Empresas usam resíduos de cana-de-açúcar para produzir folhas de sulfite e embalagens

Texto original aqui.

Duas empresas estão transformando resíduos da cana-de-açúcar em celulose e papel. A FibraResist inaugurou em fevereiro de 2017 uma fábrica para produzir celulose a partir da palha da cana em Lençóis Paulista, região canavieira no interior de São Paulo. A prioridade é atender a indústria de papel para embalagens, embora a tecnologia também permita a produção de tissue, o material empregado em guardanapo, papel higiênico e papel toalha. Mais antiga, a GCE, com sede na capital paulista, produz desde 2009 em parceria com a colombiana Propal a folha de sulfite EcoQuality, utilizando como insumo o bagaço da cana.

Nota: No site da EcoQuality uma caixa com 10 resmas de papel sulfite fabricada usando 100% do bagaço da cana de açúcar custa por volta de R$ 166,11. 

A FibraResist é resultado do desenvolvimento de um processo produtivo inovador. Em 2009, o químico industrial José Sivaldo de Souza levou à direção do grupo Cem, que tem negócios nos segmentos de construção, borracha e agropecuária, uma proposta de produzir celulose com resíduos de cana. Ele sabia que o Cem, onde trabalha, buscava diversificar suas atividades.

O grupo resolveu investir R$ 6 milhões no desenvolvimento do projeto. Os estudos tiveram o apoio de pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV), que escolheram a palha como matéria-prima, fizeram a análise da pasta celulósica produzida e da rota de produção de celulose a frio, que dispensa o uso de caldeiras para o cozimento da fibra. A empresa depositou patente no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) visando resguardar todo o processo produtivo. Entre os produtos desenvolvidos pela empresa está um biodispersante que faz a separação da celulose da palha e da lignina, uma molécula que age como cola natural e dá rigidez às células das plantas. No sistema de produção tradicional, essa separação é feita durante o cozimento. A produção a frio não demanda energia para alimentar as caldeiras e elimina a emissão de gases industriais.

O processo produtivo elaborado pela companhia ainda envolve um circuito fechado de água, que é tratada e reutilizada, e o aproveitamento dos resíduos finais como adubo. “É um processo desenvolvido para ser ambientalmente sustentável”, diz Mário Welber, diretor de relações institucionais da FibraResist. A fábrica demandou investimentos de R$ 25 milhões, sendo R$ 10,5 milhões financiados pela agência de fomento paulista Desenvolve SP. Sua capacidade de produção é de 70 mil toneladas (t) ao ano. No momento está em fase de comissionamento, na qual são testados os equipamentos e o processo industrial de ponta a ponta com uma produção em pequena escala. A produção atual é de 6 t diárias de pasta celulósica, fornecida para o primeiro cliente, a Sanovo Greenpack Embalagens, que fabrica estojos para ovos e bandejas para frutas. “O papel também está sendo testado por dois outros potenciais clientes”, conta Welber.

O insumo da FibraResist, a palha, é recolhido em um raio de 100 quilômetros de Lençóis Paulista por uma empresa terceirizada que a entrega em fardos de 450 quilos. Segundo Welber, o limite de retirada de palha da lavoura é de 80%, os demais 20% ficam no campo para nutrir a área de plantio, manter a umidade do solo, controlar ervas daninhas e evitar a erosão da terra. “A palha é necessária ao canavial, mas em excesso facilita a propagação de pragas e alimenta incêndios espontâneos”, afirma.

A palha de cana é um resíduo abundante no Brasil. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que foram colhidos 657,18 milhões de t de cana-de-açúcar na safra 2016/2017, ocupando uma área de 9,05 milhões de hectares. Segundo Henrique Coutinho Junqueira Franco, coordenador do programa Sugarcane Renewable Electricity (Sucre), do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), cada tonelada de cana gera cerca de 120 quilos de massa seca de palha e 125 quilos de massa seca de bagaço.

Para Franco, existe a necessidade da elaboração de políticas regulatórias que estimulem o melhor aproveitamento dos resíduos do setor. “A maioria do bagaço já é utilizada na cogeração de eletricidade e produção de etanol de segunda geração. Mas a palha ainda é pouco usada”, afirma.

