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Dicas de leitura: No palco da memória por Carmen Dolores (2013)

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No palco da memória por Carmen Dolores (2013)

Sinopse

«Nunca pensei escrever um segundo livro de memórias, embora o primeiro tivesse como título Retrato inacabado. No entanto, o tempo foi passando e comecei a anotar numa espécie de diário o que me ia acontecendo, o que ia observando, o que me despertava mais interesse… e assim surgiu este No palco da memória, para que fique um registo daquela que ainda sou, uma referência aos trabalhos em que fui participando, e até um recordar do que se escreveu a meu respeito.»

Eis uma voz única, a de Carmen Dolores, que nos entrega aqui, desta vez por escrito, um testemunho precioso de uma longa vida em que o Teatro desempenhou um papel decisivo. Cruzamento de passado e presente, de memórias e vida, de vozes e de silêncios, esta é também a história de uma mulher e do seu tempo, história que ela tornou exemplar pelo empenho e sensibilidade com que sempre a viveu.

CARMEN DOLORES

Nasceu a 22 de Abril de 1924, em Lisboa. Aos 14 anos, estreou-se na rádio, onde manteve depois uma intensa actividade, nomeadamente em programas de divulgação de poesia. Apareceu pela primeira vez no cinema no filme Amor de perdição (1943), realizado por António Lopes Ribeiro, desempenhando o papel de Teresa. A sua aparição nos palcos aconteceu em 1945, na peça Electra, de Jean Giraudoux, na Companhia dos Comediantes de Lisboa. Transitou depois para o Teatro Nacional (Companhia Amélia Rey Colaço-Robles Monteiro), onde permaneceu durante oito anos, tendo passado pelo Teatro de Sempre, de Gino Saviotti, e pelo Teatro Nacional Popular. No início dos anos 60, fundou, com Armando Cortez, Fernando Gusmão e Rogério Paulo, o Teatro Moderno de Lisboa. Em televisão, participou em peças de teatro como Um mês no campo, de Turgueniev, Frei Luís de Sousa, de Almeida Garrett, Bela Doroteia, de Mihura, O leque de Lady Windermere, de Wilde, A senhora das brancas mãos, de Casona, e João Palmieri, de Larreta. O seu nome encontra-se ligado a alguns êxitos da Casa da Comédia: A dança da morte, de Strindberg, Play Strindberg, de Dürrenmatt, Alice nos jardins do Luxemburgo, de Weingarten, e A forja, de Alves Redol. Depois de 1974, participou em Espingardas da mãe Carrar e O círculo de giz caucasiano, de Bertolt Brecht, dirigidas por João Lourenço. Em 1983, representou no Teatro Aberto Comédia à moda antiga, de Arbuzov, e Confissões numa esplanada de Verão, de Strindberg, encenada por Mário Viegas. Em 1985, fez parte do elenco de Virgínia, uma peça de Edna O’Brien encenada por Carlos Avilez. Pelo seu desempenho como Dona Otília, no filme Balada da praia dos cães, de José Fonseca e Costa, recebeu em 1987 vários troféus de cinema de revistas nacionais. Em 1988, foi protagonista na telenovela portuguesa Passerelle e, no mesmo ano, do filme A mulher do próximo, de José Fonseca e Costa. Em 1991, voltou ao teatro, onde interpretou Balanceada, de Samuel Beckett, com encenação de Mário Viegas, e, em 1992, a peça Espectros, de Ibsen, dirigida por Carlos Avilez. Em 1993, colaborou na série televisiva A viúva do enforcado, realizada por Walter Avancini, e na telenovela . Em 1994, foi presidente do júri no concurso da RTP Pátio da fama. Após um longo interregno, regressou em 1999 às prestações televisivas, protagonizando a telenovela A lenda da garça. A 15 de Maio de 2005 actuou pela última vez na peça Copenhaga, dirigida por João Lourenço, espectáculo que marca o seu afastamento dos palcos e da televisão após 60 anos de carreira. Foi então condecorada pelo Presidente da República Jorge Sampaio com o grau de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique. É autora do livro de memórias Retrato inacabado (O Jornal, 1984), e co-autora, com Tito Lívio, da obra Teatro Moderno de Lisboa – 1961-1965 – Um marco na história do teatro português (Caminho, 2009).

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