Lançamento de livro: Lúcia de Siracusa

A história da Santa Lúcia de Siracusa (283 – † 13 de dezembro de 304) é mais do que uma história bonita e de muita fé, mas com um final trágico e triste, aspecto recorrente entre os principais mártires da igreja primitiva, alguns dos quais conheci e aprendi sobre eles quando eu era adolescente e tinha muitas perguntas sobre a fé e os escritos que atualmente compõe a bíblia sagrada em suas mais diferentes versões produzidas ao longo da história do mundo.

Este livro de pinturas da Lúcia de Siracusa demonstra a sua importância e a fidelidade dos seus seguidores e devotos, assim como eu. Aprender sobre esta santa e seu legado para a humanidade e para o cristianismo me fez enxergar melhor o poder de algumas mulheres da antiguidade e de todo o seu legado para as novas gerações de cristãos espalhados pelo mundo.

O número expressivos de igrejas e comemorações no Brasil em sua homenagem, exprime os sentidos da visão espiritual como um dos mais fundamentais para a perseverança e um sólido alicerce para a fé em Deus, confiança nos líderes religiosos, nos livros sagrados, nos sacramentos e na igreja. 

De acordo com historiadores católicos, somente em 1894 o martírio da jovem Luzia, também chamada Lúcia, foi devidamente confirmado, quando se descobriu uma inscrição escrita em grego antigo sobre o seu sepulcro, em Siracusa, Nápoles. A inscrição trazia o nome da mártir e confirmava a tradição oral cristã sobre sua morte no início do século IV.

Mas a devoção à santa, cujo próprio nome está ligado à visão (“Luzia” deriva de “luz”), já era exaltada desde o século V. Além disso, o papa Gregório Magno, passado mais um século, a incluiu com todo respeito para ser citada no cânone da missa. Os milagres atribuídos à sua intercessão a transformaram numa das santas auxiliadoras da população, que a invocam, principalmente, nas orações para obter cura nas doenças dos olhos ou da cegueira.

Diz a antiga tradição oral que essa proteção, pedida a santa Luzia, se deve ao fato de que ela teria arrancado os próprios olhos, entregando-os ao carrasco, preferindo isso a renegar a fé em Cristo. A arte perpetuou seu ato extremo de fidelidade cristã através da pintura e da literatura.

Foi enaltecida pelo magnífico escritor Dante Alighieri, na obra “A Divina Comédia”, que atribuiu a santa Luzia a função da graça iluminadora. Assim, essa tradição se espalhou através dos séculos, ganhando o mundo inteiro, permanecendo até hoje.

Luzia pertencia a uma rica família napolitana de Siracusa. Sua mãe, Eutíquia, ao ficar viúva, prometeu dar a filha como esposa a um jovem da Corte local. Mas a moça havia feito voto de virgindade eterna e pediu que o matrimônio fosse adiado. Isso aconteceu porque uma terrível doença acometeu sua mãe. Luzia, então, conseguiu convencer Eutíquia a segui-la em peregrinação até o túmulo de santa Águeda ou Ágata. A mulher voltou curada da viagem e permitiu que a filha mantivesse sua castidade. Além disso, também consentiu que dividisse seu dote milionário com os pobres, como era seu desejo.

Entretanto quem não se conformou foi o ex-noivo. Cancelado o casamento, foi denunciar Luzia como cristã ao governador romano. Era o período da perseguição religiosa imposta pelo cruel imperador Diocleciano; assim, a jovem foi levada a julgamento. Como dava extrema importância à virgindade, o governante mandou que a carregassem à força a um prostíbulo, para servir à prostituição. Conta a tradição que, embora Luzia não movesse um dedo, nem dez homens juntos conseguiram levantá-la do chão. Foi, então, condenada a morrer ali mesmo. Os carrascos jogaram sobre seu corpo resina e azeite ferventes, mas ela continuava viva. Somente um golpe de espada em sua garganta conseguiu tirar-lhe a vida. Era o ano 304.

Para proteger as relíquias de santa Luzia dos invasores árabes muçulmanos, em 1039, um general bizantino as enviou para Constantinopla, atual território da Turquia. Elas voltaram ao Ocidente por obra de um rico veneziano, seu devoto, que pagou aos soldados da cruzada de 1204 para trazerem sua urna funerária. Santa Luzia é celebrada no dia 13 de dezembro e seu corpo está guardado na Catedral de Veneza, embora algumas pequenas relíquias tenham seguido para a igreja de Siracusa, que a venera no mês de maio também.

Este livro é composto por 12 pinturas de diferentes artistas que retratam os momentos mais marcantes da vida desta Santa, produzidos ao longo da história e expostos nas mais importantes galerias de artes do mundo, atualmente abertas para a visitação do público. O livro em formato digital será impresso e lançado em breve. 

Fonte: Editora Paulus. 

Lúcia de Siracusa, Condessa de Melo (2020).

