A metáfora do aeroporto: textos soltos

Na última viagem que fiz passei mais tempo do que eu deveria no aeroporto: praticamente toda a madrugada e fiquei lá observando o movimento das pessoas e pensando sobre as coisas, dentre elas é o que significa ser como um aeroporto? Acredito que ser como um aeroporto é ter que ficar estático e constante quando diferentes coisas passam por nós. 

É um lugar que requer muito equilíbrio e um certo auto-conhecimento para não ser levado com aquilo que nos passa e esquecermos das nossas obrigações ou compromissos. Ser como um aeroporto é receber todos dias muitas informações vinda de diferentes lugar. Essas informações poderiam ser os vôos (nacionais e internacionais com diferentes tripulantes e passageiros), que cada vez que passam por nós trazem novos dados. 

Ser como um aeroporto é estar aberto a muitas coisas, pois cada um que passa pode levar um pouco de nós e de nos deixar muitos problemas também. Ser como um aeroporto é chato, entediante e uma luta pelo foco e concentração, mas ser um aeroporto pode nos proporcionar muitas experiências até descobrirmos o nosso lugar e nosso posto seguro. 

Pra ser bem honesta ser como um aeroporto é o lugar mais seguro de se estar, embora seja o menos interessante, já que tudo passa e ficamos lá. Em determinadas épocas ser um aeroporto é cansativo, porque há muito movimento nele, muitos aviões pousando, fluxo intenso de passageiros, confusões por causa de bagagens extraviadas, vôos perdidos e problemas técnicos nas aeronaves. Há muita coisa bonita que acontece dentro dos aeroportos… Idas e vindas, chegadas e despedidas, desencontros e reencontros, abraços, lágrimas, plaquinhas, festas e pessoas felizes. 

Há coisas mais interessantes que podem ser encontradas nos aeroportos: diversidade, lojas maravilhosas, cafés, restaurantes, inúmeros serviços, segurança, fiscalização e todos trabalhando em seus postos, 24 horas por dia. Se olharmos com atenção ser como um aeroporto pode não ser tão ruim, é apenas frustrante ver que todos embarcam para lugares maravilhosos e os aeroportos ficam apenas no mesmo lugar. 

Outra questão importante sobre os aeroportos é refletir se é realmente esse o nosso posto, se não seria outro, se por uma obra do acaso, se não houve trocas. Como por exemplo, aeroportos sendo “aquelas maravilhosas coisas que passam” e as coisas maravilhosas coisas que passam, sendo como aeroportos, e por isso, se sentindo entediadas, já que aeroportos costumam ser como são: estáticos, estão sempre lá para qualquer coisa que aconteça, conhecem apenas aquilo que passa por lá e nisto pode residir muitas críticas, estão acostumados com um tipo de iluminação, um tipo de temperatura, alguns padrões que não se alteram, gostam de estar seguros e dar para o seu público alguma segurança e organização.

E pode haver ainda algo mais interessante: aeroportos que gostariam de alçar vôos como uma aeronave. 

Para o que passa e quem passa as percepções, características e os interesses são distintos. A pressa em trocar de vôos, a preocupação com a bagagem e as perspectivas para chegar no seu destino. Os homens de negócio vestindo terno, os adolescentes animados para curtir as férias, famílias numerosas com aquelas crianças que não param de chorar, casais em lua de mel, pessoas partindo para viagens solitárias, selfies, pessoas dormindo nos bancos, os inúmeros profissionais que trabalham em horários diferentes, as câmeras, os procedimentos de segurança, os painéis com as informações sobre os horários, a sinalização (algo muito importante nos aeroportos) para localizar os portões corretos, as lojas, praças de alimentação, serviços bancários, dentre outros setores. Tudo isso faz parte de um aeroporto, entretanto o significado mais apropriado em minha opinião seria daquele lugar estático, embora com muitas atividades onde as coisas e pessoas passam. 

Ser como um aeroporto ainda que espero eu, por pouco tempo até a ordem natural das coisas volte retorne e reorganize todas as coisas e postos, incluindo o meu que definitivamente não é esta que deve ser do tamanho de um grão de linhaça. Olho de todos os pontos que me encontro as coisas passarem, as pessoas passarem e as informações, seja lá qual for transitarem, serem compartilhadas, distorcidas, mas enviadas aos seus destinatários. 

Ser um aeroporto, embora temporariamente (na verdade há quase três anos) tem sido interessante, embora chato e exaustivo física e mentalmente. Tal função não pode ser confundida com outra coisa, vocês sabem, aqueles “duplos sentidos” e associações que costumamos fazer utilizando outros elementos do cotidiano – e do imaginário popular. Ser como um aeroporto é tenta buscar aquele equilíbrio necessário mesmo em momentos e situações mais complicadas. 

Ser como um aeroporto é ser leal a algo que não sabemos exatamente o que é, pois apenas as coisas nos passam e conhecemos apenas aquele determinado espaço, mas se tem algo que temos que fazer é seguir e cumprir nosso papel, ainda que haja muitos problemas, dilemas e provas. Ser como um aeroporto é ser um porto seguro e forte, saber como melhor atender as mais exigentes demandas e deixar que as coisas passem sem que deixemos nossos postos e nos perdemos. Quando se é um aeroporto é preciso ser e continuar, mesmo que daqui há uma hora, sejamos forçados a ser outra coisa, ou voltar para nossa original função sem maiores explicações ou meios para fazê-lo.

E, por fim, ser como um aeroporto, nos desafia a lidar com muita tristeza e mentiras em nossa volta, mas isso é outra conversa. 

O que fazer quando se não consegue ser além do que se consegue ser?

Os imperativos para sermos melhores, mais ricos, mais bem sucedidos e bem “apanhados” são muitos, entretanto quando sentimos que são muitas as pressões sobre nós e as limitações e barreiras para conseguirmos atender a determinadas exigências e critérios que muitas vezes são utópicos, até para aqueles que os designam é preciso respirar fundo e pensar se há algum outro caminho entre ser exatamente aquilo se exigem de nós com tanta rapidez e entre ser tudo isso aos poucos como uma escalada que vamos alcançando com base em nossos esforços e aprendizagens diárias. 

Eu sempre fui uma daquelas pessoas que sempre se sentiu muito cobrada pelo meu círculo familiar e de amigos, acredito que por ser a única filha mulher na família e também ser a mais velha (de dois irmãos) com mais responsabilidades e cobranças de comportamento “exemplar”. As cobranças que apareciam geralmente nas reuniões de família eram as mais diversas possíveis, desde tirar boas notas no colégio, andar em boas companhias até mesmo sobre o tipo de lugares que eu frequentava e o tipo de assunto ou conversa que é permitido para alguém como eu.

As notas do colégio, as aspirações para o futuro e principalmente a aparência eram sempre assuntos da mesa nos eventos familiares: “quando você vai se arrumar melhor?” ou “quando você vai arrumar um namorado?”, “fulana de tal está estudando pra ser médica”, “o que você vai fazer na vida?” todas essas perguntas eram interpretadas por mim como pressões sociais e frequentemente me causavam muita tristeza e frustração por eu não conseguir atingir tais objetivos ou trabalhar neles em outro ritmo.

