Leitura, Poemas

Don’t Eat and Read

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Original publicado aqui.

WALTER BENJAMIN, 1928. CORTESIA DO ARQUIVO DE WALTER BENJAMIN NA ACADEMIA DE ARTES, VIA WIKIMEDIA COMMONS.

Todos os livros não devem ser lidos da mesma maneira. Romances, por exemplo, estão lá para serem devorados. Lê-los é um ato voluptuoso de absorção, não um ato de empatia. O leitor não se imagina no lugar do herói, mas assimila o que lhe acontece. O relato vívido dessas experiências é a apetitosa guarnição em que um prato nutritivo chega à mesa.

Há, com certeza, uma dieta crua de experiência – assim como há uma dieta crua para o estômago – a saber: as próprias experiências. Mas a arte do romance, como as artes culinárias, começa além dos ingredientes crus.

Quantas substâncias nutritivas existem e que não são apetitosas em estado bruto! Quantas experiências são aconselháveis para ler, mas não para ter! Alguns leitores são atingidos com tanta força que teriam sido devastados se tivessem sofrido as experiências diretamente.

Em resumo, se houvesse uma musa do romance – uma décima musa – seu emblema seria o cozinheiro. Ela eleva o mundo de seu estado bruto a fim de criar algo apto para comer, para realçar a plenitude de seu sabor. Pode-se, se necessário, ler o jornal enquanto se come. Mas nunca um romance. Essas são duas obrigações conflitantes.

—Translated from the German por Tess Lewis.

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