Curso de Pós-Graduação A vez e a voz das crianças: A arte de escutar e conhecer narrativas, linguagens e culturas infantis

Síntese da proposta: Este curso propõe aprofundar em uma temática atual e prioritária – narrativas, linguagens e culturas infantis -, a partir de uma proposta integrada de saberes. Voltado para aqueles que têm profunda preocupação e compromisso com a vida das crianças contemporâneas, aponta possibilidades éticas e poéticas de escutar e conhecer crianças nos mais diversos contextos, a partir das suas próprias vozes, expressões artísticas, lúdico-criativas, poéticas, corporais e musicais. A antropóloga e educadora Adriana Friedmann tem uma longa trajetória no desenvolvimento de cursos e pesquisas na área da infância e vem propor, com esta pós-graduação, a formação de especialistas, caminhos de escuta, pesquisas e aprendizagens a partir das vozes e expressões infantis.

INSCRIÇÕES: de 8/5 a 22/6/2018.

​​ENTREVISTAS COM AS/OS INSCRITAS/OS: de 25 a 30/6/2018 (em horário e dia previamente acordado com a/o candidata/o).

MATRÍCULAS ON LINE:  de 2 a 5/7/2018.

INÍCIO DAS AULAS: 25 de agosto de 2018 (sábado).

Mais informações aqui.

Eventos: III Congresso Brasileiro de Psicologia Positiva

Realização: Associação Brasileira de Psicologia Positiva (RS/BR)

Período: 26 a 29 de junho de 2018

Local: Universidade Presbiteriana Mackenzie – Rua da Consolação, 920 – São Paulo, SP/BR

Fone: (51) 3019.2444

Informações: atendimento@aconteceeventos.com.br

Eventos: Atelier de Fotografia para Documentação Pedagógica

De 14 a 16 de junho de 2018 a Escola de Professores Inquietos do Colégio Farroupilha (RS/BR) oferece um atelier de fotografia para Documentação Pedagógica que será ministrado por André Carrieri, mestre em Linguagem e Educação (FE/USP), professor de Pedagogia e Jornalismo e consultor de Documentação Pedagógica em parceria com ONGs, secretarias de estado e instituições escolares.

De acordo com as informações divulgadas no site oficial da Escola, o curso está organizado com a duração de 15 horas e oferece duas atividades práticas: uma saída fotográfica ao Mercado Público de Porto Alegre e o tratamento de imagens com aplicativos digitais. O investimento é de R$ 440,00. O valor pode ser pago à vista ou em duas vezes sem juros.

Local: Colégio Farroupilha – Sala dos Professores Inquietos – Rua Carlos Huber, 425 – Porto Alegre, RS/BR

Fone: (51) 3455.1854 ou 3455.1878

Informações: http://professoresinquietos.com.br/noticias/see/4331 – inquietos@colegiofarroupilha.com.br

Lançando uma revolução no acesso às ferramentas científicas

Texto original publicado no blog da Ciência Aberta.

Comunidade global envolvendo mais de 30 países clama pelo acesso livre ao hardware científico.

Mais de 100 cientistas, engenheiros, educadores, empreendedores e agentes comunitários de 30 países publicaram um relatório que descreve os passos necessários para facilitar o acesso ao hardware utilizado para fins científicos até 2025 com base em design aberto, desenvolvimento colaborativo e novas técnicas de fabricação.

Global Open Science Hardware Roadmap

O grupo, que se reuniu no CERN, em Genebra, e na Pontifícia Universidade Católica do Chile, em Santiago em 2017, argumenta que muito poucas pessoas tem acesso às ferramentas necessárias para a prática científica, particularmente os pesquisadores em países em desenvolvimento e grupos comunitários que necessitam coletar e analisar dados sobre o seu ambiente. De microscópios à microfluidos e estações de monitoramento de água, eles fazem parte de um movimento crescente de compartilhamento online de projetos abertos os quais qualquer pessoa pode livremente utilizar, modificar e até mesmo comercializar. O grupo responsável por este documento sugere que este enfoque pode reduzir drasticamente os custos de pesquisa ao permitir maior colaboração e formas de aprender de novas maneiras. “Nosso projeto,” afirma um dos autores Dr Luis Felipe R. Murillo do Instituto Ciência, Inovação e Sociedade da França, “é sustentado pelo objetivo compartilhado de criar conhecimento comum através da participação pública direta em ciência e tecnologia. Não se trata de uma crítica apartada, mas de uma forma de engajamento prático”.

