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As práticas educativas emancipatórias nos países latino-americanos: considerações sobre o documentário “La Educación Prohibida”

Por Rafaela da Silva Melo –UFRGS 

rafaela.melo@ufrgs.br

Resumo:

O presente trabalho se propõe realizar uma reflexão a partir de trechos extraídos do documentário “La Educación Prohibida” sobre o nosso atual sistema educacional produto da modernidade, analisar suas principais características e contradições. E a partir dos conceitos de Educação Libertadora de Paulo Freire e Epistemologia do Sul de Boaventura de Souza Santos, o trabalho busca visibilizar algumas tentativas de superação de um modelo educacional excludente a partir do surgimento de movimentos contra hegemônicos visando à superação de um modelo educacional opressor e de consolidação de uma concepção de educação libertadora pautada pelos princípios éticos, pela alteridade e pelo desejo de transformação social.

Palavras-chave: Emancipação; Movimentos Contra hegemônicos; Educação Libertadora.

  1. Introdução

Este trabalho se propõe realizar uma reflexão sobre o atual modelo educacional, a partir de um documentário divulgado na internet em agosto de 2012, que tem por título: “La Educación Prohibida”. O documentário/filme que tem a duração de 2h 25h, foi dirigido por um jovem de 24 anos chamado Germán Doin Campos e produzido colaborativamente por diversos educadores de países latino-americanos e da Espanha que questionam a forma como os sistemas de ensino tradicionais estão organizados, seus pressupostos e as suas contradições.

A pesquisa realizada para a produção do documentário mobilizou mais de 90 educadores de propostas alternativas de oito países. Os educadores nos apresentam experiências que ousaram transgredir o modelo educacional hegemônico, mostrando-nos algumas possibilidades e caminhos para a superação de um paradigma excludente. O documentário/filme foi financiado coletivamente graças ao centro de coprodutores e tem licença livre, o que permite a sua cópia e reprodução gratuitamente.

2. A escola como produto da modernidade

O que faz com que o estudante fracasse na escola? Compreendo que não é o estudante quem fracassa é o sistema que foi mal projetado. As reformas educativas que estão em vigor em muitos países, são criadas para o fracasso. São arranjos maquiados do que nós pensamos que devemos melhorar na escola, mas o problema está no modo como concebemos paradigmaticamente a escola, é um problema de concepção básica”. (Depoimento de Carlos Muñoz, La Educaccion Prohibida, 2012).

O documentário “La Educación Prohibida” faz um breve resgate histórico para explicar o surgimento do conceito de educação pública, gratuita e obrigatória no final do século XVIII na Prússia. Além disso, é explicitada a conveniência do modelo educativo atual para as sociedades industriais, que fizeram da escola um espaço de reprodução simbólica serializada: uma grande linha de produção e padronização.

Embora a educação fosse concebida no discurso das classes hegemônicas como “caminho para o progresso” e que esta deveria ser ofertada para todos, sendo direito fundamental de natureza social para o exercício da cidadania (Cury, 1997) a escolarização foi historicamente negada para as classes populares, complementando um quadro de exclusão e negação de cidadania que atinge a grandes contingentes desses setores da população. Diversas são as contradições e os questionamentos da modernidade, que, se, por um lado, defendia a igualdade e a liberdade, por outro, perpetua uma ação incisiva de modelo de sistema opressor, controlador e disciplinador de condutas.

Em relação à escola, nascem os grandes sistemas públicos de educação. Modelo de escola que não apenas instrui e forma, mas também impõe comportamentos e valores, que se articulam em torno da didática, da racionalidade técnica, da disciplina, das práticas repressivas. Com as mudanças no modo de produção capitalista em meados do século XX, surge a necessidade da criação de escola para as massas, para atender as novas demandas econômicas de mão de obra.

Um sistema educacional para as classes populares deveria atender os setores produtivos. Portanto, a educação para as classes populares deveria tornar todos “iguais”, deveria ser padronizada, hierarquizada, seletiva, competitiva visando à formação de futuros trabalhadores com saberes pré-determinados, prontos e moldados, considerados os únicos necessários para o desempenho futuro. Segundo Pérez Gomes (2001):

É fácil reconhecer como a escola, filha privilegiada do Iluminismo moderno, exerceu e continua exercendo um poderoso influxo etnocêntrico. A escola está reforçando de maneira persistente a tendência etnocêntrica dos processos de socialização, tanto na delimitação dos conteúdos e valores do currículo que refletem a história da ciência e da cultura da própria comunidade como na maneira de interpretá-los como resultados acabados, assim como na forma unilateral e teórica de transmiti-los e no modo repetitivo e mecânico de exigir aprendizagem. (PÉREZ GÓMES 2001, p. 35).

