Publicação na Revista Novas Tecnologias na Educação: v. 11, n. 3 (2013)

Capa da revista

Título: O Espaço Paulo Freire do FISL como lócus de compartilhamento de conhecimento e aprendizagem colaborativa

Autores: Wilkens Lenon Silva de Andrade, Rafaela da Silva Melo

Resumo: O presente trabalho se apresenta como um relato da experiência de criação do Espaço Paulo Freire, um lócus criado a partir de um movimento de educadores e pesquisadores das tecnologias digitais livres aplicadas à educação, que ocorre anualmente no Fórum Internacional Software Livre. O Espaço tem como propósito discutir e socializar experiências de professores, gestores, estudantes e profissionais da educação de vários estados do país, com base no princípio do compartilhamento do conhecimento e da aprendizagem colaborativa. A partir das contribuições de Lévy (2004), Silveira (2004), Pretto e Pinto (2006), Dias (2011) e Pretto e Assis (2008), discutimos os conceitos de inteligência coletiva, aprendizagem em rede e compartilhamento do conhecimento. Como metodologia, realizamos uma pesquisa documental da trajetória de criação e construção do Espaço Paulo Freire e em seguida análise do corpus documental. Concluímos que iniciativas, como a da criação do Espaço Paulo Freire no maior evento de tecnologias livres da América Latina, tem promovido a interculturalidade, a autonomia intelectual dos alunos, o protagonismo docente, o compartilhamento e a socialização do conhecimento. E ainda fomentando a criação e a consolidação de comunidades para uma contínua colaboração em rede.

Publicação: Periódico Texto Livre – v. 6, n° 2, primavera de 2013

Avaliação de Software Livre Educacional: Investigando o potencial de utilização do KDEdu nos anos iniciais do Ensino Fundamental

Autores: Rafaela da Silva Melo, Breno Gonçalves Bragatti Neves

Resumo: O presente trabalho tem como objetivo investigar o potencial dos softwares educacionais livres do projeto KDEdu para a utilização nos anos iniciais do ensino fundamental, além de apresentar contribuições e sugestões para o seu aperfeiçoamento. Destaca-se as contribuições de Campos (1993) e Boff & Reategui (2005), ao considerarem que avaliar um software educativo é levantar as reais possibilidades que determinado software apresenta para o processo de ensino e de aprendizagem. A metodologia utilizada consistiu na elaboração e aplicação de uma checklist baseada em critérios pedagógicos, com ênfase nas competências sugeridas pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s) para os anos iniciais do Ensino Fundamental e em critérios ergonômicos baseados nas atribuições da NBR ISO/IEC 9126-1 para a avaliação da qualidade de softwares. Posteriormente, foi realizada a análise e a avaliação de quatro diferentes aplicativos desenvolvido pelo projeto KDEdu (KanagramKturtleMarble e Kbruch). A partir da avaliação dossoftwares livres educacionais do projeto KDEdu, constatamos que, de um modo geral, estes apresentam propostas pedagógicas em consonância com a proposta curricular nacional, documentação consistente em língua portuguesa, são livres e necessitam de poucos recursos computacionais. Fatores que, se combinados, podem facilitar e ampliar a utilização de softwares livres educacionais nas instituições educativas.

Especial 12° OID: Arte e educomunicação na construção de fanzines

A oficina conduzida pela ativista gaúcha Malu Viana teve como foco a criação de fanzines analógicos e digitais. A palavra fanzine vem da contração da expressão em inglês fanatic magazine, que significa em português revista de fãs. Portanto, fanzines são publicações feitas por pessoas para outras pessoas que gostam de um determinado tema, sejam elas amadoras ou profissionais.

Por seu conteúdo depender exclusivamente dos interesses dos fanzineiros e fanzineiras (como são conhecidas as pessoas que publicam fanzines), praticamente existem fanzines sobre uma diversidade de temas: ficção-científica, música, literatura, culinária, aeronaves, e inúmeros outros, abordados sob as mais diversas formas: contos, poesias, documentários, quadrinhos e entre outros. Para Malu, o fanzine “é uma arte e uma alternativa de comunicação, que exige o pensar, o refletir, selecionar e desenvolver ideias”, além de ser um momento prazeroso e lúdico.

Texto e Fotografia: Rafaela Melo.

Especial 12ª OID Inventivid@des Digit@is: criando um amolador de facas com um HD

A palestrante Beatriz Pereira, do Telecentro Raposos em Minas Gerais, apresentou para o público (a maioria jovens participantes de projetos de Metareciclagem espalhados pelo país) a possibilidade de reutilização de HD’s e outros equipamentos danificados ou antigos em projetos inovadores e criativos.

