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Relatório “Media and Young Minds” do Conselho de Comunicação e Mídia da Associação Americana de Pediatria (AAP)

Documento oficial da Academia Americana de Pediatria publicado em inglês originalmente aqui.

Resumo: As crianças de 0 a 5 anos estão crescendo em meio a um desenvolvimento desenfreado de uma variedade de tradicionais e novas tecnologias, que se expandem a cada dia. Embora haja bastante esperança com relação ao potencial da media interativa para crianças pequenas, acompanhada pelo medo seu uso excessivo durante este período crucial de desenvolvimento rápido do cérebro, a investigação nesta área continua a ser limitada. Esta declaração revisa o material existente na literatura, na televisão, vídeos e tecnologias móveis/tecnologias interativas sobre o potencial destes para promover benefícios na educação e algumas preocupações sobre a saúde para crianças (0 a 5 anos). A declaração também destaca áreas em que os prestadores de cuidados pediátricos podem oferecer orientação específica às famílias em monitorar o uso da mídia pelas crianças, não apenas no termo de conteúdos ou limite de tempo, mas também enfatizando a importância de pais/crianças compartilhar uso da mídia e também permitir que as crianças tenha tempo para participar de outras atividades saudáveis para o seu desenvolvimento.

Abreviações:
app – aplicativo
PBS – Serviço de Radiodifusão Pública

Introdução
As inovação tecnológica tem transformado a mídia e o papel dela na vida de crianças e bebês. A maioria das crianças, mesmo em famílias economicamente desfavorecidas, estão utilizando as novas tecnologias, bem como as mídias móveis e interativas diariamente [1] e continuam ser alvo de intenso marketing [2]. Esta declaração destaca a influência da mídia na saúde e no desenvolvimento de crianças de 0 a 5 anos de idade, uma fase crucial para o desenvolvimento intelectual, construção de relacionamentos seguros e estabelecimento de comportamento saudáveis.

Crianças (0 a 5 anos)

Crianças menores de 2 anos necessitam de exploração tátil do mundo e interação social com seus cuidadores para o desenvolvimento da cognição, linguagem, motor e habilidades sociais-emocionais. Em razão da sua imaturidade simbólica, memória, e habilidades de atenção, crianças e bebês não podem aprender da mídia tradicional da mesma maneira que o fazem com seus cuidadores [3], pois eles tem dificuldade em transferir conhecimento para a experiência tridimensional [4]. O principal fator que facilita o aprendizado dos bebês com a mídia comercial (começando por volta dos 15 meses de idade) é a observação dos pais com eles e a reaprendizagem do conteúdo. [5] [6]

A interatividade das telas interativas permite aos aplicativos identificar quando uma criança responde precisamente e em seguida adapta suas respostas, deste modo apoiando as crianças em seu nível de competência. Evidências recentes mostram que aos 24 meses de idade, crianças podem aprender palavras em uma conversação em vídeo (ao vivo) com um adulto responsável [7] ou de uma tela sensível ao toque com interface interativa que permita a criança escolher conteúdos relevantes [8].

A partir dos 15 meses de idade, bebês podem aprender novas palavras utilizando telas sensíveis ao toque baseado em estudos desenvolvidos em laboratórios, mas estes possuem problemas em transportar este conhecimento para o mundo tridimensional. [9] Contudo, deve ser notado que estes experimentos são usados especialmente para desenvolver aplicativos que não estão comercialmente disponíveis.

Muitos familiares usam aplicativos/softwares de conversação em vídeo (exemplo: Skype ou FaceTime) como uma mídia interativa que facilita a conexão social com parentes distantes. Novas evidências mostram que crianças e bebês regularmente participam em conversação em vídeo [10], mas os mesmos princípios sobre a necessidade de apoio parental seria aplicável para que os bebês e crianças compreendam o que estão vendo.

