desta ser obra fazer parte daquele grupo de livros com forte apelo comercial, impressos e distribuídos a baixo custo e revendidos em supermercados e feirões promocionais, e, portanto, muito populares. Obras que costumam ser bastante criticadas pelos analistas por uma série de lacunas, questões estas que irei discutir mais adiante. Entretanto, esta obra tem como tema central a memória, mais especificamente as memórias de uma menina com a sua avó que morreu.

Maria, a personagem principal, começa a relembrar momentos que viveu com a sua avó a partir de fenômenos da natureza, como por exemplo, a chegada da neve, sobre o bolo que Maria fez de presente para o aniversário da sua avó, do modo como ela fez bolo e das sensações que o bolo provocava nela, do trajeto da sua casa até a da sua avó em um trenó em companhia do seu gato, do chá da tarde, de olhar fotos antigas no álbum de fotografias, das brincadeiras com seu gatinho na neve, dentre outras lembranças.

Para analisar a obra utilizarei os critérios narrativas infanto-juvenis desenvolvidos por Gemma Lluch (2003), além de outros textos utilizados na disciplina. Também me utilizo dos critérios para avaliação e seleção de livros didáticos estabelecidos pelo PNBE – Programa Nacional de Biblioteca na Escola financiado pelo FNDE/MEC.

Utilizando-me do critério “o contexto comunicativo” (Lluch, 2003, p.28) é preciso antes de tudo conhecer as condições pelas quais este livro foi desenvolvido. Uma das primeiras fases para análise de uma obra para esta autora é a contextualização, que envolve o levantamento de dados que nos auxiliam na compreensão do seu processo de produção, o círculo literário o qual este pertence a partir da análise do catálogo, da publicidade e pelo modo como este chega aos leitores.  

Sobre o contexto comunicativo, na obra escolhida não consta a bibliografia dos autores e nem a contextualização da obra no universo literário. O livro foi impresso na China (como boa parte dos livros comerciais à venda no mercado) e revendido a baixo custo pela Ciranda Cultural (que produz títulos como “Bob Esponja, Patati Patatá, Jolie, Dora a Aventureira, Ever After High, Royals and Rebels, Polly Pocket and Bubble Grumppies”). Boa parte dos títulos dessa editora são impressos em grandes lotes em países asiáticos e revendidos no Brasil em feiras com valor reduzido se comparado aos títulos de outras editoras com impressão nacional, o que contribuí com a sua popularização.

Classifico as obras mencionadas anteriormente como “comerciais” por tratar-se de reproduções impressas utilizando-se de “narrativas do audiovisual”, ou seja, aquelas obras que utilizam personagens ou histórias extraídas de desenhos animados, filmes, programas de TV, bandas ou ícones musicais, etc., por meio do licenciamento de marcas de personagens infanto-juvenis.

De acordo com Feijó e Lage (s/a, p.4), o licenciamento (ou licensing) de um produto constitui-se como uma ferramenta de marketing que consiste no direito contratual de utilização de determinada marca, imagem, ou propriedade intelectual e artística registrada, que pertença, ou seja, controlada por terceiros, em um produto, serviço ou peça de comunicação promocional ou publicitária, durante um determinado período, em uma área geográfica específica, em troca de uma remuneração (royalty) normalmente definida como um percentual aplicado sobre o valor gerado com as vendas ou prestação de serviços que utilizam esse licenciamento.

Deste modo, uma editora que faz o uso de uma marca licenciada precisa arcar com os royalties do proprietário e os demais custos: impressão, material e distribuição. A produção em grandes lotes e a importação destes produtos de países com mão-de-obra barata são fatores que permitem que uma obra derivada de uma marca licenciada chegue ao público consumidor com preços reduzidos e na maioria das vezes preços abaixo do mercado.

Apesar dos fatores que viabilizam o acesso a esta obra, especialmente pelas classes populares, quando estas chegam à escola sabe-se muito pouco ou quase nada sobre os seus autores, o que inviabiliza uma contextualização adequada da obra. Tais obras são denominadas como de autor global (LLUCH, 2003) ou seja, obras em que sua autoria é atribuída a diferentes profissionais e são produzidas e distribuídas com intuito de vender em grandes quantidades ou por um valor promocional.

Portanto, neste quesito a obra deixa a desejar, o que já era um tanto esperado pelo fato da própria editora se configurar mais como uma distribuidora e revendedora de obras importadas e marcas licenciadas que trabalhar na criação de novos títulos. Contudo, quando realizei a escolha desse livro estava ciente da questão, com o intuito de argumentar que é possível encontrar obras com alguma qualidade (narrativa e gráfico-editorial) nos feirões e promoções de livros.