Durante a oficina, Beatriz contou sobre seu primeiro contato com a informática, sua longa atuação nos telecentros e de como o encontro com a metareciclagem mudou a sua vida.

O momento mais esperado da oficina foi a apresentação do “amolador de faca com HD” construído pela própria Beatriz com ajuda dos monitores do telecentro. Para a construção dessa super máquina ela utilizou um HD danificado, uma “carcaça” de rádio e uma fonte de alimentação (o motor).

Não é feitiçaria é tecnologia!

Texto e Fotografia: Rafaela Melo.

Especial 12ª OID: Oficina discute cinema digital com um olhar racial

Por Rafaela Melo (12ª OID)

Os oficineiros Viviane Ferreira, Velluma Azevedo, Gustavo Ferreira e Mazai Azevedo que trabalham em parceira com as organizações Terreiro Manso Dandalungua Cocuazenza e uma associação terreiro Ilê Axé Oyá na Ilha de Barra Grande, em Salvador promoveram um debate sobre ferramentas audiovisuais e sua interface com a discussão racial. A oficina teve como proposta discutir as possibilidades no uso das ferramentas digitais em articulação com o movimento da inclusão digital, com ênfase na discussão racial.

Inicialmente, os oficineiros propuseram uma atividade sensorial, que consistiu de um passeio dos participantes da oficina pelo saguão do Hotel Nacional, todos com vendas em seus rostos para a formação de duplas e reconhecimento do outro. A proposta teve como o objetivo fornecer subsídios para a discussão sobre o modo como representamos o outro a partir das informações que recebemos sobre estes, sem ao menos conhecê-los.

Após o momento de sensibilização, os oficineiros apresentaram dois filmes: um curta metragem da Cineasta e Oficineira Viviane Ferreira, chamado “Mumbi 7Cenas Pós Burkina”, que mostra a angústia de Mumbi, uma jovem cineasta que, após participar de um dos maiores festivais de cinema do mundo, se vê enclausurada em seu interior sem saber qual será sua próxima obra.  A partir do diálogo entre seu pensamento e suas lembranças de obras marcantes do cinema brasileiro, Mumbi se liberta.

O segundo curta-metragem, “Cores e Botas” , escrito e dirigido por Juliana Vicente, conta a história de Joana, uma menina que tem um sonho comum a muitas outras dos anos 80: ser Paquita. Sua família é bem sucedida e a apoia em seu sonho. Porém, Joana é negra, e nunca se viu uma paquita negra no programa da Xuxa.

Os filmes promoveram debates entre oficineiros e participantes sobre a identidade individual e coletiva, o modo como representamos o outro e de que forma construímos e legitimamos estereótipos. Uma das participantes da palestra afirmou no debate após a exibição dos curtas: “temos que nos aceitar a ser como somos, nós negros crescemos com aquilo em nossa cabeça dizendo que não somos capazes, mas precisamos superar isso”. 

A ideia de trazer a oficina para o evento foi conectar a Inclusão Digital e Participação Social com o cinema, uma das tecnologias que movimenta bilhões por ano e que é dominada por um grupo social. O cinema constitui a nossa identidade e a nossa construção e representação de mundo. “Precisamos tomá-lo como nosso”, afirma a Cineasta Viviane Ferreira.

A proposta é olhar o audiovisual como uma possibilidade de utilização dessas ferramentas para a construção de novas narrativas, novas formas de ver e pensar o mundo. “Como identificamos no movimento da inclusão digital as discussões sobre a questões raciais? Basta ter corpos negros circulando na OID para dizermos que somos uma sociedade democrática e participativa? Encontramos a questão racial na programação e nas ações da OID?”, provoca a cineasta.

Um dos participantes do Rede Mocambo disse:

“Não queremos ser incluídos. Esta discussão está ultrapassada, queremos nos apropriar dessas ferramentas, ter o domínio dessas produções e não ser apenas utilizadores. Não queremos usar equipamentos da China, queremos produzir câmeras, queremos produzir softwares, queremos produzir equipamentos e produzir cinema, ou apenas beneficiaremos o mercado e ficaremos dependentes de tecnologias que não temos o domínio. Também queremos saber como os recursos chegam para que as comunidades negras produzam estas ferramentas”. 

 

Especial 12ª OID: Arte-educação, Educação Popular e Ambiental: Diálogos de Bumerangue

Texto: Rafaela Melo e Fotografia: Breno Neves

Alissa e Elisa Gottfried, arte-educadoras populares e integrantes do coletivo Ecoa Ecoa, apresentaram na 12°OID materiais produzidos durante o Projeto Identidade Sociocultural da Vila Santa Teresinha. O projeto, desenvolvido em parceria com a Casa Brasil Porto Alegre, aconteceu de novembro de 2011 a dezembro de 2012 em diálogo com 10 jovens educandos de 14 a 25 anos, moradores da antiga na Vila Santa Teresinha (antiga vila dos Papeleiros, em Porto Alegre- RS).