Os autores e as autoras do Global Science Hardware Roadmap descrevem os passos que acreditam serem necessários para ajudar a esta comunidade avançar, incluindo maior apoio institucional das universidades e centros de pesquisa, fontes de financiamento e governos que preferem os inventores apliquem patentes sobre suas invenções de hardware. A Dr. Max Liborion, colaboradora do documento, relata em um artigo acadêmico recente as suas tentativas de assegurar que o seu dispositivo de baixo custo para amostragem de contaminação por micro-plásticos seja livremente acessível para as comunidades indígenas do Noroeste do Canadá com as quais trabalha. Muitos outros também defendem que o livre compartilhamento é compatível com a venda de produtos e pode, de fato, criar novas oportunidades para empreendedores. Jorge Appiah, um engenheiro e inovador que fundou o makerspace Kumasi Hive em Ghana, acredita que o livre compartilhamento reduz os custos do empreendedorismo no contexto Africano e viabiliza “a rápida escala de soluções de impacto com a localização das inovações, suas aplicações e avanços incrementais”. Esta abordagem é adotada por mais de quinze startups que estão produzindo hardware aberto e livre para ciência.

O relatório também defende a necessidade de assegurar o controle de qualidade e o cumprimento de padrões, particularmente importante para garantir a reprodutibilidade da pesquisa científica, uma preocupação crescente nos últimos anos. Licenciamento, documentação de alta qualidade e aspectos sociais e éticos da prática científica também são abordados. “As ferramentas científicas não são peças de tecnologia esotéricas e entediantes que não possuem conexão com a nossa vida cotidiana. Quem as utiliza, como elas são utilizadas e os resultados obtidos podem afetar no desenvolvimento de novos medicamentos, respostas à desastres ambientais e para educar a próxima geração de cientistas e tecnologistas: precisamos adotar uma perspectiva mais ampla” afirma Dr. Jenny Molloy da Universidade de Cambridge.

As comunidades que usam e desenvolvem hardware aberto são mais amplas do que se acredita. O documento apresenta projetos acadêmicos tais como “White Rabbit”, uma tecnologia aberta desenvolvida no CERN que tem o trabalho difícil de assegurar precisão de sub nanosegundo nas transferências de dados do acelerador de partículas, LHC e o OpenFlexure Scope, um microscópio criado por impressão 3D que usa uma câmera de baixo custo com Raspberry PI e que recentemente recebeu o “Grand Challenges Research Fund” do Governo do Reino Unido.

Hardware científico aberto é também utilizado pela população em projetos de ciência comunitária: Rede InfoAmazonia é um projeto que trabalha com uma rede de comunidades brasileiras para construir sensores de qualidade de água e enviar alertas de contaminação via SMS, enquanto projetos como EnviroMap e UTBiome mapeiam ecologia microbiana e dados ambientais com comunidades locais em Austin, Texas. Public Lab, uma organização sem fins lucrativos dos Estados Unidos, reuniu cidadãos para mapear o derramamento de óleo no golfo do México (também conhecido pelo nome em Inglês: “Deep Horizon Oil Spill”) em 2010 e continua a trabalhar ao redor do mundo com comunidades locais que sofrem com contaminação industrial usando kits de baixo custo e livre acesso que são aprimorados por voluntários.

Existem esforços para disseminar os benefícios de hardware aberto e livre globalmente. O Centro de Tecnologia Acadêmica do Instituto de Física da UFRGS, por exemplo, explora o potencial de Hardware Científico Aberto em atividades de extensão assim como para educação de engenheiros e em ciências. Rafael Pezzi, coordenador do CTA e co-autor do documento, enfatiza que existe um grande potencial para ser explorado no Hardware Científico Aberto desde o ensino médio até o universitário: “pode ser visto como uma plataforma de atividades práticas e colaborativas para alunos de engenharia”. O projeto TReND África tem conduzido oficinas para pesquisadores africanos sobre como construir suas próprias impressoras 3D e seus próprios equipamentos de laboratório por uma fração de até 1% do custo das alternativas comerciais, garantindo controle sobre os instrumentos e os desenhos de pesquisa. A atividade no continente Africano aumentará substancialmente com o primeiro Africa Open Science and Hardware Summit que irá ocorrer em Ghana em 2018. Hardware para ciência aberta é uma ferramenta poderosa para reduzir o hiato entre teoria e prática no ensino médio Africano, mas devemos tomar cuidado com o neocolonialismo gerado pela tecnologia” pondera o co-organizador do evento e autor do documento Thomas Herve Mboa Nkoudou, que é o presidente da Associação para a Promoção de Ciência Aberta no Haiti e África (APSOHA – Association for the Promotion of Open Science in Haiti and Africa).