O autor destaca o caráter tradicionalmente etnocêntrico na organização curricular das instituições educativas, pois o racionalismo científico sob bases cartesianas e positivistas fundamentaram uma concepção de educação escolar reprodutora do sistema de dominação colonizadora, demarcando territórios para dominantes e dominados, através de um olhar inferior dos europeus para os povos do Sul, sobretudo através das ciências, das artes e outras.

Portanto, a natureza etnocêntrica do currículo escolar denunciada por Pérez Gómez (2001), faz parte da representação do pensamento hegemônico que norteou um projeto de sociedade comprometido com um ocidentalismo capitalista, o qual buscou eliminar a “diferença”, pautando-se em paradigmas capazes de estabelecer hierarquizações, a fim de uma valorizar determinada cultura, determinados saberes, determinados modos de ser, viver e estar no mundo.

3. A Educação Libertadora e a Epistemologia do Sul: Um diálogo entre Paulo Freire e Boaventura de Souza Santos

Nesse tópico apresento de modo sucinto, as contribuições de Paulo Freire e Boaventura Santos para o debate sobre a construção de alternativas contra hegemônicas para educação dos países latino-americanos visando a emancipação. Primeiramente, destaco as principais contribuições do educador e militante Paulo Freire (1921-1997) que trouxe importantes reflexões sobre os sujeitos postos à margem da sociedade do capital.

Por entender as classes populares como detentoras de um saber não valorizado e excluídas do conhecimento historicamente acumulado pela sociedade, nos mostra a relevância de se construir uma educação a partir do conhecimento do povo e com o povo provocando uma leitura da realidade na ótica do oprimido, que ultrapasse as fronteiras das letras e se constitui nas relações históricas e sociais. Nesse sentido, o oprimido deve sair da condição de opressão a partir da fomentação da consciência de classe oprimida. Paulo Freire acreditava no poder transformador e construtor da história dos seres humanos e atribuía à educação um papel importante para redimir os oprimidos da situação de opressão, defendendo a educação como instrumento de libertação. A Pedagogia do oprimido é aquela que busca a libertação dos seres humanos oprimidos, e para tanto eles têm que ser parte ativa desse processo.

Na visão freireana, a educação é um processo humanizador e histórico que deve proporcionar uma práxis transformadora para libertar os homens e mulheres da situação de submissão que a sociedade capitalista lhes impõe. (Batista, 2005, p.6).

O pensamento de Paulo Freire influenciou e ainda influencia diretamente o campo teórico-metodológico-epistemológico da Educação ao fomentar a questão política da educação. Sua concepção de Educação Popular foi muito bem recebida por diversos educadores, organizações e movimentos sociais da América Latina nas últimas décadas, pois ao contrário de concepções educacionais nascidas nos gabinetes dos burocratas ou de pedagogistas bem intencionados, a educação popular nasceu, na América Latina, no calor das lutas populares.

Segundo Gadotti (2007), a educação popular tem-se constituído num paradigma teórico que trata de codificar e decodificar os temas geradores das lutas populares, buscando colaborar com os movimentos sociais que expressam essas luta. Representa o desejo em diminuir o impacto da crise social na pobreza, em dar voz à indignação e ao desespero do pobre, do oprimido, do indígena, do camponês, da mulher, do negro, do analfabeto e do trabalhador industrial.

O Sociólogo Português Boaventura de Sousa Santos, vem desde o início dos anos noventa produzindo trabalhos significativos de análise sobre a estrutura e construção do conhecimento moderno. Para ele o nosso Mundo é um complexo mosaico multicultural. Entretanto, ao longo da modernidade, a produção do conhecimento científico foi configurada por um único modelo epistemológico, como se o mundo fosse monocultural, que descontextualizou o conhecimento e impediu a emergência de outras formas de saber não redutíveis a esse paradigma (Santos, 2009).