O sentimento de decepção era algo que eu precisava lidar quando as cobranças vinham até mim e eu não sabia como lidar com elas. Embora eu soubesse meios de enfrentar as pressões e tentar realizá-las ora para me sentir melhor comigo mesmo, ora para agradar as pessoas (ou ser menos criticada por elas). A questão é que eu não gostava muito de ser vista pelos parentes por qualquer motivo que fosse (seja para ser colocada em um pedestal e tomada por modelo de perfeição ou de sucesso) ou para ser escrutinada por todos e ter sempre aquelas inúmeras pessoas pegando no meu pé “faz isso” ou “faz aquilo”, na maioria das vezes com boas intenções. Como já fui professora, sei bem que é necessário “pegar no pé” daqueles alunos que brincam muito ou aparentam não estarem interessado em aprender e assim, os pressionamos para serem melhores alunos, pensando somente no sucesso deles, sendo assim, é compreensível que as cobranças existem, é algo como “sofrimento obrigatório”.

Quando olhamos por esse lado tudo fica mais fácil de lidar, aqueles comentários disfarçados de puxões de orelha pode servir para nos “acordar” e perceber coisas que não estamos vendo por estarmos focados em outras coisas. Em minha adolescência, eu admito que era muito viciada em televisão, em especial na MTV e foram inúmeras as vezes que deixei de estudar para acompanhar a programação e saber quem estaria no topo da lista dos clipes mais votados e ainda torcer para que os meus artistas favoritos ficassem em primeiro lugar por muitos dias, semanas e anos. Na oitava série eu rodei de ano por causa de priorizar outras coisas, ao invés do estudo, além de me vestir mal e ter alguns pensamentos depressivos e isso fez com que minha família ficasse atenta a cada sinal que eu apresentava de que as coisas não estavam indo tão bem para mim.

Eu considerava tudo aquilo muito intrusivo e irritante (muitas foram as discussões e sentimentos de raivas guardados ou expressos em pequenas ações). Foi uma fase difícil, mas que com o passar dos anos e muita ajuda do grupo social que eu fazia parte (colegas do colégio, da igreja e parentes) fui superando. Nunca me senti satisfeita comigo mesma e isso não é algo que se aplica somente a mim, mas muitas pessoas que passaram por situações semelhantes. Aceitar e admitir que não se pode responder a todas as pressões, atender todas as expectativas é um processo longo e muito difícil. Admitir que não se pode chegar a um determinado lugar, ou que não posso fazer determinadas coisas ou querer ter determinados bens por inúmeras limitações é algo extremamente difícil, mas que faz parte do nosso amadurecimento e crescimento como pessoa. 

Ao olhar para mim mesma sinto-me um tanto frustrada por ainda estar muito longe de onde eu gostaria de estar, me sinto ainda como alguém que tem muito a aprender, muito para ouvir antes de falar, muito para analisar cuidadosamente e com profundidade, enfim… É uma longa caminhada que fazemos a passos curtos. E como tenho apenas 1m53cm os passos são curtos e lentos, como quem degusta cada coisa aos poucos ou guarda o melhor doce para o final e lido com ímpeto de querer tudo para mim mesma (algo normal para pessoas que vivem sozinhas e possuem poucos amigos). O aprender a compartilhar se faz no convívio coletivo que não deve ser forçado ou obrigado, mas deve ser uma experiência que se aprende pela troca saudável, por meio do diálogo e sinceridade enquanto se constrói algo. É como as crianças que trocam figurinhas quando possuem duplicatas, o objetivo é que todos completem seus álbuns e ninguém fique para trás. 

É com esse tipo de pensamento que podemos seguir adiante e lidar com o sentimento de que não podemos conseguir tudo aquilo que desejaram para nós, que não somos capazes de fazer tudo aquilo que nos mandam fazer, de que não podemos ser como outras pessoas que passaram por situações diferentes e viveram em lugares diferentes, de que somos falhos, mas podemos acertar uma vez ou outra.

 

 

 

 

 

Pesquisador usa a produção de vídeos para ensinar crianças sobre sustentabilidade

Foi através da sua experiência na área de comunicação, desde a sua formação em Produção Audiovisual na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) até o trabalho como técnico audiovisual na UFRGS TV, que Francisco Milanez surgiu com o tema para a sua dissertação de mestrado. A fim de compreender a influência e a eficácia de suportes audiovisuais no ensino, Francisco realizou um estudo de caso na Escola Municipal de Ensino Fundamental Deputado Victor Issler, de Porto Alegre.
 
Orientada pela professora Angela Wyse, a dissertação foi apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências: Químicas da Vida e Saúde da UFRGS. Com o conhecimento de Francisco na área de cinema e a metodologia científica proposta por Angela, o projeto trabalhou o tema da sustentabilidade a partir da produção de vídeos pelos próprios alunos.
 

Mais informações sobre a pesquisa podem ser conferidas no UFRGS Ciência.

Intolerância ou escolha? o aumento do consumo de produtos zero lactose

Uma pesquisa realizada pela Novozymes em parceria com a MindMiners aponta que 70% da população mundial apresenta algum grau de intolerância à lactose e que diversos mercados vêm se adaptando para atender este público. O Brasil ocupa o 26° lugar no ranking mundial no consumo desse tipo de produto. No país, 61% dos entrevistados disseram consumir alimentos 0% lactose em busca de uma alimentação mais saudável. 37% dos participantes afirmaram que estão dispostos a pagar mais por isso.

Entre os produtos lácteos mais consumidos no país estão o iogurte (72,2%), leite longa vida (68%), sorvete (66,4%), manteiga (66,4%), leite condensado (61%), creme de leite (60,4%), leite em pó (56,2%), queijo mozarela e prato (52,8%), bebidas lácteas como achocolatados (45,8%), queijo minas (42,4%), outros queijos (37,4%), sobremesas lácteas (26,4%), leite pasteurizado (16,2%).

Segundo o estudo, a maior parte dos alimentos 0% lactose são encontrados em supermercados. O ano de 2016 foi o que mais se destacou em lançamentos de novos produtos do tipo no país. Encabeçando a lista das novidades estão os queijos (115%), os iogurtes (91%), leites (72%), e outros produtos, como creme, sorvete, alimentos infantis, bebidas energéticas, bebidas lácteas, achocolatado, manteiga e doce de leite.

Os consumidores ouvidos pela Novozymes e MindMiners reforçaram que aumentariam o consumo se houvesse uma maior variedade de produtos disponíveis com redução de lactose. Os iogurtes zero lactose são os encontrados com mais facilidade pelos consumidores (50%). 21,4% dos participantes, por exemplo, consumiriam sorvetes deste tipo se fossem mais fáceis de ser encontrados. O mesmo vale para as sobremesas lácteas como petit suisse. Credibilidade da marca e preço, contam na hora da escolha do que colocar no carrinho.

Onde achar informação?

Quando o consumidor quer saber mais sobre intolerância à lactose ele costuma buscar informações majoritariamente no Google (59,6%) ou em consultas médicas (58.8%). Revistas de saúde e nutrição, o famoso “boca a boca” e redes sociais também são usadas para entender melhor o assunto. Entre as palavras mais pesquisadas sobre o tema estão: produtos, alimentos, sintomas, lactose, saúde, causas, efeitos, leite, intolerância e medicamentos.