Em resumo, para as crianças menores de 2 anos, a evidência sobre os benefícios da mídia é ainda limitada, por isso a interação do adulto com a crianças durante o uso da mídia é crucial, pois continua haver evidências de danos causados pelo uso excessivo de mídia digital, conforme descrito posteriormente nesta declaração.

Aprendizagem e mídia na vida das crianças de 0 a 5 anos

Programas televisivos bem desenvolvidos, tal como Vila Sésamo (Sesame Street) podem contribuir na melhoria de habilidades cognitiva, alfabetização e sociais de crianças de 3 a 5 anos de idade [11] [12], e a criar conteúdos com a finalidade de envolver as crianças em temas de saúde e questões do desenvolvimento infantil (ex: obesidade, prevenção e resiliência). A avaliação dos aplicativos do “Sesame Workshop” e o “Public Broadcasting Service” (PSB) também tem mostrado alguma eficácia sobre melhorar habilidades de alfabetização em crianças da educação infantil.[2]

Infelizmente, a maioria dos aplicativos encontrados nas categorias educacionais das lojas de aplicativo não tem mostrado evidência de eficácia, orientação para as habilidades acadêmicas e não são desenvolvidos com base nos referenciais curriculares. Tais aplicativos também não contam com especialistas do campo da educação ou educadores em seu desenvolvimento. [2] [13] A maioria dos aplicativos geralmente não são criados para dois diferentes públicos (parentes e crianças). [2] [14]

É importante enfatizar para os pais, que as habilidades de pensamento mais desenvolvido e as funções executivas essenciais para o sucesso escolar, tais como persistência, controle dos impulsos, regulação das emoções, pensamento criativo e flexível, são melhor ensinadas através de um jogo não estruturado e social (não digital) [15], assim como interações responsivas entre pais e filhos. [16]
Livros digitais (também chamados “eBooks”, ou seja, livros que podem ser lidos em telas sensíveis) são recursos interativos que, segundo pesquisas, podem diminuir a compreensão da criança de conteúdos, além disso os efeitos visuais podem ser uma distração [17] quando são realizadas leituras pelos pais. Estes devem, ser instruídos a interagir com as crianças durante a leitura de um eBook do mesmo modo como na leitura de livros impressos.

Saúde e preocupações sobre o desenvolvimento das crianças

  1. Obesidade: O uso intenso de mídias durante os anos da pré-escola (0 a 5 anos) está associado com um pequeno, mas significante aumento no IMC (Índice de Massa Corporal) [18], o que pode explicar disparidades no risco de obesidade na maioria das crianças [19] e estabelecer o estágio para ganho de peso mais tarde na infância. [20] Embora muitos estudos usaram um período de 2 horas para examinar o risco de obesidade, estudo recente envolvendo crianças de dois anos de idade, descobriu que as o IMC aumentou para cada hora da semana de mídia consumida. [21] Acredita-se que à exposição a publicidade de alimentos [22] e o hábito de assistir televisão enquanto se come, [23] que reduz a atenção das crianças para as sugestões de saciedade, produzem essas associações.
  2. Sono: O aumento na duração da exposição de crianças à mídia e a presença de uma televisão, computador ou dispositivos móveis no quarto de crianças são associados com um menor tempo de sono por noite. [24] Os bebês expostos a tela durante as horas noturnas mostram uma duração de sono noturna significativamente mais curta do que aqueles sem exposição à noite na tela.[25] Mecanismos subjacentes a esta associação incluí conteúdos [26] muito estimulantes e a supressão de melatonina endógena pela luz azul emitida pelas telas. [27]
  3. Desenvolvimento infantil: Estudos populacionais continuam a mostrar associações entre a exposição excessiva a televisão com atraso no desenvolvimento cognitivo [28] [30], da linguagem [31] [32] e em aspectos sociais/emocionais das crianças [33] [36], assim como uma notável diminuição da interação entre pais/filhos quando a televisão está ligada [37], e um funcionamento familiar disfuncional em domicílios com alto uso de mídia. [37]  O uso cada vez mais precoce da mídias pelas crianças, a grande acumulação de horas na exposição de mídia e a ausência de conteúdos adequados para as crianças na TV privada, são elementos para a compreensão dos problemas causados pelo uso excessivo da mídia por crianças de 0 a 5 anos. [38] Conteúdo é fundamental: evidências experimentais mostram que uma mudança de conteúdo violento para tópicos educacionais/sociais resultam em uma melhoria significativa de sintomas comportamentais, particularmente para garotos de baixa renda. [12] Notavelmente, a qualidade na relação entre pais/filhos pode modificar associações entre o uso da mídia e desenvolvimento infantil: um programa de TV ou aplicativo considerado de conteúdo inapropriado e relação entre pais/filhos inconsistente tem efeitos acumulativos negativos em crianças de 0 a 5 anos de baixa renda, em que uma boa relação entre pais/filhos e os conteúdos educacionais articulados produzem inúmeros benefícios [39] para os grupos desta classe social. As características da personalidade infantil também podem influenciar sobre a quantidade do tempo que as crianças fazem da mídia: a exposição à televisão em excesso é mais comum em crianças com dificuldades de temperamento [40] [41] ou problemas de auto-controle [42], e no caso de bebês com atrasos sócio/emocionais, é mais comum ser dado um dispositivo móvel para que elas se acalmem. [43]