1. Análise da narrativa

Com relação a narrativa proposta pelo livro, esta é capaz de propiciar interação lúdica na linguagem poética, através de efeitos gráficos-editoriais produzidos por diferentes tamanhos de fontes e desenhos gráficos, o que tratarei mais adiante. Outro aspecto a mencionar sobre a estrutura narrativa diz respeito aquele que se trata da interação que o livro proporciona, especialmente quando as possibilidades de comunicação são restritas.

Além disto, ao final do livro é proposto algumas atividades e jogos para estimular a memória, tais jogos são para serem feitos em grupo ou individual (jogos para recordar de peças de roupas dos amigos, jogos de cartas, falar o maior número de coisas com relação a um determinado tópico). 

Convém a destacar que a obra se apresenta como sendo livre de qualquer tipo de moralismo, preconceitos, estereótipos ou discriminação étnica, racial, social, etc., sendo assim, considero a faixa etária estipulada como adequada, por apresentar um tema relativo ao universo infantil, como memórias de um parente que morreu e os momentos bons que os personagens passaram juntos.

Entretanto, faço uma ressalva, pois considero a obra de interesse para as crianças de 4 a 6 anos, não mais que isso. Crianças de 8 a 10 anos, especialmente dos centros urbanos já estão interessadas por outros temas, envolvendo relacionamentos, fortes elementos de ficção e fantasia e temas de maior complexidade. A questão da faixa etária estipulada é sempre muito relativa, pois depende de fatores culturais, escolares e sociais de cada criança. 

Quanto a qualidade do texto, considero que este contribuí razoavelmente para a ampliar o repertório das crianças. Entretanto, destaco alguns trechos em que considero ricos do ponto de vista linguístico em razão da presença de figuras de linguagem como aliteração e onomatopeias (conteúdos explorados nos anos iniciais do ensino fundamental):

Lá fora, era lindo de se ver. Eu me lembro de que tudo estava coberto com um casaco branco. Eu estava perdida em meus pensamentos quando, de repente… Crash, bang, ploft!

Com relação aos aspectos estruturais da narrativa, esta é composta por períodos simples, em que são marcados aspectos que a personagem principal se recorda de um acontecimento. Para Lukens (1994) personagem é um termo geralmente usado para significar a agregação de qualidades mentais, emocionais e sociais que distinguem uma pessoa. Um personagem pode ter várias características e pode se classificar como completo, raso, dinâmico ou estático (LUKENS, 1994).

A personagem Maria (personagem principal e narradora de sua própria história) pode ser classificada como um personagem completo, com sentimentos, aspectos da personalidade bem delimitados pelos autores e características próprias. Como nos trechos abaixo:

Eu não gosto muito do inverno, mas adoro a neve!” (p.2)

Eu estava tomando café da manhã com os meus pais enquanto eles falavam sobre o que dariam de presente para ela. – Um bolo! Nós podemos fazer um bolo com recheio para ela. Gritei animada […]. Eu me lembro de que, sem nem mesmo esperar meus pais concordarem, corri para colocar o meu avental e o chapéu de cozinheiro. (p.4)

Eu me lembro de que tudo estava coberto com um casaco branco. Eu estava perdida em meus pensamentos quanto, de repente…. Nós capotamos”. (p.15)

Eu me lembro de que perdi a noção do tempo, a noite tomou conta de tudo e as luzes iluminavam e protegiam os céus. (p.26)

Nesses trechos a autora mostra algumas características marcantes da personagem Maria que aparecem em sua própria narração. E assim, sabemos que Maria não gosta do inverno, mas adora a neve, que Maria é uma garota muito animada e feliz, que vive no mundo da sua imaginação, e é também impulsiva e ansiosa. Com relação aos personagens secundários, a sua avó (que não sabemos o nome) também ganha um destaque significativo. Esta personagem secundária se apresenta como uma senhora simpática, divertida, carinhosa, emotiva, exibindo um lindo sorriso, atenciosa, etc. Outro personagem é o gatinho de Maria. Este pode ser considerado um personagem raso, ou seja, um personagem desenvolvido, mas com poucas características.