A pesquisa

Em parceria com a empresa MindMiners, a Novozymes entrevistou 500 pessoas no período de 13 a 15 de dezembro de 2017. Foram feitas vinte perguntas, por meio de um aplicativo, com 58,4% de participação feminina e 41,6% masculina. Aproximadamente 30% dos participantes representam a classe B2, 23% na C1, 18% na B1, 15% na A e 14% na C2. 57% por cento dos entrevistados têm ensino superior, 40% ensino médio e 3% o ensino fundamental, com idades entre 18 e 41 anos.

Original publicado aqui.

Semana do livro em Pelotas

Em comemoração ao dia do livro, estive na Bibliotheca pública de Pelotense para acompanhar ou pelo menos tentar acompanhar algumas das atividades que aconteceram ao longo da semana. A maioria delas consistiu em apresentações teatrais para crianças pela companhia de Teatro Você Sabe quem, que realizou a leitura do livro “Capitão Mariano, o rei do oceano” de Maurício Veneza no dia 18/04.

E no dia 19/04 aconteceu o recital “A Barda: Folk and Game Music”. No repertório, temas icônicos da música folk e trilhas sonoras de séries e filmes como Game of Thrones e Senhor dos Anéis, além de games consagrados como Skyrim e Chrono Cross.

Outras leituras em grupo das obras “Olavo Holofote” de Leigh Hodgkinson com tradução de Érico Assis e do “Livro sem Figuras” de B.J. Novak interpretado pela VOCÊ SABE QUEM Cia de Teatro.

Ontem a bibliotheca estava meio vazia, mas segue as fotos:

Dia do Livro Infantil: 18 de abril

Para comemorar o dia do livro infantil reli trechos de um livro indicado durante a disciplina de Literatura Infantil com a professora Rosa Maria Hessel Silveira extraído de um texto de Rebecca Lukens: A Teia de Charlotte (no original Charlotte’s web), que muito me marcou, pois o “destino” da gentil, amável, leal e doce aranha não ficou muito claro para os leitores da obra tanto no original quanto na produção cinematográfica.

Na literatura infantil é comum “suavizarmos” temas mais delicados e profundos, o que é uma questão polêmica entre os especialistas em educação infantil, já que as crianças precisam ter diferentes experiências com os livros, dentre estas, poder sentir a dor da perda de um personagem tão querido (quando isto acontece). Pra ser bem sincera, o que mais gostei no livro, além da amizade desenvolvida entre duas espécies tão diferentes como uma aranha e um lindo porquinho, foi da representação de uma espécie que comumente aparece nos livros como um ser “asqueroso”, “venenoso” e “horripilante”, como sendo boa. Por outro lado a tamanha devoção da aranha pelo lindo porquinho demonstrado em forma de apoio incondicional deixa algumas marcas que me faz pensar sobre o sentido da generosidade. Eu me percebo como alguém que muitas vezes foi tão gentil e aberta com tantas diferentes pessoas e que nem sempre fui correspondida a altura. Na maioria vezes recebi milhões de espinhos e muito desprezo e com isso aprendi muito sobre mim mesma e fui até ficando mais individualista, fria e insensível para muitas coisas que aconteciam em minha volta.

Apesar disso, esse trecho abaixo é muito emocionante para mim, pois mostra uma capacidade importante dos seres humanos: a de dar por apenas querer dar e em troca receber apenas a amizade ou qualquer mínima relação de afeto, mesmo que isso gere desconfiança. 

Alguém já se sentiu nesta situação? Eu sim, muito recentemente. 

Eu confesso ter medo de aranhas assim como de baratas e escorpiões, mas uma aranha tão simpática e que de tão amorosa foi chamada de “joy” (que quer dizer alegre e feliz) eu definitivamente não esperava ver algo assim, ponto para o livro que fez uma enorme diferença em minha vida. Embora a história se apresente no Brasil como a relação entre a menina e o porquinho, levando a uma interpretação de que a menina não é um dos personagens centrais da história, como argumentado por  Rebecca Lukens, mas sim a própria aranha (em minha opinião).

A menina se destaca de modo expressivo quando no médico registra-se o seguinte fato: “ela acredita que animais falam” e isto mostra um pouco da fantasia que envolve a literatura infantil em que seres inanimados podem ganhar vida na imaginação das crianças e fazer parte de suas construções, algo que os adultos se esquecem quando crescem é que já passaram por isso. Eu me considero uma mulher de 31 anos que se encanta ao ver animações e livros de literatura infantil com diferentes seres com habilidades e sentimentos humanos. Sobre a imaginação infantil este trecho é brilhante:

E quando se trata de animais podemos reconhecer que estes possuem sentimentos como dor, amor por alguém e pressentimento quando algo de ruim pode acontecer com eles. Este artigo, por exemplo, diz que os animais sentem ainda mais dor do que os seres humanos. Outro momento marcante da obra é quando o porquinho precisa lidar com a frustração de não ter sido o vencedor (algo que significou mais para a aranha e o porquinho do que para a menina). Eu senti uma espécie de “ranço” quando eu vi a reação da menina, afinal todo crédito era do porquinho e pra ela aquilo não significava tanto. Para o porquinho sim, ele teve que lidar com a decepção, mas logo depois superou tudo.

E por fim, a despedida da aranha e o encontro do porquinho com suas três filhas. Como todos sabem as aranhas não vivem muito tempo e dizem que em algumas espécies é comum que seus filhos se alimentem do seu próprio corpo. O modo como a aranha saí de cena me recorda muito o que acontece com os animais quando estão para morrer, eles se afastam dos seres humanos e ficam lá quietinhos em seus últimos momentos. Eu já perdi vários animais deste modo e a dor é horrível, quase insuportável e mais ainda é o sentimento de impotência diante de algo que não podemos mudar, apenas esperar e seguir adiante. A demonstração de afeto de Wilbur para Charlotte é emocionante e definitivamente um lindo testemunhal contado para suas filhas: Joy, Aranea e Nellie.

Lindo, não acham?

Este ciclo de vida dos animais que raramente é percebido pelos seres humanos pode ser analisado nesta obra a partir de várias lentes. Para mim, esta personagem tão especial merece viver eternamente, mesmo que isso contrarie a sua natureza que é morrer para que seus filhos tenham vida. 

E por fim, a sinopse do livro e uma síntese de um texto crítico da obra a partir da viés do personagem. E feliz dia do livro! 