Uso da mídia pelos familiares 

Muitos pais utilizam a televisão para distração ao invés das interações [44] entre pais/filhos ou brincadeiras com jogos infantis [45]. O uso intenso de dispositivos móveis está associado com poucas interações entre familiares/crianças [46], tanto verbais quanto não verbais e pode estar relacionado com a maioria dos conflitos entre estes [47]. O uso de mídias pelos pais é considerado um forte influenciador dos hábitos [48] de uso pelas crianças, se há uma redução de uso pelos pais, aliado a uma melhoria nas interações entre pais/crianças pode ser um importante passo para uma mudança de comportamento das crianças que utilizam de modo excessivo.

Conclusões: Implicações clínicas 

Em resumo, preocupações sobre múltiplos aspectos do desenvolvimento infantil e da saúde continuam a existir para crianças que utilizam todas as formas de mídia digital de modo excessivo.

As evidências apresentadas são suficientes para recomendar limitações no tempo de uso de mídias digitais por crianças de 2 a 5 anos para não seja permitido mais do que 1 hora por dia, para permitir que as crianças tenham tempo para outras atividades importantes para sua saúde e desenvolvimento, em razão de que estabelecer limites com relação a exposição as mídias contribuí para uma redução no risco de obesidade em crianças ao longo das suas vidas.[49]

Desse modo, incentivar os pais para uma discussão sobre a necessidade de mais conteúdos educacionais e sociais na mídia e o envolvimento com crianças na elaboração dos conteúdos poderá permitir que as crianças obtenham mais benefícios naquilo que elas acessam.

Quanto mais as tecnologias se tornam ubíquas mais as recomendações dos pediatras devem guiar os pais não somente na duração e no conteúdo da mídia utilizada pelas crianças, mas também em (1) criação de espaços desconectados e tempos para outras atividades sem utilização dos equipamentos ou Wi-Fi, em razão de que os dispositivos podem estar em qualquer lugar; (2) a possibilidade de que as novas tecnologias podem ser utilizadas para meios mais criativos e para engajamentos sociais; e (3) a importância de não menosprezar hábitos sadios de sono, exercícios, jogos, leitura em voz alta, e interações sociais.

De maneira realística, as recomendações pediátricas serão necessárias para fornecer aos pais informações sobre como e onde estes podem achar conteúdo adequado, ferramentas para monitoramento ou para redução no tempo de uso, ideias para jogos ou atividades nas quais o envolvimento das crianças seja maior do que em jogos digitais, e como os pais podem limitar o seu próprio uso da mídia (ver exemplos em: HealthyChildren.org). Cada uma dessas sugestões podem ser localizadas no texto “Planejamento familiar de uso da mídia” (ver o guia produzido pela Academia Americana de Pediatria em: www.healthychildren.org/MediaUsePlan).

