Rafaela da Silva Melo

Carta Aberta de Despedida Quando podemos dizer adeus?

Caros “amigos de brinquedo”:

Não nascemos sabendo “dar tchau”, ou dizer adeus. Quando ainda somos pequenos, o gesto que fazemos com a mão para “dar tchau” é, de fato, como disséssemos “vem, fica”: um movimento de chamada, porque ainda não podemos nos separar, uma vez que não compreendemos a ausência. Mas, à medida que crescemos, tornamo-nos capazes de abanar e nos despedir, porque, então, já é possível dizer “não” à presença com a mão. Isso só ocorre quando somos capazes de levar dentro de nós o objeto do nosso interesse, do nosso amor, para onde formos, e porque temos a crença de que ocupamos um lugar no seu coração.

Após quase 38 anos de trabalho docente, com a chegada da aposentadoria, é hora de dizer adeus às atividades realizadas na Faculdade de Educação (FACED) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Ao longo desses anos, a FACED foi uma bússola, orientando o próprio sentido de minha vida. Onde quer que esteja, busco com o olhar seu grande prédio azul, tal como tive que fazer da primeira vez em que nela entrei, para cursar a Licenciatura em Pedagogia, em 1982.

Na UFRGS trabalhando desde 1991, além das aulas na área de Psicologia da Educação e das atividades administrativas e representativas desempenhadas em diversos espaços da Universidade, criei e dirigi o Programa de Extensão Universitária “Quem quer brincar?”, que, em sua 21. Edição, comemora 20 anos de existência. Palestras, cursos, grupos de estudo, visitas lúdicas, pesquisas, assessorias, a brinquedoteca universitária, o mural, o site e este informativo eletrônico constituem o Programa, que, por sua vez, é feito de pessoas – milhares de bolsistas, colaboradores voluntários, professores, funcionários, terceirizados, estudantes e educadores em geral. Sobretudo, é feito dos sonhos de todas essas pessoas que acreditam na importância de formar para brincar e para valorizar o brincar.

Convicta de que minhas atividades como professora e de que as ações empreendidas pelo “Quem quer brincar?” contribuíram decisivamente para transformar vidas e melhorar o mundo, ajudando a dar novos sentidos ao ensinar, brincar, crescer e aprender, encerro essa caminhada com serenidade e satisfação. A certeza de que o Programa continuará vivo enquanto sua vida tiver sentido para quem nele atuar e dele usufruir, libera-me para viver um outro momento de vida, no qual, sem deixar de ser professora – porque este é para mim um modo de ser e de viver –  o trabalho docente na Universidade não é mais o centro.

Parafraseando o que escreve Jorge Luiz Borges sobre suas viagens, no prólogo ao livro Atlas, posso afirmar que, nessa aventura, partilhei com alegria e assombro um verdadeiro tesouro. Gostaria que a presente carta de despedida aos milhares de “amigos de brinquedo” do informativo eletrônico do “Quem quer brincar?”, em sua edição final, expressasse minha gratidão aos “companheiros de viagem” e fosse um bom augúrio a essa vasta aventura, que prossegue!

Nas mãos de seu Conselho Curador, formado por colegas comprometidos de muitas e diferentes maneiras com a “causa lúdica”, com uma Direção da FACED fortemente apoiadora e que reconhece sua importância institucional, sob a Coordenação Geral da Profa. Dra. Marília Forgearini Nunes, com a Coordenação Adjunta da Profa. Dra. Renata Sperrhake, e com a experiente colaboração de seus bolsistas e voluntários, o Programa de Extensão Universitária “Quem quer brincar?” prossegue, acolhendo os sonhos e o assumindo o feitio de sua nova Coordenação.

Agora já posso dizer adeus, pois sei que a UFRGS, a FACED e o Programa seguem dentro de mim, onde quer que eu vá, e sei de meu lugar em seu coração, isto é, no coração daqueles que fazem e são a UFRGS, a FACED e o “Quem quer brincar?”.