A produção de celulose é uma alternativa para utilizar a palha excedente. Segundo Fernando José Borges Gomes, professor do Departamento de Produtos Florestais da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), as fibras da palha e do bagaço se assemelham muito à do eucalipto. “É possível a obtenção de polpas celulósicas de alta qualidade, similares em propriedades físico-mecânicas às obtidas a partir do eucalipto”, explica. O uso de fibras alternativas, não provenientes de madeira, para a produção de celulose não é novidade. Bambu, babaçu, sisal e resíduos agrícolas já são utilizados há décadas, principalmente em países onde a disponibilidade de terras para o cultivo de árvores é baixa.

Parceria tecnológica 

O bagaço de cana é uma fonte utilizada para produzir papel há mais de 60 anos. Empresas chinesas, indianas, argentinas e colombianas usam o insumo. Os empresários paulistas Luiz Machado e Guilherme de Prá, dois executivos oriundos do setor papeleiro que fundaram a GCE, viram no bagaço uma oportunidade de se distinguir no mercado brasileiro de papel sulfite, um negócio de 600 mil t por ano em que predominam duas empresas, a Suzano e a International Paper (IP). “Oferecemos um produto que não ocupa áreas de plantio e aproveita os excedentes da indústria sucroalcooleira. Os resíduos são transformados em material nobre”, informa Machado.

A estratégia da GCE para entrar no mercado de papel foi realizar uma parceria com a colombiana Propal, do grupo Carvajal, que já utilizava bagaço de cana no seu processo produtivo, mas sem a qualidade desejada pelos brasileiros. Machado e Prá entraram com experiência adquirida em 40 anos de vivência no mercado de papéis e aprimoraram o produto. Conseguiram chegar ao padrão de lisura, espessura, opacidade e teor de umidade desejado, o que resultou nas linhas Reprograf, comercializado pela Propal, e EcoQuality, da GCE.

Pelo acordo, os brasileiros ficam com 30% da produção anual de 180 mil t fabricadas na Colômbia pela Propal, nas cidades de Yumbo e Caloto. A GCE comercializa o EcoQuality no Brasil, Estados Unidos e México. A decisão de manter a produção no país vizinho está relacionada a dois fatores. O primeiro é a disponibilidade do insumo, uma vez que a Colômbia também planta cana-de-açúcar. O segundo é o custo da energia. As caldeiras na fábrica colombiana são alimentadas a gás e apresentam um custo 35% menor que no Brasil. A energia representa 20% dos custos de produção do papel.

Segundo Machado, o papel EcoQuality é vendido no mercado brasileiro por um preço equivalente ao dos maiores concorrentes. Empresas que associam suas marcas às campanhas de sustentabilidade são, por ora, o principal nicho de clientes do sulfite de bagaço de cana. A GCE tem a maioria de sua receita proveniente de contratos de fornecimento para empresas que associam suas marcas a campanhas de sustentabilidade, como Pfizer, Vale, Abril e Basf. No Brasil, mais de 90% das fibras de celulose utilizadas para a produção de papel são provenientes de florestas plantadas de eucaliptos e pinus. Em 2016, o país produziu 18,7 milhões de t de celulose, a quarta maior produção do mundo, e 5,4 milhões de t de papel, conforme dados da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá).

O engenheiro químico Alfredo Mokfienski, consultor da Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel (ABTCP), diz que a indústria brasileira de celulose de eucalipto e pinus são muito competitivas. Possuem uma escala produtiva grande, porque as fábricas são projetadas para uma produção superior a 1 milhão de t/ano. “Com essa escala, dificilmente empresas que usam insumos alternativos, com produção de 70 mil t ou mesmo 180 mil t por ano, conseguem competir”, explica Mokfienski.

Fernando Gomes, da UFRRJ, diz que do ponto de vista econômico a produção de celulose a partir do eucalipto e do pinus é mais vantajosa. Mas a transformação dos resíduos da cana em celulose não é desprezível, porque é um material de pouco ou sem valor, no caso da palha, e se insere dentro de modelos de produção sustentáveis. “É uma destinação nobre e colabora para uma maior sustentabilidade ao setor sucroenergético”, comenta Gomes.

Fonte: Revista de Pesquisa da Fapesp.

 

Publicação da Fundação Telefônica: Sociedade Digital na Espanha 2017

A Fundação Telefônica analisa a cada ano a avalanche das infraestruturas e os serviços digitais na Espanha. O resultado é o informe Sociedade Digital na Espanha, que não somente reconhece os indicadores setoriais mais relevante, mas também leva em conta o impacto social da digitalização. 