Recomendações

Pediatras

  1. Inicie a conversa o mais cedo possível com as crianças. Pergunte para os pais das crianças e as próprias crianças sobre o uso da família, os hábitos de uso das crianças e os locais que estes utilizam as mídias.
  2. Ajude as famílias a desenvolver um “Planejamento de uso familiar da mídia” (www.healthychildren.org/MediaUsePlan) com recomendações específicas para cada tipo de criança e seus pais.
  3. Educar os pais sobre o desenvolvimento do cérebro nos anos iniciais das crianças e na importância de brincadeiras manuais, não-estruturadas e sociais para a construção de habilidades linguísticas, cognitivas, e sociais-emocionais.
  4.  Para crianças menores de 18 meses, desencorajar o uso de outros tipos de mídia (exceto conversação em vídeo).
  5. Para os pais de crianças de 18 a 24 meses de idade que querem acessar as mídias digitais, deve-se aconselhar que eles escolham aplicativos/softwares de alta qualidade e que estes sejam utilizados junto com as crianças, porque é a maneira como as crianças aprendem melhor. O uso de mídia e instalação de aplicativos/programas pelas próprias crianças deve ser evitado.
  6. Pesquisar por guias para que os pais encontrem produtos de boa qualidade (Ex: Common Sense Media, PBS Kids, Sesame Workshop).
  7. Em crianças menores de 2 anos, limitar o uso de mídia para 1 hora ou menos por dia, considerando que estes tenham um conteúdo de alta qualidade. Recomenda-se compartilhar o uso entre pais e crianças para promover ampliação do aprendizado, maior interação e estabelecimento de limites.
  8. Recomendar o não acesso a tecnologias móveis ou do tipo com telas sensíveis durante as refeições ou 1 hora antes do horário de dormir. A adoção destas atitudes pelos pais produzem transformações, tais como o respeito aos limites, localizar atividades alternativas e meios para acalmar as crianças.

Familiares

  1.  Evitar o uso de mídias digitais (exceto conversação em vídeo) em crianças menores do que 18 a 24 meses.
  2. Para crianças de 18 a 24 meses de idade, se você quer apresentar a elas mídias digitais escolha equipamentos/programas/aplicativos de alta qualidade e utilize-os junto com as crianças. Evite que as crianças dessa faixa etária façam o uso da mídia sozinhas.
  3. Não se sintam pressionados a apresentar tecnologias precocemente; as interfaces são tão intuitivas que as crianças irão descobrir rapidamente o funcionamento dos equipamentos/aplicativos/softwares quando elas começarem a utilizá-los em casa ou na escola na idade adequada.
  4. Para crianças de 2 a 5 anos, limitar o uso de tecnologias (de alta qualidade) em 1 hora por dia, acompanhar as crianças, ajudá-las entender o que elas estão acessando, e ajudá-las aplicar o que elas estão aprendendo para melhorar o mundo entorno delas.
  5. Evitar equipamentos/aplicativos/programas com “ritmo acelerado” (as crianças não os entendem muito bem) e aplicativos com conteúdos de distração e qualquer tipo de conteúdo violento.
  6. Desligar televisão e outros equipamentos quando não estiver em uso.
  7. Evitar utilizar mídias como o único meio de acalmar as crianças. Embora haja períodos de muita agitação delas (ex: procedimentos médicos ou em voos) quando a mídia é útil como meio para acalmar as crianças, mas há uma preocupação sobre este aspecto, pois isso pode contribuir para problemas com estabelecimento de limites ou incapacidade das crianças desenvolverem suas próprias regulações emocionais. Peça ao seu pediatra uma ajuda se for necessário.
  8. Monitorar o conteúdo de mídia acessado pelas crianças e quais aplicativos são utilizados e baixados. Teste os aplicativos antes que as crianças os utilizem, jogue com elas, e pergunte o que a crianças pensam sobre o aplicativo.
  9. Mantenha quartos, espaços de refeições, e momentos de brincadeiras entre pais/crianças livres de “tecnologias”. Os pais podem colocar os equipamentos no modo silencioso durante estes períodos.
  10. Não permitir acesso as tecnologias 1 hora antes das crianças dormirem e remover os equipamentos da cama.
  11. Consulte as recomendações do “Family Media Use Plan” da Academia Americana de Pediatria disponível em: www.healthychildren.org/MediaUsePlan.