Quando o trenó, o bolo e eu estávamos descendo a colina, ouvi: -miau, miau, miauuuu!” Era o meu gato correndo para nos alcançar. Lembro-me de ter freado bruscamente para ele poder subir no trenó”. (p.13)

Uma grande pedra que estava coberta pela neve nos fez voar no ar. O bolo caiu de um lado, o gato de outro e eu no meio, prendendo a respiração. Por sorte ninguém se machucou.” (p.15)

Meu gato também brincou na neve. Ele subiu e desceu das árvores e telhados e, várias vezes, veio até perto de mim e deu voltas ao redor do boneco de neve que eu estava fazendo.” (p.23)

Sobre os personagens, Lluch (2003) destaca que uma possibilidade de trabalho com as crianças para um aprofundamento da obra consiste na identificação dos personagens por elas, pois apesar de nós habitualmente subestimarmos essa capacidade, a autora acredita que tanto na vida quando nos livros, as crianças podem perceber diferenças nos seres humanos e elas são capazes de reconhecer e responder aos personagens bem desenvolvidos e que até mesmo nas mais simples histórias é possível achar personagens que parecem ser partes da natureza humana, com esse argumento acredito no potencial que a obra, embora fazendo parte do grupo de livros “comerciais de autores globais” e com alguns critérios a desejar apresente para os leitores.

2. Sobre a memória

A memória constitui-se como tema central do livro. Toda a estrutura do enredo consiste nas lembranças que Maria possuí dos momentos com a sua avó. Narrativas que envolvem memórias são comuns em obras voltadas para o público infanto-juvenil.

Analisando dissertações e alguns trabalhos publicados sobre o tema, a memória pode ser considerada como “essencialmente um ato de evocação, isto é, o ato de recuperar mentalmente a imagem”, portanto, é um ato de representação do real que se dá através de imagens mentais, pois o passado enquanto tal não volta (OTERO, 2002, p.23).

Na obra esse ato de evocação de imagens mentais é apoiado pelas ilustrações que ajudam ao leitor se situar das lembranças da personagem, um exercício importante, pois de acordo com Otero (2002) com este processo a história estrutura-se, a fim de reconstituir os traços da subjetividade e da emoção humana. Dentre os aspectos destacados pela autora, estão memórias de ações, pessoas, momentos, expectativas e planos, e ainda a memória dos sentidos, dando relevância a elementos como sons, cheiros, texturas e sabores, como posso destacar nestas passagens:

Quando passei meu dedo na massa para provar, eu estava coberta de farinha, desde a cabeça até os pés. Quando minha mãe me viu assim, ela começou a dar gargalhadas. Hoje, eu ainda consigo me lembrar de como o bolo era docinho, apesar de não ser fácil lembrar-se de um sabor ou de um cheiro.”

Estava tão bom… Huuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuum!

Então, meu pai o colocou no forno e quando o tiramos, escrevemos com cobertura, em letras maiúsculas: FELIZ ANIVERSÁRIO!” (p.8)

O ato de narrar as memórias da infância em suportes de leitura pode ajudar as crianças a reconstituírem as suas próprias lembranças utilizando-se de diferentes linguagens como textos, desenhos, movimentos corporais, musicalidade, expressão, dentre outros.

Outro aspecto que pode ser explorado/desenvolvido a partir desta obra é com relação a morte a partir do levantamento de questões como: O que podemos fazer para guardar aquele ente querido em nossa mente? Como encarar a morte de outra maneira, pelo menos mais positiva? A obra apresenta caminhos para tratar destas questões, pois em toda narrativa a lembrança dos momentos felizes e positivos de Maria se concentram mais no que na dor da perda do ente querido que só é revelado no final do livro.

3 Análise gráfico-editorial

Com relação a este tópico a obra motiva a leitura pelos recursos gráficos presentes no texto e não pelas ilustrações que ficam em segundo plano, o que contribuí para propiciar uma experiência significativa de leitura e ampliação das referências estéticas, culturais e éticas do leitor. Outro aspecto a destacar com relação ao projeto gráfico-editorial é o fato da obra romper com o padrão estabelecendo mudanças no tamanho da fonte para marcar ou enfatizar o momento em que Maria se recorda de algo:

O ponto forte da obra são as várias intervenções gráficas que conduzem o leitor para dentro e para fora do texto principal. As intervenções produzem e expressam as sensações, sentimentos e percepções de Maria mediante o que é narrado. Quanto as condições de legibilidade do ponto de vista tipográfico, esta se apresenta como adequada para crianças cuja a faixa etária se destina.

A obra apresenta poucas linhas de textos por página e tamanho de fonte em tamanho acessível, inclusive para pessoas de baixa visão, contudo em algumas páginas é preciso virar o livro para ler o texto que é colocado em outras posições, mas o movimento provocado por esse efeito gráfico contribui para melhorar a interação do leitor.