Ao lançar este chamado em busca de apoio, o grupo planeja continuar a seguir os seus planos de ampliar sua comunidade e o alcance e distribuição de hardware aberto através do Encontro Hardware Científico Aberto (GOSH) em 2018 em Shenzhen, China, declarada como “cidade criativa” de acordo com a UNESCO e que tem sido descrita como o “Silicon Valley” do hardware.

Nota para editores:

Para mais informações contate Shannon Dosemagen, Luis Felipe Murillo, Jenny Molloy e Rafael Peretti Pezzi através do email: roadmap (arroba) openhardware.science

Materiais educacionais comprados pelo MEC terão licença Creative Commons

Pela primeira vez na história, edital do Programa Nacional de Livro Didático (PNLD) pede licença Creative Commons para obras digitais complementares aos livros do professor que serão adquiridos para o ano letivo de 2019 

 

Seguindo o anúncio em audiência pública no final de junho, o Ministério da Educação (MEC) acaba de divulgar o edital 2019 do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) que traz, pela primeira vez na história da iniciativa, uma cláusula que determina o uso de licença Creative Commons Atribuição-Não Comercial (CC-BY-NC) para o material digital complementar que integra o livro do professor. Trata-se de mais um avanço significativo do Brasil — como parte do movimento global de Educação Aberta (EA) e de Recursos Educacionais Abertos (REA)— que, desde 2011, vem estabelecendo propostas normativas e ações concretas de gestão em torno do tema.

O ano de 2017 foi intitulado  “Year of Open” (Ano da Abertura), marco de uma série de documentos e recomendações que foram lançados nos últimos cinco anos, como as  declarações UNESCO de Paris 2012 e Qindao 2015 que orientam os governos dos países a promover o uso de licenças abertas para recursos educacionais adquiridos com fundos públicos. No mês de setembro, a UNESCO realiza o 2º Congresso Mundial de REA, na Eslovênia, que vai reunir líderes e estadistas do mundo todo, posicionando REA como um dos pilares para uma Educação de Qualidade, prevista no Objetivo 4 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável Organização das Nações Unidas – ONU. Para compreender o conceito de REA, assista ao vídeo.

PNLD 2019 – algumas considerações 

Como é um processo bastante novo, algumas editoras podem ter dúvidas sobre o que significa disponibilizar um material em licença Creative Commons (CC). No entanto, o procedimento é bem simples. As licenças foram criadas para facilitar a cultura de produção e compartilhamento de obras, cada vez mais comum na internet.  O edital do PNLD 2019 pede que os materiais complementares, integrantes do livro do professor, estejam em licença CC-BY-NC, isto é, que possam ser disponibilizados para uso, reuso, distribuição e adaptação, desde que se atribua o crédito ao autor e que os recursos não sejam usados comercialmente.

Matéria do Publishnews sobre o assunto traz um comentário de uma editora afirmando que os materiais agora ficarão mais caros porque será preciso “comprar licenças abertas” do autor ou que a qualidade vai cair porque “terão de usar conteúdos que estejam em domínio público”.

Contribuímos aqui para esclarecer esses dois pontos:

1 – Sobre os materiais ficarem mais caros, já que a editora vai ter que comprar licença aberta

Não necessariamente. Segundo o item “Habilitação” do edital:

12.1.3 As obras, se habilitadas na forma deste edital, somente serão adquiridas, produzidas e entregues se o editor comprovar, por meio documental, que detém com exclusividade o direito patrimonial para comercializar e produzir a obra no mercado.

Isso significa que, antes de enviar o material para o processo de análise pelo MEC, a editora deve comprovar que detém o direito patrimonial da obra (por completo, mesmo para os itens que não serão licenciadas abertamente), ou seja, precisa apresentar o contrato de cessão total assinado pelo autor, só assim uma editora detém os direitos patrimoniais de uma obra.

