Jornalismo infantil: a melhor maneira de falar com as crianças é ouvindo-as

As histórias para crianças devem ser escritas com palavras muito simples, porque as crianças, sendo pequenas, sabem poucas palavras e não gostam de usá-las complicadas. Quem me dera saber escrever essas histórias, mas nunca fui capaz de aprender e tenho pena. Além de ser preciso escolher as palavras, faz falta um certo jeito de contar…”.  José Saramago em “A flor do mundo”

Assim é a abertura da dissertação mestrado da jornalista Juliana Doretto, que resolveu seguir um caminho diferente do tradicional na área do jornalismo. Ela dedicou sua carreira para estudar como são feitas as produções de notícias para crianças nos veículos de comunicação e como os pequenos são representados.

Em seus estudos, Juliana evidenciou um cenário importante para nós, pais e cuidadores, enquanto mediadores das crianças no processo de formação para a leitura. Este hábito determinará uma percepção de mundo da criança, tornando-a um adulto mais crítico e capaz de compreender o funcionamento da sociedade e seu papel como cidadão.

No livro “Pequeno Leitor de Papel”, está o resultado das análises  dos suplementos do jornal Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo, Folhinha e Estadinho, voltados para crianças. A investigação constatou que as redações não conseguem entrevistar, de modo igualitário, crianças de todas as faixas etárias que desejam atingir.

Além disso, ela constatou a concentração de temas (com quase ausência da tradução do noticiário adulto para as crianças), “o uso abusivo de textos imperativos e a repetição de referências à cidade de São Paulo, ainda que a circulação dos dois cadernos seja ao menos estadual”.  “Naquele ano [de pesquisa] falava-se muito para o público leitor, ou seja, o leitor de São Paulo, mas seria importante que se apresentasse outras realidades, outras infâncias, de outros estados”, evidencia Juliana.

Os temas que as crianças procuram são bastante diversificados e elas não reclamam se encontram ‘notícias de adultos’. Reclamam mesmo é do modo como a jornalista fala das ‘noticias tristes’, mas isso não significa que elas  queiram deixar de saber, é só ser dito de maneira não sensacionalista. – Julianna Doretto

O “Estadinho” quer falar para as crianças, mas não as ouviu sempre: “56% das matérias de capa analisadas não entrevistaram meninos e meninas”. Em outra conclusão, há o predomínio de crianças brancas nas fotografias de entrevistados.

Experiências 

Infelizmente, atualmente não existem veículos na televisão aberta que produzam notícias para as crianças.

Recentemente a Revista Recreio lançou um suplemento direcionado especialmente para as meninas. Em uma das edições, a capa que trazia uma chamada para o teste “você é louca por compras?”. A escolha da temática foi bastante comentada nas redes sociais e acusada de reforçar estereótipos de gênero.  Juliana Doretto comentou sobre o caso em seu blog. Veja aqui.

Outras boas práticas no mundo merecem ser citadas. Na França, existem quatro publicações que traduzem e tratam as notícias para crianças e adolescentes . O tablóide semanal Le Journal des Enfants tem tiragem de 70 mil exemplares para crianças de nove a 14 anos e serve de suporte pedagógico para 13 mil escolas. Em 1995, foi lançado o Mon Quotidien, primeiro diário infantil na Europa – destinado às crianças de nove a 14 anos. O sucesso foi tanto que, três anos depois, surgiu mais um diário para crianças: o Le Petit Quotidien, para leitores de seis a nove anos. A pauta nesses jornais é quase a mesma dos jornais adultos: atualidades nacionais e internacionais, centrados em cultura, esportes e ciências. A diferença está no estilo do texto: simples e direto, de fácil compreensão.

Assista a uma videorreportagem do Uol, em que o Le Petit Quotidien tira dúvidas das crianças sobre o horror dos atentados terroristas em Paris.

Texto publicado na Catraquinha disponível aqui. 

Crianças utilizam cada vez mais o tablet para acessar a internet

Original publicado aqui.

Pesquisa inédita avaliou a compreensão das crianças brasileiras sobre publicidade e suas estratégias.