Tânia Ramos Fortuna

UFRGS, 25 de novembro de 2019.

Entrevista com Tânia Ramos Fortuna: a persistente trajetória de uma eterna brincante

A última edição do boletim informativo de 2019 coincide com um momento de homenagem e despedida. A Revista da Extensão, publicação da Pró-reitoria de Extensão da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PROREXT/UFGRS), em sua edição de novembro de 2019 entrevistou a Profª Drª Tânia Ramos Fortuna, Coordenadora do Programa de Extensão Universitária “Quem quer brincar?” (RS/BR). 

Ex-presidente da Câmara de Extensão, Tânia Ramos Fortuna é coordenadora de um dos maiores e mais antigos programas de extensão da UFRGS, o “Quem Quer Brincar?”. Em 2019, o projeto completa 20 anos de atividades ininterruptas. Nesta entrevista, concedida na Brinquedoteca (sede física do programa) da Faculdade de Educação, a docente nos conta sobre a sua marcante e persistente trajetória profissional, que está se encerrando na Universidade no final deste ano. Um caminho marcado pela defesa da brincadeira e da extensão como duas poderosas ferramentas na formação não apenas de alunos, mas de educadores.

Creche Råå / Dorte Mandrup

A creche está localizada numa espetacular praia entre a antiga Escola Råå e o Mar/Øresund. O edifício tem como inspiração a paisagem circundante, com suas dunas ligeiramente inclinadas e a tipologia distintiva das pequenas casas de pescadores.

© Adam Mørk

A instituição conta com quatro grupos de crianças, cada um com sua própria sala. Estes quatro recintos grupais são identificados na fachada como uma típica casa de pescador com telhado duas águas. As grandes janelas das fachadas e o telhado criam um diálogo com o mar e a paisagem circundante, proporcionando as condições ideais de luz durante todo o ano.

© Adam Mørk

As salas grupais são visualmente fechadas através de “paredes/estantes”, feitos de madeira compensada. Junto com suas superfícies de cor verde, geram uma experiência de fluidez e transparência espacial que percorre todo o edifício. A instituição está vinculada à escola existente e na conexão foi criado um espaço em forma de cova para os armários.

© Adam Mørk
© Adam Mørk

Protegido do Mar/Øresund, frente à antiga escola, aparece também um parque infantil. Frente ao mar, a flora natural da praia foi replantada.

© Adam Mørk
© Adam Mørk

Originalmente publicado em 23 Dezembro, 2016.

Localização do Projeto

Endereço: Kustgatan 1, 252 70 Råå, Suécia

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Localização aproximada, pode indicar cidade/país e não necessariamente o endereço exato.

Fragata argentina chega ao Recife e abre visitação ao público

Original publicado aqui.

O barco estará aberto à visitação dos pernambucanos e turistas na quinta-feira (2) e na sexta-feira (3), entre as 14h e as 17h. (Foto: Tarciso Augusto / Esp. DP Foto.)
Foto: Tarciso Augusto / Esp. DP Foto.

Cinco anos após a última navegação em mar recifense, a fragata Ara Libertad voltou a atracar na capital pernambucana. O tradicional navio-escola da Marinha da Argentina chegou na manhã do dia 31 de dezembro ao Porto do Recife, onde permanecerá até o próximo sábado (4). Em viagem desde agosto, o barco estará aberto à visitação dos pernambucanos e turistas na quinta-feira (2) e na sexta-feira (3), entre as 14h e as 17h. A visitação gratuita é uma oportunidade de conhecer a rotina dos 286 tripulantes, a maioria deles estudantes da força naval “hermana” que estão concluindo a formação.