Industrias

  1. Trabalhar junto com psicólogos do desenvolvimento e educadores para criar interfaces que são apropriadas para o desenvolvimento das habilidades das crianças, que não sejam distrativas, e que promovam uma integração entre o uso da mídia por pais/crianças e aplicações de habilidades para o mundo real. Restringir o desenvolvimento de aplicativos para crianças menores do que 18 meses até alguma evidência dos benefícios destes serem apresentados.
  2. Avaliar os produtos formalmente e cientificamente antes de fazer anúncios educacionais.
  3. Fazer produtos de alta qualidade, que sejam acessíveis para famílias de baixa renda e que estejam disponíveis em múltiplas linguagens para abranger a um público diversificado.
  4. Eliminar publicidade e mensagens não saudáveis dos aplicativos. Crianças nesta idade não conseguem diferenciar o que é um conteúdo publicitário de informações factuais, além disso, publicidade para crianças não é ético.
  5. Ajudar aos pais sobre como parar com a reprodução automática de vídeos alterando a configuração padrão do aparelho. Há sistemas desenvolvidos disponível nos equipamentos que podem ajudar os pais a monitorar e limitar o uso de mídia.

Autores principais:

  •  Jenny Radesky, MD, FAAP
  • Dimitri Christakis, MD, MPH, FAAP

Conselho de Comunicações e Comitê de Mídia Executiva (2016-2017):

  • David Hill, MD, FAAP, Chairperson
  • Nusheen Ameenuddin, MD, MPH, FAAP
  • Yolanda (Linda) Reid Chassiakos, MD, FAAP
  • Corinn Cross, MD, FAAP
  • Jenny Radesky, MD, FAAP
  • Jeffrey Hutchinson, MD, FAAP
  • Rhea Boyd, MD, FAAP
  • Robert Mendelson, MD, FAAP
  • Megan Moreno, MD, MSEd, MPH, FAAP
  • Justin Smith, MD, FAAP
  • Wendy Sue Swanson, MD, MBE, FAAP

Ligações

  • Kris Kaliebe, MD – American Academy of Child and Adolescent Psychiatry
  • Jennifer Pomeranz, JD, MPH – American Public Health Association
  • Brian Wilcox, PhD – American Psychological Association

Pessoal

  • Thomas McPheron

Notas de rodapé

Este documento está registrado sendo de propriedade da Academia Americana de Pediatria e seu corpo de diretores. Todos os autores estão imunes de conflitos de declarações de interesse com a Academia Americana de Pediatria.

Qualquer conflito que eles tiveram foi resolvido ao longo do processo aprovado pelo corpo de diretores. A Academia Americana de Pediatria nunca solicitou ou aceitou qualquer tipo de envolvimento comercial no desenvolvimento desta publicação.

A política de declarações da Academia Americana de Pediatria se beneficia da especialidade dos colaboradores internos da (AAP) e de revisores externos. Desse modo, a política de declarações da Academia Americana de Pediatria não reflete no ponto de vista dos colaboradores ou as organizações e agências governamentais que eles representam. O guia apresentado nesta declaração também não se configura como um método de tratamento exclusivo ou deve servir como um padrão para cuidados médicos.