Fernão Lopes: o ofício de escrever a História

Guardador das escrituras do Tombo, a ele D. Duarte confiou a missão de escrever “as estórias dos reis que antigamente em Portugal foram”, mais os feitos do seu pai, o Mestre de Avis.

Neste artigo, contamos quem foi Fernão Lopes, o cronista do reino.

De origem modesta, Fernão Lopes terá nascido por volta de 1380, perto de Alfama, em Lisboa. Em 1418 era ele o «guardador das escrituras» do arquivo da Torre do Tombo. Foi depois nomeado cronista-mor do reino e, nesse ofício, escreveu as crónicas de D. Pedro I, D. Fernando e D. João I, tarefa que realizou em vários anos.

Neste excerto da série “Grandes Livros“, atentamos na vida do cronista que relatou acontecimentos fundamentais do século XIV português. Fernão Lopes é considerado por muitos o pai da nossa História e um percursor do jornalismo no seu “sentido mais puro”.

Fernão Lopes: o ofício de escrever a História
Vídeo produzido pela RTP sobre o cronista Português Fernão Lopes. 

Lançamento de livro: Raphael’s cartoons

Novidades!

Anos se passaram e resolvi organizar os Raphael’s Cartoons em um livro que será impresso, assim como os outros e exibidos em pequena festa de lançamento numa cafeteria local em Olinda.

Os Raphael’s Cartoons são sete cartoons feitos para tapeçarias, expostos atualmente no Victoria and Albert Museum, em Londres, pintados pelo pintor da Alta Renascença, Raphael em 1515-16. Nos cartoons, Raphael retrata cenas dos Evangelhos e nos Atos dos Apóstolos.

Eles são os únicos membros sobreviventes de um conjunto de dez cartuns encomendados pelo Papa Leão X para tapeçarias da Capela Sistina no Palácio do Vaticano, que ainda estão (em ocasiões especiais) penduradas abaixo do famoso teto de Michelangelo. Reproduzidos na forma de gravuras, há quem afirme que eles rivalizavam com o teto de Michelangelo um dos mais famosos e influentes do Renascimento, e eram bem conhecidos por todos os artistas do Renascimento e do Barroco.

A admiração deles atingiu seu ponto mais alto nos séculos 18 e 19; eles foram descritos como “as esculturas do Parthenon da arte moderna”. A seleção com os sete cartões de Rafael feitas por mim reunidas em um livro, que será impresso no próximo ano pode ser conhecida pela internet em formato de e-book em .pdf. 

O verão europeu estão chegando e lembrei-me de que quando eu estive em Londres não consegui visitá-los no Victoria and Albert Museum, mas pretendo fazer isto em breve, em uma próxima viagem muito aguardada por mim.

Lançamento de livro: Maria Teresa Rafaela of Spain

Estudar biografias reais sempre foi uma paixão e algo por qual eu sempre me interessei. Muitas foram as rainhas, reis, príncipes e princesas as quais eu aprendi a gostar das suas histórias de vidas e pude contribuir com suas biografias há aproximadamente uns 20 ou 25 anos.

A Infanta Maria Teresa Rafaela of Spain, em francês Marie Thérèse Antoinette Raphaëlle, nasceu em Real Alcázar de Madrid, em 11 de junho de 1726 e faleceu no Palácio de Versalhes, em 22 de julho de 1746. Ela foi uma infanta da Espanha por nascimento e Delfina da França por casamento por meio de uma procuração com Luís, Delfim da França pertencente a Casa Bourbon.

Era filha do rei Filipe V da Espanha com sua segunda esposa, a princesa Isabel Farnésio. A Infanta sempre foi minha real favorita, com sua beleza, elegância, seu estilo de vida sofisticado e uma doçura que me conquistou por completo.

Boa parte dos meus estudos e educação durante minha adolescência foram conduzidos pelos escrivães do Palácio de Versalles, onde a Infanta viveu durante casada e faleceu muito jovem. Seus quadros podem ser encontrados no palácio e em outras propriedades reais. Seu enterro foi um grandioso evento de comoção geral na Europa. 

Neste livro organizei alguns dos seus principais registros pintados por artistas europeus consagrados que passaram pelo Palácio de Versalles, lugar onde pouco saia e tudo que conhecia sobre o resto do mundo era por meio de relatos e registros da sua casa real. 

Maria Teresa Rafaela of Spain por Condessa de Melo (2020).

Lançamento de livro: Albert Ràfols-Casamada

Depois de meses de estudos decidi lançar alguns dos livros de artes dos quais venho trabalhando nos últimos anos.

Neste livro, selecionei algumas das obras e estudos do pintor catalão, poeta e professor de arte, Albert Ràfols-Casamada muito envolvido nos movimentos de vanguarda de seu tempo.

Sua obra começou na esfera figurativa pós-expressionista, mas logo se desenvolveu em seu próprio estilo abstrato, fundamentado em uma representação poética da realidade cotidiana. Por meio da licença Fair Use, foi possível sistematizar e organizar o conjunto de obras que fizeram parte dos meus estudos do pintor.

Albert Ràfols-Casamada (paintings) por Condessa de Melo.