A fragata Libertad saiu de Buenos Aires, na Argentina, no dia 17 de agosto de 2019 e passou por 12 portos antes de chegar ao Recife. Os marinheiros estiveram na Espanha, Portugal, França, Bélgica, Reino Unido, Estados Unidos e Barbados, último local visitado antes da chegada ao Recife. “Essa viagem, que dura entre cinco a seis meses, é a culminância da formação dos marinheiros argentinos, para eles se tornarem oficiais. A ideia, além da formação, é representar a Argentina no mundo, então é importante visitar países que são nossos amigos, melhorar essa relação e mostrar um pouco do nosso país”, explicou o encarregado de negócios da Argentina, o ministro Roberto Bosch.

O navio Libertad também é chamado de “Embaixadora dos Mares” pelos argentinos. Com a construção iniciada em 1953, a fragata fez a primeira viagem em junho de 1963. Naquela época, viajou por Porto Rico, Estados Unidos, países da Europa, Uruguai e Brasil. O Recife faz parte dessa história desde o começo e também recebeu a Libertad em sua primeira viagem. No total, ela já foi 48 vezes ao mar para formar marinheiros argentinos, passando por mais de 60 países. “Apesar de ter uma hélice e motores de propulsão como seu principal sistema, a fragata também opera à vela, como se fazia antigamente. Dessa forma, é possível ensinar aos jovens a arte da navegação tradicional, mostrar o esforço e o trabalho em equipe necessários para levantar as velas”, explicou o adido da Marinha da Argentina no Brasil, Diego Sanchez.

Segundo ele, a cada sete ou nove anos, a fragata faz uma volta ao mundo, chegando a visitar portos da Ásia. Quem for conhecer o navio poderá ver a estrutura interna e externa e conversar com parte da tripulação. “É um barco construído artesanalmente, é uma importante obra argentina do ponto de vista de engenharia naval. É um símbolo do país. As pessoas poderão saber não só como é a vida no mar, mas como é a vida no mar de um argentino”, disse Roberto Bosch.

Neste ano, a viagem da Libertad tem uma novidade. Os marinheiros passarão a virada de ano embarcados. Sabendo disso, a nutricionista Cecília Peralta, 60 anos, e o marinheiro aposentado Miguel Vazquez, 69, viajaram ao Recife para passara a noite de ano novo com o filho. Facundo Vazquez, 24, é um dos marinheiros em formação. “Queríamos receber o ano de 2020 com ele, então viajamos de Puerto Belgrano, na Argentina, até o Recife. Chegamos no dia 27 e ficaremos até o dia 5”, explicou Cecília.

Nesta terça-feira (31), a família acordou cedo e saiu de Porto de Galinhas, onde está hospedada, às 6h, para receber o filho. A fragata, que deveria atracar às 8h, por um problema técnico com o rebocador, só chegou ao Porto do Recife às 12h. “É um orgulho para a gente, pois só viajam na fragata os marinheiros selecionados pelo trabalho, desempenho ou estudos realizados”, disse Miguel. Os tripulantes foram recepcionados no Recife por orquestra de frevo e passistas, na beira do cais. Na sexta-feira (3), eles farão um city tour em Recife e Olinda.

Curso de JORNALISMO da Unipampa no Rio Grande do Sul recebe conceito 4 em avaliação do MEC

O curso de Jornalismo da Unipampa recebeu conceito 4 (quatro) na última avaliação do MEC – o conceito máximo é 5. O resultado, divulgado nesta semana, leva em conta o conceito obtido pelos estudantes na prova do Enade, a qualificação do corpo docente, as condições de infraestrutura e os recursos didático-pedagógicos.

      Segundo o professor Leandro Ramires Comassetto, coordenador do curso, a meta agora é chegar ao conceito máximo, que é a nota 5, visto que o curso reúne todas as condições necessárias, em termos de corpo docente (todos professores doutores com dedicação exclusiva), infraestrutura de qualidade e recursos didático-pedagógicos em constante atualização. O colegiado de curso vem trabalhando para, em 2020, apresentar um novo Projeto Pedagógico, com maior atenção às atividades de extensão e implantação de componentes curriculares focados na nova realidade do Jornalismo.