As variações, levando em conta determinadas circunstâncias individuais, podem ser apropriadas. Todas as declarações da Academia Americana de Pediatria expiram automaticamente 5 anos após a publicação, ao menos que estas sejam reafirmadas, revisadas ou retiradas de circulação antes deste período.
Interesses financeiros: Os autores do documento indicaram que eles não possuem interesses financeiros na divulgação deste artigo.
Financiamento de agências: Sem financiamento.
Potencial conflito de interesse: Os autores indicaram que eles não tem potenciais conflitos de interesse na divulgação do artigo.

Referências

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Copyright © 2016 by the American Academy of Pediatrics

Tradução Livre: Rafaela Melo.

 

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Filed under Educação, Infância, Tecnologia

Ainda não há evidências de que telas sensíveis ao toque são boas para bebês (tradução livre)

Por Susan Linn – Harvard Medical School.

Texto original aqui.

Dimitri Christakis, co-autor de recomendações da Academia Americana de Pediatria (AAP) para desencorajar a exposição de crianças menores de 2 anos a tecnologias com touch screen (telas interativas), mudou sua posição. Ele fez isso, apesar de reconhecer a falta de apoio a pesquisas sobre o tema, baseadas no que ele francamente identifica como um “palpite” associado com ao crescimento de vendas do iPad.

No artigo divulgado pela JAMA Pediatrics, o renomado pediatra diz que agora ele acredita que pais podem permitir a exposição de crianças menores de dois anos as telas interativas dos dispositivos móveis. Christakis argumenta que passar mais tempo acessando telas interativas tem benefícios similares ao brincar com blocos, que é conhecido por ajudar no desenvolvimento de leitura e escrita.

Infelizmente para bebês, suas previsões que tem sido espalhadas como notícias pelos meios de comunicações nos Estados Unidos (NBC’S e Today.com) e estão se transformando em um guia para os pais que buscam orientação sobre se e quando introduzir seus bebês e crianças em telas. Muitos pais que veem estas notícias são suscetíveis para ignorar os detalhes e a falta de pesquisa para apoiar tais declarações.

Uma notícia bastante lida publicada no The Huffington Post em 2014 relatou que “bebês podem se beneficiar com o uso das telas interativas se usadas de 30 a 60 minutos por dia”. Uma manchete de outra notícia diz “Rendidos ao iPad: médicos em Seattle afirma que bebês devem usar tablets”. Até o momento, nenhum artigo incluiu comentários da AAP ou de outros autores de suas recomendações baseadas em evidências.

É confuso o artigo publicado pelo períodico JAMA pediatrics de título “O uso de mídia interativa de crianças menores de 2 anos: momento de repensar o guia da Academia Americana de Pediatria?” Este artigo mais sucinto e visivelmente raso apresenta um quadro enganosa comparando as características de três categorias de objetos: “brinquedos tradicionais”, “telas interativas” e “televisão”.

O quadro apresentado pelo pesquisador pretende mostrar que “telas interativas” possuem mais qualidades positivas do que brinquedos tradicionais e a própria televisão. Depois, Christakis indica que a tabela não compara “telas interativas” com brinquedos tradicionais em geral, invés disso, o autor parece compará-las com um brinquedo não identificado.

É intrigante que o exemplo dado por Christakis de um “brinquedo tradicional” é um jack-in-the-box, cuja única função sempre foi assustar bebês inocentes. Christakis identifica equipamentos “touch screens”, mas não brinquedos tradicionais como interativos, argumentando que estes são capazes de promover reações imediatas baseadas em algo que uma criança faz. Entretanto, muitos dos brinquedos tradicionais atendem aquele padrão. Uma torre de blocos caí se uma criança a constrói muito alto, argila pode ser moldada em milhares de diferentes formas, bolas rolam, saltam ou giram. Até mesmo bonecas e bichos de pelúcia que sequer se movem ou falam por conta própria são notavelmente interativos pela definição de Christakis.

Equipamentos com telas sensíveis ao toque, mas não brinquedos tradicionais, são também descritos como “adaptáveis” definido como o diferente comportamento baseado na idade das crianças e em suas preferências, e progressivo, mudando a complexidade conforme a criança vai amadurecendo. Blocos, argila, bolas, bonecas, bichos de pelúcia e todos os tipos de outros brinquedos tradicionais que estes critérios atendem.