Um gigantesco volume de publicidade direcionada à criança, nos mais variados lugares e mídias; estratégias mais complexas de publicidade na internet; e a confusão entre publicidade e informação feita pelos pequenos, foram alguns dos principais pontos expostos pela pesquisa “Publicidade Infantil em Tempos de Convergência”. Realizada pela Universidade Federal do Ceará, pelo Instituto de Cultura e Arte, e pelo Grupo de Pesquisa da Relação Infância, Juventude e Mídia (GRIM), e em parceria com a Secretaria Nacional do Consumidor do Ministério da Justiça (Senacon/MJ), a pesquisa foi lançada no dia 12 de abril em Brasília e está disponível para consulta na internet.

O estudo, coordenado pela professora Inês Vitorino Sampaio, foi realizado com 81 crianças de 9 a 11 anos, em dezembro de 2014, nas cidades de São Paulo, Fortaleza, Brasília, Rio Branco e Porto Alegre, e buscou identificar a compreensão da criança sobre a publicidade, sua percepção das estratégias utilizadas e os impactos no seu bem-estar. A publicação é a primeira análise de caráter público e nacional feita no Brasil englobando estes aspectos.

A partir dos dados obtidos ficou evidente a grande quantidade de publicidade nos ambientes físicos e virtuais que as crianças frequentam. Esse ataque diário provoca, segundo a pesquisa, uma avaliação negativa das crianças em relação aos excessos de publicidade, principalmente quando elas interrompem seus momentos de lazer. Mas muitas vezes, elas não conseguem identificar a mensagem como publicitária.

Na faixa etária de 11 a 12 anos, o uso do tablet para acessar a internet obteve um crescimento de 15%, mas o celular foi o grande destaque, 77% utilizam o aparelho, um aumento de 34% em relação à pesquisa de 2013 (43%). A preferência destas crianças mostra um comportamento semelhante ao dos adolescentes, 89% daqueles entre 13 e 14 anos usam o celular e 94% entre aqueles de 15 a 17 anos. Na amostra geral (9 a 17 anos), o celular saltou de 53% em 2013 para 82% no ano seguinte.

O coordenador de projetos e pesquisas do CETIC.br., Fábio Senne, destaca que o aumento do uso dos aparelhos móveis já era previsto, e ressalta a utilização dos tablets pelas crianças. “O crescimento da importância da mobilidade já era indicado nos levantamentos anteriores, mas em 2014 isso se acentuou, atingindo um marco inédito. Percebemos uma queda na faixa etária do usuário desses dispositivos. Enquanto os jovens estão ganhando celulares, os tablets têm se tornado uma ferramenta cada vez mais frequente de crianças”, explica.

Apesar do crescimento do tablet entre as crianças, o equipamento ainda não superou, entre aquelas de 9 a 10 anos, o computador de mesa (70%). Em segundo está o celular com 49%. Em relação ao acesso a internet, a maioria das crianças disseram que entram pelo menos uma vez por dia, 38% entre 9 e 10 anos, e 52% entre 11 e 12 anos.

A pesquisa também abordou as atividades realizadas na rede pelas crianças e adolescentes, as habilidades deles para o uso seguro, o acesso às redes sociais e a percepção deles sobre a mediação dos pais ou responsáveis.

Acesse a pesquisa:

Conheça Kuka: Um robô automático para uso em estúdios de TV

Este projeto foi criado pela empresa Cine TV Broadcast Systems de Sonthofen por integrantes da equipe KUKA. A solução conta com o robô de construção leve KUKA LBR iiwa com 14 quilos de capacidade de carga em pintura preta e fosca, a unidade de comando do robô KUKA, o painel de comando, um teleprompter e a câmera de produção ao vivo.

O robô pode criar movimentos de câmera interessantes controlados remotamente em um estúdio de notícias para trazer mais dinâmica para o programa. Com a solução de robô é possível programar rapidamente novas configurações e reprogramar inclusive em modo ao vivo, se necessário. O sistema é tão silencioso que é possível colocar o equipamento em modo ao vivo sem prejudicar o áudio.

 

Crianças criam canais no YouTube, ganham milhões de visualizações e atraem a atenção de marcas

Foto: Leo Martins.

O Jornal O Globo publicou uma matéria importante para os estudos sobre as infâncias contemporâneas que alerta sobre os perigos da exposição de crianças como “vloggers” no YouTube.

Leia mais aqui.