     A próxima avaliação do MEC deverá ocorrer em 2021, após a realização da próxima prova do Enade.

     Nas avaliações recentes os cursos de Publicidade Propaganda e Serviço Social também receberam a nota 4, confirmando a excelência dos cursos do campus São Borja.

As recentes avaliações do MEC confirmam a excelência dos cursos do campus São Borja
Listagem dos indicadores de qualidade da educação superior em 2018.

Livro do ano: Exhalation: Stories

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Capa do livro.

Exhalation: Stories é uma coleção de contos do escritor americano Ted Chiang. O livro foi lançado inicialmente em 7 de maio de 2019 por Alfred A. Knopf. Esta é a segunda coleção de obras curtas de Ted Chiang, depois do livro de 2002 Stories of Your Life and Others.

Exhalations: Stories contém nove histórias que exploram questões como o lugar da humanidade no universo, a natureza da humanidade, bioética, realidade virtual, livre arbítrio e determinismo, viagens no tempo e o uso de formas robóticas de IA.

Sete contos foram publicados inicialmente entre 2005 e 2015; “Omphalos” e “Ansiedade é a vertigem da liberdade” são originais.

Quero muito ter esse! 

CNPq abre inscrições para o Prêmio Fotografia-Ciência & Arte

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) abre inscrições para o IX Prêmio Fotografia-Ciência & Arte e premiará pesquisadores e estudantes de graduação e pós-graduação que trabalham com registros fotográficos em suas pesquisas. As inscrições estarão abertas até 20 de março de 2020.

O Prêmio é dividido em duas categorias:  imagens produzidas por câmeras fotográficas e imagens produzidas por instrumentos especiais.  Os vencedores de cada categoria recebem o prêmio deR$ 8 milpara o primeiro colocado, R$ 5 mil para o segundo colocado e R$ 2 mil para o terceiro colocado. Os primeiros colocados de cada categoria irão receber, além disso, passagem aérea e hospedagem para participar da 72ª Reunião da SBPC, em julho de 2020.

 A inscrição é de caráter individual e deverá ser efetuada em apenas uma categoria, exclusivamente, na página do Prêmio na internet, onde está disponível o regulamento completo do Prêmio.

O Prêmio

O Prêmio de Fotografia – Ciência & Arte foi criado em 2011 com o objetivo de fomentar a produção de imagens com a temática de Ciência, Tecnologia e Inovação, contribuir com a divulgação e a popularização da ciência e tecnologia e ampliar o banco de imagens do CNPq.

Ao premiar imagens de qualidade, o Prêmio revela talentos e apresenta, através das inscrições, uma amostragem das imagens provenientes de trabalhos científicos desenvolvidos nas instituições de Ensino Superior e de Pesquisa no país, além de estimular os pesquisadores a usarem recursos fotográficos em suas pesquisas.

Em oito edições realizadas foram recebidas 6.367 inscrições de estudantes de graduação e pós-graduação, docentes e pesquisadores brasileiros, sendo premiados 66 trabalhos oriundos de todas as regiões do país, assim distribuídos: 41 da Sudeste, 9 da Sul, 8 da Norte, 5 da Centro-Oeste e 3 da Nordeste, e 56 pesquisadores nomeados por portaria para a composição das comissões julgadoras.

Conheça as imagens premiadas dos anos anteriores: http://www.premiofotografia.cnpq.br/web/pfca/imagens-premiadas

Na cafeteria do Softbank, quem atende os clientes são os robôs

Originalmente publicado aqui.

Você entra numa cafeteria. O atendente pergunta qual é o seu pedido. Mas ele não é um humano: é um robô. Esse cenário já é realidade em Tóquio, na Pepper Parlor, cafeteria do SoftBank, inaugurada na semana passada.

Os robôs anotam os pedidos, conversam com os clientes e limpam o ambiente, além de sugerir pratos com base na expressão facial do consumidor. “Deixe-me ver seu rosto. Hmm, você parece um pouco cansado. Recomendo um waffle”, diz a Pepper para o consumidor.   