Considerações Finais

A partir da análise da obra “As lembranças de Maria” que tem como tema central a memória, considero que esta pode contribuir para a reflexão sobre a realidade sobre si e sobre o outro, na medida em que Maria nos conta suas lembranças e todos os aspectos relacionados a esta, principalmente suas lembranças sensoriais.

As lembranças de Maria nos revelam aquilo que para esta é mais importante: a afetividade, as brincadeiras, as sensações produzidas na sua interação com o meio, e por fim, o seu lidar com a dor da perda de um ente tão querido, que nos aproxima e nos toca. Como ponto forte, a obra apresenta inúmeras intervenções gráfico-editorais que contribuem para transportar o leitor para dentro e fora do livro, além de produzir novos sentidos e significados nos leitores.

Na minha avaliação final, considero a obra adequada para a faixa etária estipulada com algumas ressalvas que destaquei ao longo do texto, apresenta narrativa simples com foco em uma sequência de ações de memórias selecionadas por Maria, personagens principais bem desenvolvidos e consistentes, intervenções gráficas e ilustrações que propiciam melhor interação e possibilidade de exploração de outros temas como a morte, e ainda, considero a obra acessível a todas as camadas sociais devido ao seu baixo custo.

Referências

BRASIL, Ministério da Educação. Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Edital de Convocação para inscrição de obras de literatura no processo de Avaliação e seleção para o Programa Nacional Biblioteca na Escola – PNBE temático 2013. Disponível em <http://www.fnde.gov.br/programas/biblioteca-da-escola/biblioteca-da-escola-consultas/item/3981-edital-pnbe-tem%C3%A1tico-2013> Acesso em 13 mar. de 2017.

FEIJO, A.M.; LAGE, A.P.M. Licenciamento de personagens: A associação de nomes de sucesso do universo infantil a produtos como estratégia de marketing. Anais de Congresso Instituto Federal Fluminense. Disponível em: <http://bd.centro.iff.edu.br/bitstream/123456789/93/1/%20ARTIGO%20-%20Licenciamento%20de%20personagens-%20A%20associa%C3%A7%C3%A3o%20de%20prod.pdf> Acesso em 13 mar. De 2017.

LlUCH, G. Cómo analisamos relatos infantiles y juveniles. Argentina: Grupo Editorial Norma, 2005. P. 25-45.

LUKENS, R. Character. In: LUKENS, R. A critical handbook of children’s literature. 5a. ed. New York, Harper Collins, 1994. P. 39-59.

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Skull Island, a ilha do King Kong, pode ser encontrada no Google Maps

Matéria publicada originalmente aqui.

Em 1973, um grupo de militares, cientistas e caçadores de monstros dos EUA partiram em uma missão especial: mapear uma ilha recentemente descoberta que esconde um grande segredo.

Esta é a sinopse de Kong: A Ilha da Caveira, o mais recente longa-metragem da franquia King Kong, lançado no Brasil na última quinta-feira (09). A produção traz Tom Hiddleston, Brie Larson e Samuel L. Jackson no elenco.

Embora seja uma obra de ficção, a Skull Island pode ser encontrada nos serviços de mapas do Google. Localizada no meio do oceano pacífico, a ilha é uma ação promocional para o filme.

Apesar da brincadeira, os usuários que navegarem pelo Google Maps poderão ver fotos, imagens em 360 graus e comentários de pessoas que dizem ter feito algum tipo de tour pelo local.

Teria a Skull Island alguma ligação com misteriosa ilha da queda do voo Oceanic 815?

 

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Pacto Internacional de Mulheres EUA – Plataforma

A Parada Internacional de Mulheres de 8 de março de 2017 é um dia internacional de ação que tem sido planejado e organizado por mulheres de 30 países diferentes.

Baseado no princípio de solidariedade e internacionalismo, nos EUA em 8 de março será um dia de ação organizado por e para as mulheres que vem sendo marginalizadas e silenciadas por décadas de neoliberalismo principalmente dirigido contra mulheres trabalhadoras, mulheres de cor, mulheres indígenas, mulheres com deficiência, mulheres migrantes, muçulmanas e população LGBT.

O dia 8 de março será o começo de um novo movimento feminista internacional que organiza a resistência não apenas contra o governo Trump (não confundir com movimentos que buscam desestabilizar e deslegitimizar o sistema “democrático” do país, aqui foca-se a crítica numa série de ações e decisões tomadas pelo presidente, em especial na criação de políticas misógenas e racistas), mas também contra décadas de desigualdade econômica, violência racial e sexual, e a guerra imperialista no exterior.