Sinopse: Depois de evitar que um porco seja abatido por ser nanico (anão), uma menina chamada Fern adota-o e o chama de Wilbur. No entanto, ela é obrigada a separar-se do porco e levá-lo para a fazendo do seu tio, Homer Zucherman. Fern continua tendo uma ligação mútua com Wilbur, mas ele é esnobado pelos outros animais do celeiro. No entanto, ele descobre uma voz invisível que promete fazer amizade com ele, prometendo se revelar ao amanhecer. Wilbur descobre que a voz é de uma aranha chamada Charlotte, e faz amizade com Charlotte. No entanto, descobre que corre risco de ser abatido e por isso, Charlotte faz um plano para tentar salvar a sua vida. No dia seguinte, de manhã, os Zuckermans descobrem uma teia com as palavras porco incrível, atraindo uma grande notoriedade e publicidade. Entretanto, as chances de sobrevivência de Wilbur podem ser reforçadas se outros milagres semelhantes ocorressem. Por isso, Charlotte pede ajuda ao rato Templeton para procurar palavras de inspiração para as mensagens na teia. Ao longo que o tempo passa, mais palavras começam a aparecer nas teias de aranha elogiando Wilbur e dizendo que ele é especial. Logo, Wilbur vai para a feira agropecuária, junto com Charlotte e o guloso Templeton, que só foi convencido a ir à feira por causa dos alimentos descartados ao longo da feira. Logo depois, Charlotte tece um saco contendo seus ovos – que ela se refere como a sua “obra prima” – que é fortemente vigiado por Wilbur. No entanto, o porco fica triste ao Charlotte informar a sua morte iminente. Desolado, Wilbur guarda o saco de ovos deixado por Charlotte antes de sua morte. Porém, Wilbur se entristece ainda mais quando as aranhas vão embora logo após o seu nascimento, deixando apenas três filhotes jovens demais para deixar ainda. Satisfeito por ter feito novos amigos após a morte de Charlotte, Wilbur dá às três aranhas os nomes de Joy, Nellie, e Aranea. O livro conclui-se mencionando que mais e mais gerações de aranhas fizeram amizade e companhia com Wilbur, que agora está salvo da morte.

Minha síntese:

Referência: LUKENS, Rebecca. Character. In: LUKENS, Rebecca J. A critical handbook of children’s literature. 5a ed. New York, Harper Collins, 1994. P. 39-59.

Na introdução do texto a autora destaca falas comuns ditas pelas crianças como: “Eu gosto de histórias onde as pessoas começam o livro de um jeito e o terminam de outro”. A partir dessa frase, a autora argumenta que nós professores ainda temos uma noção superior de que as crianças são imaturas demais para reconhecer o que faz um ser humano inteiro (completo) ou para ver como as pessoas podem ser uma coisa em uma hora e depois se tornar outra pessoa com a passagem do tempo e eventos.

E também que admitimos erroneamente que as crianças não tem nenhuma experiência ou não são treinadas pessoa ficcionais e suas diferenças. Como resultados das hipóteses formuladas argumenta-se que devemos parar de subestimar a capacidade das crianças oferecendo outros títulos além de tradicionais, com personagens mais complexos. Outros aspectos destacados pela autora sobre o potencial que as crianças possuem para compreender as várias facetas do ser humano são:

  • As crianças normalmente sabem e esperam consistência nas pessoas;
  • Os personagens contribuem para que as crianças possam detectar as diferenças nas personalidades nos seres humanos/estórias que eles leem.

Definição de Personagem:

O termo é geralmente usado para significar a agregação de qualidades mentais, emocionais e sociais que distinguem uma pessoa. Na literatura, o termo personagem é usado para representar uma pessoa, ou no caso da literatura infantil, ou as vezes um animal personificado ou objeto. A autora adiciona a palavra “desenvolvimento” que também tem um significado especial.

Outros aspectos à destacar:

  • Na vida o desenvolvimento de um caráter de uma pessoa ou personalidade compreende crescimento e mudança;
  • Na literatura o desenvolvimento de um personagem significa mostrar o personagem – que pode ser uma pessoa, ou animal ou objeto – com a complexidade de um ser humano.
  • Cada um de nós na vida real é tridimensional, isto é, nós somos uma mistura de qualidade.
    No desenvolvimento completo de um personagem no senso literário, o escritor o mostra completo, composto de uma variedade de falhas (facetas) que são aquelas dos seres humanos reais.

O escritor

Tem ambos privilégios e responsabilidade em matéria de desenvolvimento de personagem.
NOTA: Desde que nós acompanhamos um personagem central em uma história é a obrigação do escrito fazer que os pensamentos e as ações destas pessoas acreditáveis. Se o personagem é menos importante, o escritor tem o privilégio de fazer o personagem bidimensional ou até mesmo a representação de um grupo (por exemplo, o irmão mais velho mandão…).
A importância de um personagem em uma história em níveis: primário, secundário, menor ou de fundo, determina o quão completo o personagem é desenvolvido ou compreendido.

2. Revelação do personagem

A autora faz uma comparação:

Para decidirmos se gostamos ou não de um vizinho nós observamos a maneira que eles trabalham, falam, agem, respeitam as regras de convivência… Na literatura o processo é o mesmo, entretanto o escritor tem uma alternativa adicional: ele pode escolher contar/dizer o que os personagens estão pensando. O escritor ou ator pode descrever com detalhes sobre as ansiedades internas, sonhos, padrões de comportamento na infância e vida caseira. Nos tópicos a seguir a autora descrever os modos como é possível caracterizar um personagem utilizando como exemplo a obra “Charlotte’s Web” (em Português, a menina e o porquinho).

2.1 Pelas ações

Ela cita o personagem Templeton como um exemplo de personagem que ações ajudam a definir a natureza dele. Esse personagem em questão tem várias características que suas ações revelam para o leitor, aqui as características são descobertas mediante o comportamento das ações do personagens (grosseira, centrado em si mesmo, etc…)

2.2 Pelo discurso

No livro o personagem se auto caracteriza por ele diz, mostra-se sendo cínico e egoísta, ressentido sobre qualquer tipo de intrusão aos seus propósitos.

2.3 Pela aparência

O personagem Gluttony (o rato) tem muitas características e a aparência dele mostra isso. Há uma série de situações na história em que há modificações corporais nele… Ele tem um grande apetite, cresce mais gordo e maior do que qualquer outro rato conhecido. Neste tópico a autora nos ajuda a identificar nos personagens a partir da aparência traços da personalidade nas análises de livros.

2.4 Pelos comentários de outras pessoas

Templeton é caracterizado pelo que ele faz, o que ele veste e pela maneira ele parece. Contudo, aprendemos mais sobre ele pelos comentários dos outros ao seu respeito. A autora destaca que esse tipo de abordagem é utilizada por muitos escritores, pois sabe-se que nós conseguimos confiar mais nas pessoas por aquilo que ouvimos sobre elas, e portanto os comentários dos outros nos ajudam a mostram o caráter.

2.5 Pelo comentário do autor

O autor faz comentários como: “ele não tem moral, não tem consciência dos seus atos e ações, não tem qualquer escrúpulos…” E assim, conhecemos o personagem com mais profundidade pelo modo como ele é descrito pelo autor. 

NOTA: A riqueza de descrições sobre o desenvolvimento dos personagens pode ter levado aos autores a escolher essa obra.

União entre o personagem e suas ações

O escritor cria um completo repertório de personagens para a estória (alguns importantes, alguns menores, alguns complexos, alguns relativamente simples) através do uso dessas técnicas e a partir da maneira como reconhecemos essas características nos personagens, nós respondemos para elas. A autora dá um exemplo sobre como escritores conseguem unir as características de um personagem e suas ações em uma narrativa. Ela diz que um exemplo muito usado é quando o personagem começa uma história de um jeito (malvado, cruel, egoísta, mimado, etc) e muda as suas atitudes no final da história, e isto no meu ponto de vista contribuí para que o leitor também possa mudar o seu ponto de vista sobre o personagem (antes odiado e depois amado).

Em outro exemplo extraído da obra “The Ugly Duckling” de Hans Christian Andersen, a construção desse personagem é baseada em suas características e também através de suas ações na medida que as provas e perseguições que ele passa em sua vida para o seu amadurecimento determinam uma mudança pessoal dele e do seu caráter, ou seja, a história identifica a realidade de maturidade.

