Pelotas, Retrospectiva, Textos diversos

O drama de quem mora sozinha: lidando com o isolamento

Posted on

Aviso: texto muito pessoal, então tentem ler sem julgamentos.

Durante o ano que morei sozinha em Pelotas enquanto tentava concluir a pós-graduação tive que aprender muitas coisas e recebi muitos conselhos e dicas de amigos, conhecidos e parentes para lidar com as dificuldades que apareciam.

Uma das minhas maiores dificuldades era a de evitar o isolamento e a solidão que morar sozinha me proporcionava. Um dos conselhos que recebi era o de tentar ficar próxima de pessoas e em qualquer dificuldade procurar sempre ter pessoas por perto para contar, tentar se “enturmar” ou seja, fazer parte de um grupo e evitando assim ficar sempre tão sozinha. De alguma maneira fui encorajada a seguir o conselho e no condomínio do meu prédio sempre ficava próximo de um grupo de pessoas seja em festas no salão, churrascos de final de semana e parquinhos eu sempre tentava me aproximar seguindo o conselho à risca, o que nem sempre era bem visto. Fui olhada com muita estranheza e desconfiança e entra aqui uma questão cultural ou talvez fosse a minha aparência naqueles dias ou a forma de me aproximar delas que causava tanta estranheza.

Tentei várias vezes junto com o meu cachorrinho me aproximar de pessoas sempre que eu achava que precisava, que não estava muito bem sozinha, que precisava estar perto de alguém apenas por estar. A sensação de isolamento e solidão podem causar depressão e somada a outros fatores eu estava em um momento ruim e no ápice dos problemas a solução tinha se dar por outros caminhos, como um tratamento médico.

No final não consegui cumprir os prazos da pós-graduação e não defendi a dissertação como era previsto e a sensação para mim foi uma mistura de tristeza, de decepção, de fracasso, de tempo despercidado… afinal foram dois anos, mudanças de tema, orientadora, linha de pesquisa, casa, bairro, cidade, postura, etc. Muita coisa aconteceram nestes dois anos que somados as dificuldades já mencionadas fizeram com que minhas idas à Porto Alegre para aula ficassem impossíveis resultando o não cumprimento dos créditos necessários e problemas técnicos e de rendimento acadêmico afetaram o meu desempenho nesta etapa muito importante da minha vida. Tudo foi perdido, sim foi! mas agora eu preciso retomar aos poucos de onde eu parei para cuidar de mim mesma e sem perder de vista minhas necessidades mais urgentes e também nos sonhos que ainda possuo, pois precisamos de alguma motivação para continuar seguindo adiante mesmo em meio a muitas dificuldades. Com tudo isso aprendi a valorizar as pequenas conquistas e a valorizar mais ainda aquelas grandiosas e fazer com que elas não sejam esquecidas nem por mim nem pelas pessoas à minha volta que se importam comigo.

Quando cheguei em casa coloquei o meu certificado de conclusão de curso em um local bem à vista na sala de estar da casa dos meus pais para me lembrar de que consegui me formar com láurea (mérito acadêmico) o que me faz me sentir orgulhosa de ter sido uma aluna dedicada na graduação tanto aqui quanto no Rio Grande do Sul e de todas as coisas que fiz, eventos que participei, projetos que me envolvi nos anos que se passaram. Parar para ver o que foi mais relevante para reunir esforços e seguir adiante (quem sabe consigo ser aprovada no mestrado novamente aqui em Recife e ter um problema de pesquisa mais bem pertinente e fazer novas leituras atualizadas e contextualizadas com a linha de pesquisa?).

Alguns projetos que tinha já estou desenvolvendo respeitando meu próprio ritmo, condições materiais e minhas dificuldades, e espero que 2019 seja um ano produtivo para mim com foco nas minhas necessidades mais urgentes e nos sonhos que desejo realizar nos próximos anos e assim concluo este texto em tom de esperança e de alegria em ter passado/estado durante as festividades de fim de ano com meus familiares (fotos no meu instagram).

Deixe uma resposta