Constata-se, assim, a uma espécie de “epistemicídio”, ou seja, à destruição de algumas formas de saber locais, à inferiorização de outros, desperdiçando-se, em nome dos desígnios do colonialismo, a riqueza de perspectivas presente na diversidade cultural e nas multifacetadas visões do mundo por elas protagonizadas (Santos, 2009). Boaventura Santos propõe, a partir da diversidade do mundo, um pluralismo epistemológico que reconheça a existência de múltiplas visões que contribuam para o alargamento dos horizontes da mundaneidade, de experiências e práticas sociais e propostas educativas alternativas.

É importante esclarecer que a crítica de Boaventura Santos não questiona a importância e o valor da intervenção científica ao longo dos dois últimos séculos, sobretudo através da produtividade tecnológica, mesmo tendo em consideração os problemas criados para os quais a ciência moderna não tem solução.

A questão trazida por ele salienta que este monopólio da ciência não pode ocultar e impedir-nos de reconhecer que há outras formas de conhecimento e outros modos de intervenção no real para os quais a ciência em nada contribuiu. É o caso, por exemplo, da “preservação da biodiversidade, só possível por formas de conhecimento camponesas e indígenas e que, paradoxalmente, se encontram ameaçadas pela intervenção crescente da ciência moderna” (Santos, 2009, p. 49).

O conceito de Epistemologias do Sul representa uma metáfora de todo sofrimento, de toda exclusão e do silenciamento de povos e culturas que, ao longo da História, foram dominados pelo capitalismo e colonialismo. Processo que segundo Santos (2009) imprimiu uma dinâmica histórica de dominação política e cultural submetendo à sua visão etnocêntrica o conhecimento do mundo, o sentido da vida e das práticas sociais. Afirmação, afinal, de uma única ontologia, de uma epistemologia, de uma ética, de um modelo antropológico, de um pensamento único e sua imposição universal (Santos, 2009, p. 51). A partir desta constatação, a reflexão de Boaventura de Sousa Santos nos mobiliza a lutarmos pela recuperação dos saberes e práticas dos grupos sociais que, devido ao capitalismo e aos processos coloniais, foram histórica e sociologicamente colocados na posição de serem apenas objetos ou matéria-prima dos saberes dominantes, considerados durante séculos e séculos como os únicos válidos.

A contribuição do pensamento de Boaventura de Sousa Santos (2009) é essencial para compreendermos a necessidade de criarmos propostas educativas contra hegemônicas, o que envolve uma ruptura do currículo etnocêntrico, das práticas pedagógicas homogenizantes, classificatórias e excludentes, do epistemicídio cultural e da superação de uma concepção de educação que visa a formar os indivíduos para a manutenção deste sistema desigual e excludente.

4. PRÁTICAS EDUCATIVAS CONTRA-HEGEMÔNICAS NOS PAÍSES LATINO-AMERICANOS

As propostas apresentadas a seguir representam algumas das diversas experiências de educadores dos países latino-americanos exibidas no documentário “La Educación Prohibida”. As quatro propostas escolhidas para esse tópico, se diferenciam pelos contextos e culturas pelas quais estão inseridas, mas que se unem pelo desejo de construção de uma educação inovadora, pluralista, emancipadora e libertadora dos povos latino-americanos.

a) Instituto Popular de Cultura (Cidade de Cali, Colômbia)3:

Fundado em 1947, o instituto tem como missão a formação sujeito totalmente autônomo e crítico com os princípios éticos e estéticos em campos específicos das artes. Sujeito que seja capaz de construir conhecimento e saberes artísticos através de processos de pesquisa e projeção social, envolvendo a reflexão crítica e ativa, visando o desenvolvimento artístico e cultural a partir da realidade local. O Instituto Popular de Cultura pretende estabelecer-se como uma instituição de excelência em educação para as artes, para a educação não formal e também projetos de pesquisa, buscando promover o desenvolvimento cultural e o fortalecimento e valorização da produção artística e expressões populares em nível local e regional.

b) Escuela Experimental La Bahia (Ushuaia – Argentina):