Outros exemplos citados pela autora são: “Strider” de Beverly Cleary que o personagem principal muda os seus hábitos ao achar um cachorro, Strider e a compartilha-lo com o seu melhor amigo Berry e eles passam a correr com frequência, e neste processo ele deixa de ser tão sedentário, faz novos amigos e fica mais feliz com si mesmo. Outro exemplo citado é “Like Jack and me” de Mavis Jukes em que um personagem que tem medo de tudo mas a relação com Alex faz com que ele amadureça em alguns sentidos. E continua dando outros exemplos…

Tipos de personagens

Neste tópico a autora destaca que há muitos termos que descrevem os níveis de desenvolvimento de personagens. Os principais tipos são:

1. “Personagem completo”: É aquele que nós o conhecemos bem, que tem uma variedade de características que faz ele ou ela credível. Como uma pessoa real, este tipo de personagem pode nos surpreender ou responder de modo impetuoso (ou precipitado).
2. “Personagem raso”: É menos desenvolvido e tem menos características (detalhes).
3.“Personagem dinâmico”: É um personagem completo que muda suas características ao longo da história.
4.“Personagem estático”: Apesar deste tipo apresentar credibilidade, ele não muda no curso da história. Estes personagens são essenciais para a história, mas eles não são bem desenvolvidos e não parecem existir como um individual ser humano. Quando um personagem tem poucas características que não o distinguem de um grupo de pessoa, ele pode ser chamado de estereótipo. Outro termo utilizado pela autora é “personagem frustrado”, um personagem que tem poucas características em contraste ao personagem principal, o que favorece ao principal. Estes personagens dão poucas contribuições para se conhecer os seres humanos.

Avaliando personagens na literatura Infantil

Neste tópico a autora destaca alguns aspectos que podem ser avaliados na literatura infantil sobre personagens:

  • Literatura Tradicional: Há muitos tipos de personagem na literatura tradicional que apresentam uma variedade de características e ações.
  • Realismo Animal: São aquelas obras em que os animais ganham características humanas. Algumas críticas são feitas a este tipo de abordagem argumentando a existência de uma concepção antropocêntrica do homem sobre os animais. Ela cita Burnford que desenvolveu os seus personagens primeiramente a partir da observação, e depois descreveu aquilo que ela acredita-se que eles são.
  • Ficção Científica: Atualmente há uma grande preocupação com o desenvolvimento dos personagens, de uma realidade subjetiva, e para a sutileza na linguagem.
  • Clássicos: São livros que continuam a ser lidos independente das gerações, são livros com personagens sólidos e memoráveis (Peter Pan, Os três porquinhos, etc.) e que fazem uma contribuição significante na exploração de características dos seres humanos.

A autora concluí o seu texto destacando que tanto na vida quando nos livros, as crianças podem perceber diferenças nos seres humanos e elas são capazes de reconhecer e responder aos personagens bem desenvolvidos e que até mesmo nas mais simples histórias é possível achar personagens que parecem ser partes da natureza humana, e se isso ajuda as crianças, é preciso investir mais nisso.

O livro Charlotte’s Web está disponível em .pdf aqui.

Confie em seu próprio coração, escreva sua própria história e lute em torno disso!

Publicado em inglês aqui.

QUERIDA MADAME PRESIDENTE 
Uma carta aberta para as mulheres que querem dominar o Mundo. Por Jennifer Palmieri. 180 pp. Grand Central Publishing. $20 (sem previsão de lançamento no Brasil).

Não muito tempo depois de Hilary Clinton inesperadamente perder para Donald J. Trump, a diretora das comunicações de sua campanha, Jennifer Palmieri, investiu seu tempo em torno da ideia de um livro. “Eu fui advertida que se eu não tenho algo polêmico/picante para compartilhar sobre Hillary, isto não será interessante para mim”, ela escreve em “Querida Madame President: uma carta aberta para as mulheres que querem dominar o mundo.” Mas, ela adicionou algo, utilizando uma descrição frequente que Clinton faz dela mesma, “não há qualquer coisa picante sobre Hilary porque ela é uma pessoa simples e séria”.

Em qualquer outro ano de eleição, um livro de conselhos vindo do lado de uma funcionária de alto escalão que atuou na campanha oficial da candidata perdedora não deve ser muito lucrativo. Mas 2016 não foi um ano eleitoral e, como se vê Palmieri tem muita sabedoria para dispensar qualquer pequeno boato sobre Clinton.

Neste volume fino, Palmieri descreve ordenadamente uma história pessoal dela de cortar o coração sobre a morte da irmã dela (portadora de Síndrome de Alzheimer) semanas depois de perder as eleições com lições aprendidas vindo dela em sua longa carreira no Partido Democrático e muita sabedoria e sabedoria ao estilo de Mitch Albom (“Quando o inimaginável acontece qualquer coisa pode ser possível”). Palmieri tinha sido diretora de comunicação do Presidente Obama na Casa Branca quando ela aceitou entrar na campanha de Clinton. Ela (como a maioria de nós) pensou que Clinton poderia vencer e não pensava que ser mulher pudesse ser um obstáculo, especialmente depois que Obama quebrou barreiras raciais. 

Clinton advertiu Palmieri do contrário. Antes da campanha começar, Clinton, “aguentou mais do que uma hora” para recapitular cada escândalo, como o alvoroço causado no Arkansas quando ela resistiu em levar o nome de Bill Clinton para a Casa Branca em sua fracassada campanha presidencial de 2008 em que era favorita, mas perdeu nas primárias do Partido Democrata para Obama. “Ela estava desnorteada, assim como qualquer um pelo fenômeno de Hillary Clinton,” Palmieri escreve.

Avancemos para o dia após as eleições de novembro e Palmieri começou a ver quase tudo sobre a percepção pública de Clinton através do prisma do gênero. Ela se irrita com os apoiadores que perguntaram a ela porque Clinton não teve estrutura emocional para atingir os objetivos do seu discurso de concessão durante a campanha. “Sim, eu tenho certeza que você amou o seu discurso de concessão”, eu pensei. “Por que isto é o que você pensa que é aceitável para uma mulher fazer – admite. 

Em meio a um dilúvio de fofocas contadas por agentes políticos (ou o que os repórteres desabafaram), Palmieri merece crédito por transformar sua história em algo que visa inspirar mudanças positivas – ou pelo menos fazer um presente perfeito para o corpo de estudantes da presidente em sua vida. O livro está enraizado em uma recente tradição e cartas abertas por autoras femininas mais notáveis como Chimamanda Ngozi Adichie’s “Dear Ijeawele, ou A Feminist Manifesto in Fifteen Suggestions.” Mas a auto-ajuda do adesivo de Palmieri pode oferecer para o leitor de uma história atraente.

Palmieri tem estado no centro das panelas de pressão de Whitewater para os hacks russos e pegou conselhos que poderiam beneficiar qualquer mulher (mesmo sem as ambições da West Wing). Ela tem muitas anedotas vívidas: a época em que Obama a encorajou em uma reunião no Salão Oval para parar de se estressar sobre “algum artigo idiota de cunho político”, ou na época em que Clinton insistiu que todos comprassem sorvete para animar seu assessor Huma Abedin depois que a F.B.I. encontrou novos e-mails no computador de seu marido, Anthony Weiner. Por que molhá-los com pablum como: “Confie mais no que seu coração do que no dizem para fazer em sua cabeça”, ou “Se você quer continuar lutando, você nunca será derrotado”?

