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Confie em seu próprio coração, escreva sua própria história e lute em torno disso!

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Publicado em inglês aqui.

QUERIDA MADAME PRESIDENTE 
Uma carta aberta para as mulheres que querem dominar o Mundo. Por Jennifer Palmieri. 180 pp. Grand Central Publishing. $20 (sem previsão de lançamento no Brasil).

Não muito tempo depois de Hilary Clinton inesperadamente perder para Donald J. Trump, a diretora das comunicações de sua campanha, Jennifer Palmieri, investiu seu tempo em torno da ideia de um livro. “Eu fui advertida que se eu não tenho algo polêmico/picante para compartilhar sobre Hillary, isto não será interessante para mim”, ela escreve em “Querida Madame President: uma carta aberta para as mulheres que querem dominar o mundo.” Mas, ela adicionou algo, utilizando uma descrição frequente que Clinton faz dela mesma, “não há qualquer coisa picante sobre Hilary porque ela é uma pessoa simples e séria”.

Em qualquer outro ano de eleição, um livro de conselhos vindo do lado de uma funcionária de alto escalão que atuou na campanha oficial da candidata perdedora não deve ser muito lucrativo. Mas 2016 não foi um ano eleitoral e, como se vê Palmieri tem muita sabedoria para dispensar qualquer pequeno boato sobre Clinton.

Neste volume fino, Palmieri descreve ordenadamente uma história pessoal dela de cortar o coração sobre a morte da irmã dela (portadora de Síndrome de Alzheimer) semanas depois de perder as eleições com lições aprendidas vindo dela em sua longa carreira no Partido Democrático e muita sabedoria e sabedoria ao estilo de Mitch Albom (“Quando o inimaginável acontece qualquer coisa pode ser possível”). Palmieri tinha sido diretora de comunicação do Presidente Obama na Casa Branca quando ela aceitou entrar na campanha de Clinton. Ela (como a maioria de nós) pensou que Clinton poderia vencer e não pensava que ser mulher pudesse ser um obstáculo, especialmente depois que Obama quebrou barreiras raciais. 

Clinton advertiu Palmieri do contrário. Antes da campanha começar, Clinton, “aguentou mais do que uma hora” para recapitular cada escândalo, como o alvoroço causado no Arkansas quando ela resistiu em levar o nome de Bill Clinton para a Casa Branca em sua fracassada campanha presidencial de 2008 em que era favorita, mas perdeu nas primárias do Partido Democrata para Obama. “Ela estava desnorteada, assim como qualquer um pelo fenômeno de Hillary Clinton,” Palmieri escreve.

Avancemos para o dia após as eleições de novembro e Palmieri começou a ver quase tudo sobre a percepção pública de Clinton através do prisma do gênero. Ela se irrita com os apoiadores que perguntaram a ela porque Clinton não teve estrutura emocional para atingir os objetivos do seu discurso de concessão durante a campanha. “Sim, eu tenho certeza que você amou o seu discurso de concessão”, eu pensei. “Por que isto é o que você pensa que é aceitável para uma mulher fazer – admite. 

Em meio a um dilúvio de fofocas contadas por agentes políticos (ou o que os repórteres desabafaram), Palmieri merece crédito por transformar sua história em algo que visa inspirar mudanças positivas – ou pelo menos fazer um presente perfeito para o corpo de estudantes da presidente em sua vida. O livro está enraizado em uma recente tradição e cartas abertas por autoras femininas mais notáveis como Chimamanda Ngozi Adichie’s “Dear Ijeawele, ou A Feminist Manifesto in Fifteen Suggestions.” Mas a auto-ajuda do adesivo de Palmieri pode oferecer para o leitor de uma história atraente.

Palmieri tem estado no centro das panelas de pressão de Whitewater para os hacks russos e pegou conselhos que poderiam beneficiar qualquer mulher (mesmo sem as ambições da West Wing). Ela tem muitas anedotas vívidas: a época em que Obama a encorajou em uma reunião no Salão Oval para parar de se estressar sobre “algum artigo idiota de cunho político”, ou na época em que Clinton insistiu que todos comprassem sorvete para animar seu assessor Huma Abedin depois que a F.B.I. encontrou novos e-mails no computador de seu marido, Anthony Weiner. Por que molhá-los com pablum como: “Confie mais no que seu coração do que no dizem para fazer em sua cabeça”, ou “Se você quer continuar lutando, você nunca será derrotado”?

Palmieri, que trabalhou nas corridas presidenciais de John Edwards, dedica tempo ao resgate da esposa dele, Elizabeth Edwards. Eles negociam em T. J. Maxx e comem em um Sonic Drive-In, o que é algo animador desde que Elizabeth Edwards, que morreu de câncer em 2010, havia sido espetada pela imprensa política, com uma reviravolta memorável em “Game Change”, um livro sobre a campanha de 2008 escrito por Mark Halperin e John Heilemann.

É por este motivo que Palmieri diz que decidiu dar 17 horas de entrevistas a Heilemann para seu livro planejado com Halperin sobre a eleição de 2016. Não importa se esta passagem aparece em uma seção do livro que ensina as mulheres jovens “Não procure o seu papel em sua história – Escreva o seu próprio.” Se você não pode escrever a história, pelo menos, ajude a fazer com que ela seja conduzida. (A Penguin Press cancelou o livro em meio a alegações de má conduta sexual contra Halperin.)

Afiliações políticas à parte, é impossível não gostar e ter empatia por Palmieri, especialmente quando ela escreve sobre a dificuldade que Hilary enfrentou ao ter que equilibrar o fim da campanha mais violenta (em níveis de ofensas e ataques pessoais aos candidatos) da história americana com a notícia de que sua irmã Dana poderia morrer a qualquer momento de início precoce do Alzheimer. Quando a campanha chega ao fim e muitas coisas parecem estar indo contra a direção de Clinton, Palmieri não consegue se livrar de uma sensação desconfortável.

“Foi difícil para ela conseguir separar seus problemas pessoais, como a morte de Dana e tudo o que foi causado pelo fim da campanha”, escreve ela.

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