Você entra numa cafeteria. O atendente pergunta qual é o seu pedido. Mas ele não é um humano: é um robô. Esse cenário já é realidade em Tóquio, na Pepper Parlor, cafeteria do SoftBank, inaugurada na semana passada.

Os robôs anotam os pedidos, conversam com os clientes e limpam o ambiente, além de sugerir pratos com base na expressão facial do consumidor. “Deixe-me ver seu rosto. Hmm, você parece um pouco cansado. Recomendo um waffle”, diz a Pepper para o consumidor.   

O robô Pepper foi lançado em 2014 pelo SoftBank Robotics e se estima que mais de 3 mil empresas o adquiriram até hoje. Segundo a publicação Asian Review, o Softbank abriu o próprio estabelecimento para treinar a Pepper em situações do dia a dia. A unidade de robótica do SoftBank Group utilizará o conhecimento adquirido no café para aprimorar a tecnologia.

“Há muitas tarefas em que os robôs podem ajudar, seja levando comida à mesa ou retirando lixo. Queremos compartilhar as descobertas daqui com os nossos clientes”, disse Kazutaka Hasumi, vice-presidente de produtos do Softbank Robotics, ao Asian Review

Palavras do ano 2019, segundo o Dicio

Que rufem os tambores! Muita expectativa, ansiedade, barracos de família e até spoilers marcaram a divulgação da lista mais aguardada do ano, mais do que a lista de aprovados no ENEM: as palavras do Dicio em 2019. Que em minha opinião são mais tops que o Top Corgi. E vamos a lista!

Fake News

O termo Fake News que, segundo o dicionário Merriam-Webster, começou a ser usado no final do século XIX, chegou com força total no Brasil em 2019. Definido como notícias falsas compartilhadas como verdadeiras, tem seu sentido vinculado especialmente a contextos políticos.

Buraco Negro

Pela primeira vez na história, a imagem de um buraco negro foi revelada em 2019. Ela traz um enorme círculo negro no centro de uma galáxia. Cientistas comemoraram este feito pela sua extrema dificuldade, pois o campo gravitacional de um buraco negro atrai para o seu interior tudo o que está à sua volta. Genial, não?

Burnout

2019 também foi um ano muito cansativo para muita gente, especialmente para quem trabalhou em excesso. A Síndrome de Burnout, ou simplesmente Burnout, é definida como um distúrbio psíquico ocasionado pelo excesso de trabalho, que pode levar à exaustão extrema, estresse generalizado e esgotamento físico.

Sextar

Sexta-feira chegou! É hora de sextar? 2019 foi o ano em que sextar foi muito usado e parece que veio para ficar. Sextar é uma palavra nova muito utilizada em contextos informais para anunciar o início do final de semana ou a chegada da sexta-feira, normalmente com sentido carregado de empolgação e de felicidade. #sextou

Amazônia

A Floresta Amazônica esteve no centro de diversas polêmicas durante o ano de 2019, especialmente pelo aumento de focos de incêndio. A Amazônia, maior floresta tropical do mundo, que se estende por 9 países sul-americanos, e tem a maior bacia hidrelétrica do planeta, tem sido alvo de ataques constantes, o que a deixa sempre em evidência.

Obesidade

2019 trouxe a notícia de que os brasileiros atingiram o maior índice de obesidade dos últimos treze anos. Segundo uma pesquisa feita pelo Ministério da Saúde, o número de obesos no país aumentou 67,8%. A obesidade se define pelo acúmulo anormal de tecido adiposo no organismo de um indivíduo, e consequente aumento de peso.

Lacrar

Fechar uma carta com lacre ou arrasar? Os dois sentidos são possíveis usando o verbo lacrar. Em 2019, algumas pessoas lacraram cartas, outras discussões. Lacrar, como gíria, indica que alguém arrasou, saiu-se bem, ou fechou uma discussão sem deixar opções para respostas.