La Bahia é uma escola pública iniciada por pais de comunidades rurais, que faz parte de uma rede experimental com trinta unidades espalhadas pelo país. A proposta educativa, com mais de meio século de vida e já com um conjunto de trinta escolas em toda a Argentina (criadas sempre a partir da iniciativa de um grupo de pais), contudo as propostas pedagógicas destas não são semelhantes e precisam se ajustar aos planos de estudos vigentes em cada estado, além da incorporação das características sociais e culturais de cada localidade. Entretanto, a proposta se desenvolve a partir de alguns pressupostos: O primeiro diz respeito à importância de “estar presente” e a segunda premissa diz respeito ao compartilhar o espaço e o tempo de trabalho, os equipamentos escolares, a música, o momento da refeição ou do canto, os jogos, a limpeza do lugar onde estão.

d) Escola Livre Experimental de Piracanga (Bahia – Brasil)

A Escola Livre Experimental situa-se na pequena área de Piracanga (BA), localizada a 60 km de Ilhéus, em uma casa de madeira, com telhado de bambu, envolta pela natureza e banhada pelo Rio Piracanga. Na Escola Livre Experimental de Piracanga não tem sala de aula. No lugar, há vários espaços criativos e de estudo. As crianças são separadas em grupos de, no máximo, 15 alunos, agrupados de acordo com faixa etária. Todos os dias são oferecidas atividades como ensino de idioma (inglês, francês, espanhol), natação, aulas de massagem, meditação, dança, jogos de integração do grupo, passeios, teatro e cinema. Cada aluno deve optar por uma dessas programações, que depois de cumprida, deve ser substituída por outra. Considerando as distintas etapas de desenvolvimento, as crianças recebem dos adultos ajuda em áreas como matemática, geografia, história, língua portuguesa, sociologia, física, biologia e química. Ou seja, independentemente das escolhas dos educandos, as diferentes áreas do conhecimento são articuladas aos saberes desenvolvidos nas diferentes vivências.

d) Unidad Educativa Experimental Activa Intercultural Trilingüe Inka Samana.5 (Saguro – Equador)

A UEAITIS (Unidad Inka Samana) está situada sobre uma pequena elevação da Cordilheira dos Andes em uma comunidade indígena ao sul do Equador. Este projeto tem como objetivo o resgate da etnia indígena e a dignidade da Cultura do Povo Saguro.

Em Inka Samana não existe formalidade de horários, nem uniformes, nem tampouco a concepção de aula no sentido tradicional. As aulas podem surgir em qualquer espaço e em qualquer hora. Inclusive, a expressão “professor” é ressignificada para “facilitador” que tem a função de facilitar e problematizar e atender individualmente as necessidades dos estudantes. A Inka Samana se organiza em três níveis: médio, primário e pré-escolar e dispõem de salas de trabalhos. Dentro da instituição se encontra as áreas de biblioteca, cozinha, quadra esportiva, salão de artes e artesanato.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O documentário “La Educcación Prohibida” se propõe fomentar e proporcionar um debate reflexivo a cerca dos pressupostos que sustentam a escola, que desde sua origem, tem sido caracterizada pela manutenção das estruturas e práticas excludentes, segregadoras, disciplinadoras e opressoras. E que ainda se mantém como uma instituição que mais contribuí com manutenção das desigualdades sociais e com o epistemicídio cultural do que com a emancipação dos sujeitos. Sua principal falência se encontra em um projeto que não considera a natureza da aprendizagem, a liberdade de compreender a importância do amor e dos vínculos humanos para o desenvolvimento individual e coletivo, pois existe uma uniformidade de práticas (apesar da multiplicidade de escolas existentes) que se orienta, quase que exclusivamente, para a formação de trabalhadores, relegando a formação do ser humano em segundo plano.

A partir destas reflexões, é preciso visibilizar propostas educativas que busquem superar práticas opressoras. “La Educación Prohibida” é um documentário que propõe recuperar muitas delas, explorar suas ideias e visibilizar experiências que buscam romper com as estruturas do modelo educacional da escola tradicional. E que nos mostra ser possível construir uma educação que promova um pluralismo epistemológico que viabilize uma educação integral, emancipadora e humanizadora, pautada pelos princípios éticos, pela alteridade, pela cidadania e pelo desejo de transformação social.

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Mais informações em: http://www.institutopopulardecultura.edu.co/

Mais informações disponível em<http://pueblos.originarios.free.fr/pueblos-indigenas/educacion-multicultural-saraguro.html> Acesso em 21 de agosto de 2013.

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