Neste informe de 2017 falamos do alcance das redes de bandas fixas e móveis, que servem de suporte a nossa vida na internet, do uso que fazemos dos diferentes serviços digitais e da forma em que eles estão mudando nossas vidas. Também estão presentes questões como a atividade digital do ecossistema empresarial e do setor público e, de fato, nós consideramos os elementos mais inovadores da transformação digital, como a inteligência artificial, a Internet das coisas, carros automáticos, o blockchain e demais serviços financeiros eletrônicos. Igualmente as edições anteriores, a análise integra três grandes blocos de dados que permitem construir uma visão global e original sobre o ecossistema digital na Espanha: fonte externas de reconhecido prestígio, dados estatísticos das unidades de negócio da Telefônica e informação territorial proporcionada diretamente pelas comunidades autônomas. 

A publicação é relevante pois oferece subsídios para a realização de pesquisas semelhantes nos países latino-americanos. 

O acesso completo ao relatório em versão digital e em áudio está disponível aqui. 

Jornalismo infantil: a melhor maneira de falar com as crianças é ouvindo-as

As histórias para crianças devem ser escritas com palavras muito simples, porque as crianças, sendo pequenas, sabem poucas palavras e não gostam de usá-las complicadas. Quem me dera saber escrever essas histórias, mas nunca fui capaz de aprender e tenho pena. Além de ser preciso escolher as palavras, faz falta um certo jeito de contar…”.  José Saramago em “A flor do mundo”

Assim é a abertura da dissertação mestrado da jornalista Juliana Doretto, que resolveu seguir um caminho diferente do tradicional na área do jornalismo. Ela dedicou sua carreira para estudar como são feitas as produções de notícias para crianças nos veículos de comunicação e como os pequenos são representados.

Em seus estudos, Juliana evidenciou um cenário importante para nós, pais e cuidadores, enquanto mediadores das crianças no processo de formação para a leitura. Este hábito determinará uma percepção de mundo da criança, tornando-a um adulto mais crítico e capaz de compreender o funcionamento da sociedade e seu papel como cidadão.

No livro “Pequeno Leitor de Papel”, está o resultado das análises  dos suplementos do jornal Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo, Folhinha e Estadinho, voltados para crianças. A investigação constatou que as redações não conseguem entrevistar, de modo igualitário, crianças de todas as faixas etárias que desejam atingir.

Além disso, ela constatou a concentração de temas (com quase ausência da tradução do noticiário adulto para as crianças), “o uso abusivo de textos imperativos e a repetição de referências à cidade de São Paulo, ainda que a circulação dos dois cadernos seja ao menos estadual”.  “Naquele ano [de pesquisa] falava-se muito para o público leitor, ou seja, o leitor de São Paulo, mas seria importante que se apresentasse outras realidades, outras infâncias, de outros estados”, evidencia Juliana.

Os temas que as crianças procuram são bastante diversificados e elas não reclamam se encontram ‘notícias de adultos’. Reclamam mesmo é do modo como a jornalista fala das ‘noticias tristes’, mas isso não significa que elas  queiram deixar de saber, é só ser dito de maneira não sensacionalista. – Julianna Doretto

O “Estadinho” quer falar para as crianças, mas não as ouviu sempre: “56% das matérias de capa analisadas não entrevistaram meninos e meninas”. Em outra conclusão, há o predomínio de crianças brancas nas fotografias de entrevistados.

Experiências 

Infelizmente, atualmente não existem veículos na televisão aberta que produzam notícias para as crianças.

Recentemente a Revista Recreio lançou um suplemento direcionado especialmente para as meninas. Em uma das edições, a capa que trazia uma chamada para o teste “você é louca por compras?”. A escolha da temática foi bastante comentada nas redes sociais e acusada de reforçar estereótipos de gênero.  Juliana Doretto comentou sobre o caso em seu blog. Veja aqui.

Outras boas práticas no mundo merecem ser citadas. Na França, existem quatro publicações que traduzem e tratam as notícias para crianças e adolescentes . O tablóide semanal Le Journal des Enfants tem tiragem de 70 mil exemplares para crianças de nove a 14 anos e serve de suporte pedagógico para 13 mil escolas. Em 1995, foi lançado o Mon Quotidien, primeiro diário infantil na Europa – destinado às crianças de nove a 14 anos. O sucesso foi tanto que, três anos depois, surgiu mais um diário para crianças: o Le Petit Quotidien, para leitores de seis a nove anos. A pauta nesses jornais é quase a mesma dos jornais adultos: atualidades nacionais e internacionais, centrados em cultura, esportes e ciências. A diferença está no estilo do texto: simples e direto, de fácil compreensão.