Incêndio

A palavra incêndio apareceu em variadas circunstâncias este ano, não só para se referir à Amazônia, mas também para marcar dois acontecimentos trágicos: o incêndio na Catedral de Notre-Dame, em Paris, e o fogo que conflagrou o Alojamento do Flamengo, no Rio de Janeiro, este último deixando 10 mortos.

Barragem

Barragem é uma estrutura de terra construída para armazenar rejeitos ou resíduos provenientes da mineração. Em 2019, o rompimento da barragem de Brumadinho, Minas Gerais, foi considerado um dos maiores desastres ambientais do país, com centenas de mortes, o que deu origem a uma comoção nacional na tentativa de ajudar os sobreviventes.

Biscoiteiro

Em 2019, o biscoiteiro deixou de ser aquele que faz biscoitos, e passou a designar também aquele que quer biscoitos, quer atenção. A gíria deriva do verbo biscoitar e define aquela pessoa que faz tudo para aparecer, para receber elogios ou curtidas em postagens nas redes sociais. Também pode ser usada no feminino, biscoiteira, com o mesmo sentido.

Minha escolha: Registro

Registro é uma forma de fazer persistir determinada informação durante um período de tempo e a ação de registrar algo; ou resultado dessa ação. Em inglês, register, significa “an official list or record, for example of births, marriages, and deaths, of shipping, or of historic places.” In the late Middle English: from Old French regestre or medieval Latin regestrum, registrum, alteration of regestum, singular of late Latin regesta ‘things recorded’, from regerere ‘enter, record’. Register e Record são palavras sinônimas na língua inglesa, mas utilizada com finalidades diferentes. 

História da Taquigrafia no Brasil

Originalmente publicado aqui.

Comemora-se no dia 3 de maio o Dia Nacional do Taquígrafo. Esta data foi escolhida pela classe, reunida soberanamente em congresso – o 1° Congresso Brasileiro de Taquigrafia, realizado em 1951, em São Paulo, e promovido pelo Centro dos Taquígrafos de São Paulo – para comemorar o Dia do Taquígrafo, iniciativa do gaúcho Adoar Abech. A data foi escolhida porque foi exatamente no dia 3 de maio de 1823 (há 177 anos, portanto) que foi instituída oficialmente a taquigrafia parlamentar no Brasil, para funcionar na primeira Assembléia Constituinte.

A introdução da taquigrafia no parlamento brasileiro deve-se a José Bonifácio de Andrada e Silva.

Homem de ciência, estadista, escritor, orador parlamentar, poeta, e considerado o mais culto dos brasileiros do seu tempo, José Bonifácio de Andrada e Silva, o “Patriarca da Independência” (assim intitulado por ter exercido papel preponderante junto a Dom Pedro I na preparação da independência do Brasil), ao ver a grande utilidade da taquigrafia nos parlamentos de outros países, lutou pela implantação de um corpo de taquígrafos no parlamento brasileiro. Assim se expressou José Bonifácio, na sessão da Constituinte, de 22 de maio: “Eu quero somente fazer uma explicação para ilustrar a matéria.

Logo que se convocou esta Assembléia viu Sua Majestade a necessidade de haver taquígrafos; eu fui encarregado de dar as precisas providências. Um oficial da Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros se incumbiu de abrir uma aula de taquigrafia; e alunos matriculados trabalharam nessa aula. Para que fossem mais assíduos Sua Magestade lhes mandou dar uma diária de duas patacas, obrigando-se eles a aprender esta arte de que deviam fazer uso em serviço da mesma Assembléia. Eis aqui o que tenho que dizer para que sirva de regulamento na deliberação.”

