Especial 12° OID: Arte e educomunicação na construção de fanzines

A oficina conduzida pela ativista gaúcha Malu Viana teve como foco a criação de fanzines analógicos e digitais. A palavra fanzine vem da contração da expressão em inglês fanatic magazine, que significa em português revista de fãs. Portanto, fanzines são publicações feitas por pessoas para outras pessoas que gostam de um determinado tema, sejam elas amadoras ou profissionais.

Por seu conteúdo depender exclusivamente dos interesses dos fanzineiros e fanzineiras (como são conhecidas as pessoas que publicam fanzines), praticamente existem fanzines sobre uma diversidade de temas: ficção-científica, música, literatura, culinária, aeronaves, e inúmeros outros, abordados sob as mais diversas formas: contos, poesias, documentários, quadrinhos e entre outros. Para Malu, o fanzine “é uma arte e uma alternativa de comunicação, que exige o pensar, o refletir, selecionar e desenvolver ideias”, além de ser um momento prazeroso e lúdico.

Texto e Fotografia: Rafaela Melo.

Especial 12ª OID Inventivid@des Digit@is: criando um amolador de facas com um HD

A palestrante Beatriz Pereira, do Telecentro Raposos em Minas Gerais, apresentou para o público (a maioria jovens participantes de projetos de Metareciclagem espalhados pelo país) a possibilidade de reutilização de HD’s e outros equipamentos danificados ou antigos em projetos inovadores e criativos.

Durante a oficina, Beatriz contou sobre seu primeiro contato com a informática, sua longa atuação nos telecentros e de como o encontro com a metareciclagem mudou a sua vida.

O momento mais esperado da oficina foi a apresentação do “amolador de faca com HD” construído pela própria Beatriz com ajuda dos monitores do telecentro. Para a construção dessa super máquina ela utilizou um HD danificado, uma “carcaça” de rádio e uma fonte de alimentação (o motor).

Não é feitiçaria é tecnologia!

Texto e Fotografia: Rafaela Melo.

Especial 12ª OID: Oficina discute cinema digital com um olhar racial

Por Rafaela Melo (12ª OID)

Os oficineiros Viviane Ferreira, Velluma Azevedo, Gustavo Ferreira e Mazai Azevedo que trabalham em parceira com as organizações Terreiro Manso Dandalungua Cocuazenza e uma associação terreiro Ilê Axé Oyá na Ilha de Barra Grande, em Salvador promoveram um debate sobre ferramentas audiovisuais e sua interface com a discussão racial. A oficina teve como proposta discutir as possibilidades no uso das ferramentas digitais em articulação com o movimento da inclusão digital, com ênfase na discussão racial.

Inicialmente, os oficineiros propuseram uma atividade sensorial, que consistiu de um passeio dos participantes da oficina pelo saguão do Hotel Nacional, todos com vendas em seus rostos para a formação de duplas e reconhecimento do outro. A proposta teve como o objetivo fornecer subsídios para a discussão sobre o modo como representamos o outro a partir das informações que recebemos sobre estes, sem ao menos conhecê-los.

Após o momento de sensibilização, os oficineiros apresentaram dois filmes: um curta metragem da Cineasta e Oficineira Viviane Ferreira, chamado “Mumbi 7Cenas Pós Burkina”, que mostra a angústia de Mumbi, uma jovem cineasta que, após participar de um dos maiores festivais de cinema do mundo, se vê enclausurada em seu interior sem saber qual será sua próxima obra.  A partir do diálogo entre seu pensamento e suas lembranças de obras marcantes do cinema brasileiro, Mumbi se liberta.

O segundo curta-metragem, “Cores e Botas” , escrito e dirigido por Juliana Vicente, conta a história de Joana, uma menina que tem um sonho comum a muitas outras dos anos 80: ser Paquita. Sua família é bem sucedida e a apoia em seu sonho. Porém, Joana é negra, e nunca se viu uma paquita negra no programa da Xuxa.

Os filmes promoveram debates entre oficineiros e participantes sobre a identidade individual e coletiva, o modo como representamos o outro e de que forma construímos e legitimamos estereótipos. Uma das participantes da palestra afirmou no debate após a exibição dos curtas: “temos que nos aceitar a ser como somos, nós negros crescemos com aquilo em nossa cabeça dizendo que não somos capazes, mas precisamos superar isso”. 