Celebramos a diversidade dos vários grupos sociais que estão reunidos e vinculados a Parada Internacional de Mulheres. Viemos de distintas tradições políticas, mas estamos unidas ao redor dos seguintes princípios:

Por um fim a violência de gênero 

Todas as mulheres merecem uma vida livre de violência, tanto doméstica como institucional. Mulheres trabalhadoras, transgêneros, e mulheres de cor sofrem os piores aspectos da violência institucional direta, bem sobre a forma de brutalidade policial, as invasões pelos agentes de imigração, a violência que dia a dia sofrem como resultado de políticas públicas estatais que reproduzem e consolidam a pobreza em nossas comunidades.

Contra todas estas violências estatais e pessoais demandamos que nossas vidas e nosso trabalho sejam tratados com dignidade, já que eles formam a base desta sociedade.

Justiça reprodutiva para todas 

Defendemos a justiça reprodutiva para todas as mulheres, cisgêneros e transgêneros. Queremos completa autonomia sobre nossos corpos e total liberdade reprodutiva. Demandamos o livre direito ao aborto sem condições e assistência médica acessível para todas, sem restrições baseadas na entrada, na identidade racial, ou o status de cidadania. A história da esterilização das mulheres de cor neste país vão de contra aos ataques aos direitos sobre o aborto. Para nossa justiça reprodutiva significa a liberdade de escolher se tem filhos ou não, ou quando tê-los.

Direitos trabalhistas 

Os direitos trabalhistas são direitos das mulheres, por que tanto o trabalho remunerado em seu lugar de trabalho, quanto o trabalho não pago em casa é a base da riqueza em nossa sociedade.

Ao redor do mundo inteiro milhões de mulheres são forçadas a trabalhar por salários escravizadores, em perigosos galpões de exploração do trabalho e “fábricas infernais” que matam milhares a cada ano. Nos Estados Unidos as mulheres correspondem a 46% dos membros total dos sindicatos, e a grande maioria delas são mulheres de cor e de diferentes etnias. Todas as mulheres, sem considerar seu status de cidadania ou identidade racial, devem receber um salário igualitário pelo mesmo trabalho que realizam (nota da tradutora: o texto original fala sobre 15 dólares, equivalente à R$ 46. Eu acho que refere-se ao valor pago por hora de trabalho, o que acho muito pouco), incluindo, especialmente para aquelas que cuidam de outras pessoas, o cuidado infantil universal gratuito (e expansão das creches), pagamento de licença maternidade, licença por enfermidade, licença familiar remunerada e a liberdade para organizar um sindicato que lute pelos seus direitos em seu local de trabalho. Como mulheres trabalhadoras que sustentamos a metade do céu, nos recusamos a ser divididas pelo tipo de trabalho que realizamos, seja ela bem qualificado ou não qualificado, formal ou informal, trabalho sexual ou doméstico.

Nota da tradutora: Por ser uma tradução livre e não oficial, me coloco no direito de argumentar que não considero o trabalho sexual como forma de trabalho, e sim, como uma exploração dos corpos das mulheres, meninas, lésbicas e transgêneros. 

Aprovisionamento social completo

Em três décadas de políticas públicas neoliberais, temos visto o violento desmantelamento do aprovisionamento social que afeta a todas as mulheres. Enquanto nossas vidas laborais estão cada vez mais precárias, os serviços sociais que deveriam prover certa segurança contra as severas condições de exploração em que trabalho tem sido completamente removidas ou estão sobre constante ataque. Contra estes ataques exigimos uma reestruturação expansiva do sistema de bem-estar estadounidense capaz de satisfazer as necessidades da maioria, o que implica um acesso universal ao sistema de saúde, garantias sociais contra o desemprego e fortes benefícios em seguridade social para todos. Demandamos que o sistema de bem-estar funcione para apoiar nossas vidas e não para nos envergonhar quando temos acesso aos nossos direitos.

Por um feminismo antirracista e anti-imperialista 

Nos pronunciamos contra a aberta supremacia branca do atual governo e contra os movimentos da ultra-direita e os movimentos anti-semitas que tem dado sua confiança. Defendo um feminismo antirracista e anti-colonial que não está disposto a comprometer estes princípios. Isto significa que movimentos como Black Lives Matter (As vidas negras importam), a luta contra a brutalidade policial e o encarceramento massivo, a demanda por fronteiras abertas e direitos que protejam os emigrantes, e descolonização da Palestina, constituem para nós o coração palpitante deste novo movimento feminista. Queremos destruir todos os muros desde os muros das prisões até os muros das fronteiras desde o México até a Palestina.