Estes objetos não podem mudar por eles mesmos, mas eles evocam possibilidades em desenvolvimento para o uso quando as crianças crescem. Um olhar sobre a complexidade nos modos como crianças de 18 meses, 3 anos, e 7 anos de idade brincam com aqueles objetos mostra que eles atendem os critérios de Christakis por serem adaptáveis e progressivos. Entretanto, é problemático que muitos dos recursos identificados na comparação do autor são complexos e merecem maiores explorações e explicações. Ele descreve a interatividade eletrônica nas telas sensíveis ao toque como um “boom” para o aprendizado de crianças, mas ebooks que falam e fazem sons ao serem tocados com os dedos tem sido em alguns estudos desencorajados por contribuírem com a diminuição dos diálogos entre crianças e adultos através da contação de histórias.

Não há pesquisas sobre o impacto da resposta instantânea das telas sensíveis ao toque sobre a capacidade de desenvolvimento do bebê para resistência, paciência e resolução de problemas, mas o senso comum sugere que ele deve ser considerado. Christakis baseia suas previsões sobre os benefícios das telas sensíveis ao toque em sua crença que eles promovem um senso de ação, ou que ele descreve como um sentimento de “eu fiz isso”. Ele não menciona que muitos dos populares apps para bebês, como “Play-Doh Creativity ABC’s” ou “Fisher-Price’s laugh and learn” privam as crianças de ações, porque suas atividades somente permitem uma correta e predeterminada resposta. De fato, um estudo recente mostra que a interatividade de muitos dos aplicativos mais usados/vendidos para crianças são limitados para atos físicos de deslizar e tocar. A maioria desencoraja a criatividade, iniciativa e uma ampla gama de possibilidades de respostas como muitos brinquedos tradicionais fazem.

Da perspectiva da saúde pública, o que mais preocupa é sugestão de Christakis sobre a exposição de crianças menores de dois anos a telas interativas ao toque por 1 hora diária, o que constitui-se como um “uso judicioso de telas interativas ao toque”. Desde do fato de que ele não faz distinções entre recém nascidos e crianças, o artigo defende que é bom para os pais introduzir crianças a utilizarem tecnologias móveis (tablets e smartphones) desde o nascimento das crianças. É irônico que ele legitima o uso diário de telas sensíveis ao toque por crianças e ao mesmo tempo ele demonstra preocupações sobre a natureza potencialmente viciante das telas. Christakis descreve a “emergência da problemática sobre o uso da internet por crianças e adolescentes” e especula que “nós podemos começar a ver casos recentes de uso compulsivo de iPads entre nossas crianças”.

Dada a plasticidade de cérebros de bebês, a formação e o reforço de padrões de comportamento por experiências repetidas, por que um notável pediatra e pesquisador incentivaria os pais introduzirem na vida dos seus filhos a 1 hora de exposição diária a telas sensíveis ao toque? A credibilidade combinada de JAMA Pediatrics e a reputação de Christakis como um pesquisador, e a posição dele no “AAP Concil on Media and Communication” vão tornar ainda mais difícil para as famílias a decisão sobre como, quando e em que situações introduzir as crianças para tecnologias com tela sensíveis ao toque.

Pesquisas relevantes estarão disponíveis nos próximos anos. Dada a preocupação de Christakis com relação ao fato que o uso prolongado dessas tecnologias podem ser viciantes e pode substituir atividades comprovadamente benéficas, bebês podem ser prejudicados se este tipo de posição contribuir para encorajar mais familiares a incentivar a exposição de seus filhos a telas sensíveis ao toque por 1 hora diárias, especialmente aquelas crianças mais vulneráveis. Enquanto isso, nenhum bebê será machucado se as famílias continuarem a seguir as recomendações atuais de instituições como as AAP’s, baseadas em evidências e manter seus bebês longe das telas.

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