Palmieri, que trabalhou nas corridas presidenciais de John Edwards, dedica tempo ao resgate da esposa dele, Elizabeth Edwards. Eles negociam em T. J. Maxx e comem em um Sonic Drive-In, o que é algo animador desde que Elizabeth Edwards, que morreu de câncer em 2010, havia sido espetada pela imprensa política, com uma reviravolta memorável em “Game Change”, um livro sobre a campanha de 2008 escrito por Mark Halperin e John Heilemann.

É por este motivo que Palmieri diz que decidiu dar 17 horas de entrevistas a Heilemann para seu livro planejado com Halperin sobre a eleição de 2016. Não importa se esta passagem aparece em uma seção do livro que ensina as mulheres jovens “Não procure o seu papel em sua história – Escreva o seu próprio.” Se você não pode escrever a história, pelo menos, ajude a fazer com que ela seja conduzida. (A Penguin Press cancelou o livro em meio a alegações de má conduta sexual contra Halperin.)

Afiliações políticas à parte, é impossível não gostar e ter empatia por Palmieri, especialmente quando ela escreve sobre a dificuldade que Hilary enfrentou ao ter que equilibrar o fim da campanha mais violenta (em níveis de ofensas e ataques pessoais aos candidatos) da história americana com a notícia de que sua irmã Dana poderia morrer a qualquer momento de início precoce do Alzheimer. Quando a campanha chega ao fim e muitas coisas parecem estar indo contra a direção de Clinton, Palmieri não consegue se livrar de uma sensação desconfortável.

“Foi difícil para ela conseguir separar seus problemas pessoais, como a morte de Dana e tudo o que foi causado pelo fim da campanha”, escreve ela.

Minimalismo – um documentário sobre as coisas que são importantes

Quando comecei a desapegar das coisas que acumulei durante toda a vida comecei a ver o que importa…

Procurando algo para assistir na interminável lista de programas, séries, filmes e documentários na Netflix me deparei com um de título “Minimalistic”, produzido em 2016, que no primeiro momento imaginei que se tratasse apenas de tendências de decoração de ambientes (muito em alta nos últimos 3 anos) especialmente divulgadas no Instagram, no Tumblr e por meio de Youtubers.

O documentário começa analisando as diferentes facetas do consumo em larga escala e um dos participantes que deu depoimento chegou a seguinte conclusão: “Compramos muitas coisas e por isso precisamos de muito espaço. O que acontece é que temos espaço sobrando e somos influenciados a ocupá-los com mais coisas e mais coisas que não precisamos. Isto é como uma prisão, pois não conseguimos nos mover com facilidade, por que as coisas nos prendem aos lugares.”

De fato, mais do que uma simples tendência, o “minimal”, que vem de uma escola de pintura abstrata que vê num quadro um objeto estruturado, composto basicamente de formas geométricas elementares executadas em estilo impessoal, reduzindo ao mínimo seus elementos  se apresenta no filme como uma filosofia de vida bastante interessante que se conecta à vários segmentos do budismo e outras filosofias e movimentos estéticos e arquitetônicos, como o das tiny houses.

Depois que me divorciei percebi que acumular muitos objetos ao longo da vida pode ser algo que pode atrapalhar a flexibilidade e a mobilidade. Dentre as várias mudanças que fiz, acabei perdendo muitos objetos pessoais, alguns de valor sentimental, como livros e roupas que ganhei ou comprei em viagens e isso meio que mexe conosco. As coisas possuem sentido e significado em nossas vidas e isso hoje tem sido muito forte para mim. Por outro lado, desapegar de muitas coisas abriu espaço para o vazio e neste vazio consigo pensar em novas possibilidades e experimentações que podem ser muito boas e trazer renovação e novas esperanças. 

Eu por exemplo sou daquelas que adoro comprar objetos de decoração e guardar aquelas lembrancinhas de festas e de eventos na estante. E assim, as coisas vão acumulando, mas ao desapegar de livros, móveis, roupas e objetos há espaço. E neste espaço eu posso refletir muito antes de preenchê-lo com novas coisas. Posso pensar sobre cada uma delas, pois o espaço que elas ocupam numa casa deve refletir um processo de pensamento e construção dentro de mim mesma do lugar para elas. 

No documentário alguém disse “não queremos apenas coisas, queremos o que as coisas trazem para nós”. Eu acrescentaria: “queremos que as coisas façam sentido para nós e depois ocupem espaço. Um sentido que vá além do utilitarismo de um objeto, uma roupa, um móvel ou um livro que li uma vez e guardei para nunca mais pegá-lo novamente”. 

Além de proporcionar esse tipo de reflexão sobre nossa relação com o consumo e os objetos, o documentário apresenta exemplos de pessoas que tomaram decisões radicais em suas vidas. Um ex-corretor de Wall Street mencionou ter passado muitos anos lutando arduamente para chegar ao topo com toda a garra que existe. Assim como outros, percebeu que muitas pessoas bem-sucedidas não eram felizes e desperdiçavam os melhores anos das suas vidas. E decidiu que iria tentar ser bem sucedido e também feliz. O que ele fez? Decidiu parar tudo que fazia, criou um blog, se livrou de boa parte das coisas que comprou e decidiu viajar procurando a felicidade. Eu queria ter este tipo de coragem e admiro muito quem faz. 

Meu processo com relação as coisas e o meu modo de comprar tem sido bem personalizado e adaptado ao tipo de vida que levo hoje. Cada pessoa o faz do seu próprio modo e assim vamos nos transformando nessa dança de desapega-adquire-novas-coisas-repensa-desiste-insiste. 

E ah, algo importante… Muito importante mesmo para quem não entendeu ainda o que significa ser minimalista.

Outra pessoa contou algo que muito me lembrou de como tenho vivido nos últimos meses depois que tive minha mala furtada de um hostel (não vou dizer qual por que eles foram super atenciosos e fizeram o possível para descobrir o que houve, sem muito sucesso). Depois que perdi todas as minhas roupas, fiquei com umas 8 ou 9 peças e sem dinheiro para gastar com isso, pois outras coisas para sobrevivência era mais importante. 

Voltando para o documentário,  Courtney Carver, uma americana que passou por uma situação semelhante (excluindo a parte do roubo made in Brazil) criou o projeto 333 – Simple is the new black), que consistiu em passar 3 meses utilizando apenas 33 itens de roupas, posando no instagram, postando em seu blog e ainda ganhando likes como qualquer outra fashionista que compra horrores e tem aqueles armários explodindo de tantas peças maravilhosas. 

O que ela revelou é tudo aquilo que já sabemos, mas não conseguimos acreditar frente às pressões sociais: NINGUÉM LIGA! É isso mesmo, viver com apenas 33 peças de roupas e ninguém se importa. O segredo para o sucesso? Peças de cores neutras e variadas (jeans, camisetas, casacos, camisa longa, suéteres. moletons e muitas peças pretas e cores que combinam bem). Com isso ela mostrou que é possível se vestir bem e adequadamente sem gastar muito e ter mais espaço para outras coisas ou dividi-lo com outras pessoas.

