Por que nos cansamos tão rápido das coisas, lugares e pessoas?

Observando o modo como algumas pessoas vivem, especialmente aquelas que passam toda a sua vida no mesmo bairro, na mesma rua, mora na mesma casa, estão com a mesma pessoa, trabalham no mesmo posto e função há tantos anos, me pergunto porque nós (os mais jovens) nos cansamos tão rápido e queremos de uma maneira inconsciente algo diferente ou novo? 

Seria o tédio e a insatisfação os maiores vilões do bem estar? Afinal de contas poderíamos todos estar de bem com a vida, tranquilo e felizes em alguma medida se não fosse por aquelas insatisfações diárias que nos faz querer sempre algo a mais, um desconforto que posso afirmar que não vem de nós mesmos. É interessante ter vontade de comprar algo novo, seja uma roupa, mobília, uma pequena reforma, viajar para um lugar diferente, conhecer novas pessoas, lugares e experimentar coisas variadas, mas nem sempre isso significa que alguém poderá ser considerado com mais conteúdo ou mais “bem vivido” do que outros que não tiveram as mesmas oportunidades por inúmeros motivos. 

Ser aquela pessoa que viveu inúmeras experiências ou conheceu muitos lugares, leu muitos livros, assistiu muitos filmes não faz de alguém melhor ou mais interessante, ao contrário, essa pessoa pode ter toda essa bagagem e laços frágeis e pouca entrega e disposição em conhecer alguém ou ser conhecido em sua completude. Isso vale para todas as áreas: afetiva, profissional, familiar, pessoal… Por outro lado, queremos sempre mostrar que somos úteis e bons em algo e queremos ser reconhecidos por aquilo que sabemos ou fazemos, mas há tempo e espaço pra tudo e não há porque de se desesperar por que isso não aconteceu.

Há muita coisa nova acontecendo e a tendência é que aquilo que não tem tanta graça desapareça no mar das novas inovações, contudo aquilo que não é visibilizado não significa que não é mais útil, apenas não é tão interessante para um grupo de pessoas hoje por elas terem outros interesses.

Alguém me disse que outro motivo para as pessoas estarem doentes e muito exaustas é por uma cobrança excessiva para que elas sejam algo que elas não podem ser hoje, não foram ontem, mas que talvez possam ser um dia (sem que isso se torne uma obrigação). A insatisfação pode causar outros problemas como por exemplo, fazer escolhas erradas ou obter débitos por compras impulsivas motivadas por desejos repentinos de trocar de carro, casa ou sofá. A questão é que a insatisfação em obter uma coisa nova sempre a cada impulso e este mesmo raciocínio aplicado a pessoas e a relacionamentos pode nos transformar em pessoas cheias com muitas habilidades e características, mas sem aquele sentido de pertencimento.

É possível que haja uma ligação entre cansar de algo que não nos motiva e buscar algo novo e ter aquilo que nos torna permanente em um lugar, permanente e presente de forma completa (parece redundância, mas acredite em mim, é possível viver em piloto automático, ou até mesmo criar cópias de si mesmo para fazer coisas que você não pode ou não quer fazer). 

O não contentamento com aquilo que temos hoje nos torna infelizes e insatisfeitos de um modo geral com o que somos agora. Um pouco de insatisfação nos ajuda a mudar algumas coisas que nos prendem em rotinas e nos estagnar, mas quando isso é algo constante nos prejudica, pois nos torna inconstantes e poucos dedicados a algo em específico. Talvez pode valer a pena investir em algo a longo prazo e se manter firmes naquilo mesmo quando brotar o sentimento de desânimo e daquele velha máxima que “a grama do vizinho sempre é melhor”, quando na verdade é a nossa que merecia um cuidado melhor, uma nova plantinha, uma casinha para os cachorros… 

 

About the Author

Rafaela da Silva Melo

31 anos, Pedagoga, apaixonada por livros, filmes, músicas, quadrinhos, animais, natureza, boa comida e viagens.

Deixe uma resposta