O oficial da Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros a que se refere José Bonifácio é Isidoro da Costa e Oliveira Júnior. Incumbido por Sua Majestade de preparar os primeiros taquígrafos parlamentares brasileiros, criou um Curso de Taquigrafia, e ensinou o método Taylor. Foram oito os primeiros taquígrafos parlamentares do Brasil, que fizeram parte do
histórico período da primeira Assembléia Constituinte do Brasil (em 1823):

Possidônio Antônio Alves
João Caetano de Almeida e Silva
Pedro Afonso de Carvalho
Manoel José Pereira da Silva
João Estevão da Cruz
José Gonçalves da Silva
Vitorino Ribeiro de Oliveira e Silva
Justiniano Maria dos Santos

Foi árduo o trabalho dos primeiros taquígrafos. As condições em que trabalhavam eram adversas. Era reduzido o número desses profissionais (oito); escrevia-se com pena de pato (material não-apropriado para apanhamentos taquigráficos em altas velocidades); não contavam com sistema de som como hoje em dia; faziam a tradução dos apanhamentos
taquigráficos a mão, já que não dispunham de máquinas de escrever; ficavam situados a grande distância dos oradores, pois, por causa de um preconceito da época, era vedada a entrada de taquígrafos no interior do recinto (o recinto era exclusivamente reservado para os senhores constituintes); e para piorar, no local a eles reservado para taquigrafar, ouvia-se o estrépito da rua comunicado à sala pelas janelas abertas.

Mas, em que pesem todos esses entraves para o bom desempenho de suas funções, foi o trabalho abnegado dos oito primeiros taquígrafos parlamentares brasileiros que permitiu tivesse sido conservado até hoje o que nos legaram os primeiros legisladores do Império.

Conforme muito bem expressou Antônio Pereira Pinto, em 1873, no “Memorial” em que narra a história dos Anais da Assembléia Constituinte de 1823, “sem a Taquigrafia, estaria irremediavalmente perdido o rico manancial de estudo e de elementos históricos”


NOTA: No que se refere ao tempo gasto na preparação dos oito taquígrafos para funcionarem na Assembléia Constituinte, vamos transcrever aqui um trecho do opúsculo  “Manuscrito n° 5750 do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (Um estudo sobre taquigrafia)”, preparado pelo renomado Prof. Adhemar Ferreira Lima. (Pág.20)

“Se o curso foi criado “logo que se convocou esta Assembléia”, como disse o Patriarca, a sua instalação se teria dado logo depois de 3 de junho de 1882, data da convocação. Tudo indica que o oficial da Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros” a que se refere José Bonifácio era Isidoro da Costa Oliveira. O Dr. Salomão de Vasconcellos (Cem anos de Tachygraphia no Brasil, in “Revista Taquigráfica”, Rio de Janeiro, fev. 1934, n° 14) demonstra, entretanto, que a primeira aula de taquigrafia no Brasil deve ter funcionado em 1821.

Baseia-se na referência feita por José Pereira da Silva (Silva Velho) com relação aos taquígrafos que funcionaram na Constituinte, quando diz: “…apesar de terem uma prática assídua na aula de taquigrafia por espaço de dois anos”.

Tendo sido instalada a Assembléia Constituinte em 1823, só poderiam os taquígrafos terem “uma prática…por espaço de dois anos”, tendo aprendido a técnica em 1821. Corrobora Salomão de Vasconcellos essa afirmação de Silva Velho com um Parecer de 3 de agosto de 1826, publicado nos Anais do Senado (Anais do Senado, t.4, p.11-12) relativo a um requerimento do taquígrafo João Caetano de Almeida, no qual declara que o governo – “desde 1821 o mandara aprender, exercitar e ensinar a arte…”

WALDIR CURY

Dicas de leitura: No palco da memória por Carmen Dolores (2013)

No palco da memória por Carmen Dolores (2013)

Sinopse

«Nunca pensei escrever um segundo livro de memórias, embora o primeiro tivesse como título Retrato inacabado. No entanto, o tempo foi passando e comecei a anotar numa espécie de diário o que me ia acontecendo, o que ia observando, o que me despertava mais interesse… e assim surgiu este No palco da memória, para que fique um registo daquela que ainda sou, uma referência aos trabalhos em que fui participando, e até um recordar do que se escreveu a meu respeito.»