Assista a uma videorreportagem do Uol, em que o Le Petit Quotidien tira dúvidas das crianças sobre o horror dos atentados terroristas em Paris.

Texto publicado na Catraquinha disponível aqui. 

Evento: VII Jornada de Estudos do Programa de Extensão Educação Infantil na Roda

Trata-se da VII Jornada de Estudos do Programa, cujo tema será “Construindo indicadores da qualidade da Educação Infantil: um diálogo com municípios do Rio Grande do Sul”.

A jornada acontecerá no dia 09 de abril de 08h30min até 18h na sala 102 da Faculdade de Educação da UFRGS.

Cartaz Jornada 09 de abril EI NA RODA com link de inscrição. 

Retorno à Recife

“Voltei Recife… Foi a saudade que me trouxe pelo braço”

Depois de quase 3 anos sem pisar em solo Pernambucano e mais 3h30min de vôo com conexão em São Paulo (e espera de quase 4 horas – soneca em frente à Kopenhagen do terminal 2 no Aeroporto de Congonhas e mais uma parada técnica em Salvador que me deu vontade de descer e ficar por lá, nem que fosse por uns dias), finalmente desembarquei no Aeroporto Internacional dos Guararapes e encontrei meus pais no aeroporto. 

Trouxe poucas coisas. Na mochila de costas, os eletrônicos para urgências e para fazer alguma coisa da faculdade durante os dias que estiver com os parentes, documentos, água, necessarie com maquiagem e produtos de beleza, casaquinho para a madrugada no aeroporto e coisas pessoais (carteira, chaves, etc).

Na mala pequena poucas peças de roupas (2 shorts, 4 camisetas, peças íntimas, 2 calças jeans, 2 camisas, 1 sapato, 1 tênis, 2 pares de meias, materiais do mestrado, carregadores, etc). Consegui levar tudo comigo no avião evitando ficar esperando na esteira o despacho das malas, no final nem fez tanta diferença. Uma coisa aprendi com viagens anteriores: quanto menos mala carregares, menos stress terás durante a viagem. 

Encontrando os pais:

Minha mãe, bela e simpática como sempre e meu pai tentando disfarçar a felicidade e eu segurando o choro de tanta saudade e felicidade ao mesmo tempo. Foi um daqueles reecontros como naqueles episódios de “Chegadas e Partidas” da GNT.

Depois retornei ao Ibura, mais exatamente ao UR-5 (Unidade Residencial – 5), uma espécie de sub-bairro dentro do todo maior que é o Ibura, sendo este considerado depois de Boa Viagem e Casa Amarela um dos mais populosos do Recife e com o maior número de jovens e crianças. E infelizmente, maior número nos índices de criminalidade e violência, que vem reduzindo nos últimos anos graças ao trabalho de muitas pessoas e organizações, além das muitas ações de cidadania que de alguma maneira ajudam na melhoria da vida das pessoas. De um modo bem geral grande parte dos problemas do bairro tem haver com saneamento básico, coleta de lixo, asfaltamento, violência doméstica, alcoolismo, população sem teto, políticas de cultura para juventude, o canal que atraí mosquitos, etc.

Chegando lá nenhuma surpresa: tudo do mesmo jeitinho, as pessoas, os comércios, o ambiente… E claro, aqueles antigos problemas que todo bairro de periferia em Recife tem. Na rua onde cresci e passei boa parte da minha vida tem algumas características únicas: possuí 3 escolas (uma delas eu dei aulas por uns 3 anos), passa 4 linhas de ônibus, possuí 3 barzinhos, lan house (de Moza Metal) e muitas casas de aluguel (boa parte delas são do Seu Domingos, tipo o Silvio Santos daqui), sem falar no número de igrejas (que são muitas por aqui) e estabelecimentos comerciais também (muitos barzinhos, lanchonetes, salões de beleza, supermercados, padarias, açougue, lojinhas… tem de tudo!)

A vizinhança é a mesma. Na UR-5 raramente as pessoas se mudam e possuem o hábito de se sentar em frente à casa uns dos outros para conversar ou apenas ficar sentados olhando o movimento até a hora do café (o que determina o tempo que as pessoas ficam sentadas na rua é a hora da novela que ninguém quer perder). Pra ser sincera, não consegui ainda conversar com todos os vizinhos (vamos com calma pra não parecer político em época de eleição tentando aparecer parar conseguir votos sem nem mesmo concorrer a um cargo, hehe!). 