Justiça ambiental para todas

Cremos que tanto a desigualdade social como a degradação ambiental são o resultado de um sistema econômico que coloca o lucro acima das pessoas. No lugar desse sistema demandamos que os recursos naturais da terra sejam preservados e sustentados para enriquecer nossas vidas e aquelas de nossas filhas e filhos. Nos inspira a luta dos Protetores da Água contra o Oleoducto que querem construir em Dakota (Dakota Access Pipe Line). A emancipação das mulheres e a emancipação do planeta dever andar de mãos dadas.

Este link mostra como organizações mulheres podem se inspirar e criar eventos semelhantes em seus países.

A organização deste evento também disponibilizou um e-mail para auxílio e apoio de pessoas interessadas: internationalwomenstrikeus@gmail.com

Alguns jornais internacionais publicaram sobre o evento:

https://www.theguardian.com/commentisfree/2017/feb/06/women-strike-trump-resistance-power

Nota: o evento não é apenas um protesto contra o governo Trump, mas o texto mostra um excelente panorama de outros movimentos feministas internacionais, inclusive o Ni una a menos (organizado por coletivos feministas na Argentina, Uruguai e Peru).

 

 

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Publicação – Periódico Zero a Seis [Florianópolis] – V. 1, n. 30 ( Jul./Dez. 2014)

Infâncias Glitz: um estudo sobre as imposições dos concursos de beleza aos corpos infantis

Rafaela da Silva Melo, Rosângela de Fátima Rodrigues Soares

Resumo

A partir dos trechos extraídos de episódios do reality show Pequenas Misses (Toddlers and Tiaras) e das contribuições dos estudos da infância e da perspectiva teórica pós-estruturalista, busco analisar os discursos de “verdade” que sustentam a necessidade da transformação radical dos corpos infantis para atender às exigências dos concursos beleza. Discursos que tem servido de justificativa para as formas contemporâneas de exploração, abuso, disciplinamento e governo dos corpos infantis.

Palavras-chave: Infâncias; Corpo; Modos de Subjetivação.

O artigo está disponível na íntegra neste link: https://periodicos.ufsc.br/index.php/zeroseis/article/view/32165

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“Sou negra e também sou mãe. Porque não sou representada nos anúncios do dia das mães?”

Por Rafaela Melo.

“Não é que o negro não seja visto, mas sim que ele é visto como não existente.”

Ilka Boaventura Leite

O conceito de invisibilidade social, segundo a enciclopédia digital, “tem sido aplicado, em geral, quando se refere a grupos socialmente invisíveis, seja pelo preconceito, seja pela indiferença.” Venho discutir a invisibilidade e silenciamento, a partir de questionamentos sobre a negação da identidade negra nos espaços simbólicos midiáticos, em especial, o da publicidade. O Silenciamento sobre a existência de diferentes grupos étnico-raciais, entre os quais se encontram os afro-descendentes, perpetuam a predominância de uma determinada representação cultural, social e estética em que se prevalece um ideal de branqueamento, como a única existente. Modo de representação social contribuindo assim, para a manutenção da exclusão social desse contingente significativo da população brasileira.

A escolha desse tema para análise surgiu-me durante a ida a um tradicional supermercado do meu bairro, o Grupo Zaffari, criado em 1935, pelo casal de imigrantes italianos, Francisco José Zaffari e Santina de Carli Zaffari. O que hoje é uma grande rede de supermercados, naquela época era um pequeno armazém de secos e molhados, localizado em frente da residência do casal em Erechim-RS. A Companhia se destaca pela qualidade, variedade e preço dos produtos além do excelente atendimento. Outro ponto marcante na companhia, e o que mais nos interessa nesse estudo, é o pesado investimento em publicidade e propaganda para a divulgação do slogan, ou seja, do ponto forte da companhia e os anúncios dos seus produtos.

