Família, Viagens

Retorno à Recife

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“Voltei Recife… Foi a saudade que me trouxe pelo braço”

Depois de quase 3 anos sem pisar em solo Pernambucano e mais 3h30min de vôo com conexão em São Paulo (e espera de quase 4 horas – soneca em frente à Kopenhagen do terminal 2 no Aeroporto de Congonhas e mais uma parada técnica em Salvador que me deu vontade de descer e ficar por lá, nem que fosse por uns dias), finalmente desembarquei no Aeroporto Internacional dos Guararapes e encontrei meus pais no aeroporto. 

Trouxe poucas coisas. Na mochila de costas, os eletrônicos para urgências e para fazer alguma coisa da faculdade durante os dias que estiver com os parentes, documentos, água, necessarie com maquiagem e produtos de beleza, casaquinho para a madrugada no aeroporto e coisas pessoais (carteira, chaves, etc).

Na mala pequena poucas peças de roupas (2 shorts, 4 camisetas, peças íntimas, 2 calças jeans, 2 camisas, 1 sapato, 1 tênis, 2 pares de meias, materiais do mestrado, carregadores, etc). Consegui levar tudo comigo no avião evitando ficar esperando na esteira o despacho das malas, no final nem fez tanta diferença. Uma coisa aprendi com viagens anteriores: quanto menos mala carregares, menos stress terás durante a viagem. 

Encontrando os pais:

Minha mãe, bela e simpática como sempre e meu pai tentando disfarçar a felicidade e eu segurando o choro de tanta saudade e felicidade ao mesmo tempo. Foi um daqueles reecontros como naqueles episódios de “Chegadas e Partidas” da GNT.

Depois retornei ao Ibura, mais exatamente ao UR-5 (Unidade Residencial – 5), uma espécie de sub-bairro dentro do todo maior que é o Ibura, sendo este considerado depois de Boa Viagem e Casa Amarela um dos mais populosos do Recife e com o maior número de jovens e crianças. E infelizmente, maior número nos índices de criminalidade e violência, que vem reduzindo nos últimos anos graças ao trabalho de muitas pessoas e organizações, além das muitas ações de cidadania que de alguma maneira ajudam na melhoria da vida das pessoas. De um modo bem geral grande parte dos problemas do bairro tem haver com saneamento básico, coleta de lixo, asfaltamento, violência doméstica, alcoolismo, população sem teto, políticas de cultura para juventude, o canal que atraí mosquitos, etc.

Chegando lá nenhuma surpresa: tudo do mesmo jeitinho, as pessoas, os comércios, o ambiente… E claro, aqueles antigos problemas que todo bairro de periferia em Recife tem. Na rua onde cresci e passei boa parte da minha vida tem algumas características únicas: possuí 3 escolas (uma delas eu dei aulas por uns 3 anos), passa 4 linhas de ônibus, possuí 3 barzinhos, lan house (de Moza Metal) e muitas casas de aluguel (boa parte delas são do Seu Domingos, tipo o Silvio Santos daqui), sem falar no número de igrejas (que são muitas por aqui) e estabelecimentos comerciais também (muitos barzinhos, lanchonetes, salões de beleza, supermercados, padarias, açougue, lojinhas… tem de tudo!)

A vizinhança é a mesma. Na UR-5 raramente as pessoas se mudam e possuem o hábito de se sentar em frente à casa uns dos outros para conversar ou apenas ficar sentados olhando o movimento até a hora do café (o que determina o tempo que as pessoas ficam sentadas na rua é a hora da novela que ninguém quer perder). Pra ser sincera, não consegui ainda conversar com todos os vizinhos (vamos com calma pra não parecer político em época de eleição tentando aparecer parar conseguir votos sem nem mesmo concorrer a um cargo, hehe!). 

Melhor coisa: ver os cachorrinhos e a gatinha da minha mãe. Estou devendo fotos deles… 

Darua é um cachorrinho que apareceu em casa em meados de 2005 ou 2006. Ele chegou em nossa porta bem magrinho, cheio de feridas… Em outras palavras: sem lenço e nem documento. Não sabemos onde ele nasceu, quem o deixou na rua… Não sabíamos nada sobre a história dele. Apenas o deixamos ficar e ficou. Hoje Darua (ou dadazinho como eu costumo chamá-lo) está bem velhinho, com o pelo sem aquele brilho de antes, ainda com aqueles carrapatos que nenhum remédio e vacina resolvem, mas parece estar bem feliz por ter a princesa do seu lado (uma cadelinha que chegou na casa da mãe recentemente).

Ele demorou para me reconhecer, somente depois ficou todo cheio de dengo e chegando perto de mim para pedir carinho. Minutos depois que eu cheguei em casa, meu pai comprou uma garrafa de vinho tinto do Rio São Francisco e bacalhau (chiqueza total!) e eu reencontrei meu antigo quarto que minha mãe manteve de alguma maneira conservado e organizado. Todas as minhas roupas antigas estavam lá, bem como os meus livros e materiais da faculdade e das escolas onde lecionei. Tudo guardadinho. Olhei por um momento para aquele quartinho com a parede pintada de forma rala, – precisava uma nova pintura, assim como uma boa reforma na casa dos meus pais. Quando eu passar no concurso público ou conseguir um bom emprego posso fazer financiamento para comprar os materiais, pagar a mão de obra e chamar um arquiteto. 

Retornar a casa que morei por tantos anos me trouxe uma avalanche de emoções (tristeza, alegria, saudade de tempos que não voltam mais e eu não gostaria que voltassem, afinal das contas… Segue o baile!) fiquei parada imóvel por alguns minutos pensando em tudo e me sentindo grata por estar aqui, por estar com meus pais, com os cachorros, por ver meu irmão (que não mudou muito, mas parece focado em construir sua vida), os vizinhos, etc. 

Depois saí com meus pais para o shopping, Recife Antigo e visitar outros parentes na cidade que eu nasci: Paulista. Confesso que senti um certo descaso e abandono com a cidade, especialmente na BR 101, Zona Sul de Recife, Mercado Público e outros pontos turísticos que mereciam um cuidado melhor, outras áreas que mereciam melhor investimento, aquela manutenção básica na cidade inteira. 

O Recife Antigo está bem convidativo com aqueles bares e cafezinhos bonitinhos ao lado do Marco Zero. O Museu do Frevo passou por reformas, a Torre Malakoff também, o Centro de Artesanato, a decoração das ruas está meio sem graça… No geral tudo na mesma, mas com eventos legais rolando pela cidade (Bar do Burburinho, Galeria Joana D’Arc, Rock & Ribs, Teatro da Caixa Cultural). Mais aqui.

Continuarei postando em breve 🙂

 

 

 

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