Em matéria para o “Review Slow Living” a autora do projeto foi além:

Ela não fazia ideia é que milhares de leitores também incorporariam esse desafio minimalista! Agora, já adepta do “slow fashion lifestyle” há quatro anos, ela também viaja com poucos itens na mala e acredita que o projeto tenha mudado não só sua bagagem, mas também sua visão de mundo

Por causa do sucesso do desafio, ela criou uma espécie de guia com algumas dicas para ajudar as pessoas que gostariam de reduzir as peças do seu armário e pensar em formas mais criativas de utilizar suas peças de roupas.

Princípios básicos:

Quando? A cada três meses. Nunca é tarde demais para começar, você pode aderir a qualquer momento.

O que? 33 peças, incluindo roupas, acessórios, jóias, vestuário e calçados.

O que não? esses itens não são contados como parte dos 33 – anel de casamento ou outra jóia sentimental que você nunca tira, lingeries, pijamas, roupa para ficar em em casa e de ginástica.

Como? ao escolher suas peças, guarde o resto de suas roupas, deixe tudo fora de vista e de alcance.

O que mais? considere que você está criando um guarda roupa em que você pode viver, trabalhar e se divertir/sair, por três meses. Lembre-se que este não é um projeto de sofrimento, se suas roupas não servem mais por algum motivo, ou estão em mau estado, substitua-as, sem complicações.

Dicas Bônus

– Use a primeira semana para se ajeitar e adaptar sua seleção de roupas. Também aproveite para doar algumas pecas, caso perceba que existem coisas fora de uso.

– Escolha três peças adicionais e deixe-as separadas em seu armário, para substituir por outras da sua seleção 33.

– Você pode trocar roupas com outras pessoas que participam do Projeto 333. É só postar os itens na página do facebook e se conectar com quem também escolheu participar e viver com menos roupas.

Acima de tudo:

Ainda mais importante do que escolher as roupas, é ser honesto e incluir apenas as que estão em bom estado e que podem ser coordenadas entre si. A autora gosta de frisar que esse não é um projeto para envolver frustração e nem sacrifício, ela só espera que o Projeto 333 traga alegria e leveza e uma maior consciência sobre a quantidade de roupas que a gente realmente precisa para viver bem.

O autor de “Life Edited” compartilhou ideias interessantes para organizar e desenvolver suas vida para incluir mais dinheiro, saúde e felicidade e com menos coisas, espaço e consumo de energia. Uma delas é de como transformar espaços pequenos em ambientes agradáveis e magicamente “mais espaçosos” e funcionais, nem que seja só aparente (para ser bem sincera, ter que desmontar a cama todos os dias é algo meio desconfortável para mim). Tudo muito limpo, com cores neutras e mobiliário simples, que pode ser comprado em qualquer loja de móveis. A parte tecnológica me pareceu interessante, com o uso de aplicativos para regular cortinas, abrir portas e outras funções: misturar a simplicidade, organização, espaços pequenos e internet das coisas me parece uma tendência que veio para ficar. 

Para os mais conservadores, este tipo de movimento parece coisa de radicais (os autores do documentário relataram ter sido comparados com ativistas veganos) sendo acusados de serem uma “ameaça ao sistema” que fortemente incentiva o consumo em larga escala. No começo do movimento só algumas pessoas se interessaram, mas é assim que surgem as boas ideias. Eu penso algo, compartilho com uma ou duas pessoas que fazem isso em suas casas e compartilham suas experiências e isto vai se multiplicando para um maior número de pessoas e de repente… Vira uma tendência de estilo e filosofia de vida. 

Em depoimento emocionante, um participante disse: “quando aderi a esta filosofia comecei a pensar coisas como – quero ter um apartamento do meu jeito. Mas como é o meu jeito? Como este quadro define o meu jeito grosseiro, honesto e complicado de ser? Como esta cafeteira demonstra o homem que eu sou? Do que mais eu preciso para me sentir satisfeito?”

O Minimalismo enquanto filosofia de vida te ajuda a refletir sobre como as coisas podem dizer ao nosso respeito e isso nos ajuda a realizar melhores escolhas e compras conscientes. Então após passarmos por aquele momento de tirar tudo do armário, vamos recolocando novas peças e novos objetos pensando na utilidade, na estética, no valor emocional e como cada peça fala sobre nós. Como nosso espaço de moradia fala sobre nós mesmos em tempos de “kits de seja-assim-assado” e de pacotes de qualidade e de casas todas iguais, tudo muito igual (afinal, tudo igual é tão chato, não é mesmo?). Sendo assim, o minimalismo nos ajuda nessa busca por uma identidade que se perde no meio de tantas coisas.

Resumindo: Tudo pode ser de outros (pessoas, épocas, lugares, lojas, etc), mas aquela xícara me representa por tal motivo. Resolvido!

E por fim, uma mensagem renovadora sobre a arte de morar bem: “ame as pessoas, use as coisas e nunca ao contrário, porque raramente dá certo”. Dica anotada! 

 

 

 

 

Doze dicas para terminar TCC, dissertação de mestrado e tese de doutorado

 Postagem do blog da Biblioteca Central da UFRGS e estou compartilhando aqui.

Pela primeira vez aqui no blog, resolvi pedir a colaboração de colegas professores. Perguntei quais conselhos eles dariam para ajudar os estudantes a terminar seus trabalhos de conclusão de curso de graduação, dissertações de mestrado e teses de doutorado. O resultado foram doze carinhosas lições e dicas – as seis primeiras seguem abaixo.

Minha gratidão e abraço apertado a Aparecida Fonseca Moraes e Adriana Facina, que colaboram neste post. As fontes estão ao lado de cada citação, mas a responsabilidade pela edição, curadoria e eventuais erros de interpretação é minha.

1. Não esquecer do sonho por trás do trabalho:

A professora Aparecida Fonseca Moraes fez um relato sobre seus tempos de mestrado que me emocionou:

Lembro-me que trabalhava tão arduamente na escrita da dissertação que não tinha interesse nem nas necessidades físicas mais básicas, como dormir ou comer. Uma coisa, porém, me relaxava e oferecia ânimo novo: os poemas e outros escritos de Pablo Neruda. Foi por isso que, até o final do mestrado, me acompanhou uma frase do livro autobiográfico do autor, ‘Confesso que vivi’:

“A intermitência do sonho é que nos permite suportar os dias de trabalho”.

Parafraseando Neruda: confesso que assim sobrevivi. (Aparecida F. Moraes)

Amei a frase! Fui até procurar “intermitência” no dicionário, para ter certeza de que tinha entendido. 😉 Mas depois desencanei, porque o sentido do verso foi o conforto que a Aparecida encontrou para escrever, não esquecendo dos sonhos que a moveram para escrever um trabalho acadêmico.

Achei aqui uma versão inteira do poema de Neruda; e achei aqui vários outros textos e vídeos do poeta para inspirar.

2. Concentrar-se no processo: desligar das redes sociais

Adriana Facina escreveu três conselhos simples e profundos, que me tocaram muito! Desdobrei em quatro para dar destaque a cada passo descrito por ela. O primeiro:

Escrever, especialmente trabalhos de grande monta como dissertações e teses, exige foco, disciplina e um certo desligamento do mundo. Meu conselho número 1 a todas e todos que estão nesse processo é: saia das redes sociais.