Ao entrar no supermercado, peguei, como de hábito, um catálogo para conferir as promoções da semana. A peça era um anúncio especial do Dia das Mães, conhecido na publicidade como Anúncio de Oportunidade (Figueredo, 2005), que é utilizado pelas empresas e para marcar a presença institucional e mostrar ao consumidor que determinada empresa preza os homenageados daquela data”. Figueiredo (2005, p.84). Técnicas utilizadas que parecem ter sido convencionadas para a grande parte dos anúncios para o Dia das Mães veiculados por diferentes mídias. Estas, são repletas de mensagens com forte apelo emocional, com o objetivo de persuadir os consumidores utilizando temas como amor, afeição, harmonia, alegria, lembranças, compaixão, entre outros, ressaltando o senso de beleza e estética, aspectos do ego e dos sentimentos. (Stoffel, 2009).

A partir dos estudos de Thompson (1995), destaco que em nossa sociedade a mídia ocupa um papel central na definição de pautas e de conteúdos do discurso público. Para este autor, as formas simbólicas, integram a realidade social de forma a criar e manter relações de dominação, desigualdade e exclusão. Os discursos midiáticos podem ser compreendidos como forma de difusão de significados que exercem papel, ao todo ou em parte, não somente para a difusão e reprodução, mas também para a manutenção de múltiplas formas de racismo e exclusão.

Ao folhear as páginas do anúncio em homenagem às “mãos que curam, vozes que acalmam, abraços que protegem, olhos que abençoam, que são únicas e insubstituíveis. […] Iguais no milagre de serem únicas”, chamou-me a atenção, como nunca antes, a ausência total de mães e filhas negras em todas as páginas do catálogo e em outros anúncios da Companhia Zaffari veiculado na TV e internet. A representação das mães presentes no catálogo da rede supermercados, ao exaltar um ideal de branqueamento social, nega a existência de outras formas de representação das identidades.

Curiosamente, a forma que como a companhia enaltece modelos de mães e filhas brancas em sua homenagem, não reflete as múltiplas identidades étnico-raciais dos consumidores e nem mesmo, dos próprios funcionários da Companhia Zaffari. Percebe-se assim, o quão violenta e presente se faz a discriminação étnico-racial nos produtos midiáticos e como esses contribuem para a legitimação de determinados grupos sociais.

O filósofo norte-americano Douglas Kellner, em seu livro A cultura da Mídia, nos afirma que a cultura midiática “é um terreno de disputa no qual grupos sociais importantes e ideologias rivais lutam pelo domínio, e que os indivíduos vivenciam essas lutas por meio de imagens, discursos, mitos e espetáculos veiculados pela mídia”. No Brasil, essas lutas tem sido travadas com grande força pelos movimentos e coletivos em busca de igualdade racial, que denunciam dentre tantas coisas, a ausência do negro ou quando se dá visibilidade, esta se apresenta através de imagens e discursos que reproduzem e reforçam estereótipos negativos naturalizados em nossas relações sociais.

E sobre está ausência, que também constatei em meu cotidiano, tem sido questionada e debatida em vários estudos acadêmicos. Para Martins (2007), além dos debates se preocuparem com os discursos sociais produzidos pelos modos de representação das diferenças na mídia, devemos também dar uma certa atenção para aquilo que é não é dito (o não dito) como um elemento importante como um produtor de sentido. O autor argumenta que a linguagem (verbal ou não-verbal) fixa o sentido de um determinado discurso em uma gama de sentidos possíveis e apagando outros sentidos indesejáveis. Portanto, esse não-dizer para o autor não significaria fazer calar, mas dizer uma determinada coisa, para que outras não sejam ditas.

Ao silenciar outros modos de representar a figura da mãe, as múltiplas identidades são arbitrariamente negadas. Ao negar a possibilidade de representação da mãe e filhos negros, que também são consumidores e clientes, negam-se suas identidades criando um modelo deturpado que atua negativamente em suas consciências – o de não poderem estar ali, de não serem aceitos, de não terem prestigio o suficiente para serem representados em um catálogo. Como argumenta Martins (2007), essa “autodiscriminação”, apresenta-se com uma das formas mais violentas de racismo, sendo esta, difícil de ser racionalizada e combatida, mas faz-se necessário sempre que possível, serem denunciadas.

Considero de suma importância ressaltar que tais formas de discriminações, não estão relacionadas exclusivamente aos dispositivos pedagógicos midiáticos (FISCHER, 2002), expressão que a autora designa como os “modos pelos quais a mídia opera na constituição de sujeitos e subjetividades, na medida em que produz imagens, significações e saberes que de alguma forma se dirigem à “educação” das pessoas, ensinando-lhes modos de ser e estar na cultura em que vivem.” (2002, p. 153). A invisibilidade étnico-racial também está atrelada a uma série de questões históricas, políticas, sociais e econômicas. Questões estas, marcadas pelas lutas em busca de igualdade de direitos e oportunidades na estrutura social, cultural e política, lutas em torno de significação da História e Memórias e também lutas por uma visibilidade positiva e coerente.