A ideia de trazer a oficina para o evento foi conectar a Inclusão Digital e Participação Social com o cinema, uma das tecnologias que movimenta bilhões por ano e que é dominada por um grupo social. O cinema constitui a nossa identidade e a nossa construção e representação de mundo. “Precisamos tomá-lo como nosso”, afirma a Cineasta Viviane Ferreira.

A proposta é olhar o audiovisual como uma possibilidade de utilização dessas ferramentas para a construção de novas narrativas, novas formas de ver e pensar o mundo. “Como identificamos no movimento da inclusão digital as discussões sobre a questões raciais? Basta ter corpos negros circulando na OID para dizermos que somos uma sociedade democrática e participativa? Encontramos a questão racial na programação e nas ações da OID?”, provoca a cineasta.

Um dos participantes do Rede Mocambo disse:

“Não queremos ser incluídos. Esta discussão está ultrapassada, queremos nos apropriar dessas ferramentas, ter o domínio dessas produções e não ser apenas utilizadores. Não queremos usar equipamentos da China, queremos produzir câmeras, queremos produzir softwares, queremos produzir equipamentos e produzir cinema, ou apenas beneficiaremos o mercado e ficaremos dependentes de tecnologias que não temos o domínio. Também queremos saber como os recursos chegam para que as comunidades negras produzam estas ferramentas”. 

 

Mãe Beth de Oxum: “Precisamos utilizar as tecnologias a nosso favor”

Texto: Breno Neves e Rafaela Melo. 

Na tarde de ontem (12/12), a palestra com a pernambucana Mãe Beth de Oxum versou sobre a importância da tecnologia estar à serviço das culturas de matriz africana. “Essa tecnologia tem que estar a nosso serviço, trazer a nossa identidade e contar a história do nosso povo”, afirma a Mãe Beth.

A palestrante, coordenadora do ponto de cultura Coco de Umbigada, possui uma rádio (Amnésia FM 88.5), produz vídeos para a TV Pública e tem um canal no Youtube – TV Umbigada. Segundo a palestrante, estes projetos foram criados pela falta de espaço que os povos de matrizes africanas encontram nos meios de comunicação de massa. Apesar do apoio das políticas de cultura, a Mãe Beth destaca alguns problemas:

“Temos uma rádio com equipamento que conseguimos a partir dos editais do Ministério da Cultura (MinC). O mesmo governo que dá o equipamento, manda a polícia perseguir e fechar a nossa rádio, ou seja, nos ajuda e nos criminaliza”.

A palestrante falou também da relação entre as tecnologias e a inclusão social, lembrando dos altos índices de jovens mortos a cada ano. “Esses números tem cor, tem lugar e tem grupo social”, ressalta Mãe Beth.

Durante a palestra, foi apresentado o jogo Contos de Ifá, desenvolvido em uma licença livre com o objetivo de contar a história dos Orixás. “O brinquedo mobiliza socialmente, e para isso precisamos usar a tecnologia para divulgar nossa cultura” destaca Mãe Beth.

Para finalizar, a Mãe Beth de Oxum convidou os participantes para uma Ciranda, promovendo encontros entre pessoas, códigos e linguagens tecnológicas, culturais, ancestrais, políticas e sociais.

 

Especial: 12ª OID

LOGO_OID12_data

Oficina para Inclusão Digital e Participação Social é um evento que acontece desde 2001, inicialmente organizado pelo Governo Federal e hoje contando com a coordenação do movimento social organizado, que busca reunir tanto agentes públicos quanto a população atuante em espaços que oferecem o acesso às tecnologias da informação, para o debate da configuração atual e de novas propostas para a política de inclusão digital no país.

Por ser um espaço de discussão de políticas públicas, estratégicas e diretrizes de ações que promovam a apropriação das tecnologias digitais pela população, a OID (Oficina para Inclusão Digital e Participação Social) tem como eixo fundamental a discussão do acesso às novas tecnologias e a democratização da comunicação. Além dos envolvidos diretamente com as TICs (tecnologias da informação e comunicação), o evento também é aberto a todos os interessados que buscam maiores informações ou até mesmo àqueles que buscam aprimorar seus conhecimentos práticos na área, uma vez que a oficina além das plenárias, palestras e debates, conta também atividades práticas. O evento também disponibiliza, em sua estrutura, uma área montada com computadores e acesso à internet para o uso pelos participantes.

A OID possui inscrições gratuitas e oferece, ao final de cada edição, um certificado de participação àqueles que estiveram presentes no evento.

Ainda há tempo de se inscrever! Corre logo! http://oficinainclusaodigital.org.br