Eis uma voz única, a de Carmen Dolores, que nos entrega aqui, desta vez por escrito, um testemunho precioso de uma longa vida em que o Teatro desempenhou um papel decisivo. Cruzamento de passado e presente, de memórias e vida, de vozes e de silêncios, esta é também a história de uma mulher e do seu tempo, história que ela tornou exemplar pelo empenho e sensibilidade com que sempre a viveu.

CARMEN DOLORES

Nasceu a 22 de Abril de 1924, em Lisboa. Aos 14 anos, estreou-se na rádio, onde manteve depois uma intensa actividade, nomeadamente em programas de divulgação de poesia. Apareceu pela primeira vez no cinema no filme Amor de perdição (1943), realizado por António Lopes Ribeiro, desempenhando o papel de Teresa. A sua aparição nos palcos aconteceu em 1945, na peça Electra, de Jean Giraudoux, na Companhia dos Comediantes de Lisboa. Transitou depois para o Teatro Nacional (Companhia Amélia Rey Colaço-Robles Monteiro), onde permaneceu durante oito anos, tendo passado pelo Teatro de Sempre, de Gino Saviotti, e pelo Teatro Nacional Popular. No início dos anos 60, fundou, com Armando Cortez, Fernando Gusmão e Rogério Paulo, o Teatro Moderno de Lisboa. Em televisão, participou em peças de teatro como Um mês no campo, de Turgueniev, Frei Luís de Sousa, de Almeida Garrett, Bela Doroteia, de Mihura, O leque de Lady Windermere, de Wilde, A senhora das brancas mãos, de Casona, e João Palmieri, de Larreta. O seu nome encontra-se ligado a alguns êxitos da Casa da Comédia: A dança da morte, de Strindberg, Play Strindberg, de Dürrenmatt, Alice nos jardins do Luxemburgo, de Weingarten, e A forja, de Alves Redol. Depois de 1974, participou em Espingardas da mãe Carrar e O círculo de giz caucasiano, de Bertolt Brecht, dirigidas por João Lourenço. Em 1983, representou no Teatro Aberto Comédia à moda antiga, de Arbuzov, e Confissões numa esplanada de Verão, de Strindberg, encenada por Mário Viegas. Em 1985, fez parte do elenco de Virgínia, uma peça de Edna O’Brien encenada por Carlos Avilez. Pelo seu desempenho como Dona Otília, no filme Balada da praia dos cães, de José Fonseca e Costa, recebeu em 1987 vários troféus de cinema de revistas nacionais. Em 1988, foi protagonista na telenovela portuguesa Passerelle e, no mesmo ano, do filme A mulher do próximo, de José Fonseca e Costa. Em 1991, voltou ao teatro, onde interpretou Balanceada, de Samuel Beckett, com encenação de Mário Viegas, e, em 1992, a peça Espectros, de Ibsen, dirigida por Carlos Avilez. Em 1993, colaborou na série televisiva A viúva do enforcado, realizada por Walter Avancini, e na telenovela . Em 1994, foi presidente do júri no concurso da RTP Pátio da fama. Após um longo interregno, regressou em 1999 às prestações televisivas, protagonizando a telenovela A lenda da garça. A 15 de Maio de 2005 actuou pela última vez na peça Copenhaga, dirigida por João Lourenço, espectáculo que marca o seu afastamento dos palcos e da televisão após 60 anos de carreira. Foi então condecorada pelo Presidente da República Jorge Sampaio com o grau de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique. É autora do livro de memórias Retrato inacabado (O Jornal, 1984), e co-autora, com Tito Lívio, da obra Teatro Moderno de Lisboa – 1961-1965 – Um marco na história do teatro português (Caminho, 2009).