Há pelos menos dez anos, vem se tentando estabelecer uma proposta de cotas para negros nos meios de comunicação, proposta presente hoje no Estatuto da Igualdade Racial (Lei nº 12.288 de 20 de julho de 2010), fruto de uma intensa mobilização dos movimentos negros e com apoio de uma parcela da sociedade civil. O Estatuto da Igualdade Racial adota como diretriz político-jurídica a inclusão das vítimas de desigualdade étnico-racial, a valorização da igualdade étnica e o fortalecimento da identidade nacional Brasileira além de garantir a defesa dos direitos étnicos individuais, coletivos e o combate à discriminação e às demais formas de intolerância étnica. (Brasil, 2010). O documento também visa combater a invisibilidade da população negra nos meios de comunicações, servindo de amparo legal, para se exigir que as produções midiáticas valorizem a herança cultural e a participação da população negra na história do país. (Art. 44, Cap. VI).

Entretanto, apesar dessa grande vitória, vemos tímidas mudanças no que se refere a visibilidade do negro na mídia e como tem sido essa visibilidade. Constata-se a ausência da população negra em muitos produtos culturais e em outros casos, ao dar-se visibilidade, está se apresenta de forma negativa reforçando esteriótipos e preconceitos tão enraizados em nossa sociedade. A população negra ainda tem sido representada imageticamente como subalternas e marginalizadas, em papéis de comediantes ou humoristas, exibe-se constantemente atletas e músicos que vieram de classes baixas e conseguiram alcançar à fama, como a única possibilidade de ascensão social e se dá uma hiper visibilidade aos corpos seminus de mulheres negras, representando-as como objetos sexual. Esses e tantos outros exemplos de uma visibilidade negativa e de silenciamento, só nos revelam o quão se faz necessário a superação de um modelo hegemônico de branqueamento social, político e cultural tão excludentes.

Por fim, a educação nesse contexto, se torna um instrumento poderoso para desnaturalização de práticas descriminatórias e de exclusão de grupos étnico-raciais. O “racismo à brasileira” (Guimarães, 2002) e tanta outras formas de segregação, precisam ser reveladas e combatidas não só dentro dos movimentos e coletivos, mas em todos os espaços sociais dentre esses, a escola. Pensar em diferentes formas de intervenção que valorizem as múltiplas identidades, se posicionar criticamente diante às representações negativas e excludentes dos diferente grupos nos espaços midiáticos e lutar pelo reconhecimento e afirmação desses, me parecem a princípio, serem bons caminhos a seguir.

Referências 

THOMPSON, J. Ideologia e cultura moderna: teoria social crítica na era dos meios de comunicação de massa. Petrópolis: Vozes, 1995.

BRASIL. Lei n° 12.288, de 20 de julho de 2010. Estatuto da Igualdade Racial. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Lei/L12288.htm Acesso em: 14 de junho de 2012.

FIGUEIREDO, Celso. Redação publicitária: sedução pela palavra. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2005.

FISCHER, Rosa Maria Bueno. O dispositivo pedagógico da mídia: modos de educar na (e pela) TV. Educação e Pesquisa. [online]. 2002, vol. 25, no.1, p. 151-162. Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-97022002000100011. Acesso em 11 de junho de 2012.

GUIMARÃES, A. S. Classes, raças e democracia. São Paulo: Fundação de Apoio à Universidade de São Paulo; Ed. 34, 2002.

Invisibilidade Social. Enciclopédia Digital. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Invisibilidade#Invisibilidade_Social Acesso em: 10 de junho de 2012.

MARTINS, C. A. M. O silêncio como forma de racismo: a ausência de negros na publicidade brasileira. Trabalho apresentado no 10. Congresso de produção Científica da Universidade Metodista de São Paulo. São Paulo, 2007. Disponível em: www.interscienceplace.org/interscienceplace/article/download/15/20 Acesso em 10 de junho de 2012.

STOFFLEL, Andressa. A emoção como estratégia de persuasão: Estudo de caso Zaffari. Nova Hamburgo: Centro Universitário Freevale, 2009. 85 p. Trabalho de Conclusão de Curso (Publicidade e Propaganda). Disponível em: http://ged.feevale.br/bibvirtual/Monografia/MonografiaAndressaStoffel.pdf Acesso em 11 de junho de 2012.

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