A questão do preço é bastante flexível, o edital prevê, em “Negociação“, a possibilidade de cessão dos direitos patrimoniais ao FNDE, o que pode gerar vantagens para ambos os lados:

13.4 Para a negociação de preços, o editor terá a opção de fazer a cessão dos direitos autorais patrimoniais da obra ao FNDE, que passará a disponibilizá-la no PNLD como licença aberta do tipo Creative Commons – Atribuição não comercial CC BY NC.


2 – Sobre a qualidade das publicações cair, pois será preciso buscar conteúdos em domínio público

Há um certo preconceito embutido nessa ponderação. Estar em domínio público não significa ser de baixa qualidade. Domínio público é uma condição jurídica que se consolida após 70 anos da morte do autor; no caso de fotografias ou obras audiovisuais, o prazo também é de 70 anos, porém contado da data de divulgação da obra. Pensemos, por exemplo, em Machado de Assis, cuja obra inteira já está em domínio público, e é possível criar materiais diversos e criativos em formato multimídia com elementos do conteúdo da obra.

Além do domínio público, há a possibilidade de usar materiais disponíveis em licença CC BY ou CC BY NC. Existem alguns repositórios específicos com materiais em licença aberta, por exemplo, para imagens, como EuropeanaPixabay; para áudios, como CC MixterFreeSound; para conteúdo, existem vários projetos que utilizam licença CC, o Porvir, o Ciensação, o Matemática Multimídia e até os materiais da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo. Em breve, o Iniciativa Educação Aberta vai lançar uma plataforma para referenciar somente recursos com licença aberta, categorizados por área do conhecimento e tipo de mídia. Trata-se da plataforma RE-li-A, cuja campanha de financiamento coletivo está no site Catarse, contribua aqui.

Vale a pena, ainda, explicar aos autores que vão elaborar novos conteúdos didáticos, em qualquer formato, que suas obras serão destinadas para contribuir com a qualidade da educação nas redes públicas brasileiras e que a licença CC BY NC indicada no edital, além de incentivar a autonomia dos educadores para usos diversos e adaptações, garante que tais materiais não poderão ser comercializados. Preparamos uma ferramenta que auxilia a verificação de compatibilidade de licenças, clique aqui.

De toda forma, não existe a possibilidade de não haver qualidade no material, pois em “Das características da obra”, vemos que a aprovação pelo MEC diz respeito à obra como um todo.

2.1.4.4 O material digital será submetido às regras de avaliação deste edital, condicionando a aprovação da obra.

Breve histórico de EA e REA no Brasil 

Os trabalhos de advocacy em torno da causa no Brasil no âmbito legislativo e executivo vinham sendo desenvolvidos desde 2010 pelo Instituto Educadigital por meio do projeto REA.br, que integra hoje a Iniciativa Educação Aberta, realizada em parceria com a Cátedra UNESCO de Educação Aberta sediada no NIED/UNICAMP. De 2011 a 2014, os principais resultados em relação a propostas normativas foram:

Em 2015, após a realização do Seminário Internacional de REA na Câmara dos Deputados, ação articulada pelo Instituto Educadigital junto às Comissões de Educação e de Cultura, com o relato de experiências de pesquisadores e gestores públicos dos EUA e da Eslováquia que estiveram presentes, uma série de demandas concretas por parte dos gestores/servidores do executivo da pasta de Educação começaram a surgir. Vale destacar aqui a CAPES, cuja Diretoria de Educação a Distância é pioneira em estabelecer uma política institucional de REA, envolvendo a criação de documentos e normas internas. Em seguida ao Seminário, a CAPES solicitou ao Instituto Educadigital uma formação interna para a equipe de gestores com o objetivo de elencar estratégias de disseminação de EA e REA para o Programa Universidade Aberta do Brasil (UAB).

Em 2016, vale destacar a presença do MEC no 1º OER Policy Forum, para participar das discussões internacionais sobre política pública de REA e que teve como resultado a criação de uma Portaria do MEC  sobre procedimentos de recepção, avaliação e distribuição de recursos educacionais digitais abertos e gratuitos.