Melhor coisa: ver os cachorrinhos e a gatinha da minha mãe. Estou devendo fotos deles… 

Darua é um cachorrinho que apareceu em casa em meados de 2005 ou 2006. Ele chegou em nossa porta bem magrinho, cheio de feridas… Em outras palavras: sem lenço e nem documento. Não sabemos onde ele nasceu, quem o deixou na rua… Não sabíamos nada sobre a história dele. Apenas o deixamos ficar e ficou. Hoje Darua (ou dadazinho como eu costumo chamá-lo) está bem velhinho, com o pelo sem aquele brilho de antes, ainda com aqueles carrapatos que nenhum remédio e vacina resolvem, mas parece estar bem feliz por ter a princesa do seu lado (uma cadelinha que chegou na casa da mãe recentemente).

Ele demorou para me reconhecer, somente depois ficou todo cheio de dengo e chegando perto de mim para pedir carinho. Minutos depois que eu cheguei em casa, meu pai comprou uma garrafa de vinho tinto do Rio São Francisco e bacalhau (chiqueza total!) e eu reencontrei meu antigo quarto que minha mãe manteve de alguma maneira conservado e organizado. Todas as minhas roupas antigas estavam lá, bem como os meus livros e materiais da faculdade e das escolas onde lecionei. Tudo guardadinho. Olhei por um momento para aquele quartinho com a parede pintada de forma rala, – precisava uma nova pintura, assim como uma boa reforma na casa dos meus pais. Quando eu passar no concurso público ou conseguir um bom emprego posso fazer financiamento para comprar os materiais, pagar a mão de obra e chamar um arquiteto. 

Retornar a casa que morei por tantos anos me trouxe uma avalanche de emoções (tristeza, alegria, saudade de tempos que não voltam mais e eu não gostaria que voltassem, afinal das contas… Segue o baile!) fiquei parada imóvel por alguns minutos pensando em tudo e me sentindo grata por estar aqui, por estar com meus pais, com os cachorros, por ver meu irmão (que não mudou muito, mas parece focado em construir sua vida), os vizinhos, etc. 

Depois saí com meus pais para o shopping, Recife Antigo e visitar outros parentes na cidade que eu nasci: Paulista. Confesso que senti um certo descaso e abandono com a cidade, especialmente na BR 101, Zona Sul de Recife, Mercado Público e outros pontos turísticos que mereciam um cuidado melhor, outras áreas que mereciam melhor investimento, aquela manutenção básica na cidade inteira. 

O Recife Antigo está bem convidativo com aqueles bares e cafezinhos bonitinhos ao lado do Marco Zero. O Museu do Frevo passou por reformas, a Torre Malakoff também, o Centro de Artesanato, a decoração das ruas está meio sem graça… No geral tudo na mesma, mas com eventos legais rolando pela cidade (Bar do Burburinho, Galeria Joana D’Arc, Rock & Ribs, Teatro da Caixa Cultural). Mais aqui.

Continuarei postando em breve 🙂

 

 

 

UFRGS convida para aula magna com Clélio Campolina

Ex-reitor da UFMG e ex-ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação abordará a corrida científica e tecnológica mundial e suas implicações no Brasil. Evento será em 19 de março, no Salão de Atos, às 10h.

Campolina defende nova política industrial com ênfase em ciência e tecnologia - Foto: site UFMG

“Corrida científica e tecnológica mundial e a posição relativa do Brasil: desafios e urgências” é o título da aula magna de abertura do ano acadêmico de 2018 a ser proferida pelo professor Clélio Campolina Diniz no próximo dia 19, no Salão de Atos (Av. Paulo Gama, 110 – Campus Centro), a partir das 10h. Campolina foi ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação (março a dezembro de 2014) e reitor da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG (2010-2014), onde também é Professor Emérito da Faculdade de Ciências Econômicas. Entre seus temas de pesquisa, estão desenvolvimento econômico, economia da tecnologia e economia brasileira.

Na aula magna, o professor apresentará os principais desafios para o desenvolvimento industrial brasileiro, em função dos recentes processos de desindustrialização e desnacionalização e da corrida científica e tecnológica mundial. Para Campolina, o Brasil necessita de uma nova política industrial com grande ênfase em ciência e tecnologia.

O evento é aberto à comunidade em geral e dispensa inscrições prévias. Haverá transmissão ao vivo pela UFRGS TV no link https://aovivo.ufrgs.br/ufrgstv/.