O projeto foi viabilizado através do Edital ESPORO DE CULTURA DIGITAL/MInC e teve como resultado a Mostra Artística Itinerante Cacos e Ecos. Uma de suas obras é um livreto “Mais vale um livreto livre do que um educador na mão”, que reúne as palavras geradoras que emergiram dos participantes do Curso de Cultura Digital e Educação Popular desenvolvido pelas palestrantes.

As demais obras da Mostra Cacos e Ecos utilizam o lixo eletrônico como suporte, além de difundirem a cultura digital, a educação popular e a Metareciclagem, tendo como conteúdo artístico os produtos finais do processo criativo do projeto.

Durante a palestra das arte-educadoras, o público pode criar seus bumerangues com as palavras que lhe faziam sentido. Após a palestra, foi montado no saguão do Hotel Nacional uma mostra com os materiais produzido durante o projeto.

 

Com Software Livre você pode!

Texto: Rafaela Melo e Breno Neves.

A palestrante Fátima Conti destacou na tarde de hoje, 12/12,  a importância de produzir conteúdos em formatos abertos. Ela ressaltou o discurso, corrente no mundo do software livre, de que usar formatos proprietários em sua produção (seja ela software, música, cinema) é deixar toda a produção nas mãos das empresas.”Devemos ter consciência do formato que usamos, porque formatos proprietários pertencem a empresa que o criou”, enfatizou.

Conti, que é professora do LabInfo, da Universidade Federal do Pará, também abordou duas questões centrais:

  • A obsolescência programada, que pode ser definida como a decisão do produtor de propositadamente desenvolver, fabricar e distribuir um produto para consumo de forma que se torne obsoleto ou não-funcional especificamente para forçar o consumidor a comprar a nova geração do produto:
  • As atualizações automáticas dos softwares proprietários, que introduzem novos requisitos de hardware, fazendo com que partes dos softwares comecem a ficar indisponíveis a cada nova versão, penalizando quem não entra nesse jogo.

Outros temas destacados por Fátima Conti foram: propriedade intelectual, copyright e outros direitos de propriedade – que, de acordo com a palestrante, só protegem as gravadoras e as editoras, entidades que apenas geram as cópias. “Esses grupos não protegem o autor, protege quem produz as cópias e não quem fez o livro”, afirma.

A palestrante concluí afirmando que, nesse modelo de produção de cultura, não podemos “mexer” nelas, pois as leis e as “travas digitais” nos impossibilitam. Mas com o software livre e formatos abertos, sim nós podemos!

 

Mãe Beth de Oxum: “Precisamos utilizar as tecnologias a nosso favor”

Texto: Breno Neves e Rafaela Melo. 

Na tarde de ontem (12/12), a palestra com a pernambucana Mãe Beth de Oxum versou sobre a importância da tecnologia estar à serviço das culturas de matriz africana. “Essa tecnologia tem que estar a nosso serviço, trazer a nossa identidade e contar a história do nosso povo”, afirma a Mãe Beth.

A palestrante, coordenadora do ponto de cultura Coco de Umbigada, possui uma rádio (Amnésia FM 88.5), produz vídeos para a TV Pública e tem um canal no Youtube – TV Umbigada. Segundo a palestrante, estes projetos foram criados pela falta de espaço que os povos de matrizes africanas encontram nos meios de comunicação de massa. Apesar do apoio das políticas de cultura, a Mãe Beth destaca alguns problemas:

“Temos uma rádio com equipamento que conseguimos a partir dos editais do Ministério da Cultura (MinC). O mesmo governo que dá o equipamento, manda a polícia perseguir e fechar a nossa rádio, ou seja, nos ajuda e nos criminaliza”.

A palestrante falou também da relação entre as tecnologias e a inclusão social, lembrando dos altos índices de jovens mortos a cada ano. “Esses números tem cor, tem lugar e tem grupo social”, ressalta Mãe Beth.

Durante a palestra, foi apresentado o jogo Contos de Ifá, desenvolvido em uma licença livre com o objetivo de contar a história dos Orixás. “O brinquedo mobiliza socialmente, e para isso precisamos usar a tecnologia para divulgar nossa cultura” destaca Mãe Beth.

Para finalizar, a Mãe Beth de Oxum convidou os participantes para uma Ciranda, promovendo encontros entre pessoas, códigos e linguagens tecnológicas, culturais, ancestrais, políticas e sociais.