Outras ocorrências importantes de 2016 para EA/REA:

  • Concepção e elaboração de curso sobre REA pela Iniciativa Educação Aberta para Instituições de Ensino Superior participantes da UAB – lançamento em fevereiro de 2018
  • Open Government Partnership (OGP-Brasil) reúne governo e sociedade civil para cocriação do Compromisso #6 do 3º Plano de Ação Brasil que visa estabelecer novos modelos para avaliação, aquisição, fomento e distribuição de recursos educacionais digitais, priorizando “autonomia para uso, reuso e adaptação”, ou seja, recursos abertos, cuja responsabilidade pela execução é do MEC;
  • CNE/CES publica Resolução nº1, de 11 de março de 2016, determinando a disponibilização de cursos de educação superior a distância como REA;

Em 2017, além do edital do PNLD 2019, temos a execução do compromisso #6 do OGP pelo MEC, que envolve o lançamento de uma plataforma integrada de recursos digitais do acervo MEC e também publicadas por usuários, sempre com indicação de licenças abertas. Além disso, um GT (Grupo de Trabalho) sobre REA acaba de ser criado para planejar estratégias de implementação de uma política institucional, tendo como referência a CAPES e a Fiocruz, saiba mais aqui.

Veja mais em nossa Linha do Tempo.

Atualizações: novos estudos e novidades

Após meses de estudos sobre Maria Deraismes, fundadora do “LE DROIT HUMAIN” – OMMILDH sediada em Paris, em que eu aprendi muito sobre a relevância de se discutir, reafirmar e defender os direitos humanos e universais especialmente das mulheres e demais grupos em situação de vulnerabilidade social e de se lutar para que as mulheres consigam estar em lugares em que historicamente foram segregadas, como “tarefa” eu tinha que ter ido até a sede da OMMILDH em Paris afim de participar de um dos eventos realizados pelas membras da organização, o que ainda não foi possível, mas farei disso um dos meus objetivos de vida e sonhos para ser realizados enquanto eu viver.

 

Para quem não acompanhou meus estudos anteriores, outras mulheres que estudei foram: Sofia Andresen, que por sorte consegui fazer alguns dos seus percursos em vida quando estive em Portugal em 2014 e conhecer seus pensamentos e obras, que se desdobraram em propostas pedagógicas que faziam referência ao fundo do mar, Hannah Arendt e sua contribuição para a filosofia da educação e os direitos humanos, a Maria Montessori por meio do estudo de sua vida, família e relacionamentos, a escola fundada na Itália, suas ideias que revolucionaram a educação das crianças e pude ler alguns dos seus trabalhos.

Outras mulheres estudadas por mim foram também Lou Salomé, Anne Frank (onde pude reviver suas memórias e lembranças em seu diário guardado pelo seu pai), Frida Kahlo, suas dores, pensamentos e relacionamentos e, por último Maya Angelou e Aufred Hepburn.

Infelizmente não consegui conhecer a escola onde Montessori começou seus trabalhos como professora e pesquisadora, quem sabe algum dia 🙂

Enquanto esse sonho não se realiza começo a partir de hoje meus estudos sobre a santa Hildegarda de Bingen, também conhecida como Sibila do Reno, foi uma monja beneditina, mística, teóloga, compositora, pregadora, naturalista, médica informal, poetisa, dramaturga, escritora alemã e mestra do Mosteiro de Rupertsberg em Bingen am Rhein, na Alemanha. Foi canonizada com uma santa e considerada a quarta doutora da Igreja, título à ela concebido pelo Papa Bento XVI em 7 outubro de 2012.

Para isso, a primeira lição é assistir o filme da aclamada diretora alemã Margaret Von Trotta de 2009 “Vision” e ler seus escritos: Opera minora I e II, Werker Band IV, Beate Hildegardis Cause et cure e outras biografias secundárias, como por exemplo, Life of Jutta dentre outros materiais disponibilizados na internet.

Meu próximo objetivo será viajar até o linda Igreja de Santa Hildegard na Alemanha e quem até sabe me casar lá! 

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Nathalia Marques compartilha sua experiência de worldpackers em Gramado

Publicado originalmente aqui.

WP: Por que você escolheu esse anfitrião?

Bom, eu sou nômade digital e estou sempre procurando um novo destino.