Aqui você encontrará problemas políticos que vão te preocupar e te trazer incertezas sobre o futuro, debates estéreis (tretas) nos quais você vai querer opinar e que vão sugar suas energias, um monte de gente aproveitando as férias e lugares maneiros aonde você queria estar, eventos que você gostaria de frequentar etc.

Tudo isso rouba seu tempo e sua capacidade de trabalho. Acredite: nós escrevemos mesmo quando não estamos escrevendo. Ainda que nos momentos em que estamos distantes da tela do computador, nossa cabeça está funcionando no modo escrita, elaborando ideias e formatos que se tornarão textos. É muito importante a gente se concentrar nisso. Se divertir, se distrair é importante, mas procure aquelas atividades que te refazem e reenergizam, não as que desgastam e dispersam. (Adriana Facina)

Nossa, esse conselho vale para a vida, a qualquer momento, não apenas para quem está escrevendo tese, concordam? Eu teria naufragado se tivesse que fazer pós-graduação num mundo com redes sociais.

3. Curtir a escrita

Mais um conselho perfeito da professora Adriana Facina:

[Meu] conselho número 2 é: aproveite a escrita. É difícil. Por vezes, solitário. No entanto, é um processo desafiador, instigante, cujos resultados podem ser muito prazerosos (ainda que dificilmente o processo em si o seja).

Faça bons cafés, beba um drink de cara pro computador se isso te ajudar, ouça música ou prefira o silêncio. É a sua arte. Se dedique a ela. Encontre sentido. É sua escolha. É você se inscrevendo no mundo. É o seu pensar autônomo. Não deixe que nada te roube essa experiência tão forte e especial. (Adriana Facina)

Fiquei tão feliz de ler isso! A Adriana tocou num ponto fundamental para mim. É uma delícia quando a gente consegue engrenar no fluxo da escrita, aquele que desliga os sentidos para o mundo lá fora. Vivo para isso. Taí, inclusive, a razão desse blog existir.

4. Cercar-se de pessoas que te ajudem

A quarta lição, e o conselho número três da Adriana:

Procure ajuda se precisar. Se a relação com orientador não estiver fluindo bem (ou mesmo que esteja, mas que não seja o suficiente pra você), procure amigos, pessoas de confiança afetiva e/ou intelectual, parentes. Peça que leiam. Discuta seu trabalho com elas. Mergulhe nisso. Fique obsessiva. Quanto mais a gente mergulha e vive nosso tema, mais insights de escrita surgem. (Adriana Facina)

Esse trecho me lembrou de uma história. No auge do meu sofrimento no doutorado, com o orientador pressionando para que eu defendesse no prazo mínimo, uma das coisas que mais me ajudou foi dar um telefonema. Liguei para a Myriam Lins de Barros, uma das professoras que iria participar da minha banca, e expliquei como estava me sentindo: cheia de dores, ansiosa e fraca, fisica e emocionalmente. Ainda hoje me lembro da voz dela, calma e serena, me tranquilizando de que não havia qualquer problema em adiar a defesa por quatro meses e que ela se dispunha a ligar para o meu orientador para me dar apoio. Nossa, que bálsamo ouvir aquilo! Foi a partir desse dia que consegui retomar a escrita e seguir em frente. Obter apoio de pessoas significativas, que nos afetam, seja no plano pessoal ou acadêmico, tem um valor imenso na conquista da estabilidade necessária para produzir!

5. Ler autores e livros que te inspirem

A quinta lição, e última parte dos conselhos da Adriana Facina:

Por fim, nas horas de descanso, recomendo que leia textos que inspiram a escrever. A hora da estrela, da Clarice Lispector, tem uma linda introdução falando sobre escrita. Mas existe muita coisa disponível, inclusive um blog bem bacana: https://comoeuescrevo.com/. Isso ajuda no compartilhamento dessa experiência incrível que é escrever. Bom trabalho! (Adriana Facina)

Não sei vocês, mas eu vou procurar o meu exemplar de A hora da estrela. Não lembrava que havia uma introdução sobre escrita nesse livro! Sobre o blog “Como eu escrevo”, estou devendo uma entrevista lá! É um site cheio de escritores e professores contando seus rituais e métodos de escrita.

Também nunca é demais recomendar a leitura dos Anexos de A sociedade de esquina (William Foote Whyte), do apêndice “Algumas reminiscências e reflexões sobre o trabalho de campo” do livro Bruxaria, oráculos e magia entre os Azande (E. Evans-Pritchard), a obra Truques da escrita (Howard S. Becker), além da lista incrível sobre escrita acadêmica compilada pela Eva Scheliga em seu blog …E ETC. *

Claro que, como sugeriu a Adriana Facina, literatura inspira e muito! Meus autores favoritos nessas horas são Mário de Andrade, Eça de Queirós, Virginia Woolf, Oscar Wilde, Anne Lamott, Umberto Eco, Agatha Christie… Na verdade, qualquer texto que me traga bom humor e inspiração já é um grande estímulo!

6. Visualizar a tese pronta

escrevendo tese prontap

Para encerrar as dicas de hoje, retomo a palavra da professora Aparecida Fonseca de Moraes sobre suas memórias de escrita:

Lembrei de outra que adoro contar.  No período de árduo trabalho de escrita da dissertação, meu filho, com mais ou menos dez anos, desenhava esplendidamente e montava algumas estórias em quadrinhos (não foi à toa que acabou trabalhando com cinema).

Bem, um dia chego em casa e encontro um desenho incrível sobre a minha mesa de trabalho. A cena: Um computador grande, como aquele que eu usava para trabalhar, com um personagem ao lado que apertava apenas uma tecla. Do aparelho saíam folhas de um documento onde se lia: “tese pronta”!  Claro que ri muito, mas fiquei imaginando a ansiedade dele para que esse “rival” saísse logo de nossas vidas… rs (Aparecida F. Moraes)

Que delícia de história, que vontade de apertar esse menino nos braços! Queria ter uma super memória para me lembrar de todas as situações desse tipo que já me contaram. Se vocês souberem de alguma, escrevam nos comentários por favor! No meu caso, só tive filhos depois de terminar o doutorado… Por isso, a marca do excesso de trabalho não ficou tão forte nas crianças. Para todos que estão escrevendo: lembrem da delícia que será cumprir as promessas sobre a vida pós-tese que vocês estão fazendo para os amores e família!

[Continua na Parte 2 aqui.]

 Kuschnir, Karina. 2018. “Doze dicas para terminar TCC, dissertação de mestrado e tese de doutorado (Parte 1)”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3Cz. Acesso em [14/04/2018].

(Evento online e ao vivo): A Literatura Infantil no Século XXI

Descrição extraída da divulgação aqui:

“Você é nosso convidado para um bate-papo com grandes nomes da literatura infanto-juvenil como Ana Maria Machado, Ilan Brenman, Ricardo Azevedo, Lourdes Atié e Marcos Ribeiro.”

Sobre o evento:

A todo momento, encontramos polêmicas nas redes sociais e alguns pais consideram esses temas inadequados para as crianças. Entendemos que debater determinados assuntos faz parte da formação dos pequenos, por isso, nossa principal ideia é falar sobre esses conteúdos. Esperamos por você!