Educação, Estudantes

Reencontro com ex-alunos: notas de uma professora desencontrada

Posted on

Comecei a dar aulas no terraço da minha casa para me ajudar com os custos da preparação do vestibular quando tinha 16 anos. Meus pais pagavam com muito esforço e eu tentava ganhar uns trocados para pagar as passagens, xerox e os lanches. No começo eu era muito insegura sobre dar aulas, porque transmitir conhecimento (assim era o que eu pensava) não era algo tão simples para mim. Para transmitir corretamente e de modo ordenado é preciso um certo dinamismo e organização mental e muito equilíbrio de ideias e das informações a ser transmitidas.

Ensinar pode ser considerado um dom, uma técnica, uma arte, uma estética (há uma performance, uma desenvoltura, uma vestimenta, um tom de voz, um jeito de começar e terminar, uma letra, uma organização, uma estrutura, etc.) e também uma ética, pois exige o respeito em ouvir as dúvidas dos alunos, aceitar a rejeição daqueles não muito interessados na matéria, paciência para suportar inúmeras situações de desrespeito (alunos conversando, bagunçando, mexendo no celular, etc.), lidar com a frustração de não ter os objetivos atingidos e aceitar a nossa insuficiência e limitações, afinal nunca sabemos de tudo e nem saberemos.

Hoje sou formada em Pedagogia, que do grego significa “carregar pela mão” aqueles que estão em fase de desenvolvimento cognitivo e em de aprendizagens. Antes de formada, já carregava muitos pelas mãos e felizmente alguns chegaram a lugares que eu me orgulho muito. Um motivo de imensa felicidade e de satisfação, é o de retornar aos lecionei e poder me reencontrar em mim mesma, o que é diferente de viver e se alimentar de um passado que não existe mais. O reencontro nos dá força para vivermos o nosso hoje com aquilo que conseguimos fazer dele.

O ontem pode ter sido maravilhoso, o hoje muito instável e o futuro não sabemos o que reserva…. Ainda reafirmo que o reencontro com aquilo que fizemos no passado não tão distante assim, pode nos ajudar a colher aquelas lindas flores e frutos que outrora jogamos as sementes na terra e deixamos lá sem acompanhar o crescimento das flores e dos frutos. Nesse processo podemos ter ótimas surpresas: lindas flores e frutos que podem ser muito úteis e preciosos.

Sobre as flores e os frutos encontrados e colhidos (não consegui encontrar informações sobre todos aqueles mais de 200 alunos em diferentes tipos de instituições) e admito que é um número muito pequeno para a maioria dos professores e professoras que atuam em várias turmas com salas lotadas e que mal consegue lembrar de três ou quatro alunos de toda uma turma. São poucos alunos para recordar o que torna mais fácil o meu trabalho.

Daqueles que eu encontrei descrevo a seguir o nome (apenas o inicial), o que lecionei, a turma e a escola e o que eles fazem hoje (vou atualizar a lista com o passar dos dias):

Maurício (me adicionou recentemente pelo Instagram e foi meu aluno na 6ª série na Escola do Pinóquio) hoje está estudando Engenharia Mecânica e o irmão dele, Victor (meu aluno na 2ª série no Centro Educacional Singular) está estagiando em uma empresa.

Glaydson (eu dava aula de reforço escolar para ele em sua 5ª série) hoje é advogado. 

Gabriel (aluno na 5ª série) está estudando administração.

Lucas (aluno na 5ª e 6ª na Escola do Pinóquio) estuda pedagogia e está estagiando em uma escola municipal.

Maria (aluna na 5ª e 6ª série) está trabalhando como atendente em uma pizzaria.

Jonas (aluno na 5ª, 6ª e 7ª série) está no exército.

Elton (turmas de inglês – alfabetização) trabalhando como vendedor.

Alisson

Jordson

Crislaine

William (aluno na 2ª série no Centro Educacional Singular) hoje está estudando Educação Física. 

Thiago Teixeira 

Thais

Bruna

Cristal 

 

 

 

 

Deixe uma resposta