Na época, eu tinha passado um tempo na minha cidade e sentia que já estava na hora de cair na estrada novamente. Contudo, eu não tinha nenhum destino em mente. Quando vi a vaga do Hostel Chocolatchê achei uma ótima oportunidade para conhecer Gramado.

WP: Como era o seu dia-a-dia como worldpacker?

Minha rotina era muito tranquila. No Hostel Chocolatchê, eu cuidava das redes sociais e trabalhava cinco horas por dia.

Para conseguir aproveitar a viagem melhor, programei meu horário para a parte da manhã, pois assim tinha a tarde livre.

WP: Quais lugares conseguiu conhecer no seu tempo livre?
Conheci todos os lugares que me interessavam, por exemplo, Lago Negro, a Rua Torta, a Praça das Etnias, Canela e outros.

Algo muito interessante foi a possibilidade conhecer mais sobre a cidade com os moradores. Foi uma experiência bem profunda.

WP: Quanto gastou com alimentação, transporte e passeios?
Fiquei cerca de 20 dias em Gramado e acredito que gastei mais ou menos uns R$500.

Contudo, preciso destacar que meu modo de viajar é bem econômico.

Por exemplo, ando de ônibus, caminho muito, a maioria das minhas refeições são preparados no hostel e sempre priorizo passeios gratuitos.

WP: Qual é a coisa mais incrível sobre esse anfitrião?

O mais bacana é que a Raquel, dona do Hostel, te deixa muito a vontade para fazer seus horários e faz você se sentir em casa. Além disso, não tive problema em agendar minha folga.

O brilho eterno de uma mente sem lembranças: notas sobre memórias e tempo

Tempos atrás assisti um filme que me marcou e me marca até hoje: O brilho eterno de uma mente sem lembranças. O enredo é simples. Um casal se conhece e a partir disso suas vidas mudam completamente. Após uma série de brigas eles resolvem terminar o relacionamento, mas para lidar com a dificuldade em esquecer o parceiro, Clementine se submete a um tratamento para remover todas as lembranças do ex-namorado. E ele faz o mesmo processo. Contudo, entre o esquecer, apagar e remover da memória tudo o que eles viveram juntos e lidar com o sentimento que ambos sentiam um pelo outro, eles se encontram nas profundezas da mente monitorada por equipamentos eletromagnéticos, mas já não conseguem voltar ao que era antes. 

Cada um seguiu com a sua vida… 

Para muitas pessoas esquecer do passado é algo fácil, outros precisam ser lembrados o tempo todo de todas coisas que já fizeram na vida e de todas experiências que já viveram, seja elas boas ou memórias ruins. 

Confesso que muitas vezes senti vontade de esquecer traumas e experiências ruins que tive na vida. Experiências que me bloquearam para muitas coisas. Afinal, sem lembranças ou entraves seguimos em frente com mais rapidez. Muita rapidez, pois nada mais nos detém. Primeiro relembramos de tudo muitas vezes. É como um filme que vai e volta. Vai e volta. Depois de nos cansarmos de ver esse mesmo filme inúmeras vezes, este deixa de fazer o efeito que causava antes em nós. E vamos vivendo… 

Lendo comentários sobre este filme mencionado destaco esse trecho:

“Enxergo algo de infantil na ideia de que as experiências ruins devem ser ignoradas para não doerem. A facilidade apresentada pela tecnologia de “formatação” do filme é também um indício de que estamos cada vez menos resistentes a dor. E aprender sobre a dor é um mecanismo de sobrevivência futura, a dor faz com que nos sintamos vivos, é como um banho de água gelada. Fico pensando como o mundo seria se realmente existisse essa tal empresa chamada “Lacuna”. E se a gente pudesse apagar mágoas, decepções, pessoas, traumas, gafes, amores? E se você pudesse escolher uma coisa para apagar da memória, qual seria?”

É como remédios para dor, pois sentir dor é algo que lutamos para evitar, sejam elas físicas ou emocionais. A proposta de remover lembranças que nos causam dor é algo muito tentador, contudo ao lidar com a dor aprendemos muito sobre mesmos e sobre os outros. Tentar sentir a dor de outras pessoas é uma experiências interessante e enriquecedora em que passamos a ter outro ponto de vista sobre nós mesmos e sobre os outros.

Como é chorar pela dor de outra pessoa? Talvez possamos até sentir mais do que elas dependendo da nossa formação de valores e modo de perceber e entender as coisas. O mesmo sobre nossas dores que para outros podem ser insignificantes ou coisas sem importância alguma. Quando apagamos todas as nossas lembranças acontece algo como no filme: nossos corpos agem como se estivéssemos em modo controle automático e temos a sensação de somos únicos no mundo, que somente nós temos determinadas necessidades e problemas, que somente nós nos sentimos deslocados, que somente nós ignoramos a dor e o sofrimento. Apenas pensamos em seguir o mais depressa possível e de maneira eficiente, sem levar em conta tudo o que passamos, afinal já não há lembranças, ou preferimos mantê-las em um lugar seguro o bastante para que ninguém as toque ou as destrua de nós mesmos. O que fazem delas para os outros não interessa mais. 

Das minhas memórias o que ficou para mim hoje é o que preciso para seguir adiante com algumas coisas, outras delas eu gostaria de guardá-las em um pequeno baú e trancá-las. Eu mais do que outra pessoa já assisti muitas vezes o filme da minha própria vida, em câmera lenta, modo lento, modo rápido, trailer, curta-metragem, longa-metragem… E principalmente, por meio de outras pessoas que as viveram e para aquelas que desejam ardentemente viver as próximas ou aquelas que eu não consegui viver, e assim, ter o prazer de vivê-las por mim ou de fazer por mim o que eu não consegui fazer. 

Falo isso com um tom de tristeza, já que vi lembranças tão profundas despejadas no esgoto, um jogo de destruição que nunca tem fim, é o pega usa e joga o corpo fora, já sabemos quem vence e quem sempre perde: os sem memórias ou os que têm suas memórias lançadas ao rio para os pescadores de almas fisgarem, devorarem e jogarem os restos fora. Um saco imenso de peixes apenas com escamas e nada mais. E um rio que secou ou que já está tão poluído que não há mais nada para retirar dele. 

No filme todos os personagens seguem adiante e levam suas vidas normais, o segundo o grupo, eu ainda não sei o que acontecerá com eles, não sei se eles terão um bom futuro. Acredito que sim, pois apesar de tudo ainda me resta um pouco de otimismo. 

Sobre o tempo, por ser do segundo grupo já teve suas memórias remexidas, o tempo passa muito lento: dois anos é como se fossem quatro anos. Somente agora aos 31 que minha primeira ruga apareceu em meu rosto e sem sinais de cabelos branco, apenas algumas quedas e perda de fios e nada mais. De tanto rever minhas memórias passei a me ver como se eu fosse outra pessoa e ao rever tudo que já fiz e vivi (algo como no filme Click de 2006) me analiso e me reconheço de outra maneira, talvez não tão sensacional ou horrível e “baixa” como as memórias me fazem parecer. Apenas como alguém com 31 anos que viveu muito pouco. É como ver uma Brás Cubas jovem de cabelos com mexas e digitando no smartphone ouvindo indie rock ou algo como 13 reasons why de você mesma.

Só quem passou por tal experiência sabe descrever esse tipo de sentimento. Apesar de fazer parte deste segundo grupo, estou seguindo em frente e caminhando do jeito que dá, a diferença é a percepção do tempo que para mim é mais lento. No fim, é como ter um cartão de memória para que eu sempre me lembre quem eu sou ou o que deveria fazer. O que é chato, repetitivo e desanimador, ninguém deveria precisar de um cartão de memória, mas questionar sobre o verdadeiro porquê de todas essas coisas. Isso já é outra história…

 

Aos poucos estou aprendendo que está tudo bem em ser solteira

Original em inglês publicado aqui.

Estou aprendendo aos poucos que ter um relacionamento não é a coisa mais importante do mundo.

É melhor ficar solteiro do que estar em um relacionamento que não agite meu coração e nem me torne mais feliz além da medida. É melhor não ter ninguém para enviar mensagens do que esperar desesperadamente por um texto que nunca chega. É melhor aproveitar minha solidão e preenchê-la com todas as coisas que eu amo fazer do que confiar em alguém para me acompanhar.

Ouça meu conselho, é difícil para mim alcançar essa percepção. Levei anos para chegar a esse estágio em que estou confortável em ser realmente sozinha. Eu sempre me identifiquei como namorada/companheira/esposa de alguém. Eu pensei que ter um relacionamento transformaria a parte vazia do meu coração em inteira magicamente. Era como se eu não pudesse suportar minha própria companhia. Eu não conseguia ficar parada com meus próprios pensamentos. Eu não podia me aceitar por quem eu sou sem validação externa.

Mas se há uma coisa que aprendi depois de passar por inúmeras desilusões, é que o amor não pode, por si só, fazer você se sentir completa. Você precisa estar em um bom lugar para ter a capacidade emocional de amar o outro. Você precisa se aceitar primeiro antes de poder receber o amor abertamente. Você tem que amar a pessoa que você é para que você nunca se contentar com qualquer outra pessoa, mas apenas o amor que você merece.

Estou aprendendo aos poucos que sou o bastante do jeito que sou e amo e me aceito.

Um dia, quando o amor me encontrar, estarei pronta para compartilhar minha vida com minha alma gêmea. Eu vou emaranhar a minha vida com a dele e vamos construir uma vida juntos. Eu vou descobrir todos os seus segredos e conhecê-los, assim como eu me conheço. Eu o amarei irrestritamente e não lhe darei nada além do melhor de mim.

Mas até esse dia chegar, eu não vou sentar e esperar que isso aconteça. Eu não vou olhar para os outros casais e ter inveja do que eles têm. Eu não ficarei impedida de viver minha vida ideal porque a melhor hora para agir é agora. Não sinto pena de mim mesmo que minha vida seja menos gratificante apenas por causa do meu status de solteira.

Na verdade é exatamente o oposto, pois eu estarei aproveitando o tempo da minha vida enquanto trabalho duro para isso. Eu vou me amar de coração e alma, mais e mais a cada dia.

Estou aprendendo aos poucos que ser solteira é o melhor momento para eu me encontrar.

Eu vou viver minha vida do meu próprio jeito. Afinal, eu sou jovem apenas uma vez e este é o momento perfeito para eu perseguir meus sonhos embora de um jeito egoísta e fazer o que amo. Eu vou gastar todo o meu tempo para conhecer a pessoa que eu sou e abraçar-me verdadeiramente e assim estar cada vez mais confortável em minha própria pele. Eu estarei investindo em minha carreira e construindo algo de que tenho orgulho.

Eu estarei aprendendo, evoluindo e sendo eu mesma e, francamente, não poderia ser de outro jeito.

 

 

Leia a edição de maio da Revista Eletrônica Dasartes

DASARTES – Edição 72 – Maio 2018.

Organizadores:

CECILY BROWN
EMMANUEL NASSAR
BILL VIOLA
BIENAL MERCOSUL
JOÃO GG

CAPA – O Instituto Tomie Ohtake apresenta um conjunto de trabalhos da pintora inglesa Cecily Brown. Paulo Miyada, curador da mostra, reflete sobre a produção da artista com o tema que a fascina: o paraíso.

DESTAQUE – Retrospectiva do artista paranaense Emmanuel Nassar, na Estação Pinacoteca, resgata sua marcante produção que provoca reflexões sobre o erudito e o popular. Veja texto do curador Pedro Nery.

ALTO RELEVO – Para mostra no novo SESC Avenida Paulista, em uma produção cheia de referências, o tempo escoa como água pelos vídeos de Bill Viola, um dos percursores da videoarte. Relembre matéria com texto do artista Gonçalo Ivo.

DESTAQUE – A 11ª edição da Bienal do Mercosul conta com obras de 70 artistas vindos dos três continentes que compõem o triângulo atlântico, tema do projeto curatorial. Convidamos os curadores Alfons Hug e Paula Borghi para apresentar alguns destes artistas.

GARIMPO – Elisa Maia nos apresenta a produção do artista João GG. Conheça mias sobre sua obra e suas recentes exposições em São Paulo, Curitiba e Belo Horizonte.

RESENHA – Veja resenha da exposição de Marcelo Silveira: Com Texto no Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba pelo autor Allan Yzumizawa.

ALTO FALANTE – O curador e crítico de arte Guy Amado retorna a sessão Alto Falante com o tema “Da arte da desaparição marítima”, com apontamentos sobre arte e desaparições oceânicas.

DE ARTE A Z, AGENDA, COLUNA DO MEIO e LIVROS completam esta edição nº 72 – Ano 10 de maio de 2018.